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2.KARADENĠZ BÖLGESĠNĠN COĞRAFĠ ÖZELLĠKLERĠ ve KARADENĠZ TARĠHĠ

Na tentativa de compreendermos o alicerce desta pesquisa, trataremos primeiramente do nascimento da fenomenologia e, a partir daí, como se mostrou para Heidegger, visitando conceitos elaborados a partir de Edmund Husserl (1859 – 1938), matemático e filósofo nascido na Moravia (antigo império austro-húngaro, radicado na Alemanha) que introduz a fenomenologia ao final do século XIX/ início do século XX (TURATO, 2003).

Husserl propôs a fenomenologia enquanto pensamento que vislumbra centralmente a pessoa humana, contrapondo, corajosamente, as ciências naturais. Sob sua formação no campo das ciências naturais, desenhou uma filosofia da aritmética, que

partiria de uma idéia de origem psíquica da matemática, enquanto criação da mente humana (a priori), em um contexto europeu de ascensão da psicologia instrumental.

Questionado pela comunidade científica, Husserl admitiu uma entonação psicologicista adotada em seu trabalho, que teria sido fruto de uma contemporaneidade, e reordenou, então, sua teorização para pressupor uma consciência, que não substância que comporta um espírito ou empírica, mas a consciência enquanto ato intencional que se volta para algo – para um mundo.

De acordo com Capalbo (2006), se mostrava necessário um “método que deixasse as coisas nelas mesmas se manifestarem em seu conteúdo essencial, percebida por uma visão intuitiva da consciência (s.p.)”, o que legitimaria a fenomenologia como uma “volta à coisa nela mesma”; “discurso esclarecedor disto que se mostra por si mesmo” (informação verbal)1.

Neste sentido, é necessário um retorno às coisas nelas mesmas tais como aparecem à consciência, e não uma interpretação externa sobre elas, pois a palavra nem sempre carrega, por si só, a essência de uma consciência, a intencionalidade. Para Husserl, a consciência é indissociável do ato externo, que a origina, e emana de uma historicidade (CAPALBO, 2005).

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1 Informação fornecida por Profa Dra Creusa Capalbo durante curso ministrado à disciplina

Metodologia de Investigação Fenomenológica, oferecida pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo, em 2006.

Sob este prisma, Capalbo (2006) diz da essência uma somatória de função, constituição, valores, que caracterizam a consciência tal como ela é, e da fenomenologia um campo filosófico que se desenvolve em um tempo de uma determinada época histórica, e não pode ser entendida à parte da teoria husserliana (informação verbal)1 .

Ainda, segundo a autora, a partir de Martin Heidegger, filósofo alemão (1889 – 1976), o ponto de partida da fenomenologia é o ser que aí está, posto, o homem em si, único que pode significar a sua história e o mundo que o circunda, que há de ser compreendido em sua temporalidade, enquanto ser temporal, no seu mundo funcional. Para Heidegger, a fenomenologia trata de acolher o fenômeno e expressá-lo da forma como se lhe compreende, o que pressupõe uma interpretação não independente da perspectiva de quem o interpreta, por admitir uma lógica, uma consistência interna à representação.

Para Capalbo (2006), a noção de existência na concepção heideggeriana pressupõe a idéia de lançamento do homem – para um futuro – em um mundo de relações com o outro, o ser no mundo com o outro. O homem é ser com, carregado de interpretações que são originadas a partir do seu eu no mundo circundante (afetivo, espiritual, pragmático, intelectual, cultural, social) em que é lançado enquanto “pró- jeto” (futuro) e dotado de uma angústia gerada a partir da imprevisibilidade do tempo e das relações com os outros. A doença, sob esta perspectiva, é um modo pelo qual o sujeito se mostra, mas não é o ser (informação verbal)1.

O mundo histórico, social, geográfico em que o homem está em sua pessoalidade permite que se lance enquanto projeto que se expande para fora de si, mas o detém à medida que se encontra com o outro na vida cotidiana de pressões e tensões sociais, uma vez que eu e mundo são inseparáveis, e a projeção não se estende além das fronteiras do mundo em que está.

Neste sentido, o filósofo denomina a vida cotidiana do homem na coletividade existência inautêntica (HEIDEGGER, 2008)². O mundo circundante não é exterior ao homem, é o modo de se relacionar com os espaços que cria e os quais habita, e dota-se de subjetividade justamente por não poder cindir-se.

Heidegger foi reconhecido ao questionar a visão de homem inerente ao pensamento ocidental positivista, racional, calcado na objetividade e mensurabilidade, que não se aplica às questões relativas ao humano, posto que os sujeitos, em seu existir, não são coisas e não admitem linearidade. Sua reflexão expande-se, de uma crítica epistemológica, a uma crítica civilizacional (CRITELLI, 1996).

Ribeiro (2002) esclarece que a fenomenologia nasce como uma crítica ao racionalismo dualista, cartesiano, que se refere ao modo de conceber o mundo como uma relação entre sujeito e objeto, essência e aparência. Neste sentido, a concepção da fenomenologia parte de Husserl e Heidegger, a partir da compreensão do homem na intersubjetividade, no mundo da interioridade.

Heidegger e Husserl foram contemporâneos, e a sua literatura indica a influência husserliana em seus textos primordiais. Em 1927 Heidegger publica seu mais reconhecido trabalho literário, Ser e Tempo, inacabado, tomando como foco o sentido, a verdade do ser, que o impulsionou como mais famoso representante da filosofia existencialista, apesar de sua rejeição ao termo. Ser e Tempo revolucionou a filosofia do século XX, impulsionando a filosofia européia desde então (STEIN, 2008).

Ao dizer do necessário afastamento de [pré] suposições ao tratar de um objeto a ser conhecido, diz de deixar vir à consciência o objeto como ele é, como se mostra, tomando como referencial a obra husserliana (HEIDEGGER, 1979).

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² Ser e Tempo foi publicado em 1927, no original alemão. Entretanto, este estudo utiliza a versão da terceira edição de Ser e Tempo, traduzida em português por Marcia Sá Cavalcante Schuback, conforme consta no item Referencial Bibliográfico.

Heidegger propõe uma definição de fenômeno como aquilo que se mostra em si, a uma consciência (fundamentação husserliana), tipificando-o em: (a) Fenômeno ôntico, mensurável, passível de ser captado sensorialmente de imediato (p. ex: mesa); é a aparência, ou seja, o modo de mostrar, como se faz ver; e (b) Fenômeno ontológico, que não é dado de imediato, não perceptível, como é o existir humano (BOSS, 2001), aquilo que representamos de acordo com nosso arsenal histórico, na relação com o qual o humano mostra o seu ser; aquilo que já existe previamente ao homem, mostra-se de si mesmo, mas a partir do seu manejo pelo homem pode existir. O ontológico está naquilo que existe em si, compreendendo uma essência, e constituirá o fenômeno buscado na pesquisa fenomenológica.

Em Heidegger, o ponto de partida do método de investigação do fenômeno é o ser que se dá a conhecer, imediatamente, e o objetivo é sempre o desvendamento do ser existente em si, o próprio homem, tal como se dá, ser aí (Dasein) (HEIDEGGER, 1979).

Para falar sobre uma coisa, existe anteriormente ao discurso uma relação do ser-aí com a mesma coisa, em um espaço pré-dado (BOSS, 2001). Todas as coisas somente são porque o homem as instrumentaliza, como poderemos compreender adiante.

Segundo Bicudo (1994), a fenomenologia constitui um modo pelo qual podemos pensar a realidade de forma rigorosa, admitindo para isto métodos e instrumentos que são inerentes ao fenômeno e ao pesquisador. Segundo a autora, a fenomenologia busca o desocultamento do fenômeno, a mostração da essência.

De acordo com Critelli (1996, p. 16), em uma crítica aos modos de compreensão do que existe (ciência tradicional ocidental), “a tarefa de se pensar a possibilidade de uma metodologia fenomenológica de conhecimento é, em última

instância, uma reflexão sobre o modo humano de ser-no-mundo (...)”, o que implica uma expansão da perspectiva da verdade do ser, no caminho da superação do modo dualista de conceber o homem.

Em suas palavras, “é o sentido de ser que preocupa a fenomenologia, porém, compreendendo de antemão que todo saber a seu respeito é senão relativo e provisório” (CITELLI, 1996, p. 23, itálico da autora). E é a partir da mundaneidade ³, que traduz o modo essencial de viver, que a tentativa de apreensão do ser pode ser desenvolvida (FERNANDES, 1998).

Benzer Belgeler