5.ROMA ĠMPARATORLUK DÖNEMĠNDE ORTA KARADENĠZ YERLEġĠMLERĠ
5.9. Vezirköprü (Neoclaudiopolis)
O projeto foi submetido ao Comitê de Ética da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP (CEP) para avaliação dos aspectos éticos envolvidos nesta pesquisa. Tratando-se de sujeitos vulneráveis, de acordo com a Resolução 196/96 – CONEP/MS, os cuidados de exposição, privacidade e sigilo foram duplamente observados e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi apresentado aos sujeitos da pesquisa (BRASIL, 1996).
O Termo de Consentimento referido não foi apresentado a familiares ou responsáveis pelos sujeitos, tratando-se de uma população considerada vulnerável, visto que os sujeitos selecionados para o estudo são freqüentadores de um centro comunitário de atenção em saúde mental e encontram-se em condição de decidir por si mesmos a respeito da participação na pesquisa, do ponto de vista da sua autonomia.
Cabe salientar que somente indivíduos que se dispuseram a participar livremente foram contemplados pelo estudo. Os encontros foram agendados com antecedência, em encontros prévios, e se desenvolveram no Centro de Atenção Psicossocial em questão.
Para a exposição dos recortes das falas, bem como da interpretação dos relatos individuais, a identidade dos sujeitos foi preservada pela substituição de seus nomes por uma identidade fictícia gerada por mim – a partir de minhas significações.
4 – A CONSTRUÇÃO DA COMPREENSÃO ONTOLÓGICA DA VIVÊNCIA DA INTERNAÇÃO PSIQUIÁTRICA
Concluído o processo de coleta dos depoimentos, empreendi um esforço no sentido de destituir-me do meu olhar (concepções prévias) sobre a internação psiquiátrica e mergulhar no universo da pessoa que é internada em hospital psiquiátrico, buscando sempre identificar e apreender elementos convergentes entre as falas que poderiam ser relacionados na montagem de representações sobre o fenômeno estudado.
Cada depoimento foi inicialmente visitado por mim, desprendida da preocupação em procurar significados. Este primeiro olhar, finalizado o procedimento interativo com o sujeito, tem a intenção de familiarizar o pesquisador com o material coletado.
Posteriormente, uma nova aproximação do conteúdo foi realizada, já sob alguma diretividade, na busca de significações estabelecidas. Neste momento selecionei quatro, das oito entrevistas, enquanto possibilidades de trabalho para alcançar o objetivo proposto pelo estudo. A seleção destes depoimentos se deu em virtude da capacidade destes sujeitos em refletir o próprio processo vivencial, a ponto de mostrar uma tentativa de apreender si mesmos na rememoração da experiência da internação psiquiátrica.
Estes quatro sujeitos não somente foram ao encontro da experiência, por meio das lembranças, como se empenharam em relacionar o seu habitar o mundo, na forma própria mesmo do habitar, à vivência da internação, no movimento de reflexão sobre si.
Eleitos os depoimentos, o processo de encontro com as falas me levou a recortar trechos que pudessem elucidar elementos necessários para a compreensão do fenômeno, sobre os quais procurei lançar luz para o movimento de interpretação.
Ainda nesta aproximação atentiva procurei permitir-me captar o fenômeno como emergia, empreendendo uma compreensão sobre ele a partir do sujeito mesmo e
gerando um material referente à dimensão individual. Nesta ocasião a identidade do ser- doente-mental começou a apontar como uma luz que iluminou cada relato, suspendendo a experiência concreta da internação psiquiátrica para que o ser-aí começasse a se mostrar enquanto tal.
Somente então, de posse de um repertório individual de significações, procurei perceber os pontos comuns entre os relatos e alinhava-los para que me permitissem explorar a dimensão representativa do fenômeno, a ponto de construir o que denomino núcleos do sentido, que possam clarear o ser internado em hospital psiquiátrico, tomando por norte a reflexão dos sujeitos sobre si mesmos.
Partindo destas convergências a estrutura do ser-aí tomou forma, representando o alicerce para a construção dos núcleos, que tendem a mapear as significações dos entrevistados desvelando o conteúdo buscado: o sentido da verdade. A reflexão fenomenológica então foi munida de elementos ontológicos gerados a partir das experiências ônticas relatadas e emoções descritas a partir delas.
A verdade do ser constitui o ponto de partida e de chegada para a compreensão ontológica, constituindo o cerne do conhecimento do homem sobre o próprio homem; este entendimento a priori levou-me a lançar mão do recurso fenomenológico para explorar a internação psiquiátrica enquanto esfera temática.
O posicionamento nuclear da constituição ontológica do ser-aí na busca pelo sentido de ser internado em hospital psiquiátrico originou a denominação “Núcleo do Sentido”, que é utilizada neste estudo enquanto recurso de relação das significações e unificação dos sentidos gerados.
Os relatos são impregnados do mundo vivido pelos sujeitos, que foi inteiramente considerado em sua malha existencial, de forma que a experiência da
internação psiquiátrica se mostrou diluída neste mundo, como parte dele; analogamente os trechos recortados representam os discursos, mas não o são.
O estar-sendo-agora que se mostrou à ocasião das entrevistas foi relacionado às impressões dos sujeitos a respeito da vivência da internação, de forma a configurar uma percepção de si mesmo, em busca da verdade do ser do ente. A partir daí a Analítica Existencial foi empreendida utilizando-se das existenciálias propostas por Heidegger, no sentido de direcionar ontologicamente o olhar: do ente para o ser.
Ressalto que a pretensão deste trabalho é aliar os conceitos a perspectiva heideggeriana que vem sendo delimitada no transcorrer do estudo, para a compreensão de um fenômeno que a mim se mostrou significativo, ou seja, utilizar da estrutura de entendimento sobre o ser como recurso para uma compreensão mais ampliada sobre ser internado em hospital psiquiátrico.
Assim sendo, não pretendo recorrer à totalidade da ontologia heideggeriana, mas buscar os elementos dela constitutivos que se encaixem no desenho desta compreensão, entendendo-se a contribuição filosófica para o aprofundamento das questões existenciais que guiam as práticas em saúde.
Os relatos permitiram-me captar o modo dos sujeitos de ocupar-se das coisas, traduzindo o modo de ser-no-mundo-com-o-outro, com quem compartilha as vivências mundanas; compreender como Dasein vive, interage, existe, abre o caminho para clarear o ser que é do ente que onticamente se posiciona em um mundo que ele vai significando e tomando como dele próprio.
No movimento de resgate histórico pessoal, necessário à entrevista, cada sujeito participante pareceu empenhado em traduzir o conteúdo interno que emergia, de forma que a linguagem pudesse ser o fio condutor entre o sentido refletido e a pesquisadora. O esforço em sentir-se compreendido se mostrou próprio do homem que é com, e, sendo na coletividade, busca do outro o reconhecimento que é dado na tolerância.
Participar as vivências (com a entrevistadora) implica buscar as explicações pessoais e descrever o que se sente, a emoção, firmando-se como pessoa que se faz importante no seu modo de viver, ainda que na coletividade; é esclarecendo dialeticamente que a relevância da pessoalidade se impõe e expõe – ao outro (a si mesmo, portanto).
Durante o processo de compreensão do conteúdo proveniente dos relatos as minhas significações a respeito do fenômeno vivência da internação foram postas à luz, conformando um repertório existencial relacionado às minhas próprias vivências enquanto enfermeira no campo da psiquiatria.
Este processo auto-reflexivo sobre a prática assistencial em hospital psiquiátrico aliado ao conhecimento científico adquirido para a sedimentação deste estudo, veio permitir um entendimento ampliado sobre a temática da internação psiquiátrica; ao empreender o trabalho interpretativo as nuanças surgidas em minha rememoração acerca do tempo em que estive próxima à realidade mundana dos sujeitos
foram facilitadoras em razão de conhecer a dinâmica institucional focalizada e nutrir por eles uma atitude compreensiva.
Buscando o sentido de ser internado em hospital psiquiátrico, tal como é significado pelos sujeitos que passaram pela experiência, os Núcleos do Sentido formulados são:
5.1) A mostração do ser-aí no ser-doente-mental;