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4. GÖRSELLEŞTİRME MODELİNİN TASARIMI

4.4 Verilerin Görsel Yapılara Dönüştürülmesi

Como já apresentado ao longo dos últimos 30 anos, os Grupos de Mulheres de Ipatinga, foram se expandindo. Alguns mais velhos outros ainda muito recentes, outros, mesmo registrados, na prática não mais existem, enquanto há ainda aqueles que se desdobraram em dois. Neles, se configuram participações e envolvimentos variados de suas associadas, porém, em comum, verifica-se o objetivo de coletivamente se apoiarem em seu direito de buscar, de desenvolver a auto-estima e as ações de cada uma em seu grupo. Nessa trajetória muitos grupos se tornaram conhecidos desde o final da década de 70 e apresentados a seguir:

Com o seu surgimento no final dos anos 70, tem-se do primeiro grupo, ainda ativo na atualidade, o Grupo de Mulheres do Bethânia. No decorrer dos anos 80, outros grupos60 são criados como o Clube de Mães Amizade (1982), a Associação de Mulheres

Amor e Paz(1982), o Clube de Mães Irmã Dulce (1985), o Grupo A Mulher na Luta

60 Como as demais informações sobre os grupos, também essas foram retiradas dos documentos disponibilizados

pela Secretaria de Ação Social da PMI, como relatórios, atas das reuniões, listas de presença, correspondências e outros documentos produzidos, por essa Secretaria.

pelos Direitos na Comunidade (1985), o Clube da Amizade Nossa Senhora da Esperança (1986).61

Na década de 90 novos coletivos são formados, além da existência e expansão dos já existentes. São eles, o Grupo Assistencial de Mulheres Maria Pereira da Silva (1990), Clube de Mães da APAE (1990), o Centro Comunitário São Francisco de Assis (1992), o Movimento da Terceira Idade(1992), o Clube de Mães Estrela Dalva (1992), a Associação de Mulheres do Bairro Bom Jardim(1992), o Grupo de Mães Sol do Amanhã (1992), a Casa das Meninas (1992), o Grupo de Mulheres Maria, Maria (1995) e o Grupo de Mulheres do Grupo de apoio aos Soropositivos, GASP(1997).

Ao longo desses anos, com o crescimento do número de participantes e o surgimento de novos agrupamentos, surgiram outras denominações junto ao Clube de Mães. Eram os Grupos de Mulheres e alguns já nasciam com seus próprios estatutos, outros, no entanto, tinham nas anotações das reuniões o único registro sobre sua história e existência. Mesmo nessa época, no decorrer dos anos 90, sob a supervisão da PMI, essas Entidades possuíam certa autonomia, como nos mostra o relato abaixo :

“A prefeitura ver apdiandd, ras ela nãd levanta as necessidades dd grupd. Quer levanta é a cdrunidade. Vards dizer assir, cdreçdu esse grupd deu certd, elas prdcurar d apdid, de acdrdd cdr a necessidade que elas enxergar para fdrrar d grupd de rulheres.” (Vânia. Entrevista em

13/11/2007).

No final dos anos 90 muitos grupos já constituídos, passaram a se denominar

Assdciações junto aos antigos Grupos de Mulheres e Clubes de Mães existentes. Embora

passassem a ter desde então, diferentes denominações, em sua grande parte possuíam o mesmo perfil: Em sua maioria era formado por mulheres das camadas populares e suas reuniões se caracterizavam por momentos de aprendizagens específicas relativas às atividades artesanais.

Segundo um documento produzido pela PMI no ano de 2004, os grupos de mulheres são definidos como “entidades autônomas, não-governamentais, que trabalham para a defesa, o atendimento e assistência às mulheres. São denominados grupos, clubes,

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associações, cooperativas, entidades, movimentos, dentre outros.”62 A partir de 2000,

verifica-se a expansão de alguns grupos já existentes, o fechamento de alguns e o registro de novos descritos a seguir:

Clube de Mães Irmã Francisca (2000), Grupo de Mulheres Mãos que Criam(2000), Marimassas(2000), Grupo de Mulheres Santa Clara de Assis (2001), Grupo de Mulheres Mais (2001), Projeto Videiras(2001), Grupo de Mulheres do Bairro Tiradentes(2001), Grupo de Mulheres Unidas para Vencer(2001), SOL - ART(2001), Associação de Apoio a Mulher, Dignidade e Cidadania - ASSAMDICI(2001), Grupo de Mulheres Fazendo Artes(2002), Grupo de Mulheres Lírios do Vale(2002), Grupo de Mulheres Despertando Artes(2002), Grupo de Mulheres Encontrar-te(2003), Grupo Se Toque(2002), Grupo de Mulheres Brilhantes(2003), Grupo de Mulheres Artes e Ideais(2003), Grupo de Mulheres Unidas Somos Mais (2003), Conselho da Mulher Empreendedora(2002), Grupo de Mulheres Artes Mais (2004). Grupo de Mulheres Alfas(2004), Grupo de Mulheres Amigas(2004).

Em um trabalho iniciado, mas não concluído com algumas integrantes dos diversos grupos, a Secretaria de Ação Social obteve respostas significativas relativas às suas experiências, até então vividas. Entre as razões pelas quais essas entidades foram criadas, destaca-se as diferentes motivações expressas nas respostas das suas participantes63 na entrevista realizada. Assim, algumas chamaram a atenção para o

caráter sociopolítico, religioso, econômico, assistencial entre outros, segundo as prioridades de cada um no momento de sua criação.

Obviamente um grupo não pode ser identificado apenas por uma dessas dimensões apresentados, pois várias delas estão presentes e diluídas nos grupos. Portanto, tenho consciência de que, momento específico em que foram interrogados, a 62

Essa definição consta no documento elaborado pelas funcionárias da administração pública municipal, em exercício na época e responsáveis pelo auxílio aos grupos através da Secretaria de Ação Social. Entre os documentos recebidos, havia um relatório sobre os grupos, proveniente, ao que parece, de um trabalho iniciado e não concluído, pois nem todos os grupos estão presentes nas questões formuladas. Foram entrevistadas as mulheres participantes de alguns dos grupos. Elas responderam em torno de treze perguntas dessa entrevista estruturada. Outra informação importante, diz respeito às questões, que não foram iguais para todos os grupos, não havendo uma padronização. Na leitura e análise desse documento, foi estabelecida certa padronização a partir do levantamento de todas as perguntas elaboradas. Dessa forma, aquelas que estiverem sem respostas se deve ao fato de a entrevistada não ter sido questionada sobre o tema. Esse e outros documentos foram disponibilizados no período da pesquisa documental, realizada entre agosto e dezembro de 2007.

63 Os relatos sobre os grupos registrados a seguir foram retirados do documento citado acima, que foi disponibilizado

entrevistada pode ter dado uma prioridade a uma determinada dimensão e não a outra. Todavia, alguns aspectos pareceram claros nas seguintes respostas: “Fazer ddações, e

creches.” “Trabalhar a gravidez precdce.“ “Trabalhar as prdfissidnais dd sexd.” “Dar apdid às rulheres cdr câncer de rara e atuar na prevençãd - ensinandd a rulher a se tdcar“.

Também havia respostas que expressavam maior preocupação com o rendimento econômico, associando-o à busca do bem estar das mulheres. Por exemplo: “Ajudar as

pessdas a gerarer renda”. “Gerar renda e cdrd terapia”. “Tirar as pessdas de dentrd de casa, gerar renda. Muita gente estava ddente e agdra está bda”.

Além dessa preocupação, constatou-se, também, a preocupação com o desenvolvimento da consciência política, das participantes nas seguintes afirmativas:

“Para trabalhar juntd cdr as rulheres, “a integraçãd pdlítica e sdcial”. “Estar desenvdlvendd a rulher na sdciedade, tantd sdcial cdrd pdlítica, ecdnôrica e culturalrente.” “Resgatar a dignidade, a cidadania e inserir na sdciedade as prdfissidnais dd sexd”.

Ora, como se sabe, não apenas uma dimensão, mas várias estão presentes nas relações que se estabelecem entre as pessoas. Da mesma forma, verificou-se, também nos registros a diversidade de expectativas, necessidades e, principalmente, singularidades que se apresentaram para as integrantes dos grupos.

Nesse aspecto, são apontados os motivos que levaram essas mulheres a ingressarem nos seus respectivos grupos. Para tal, algumas das respostas registradas, são transcritas:

“Senti essa necessidade de cdnversar, relatar e queria ajudar.” “Queria ddar ur pducd de rir”. “Ajuda a gente a sair da depressãd, a gente passa uras hdras ruitd alegres”. “Para rir é necessárid. Me faz rais rulher... E tarbér a questãd de estar ajudandd.” “O grupd é tudd para rir”. “É a rinha vida. Está nd reu sangue, na alra, faz parte da rinha vida.” “É pdrque eu gdstd de apresentar reus trabalhds. Gdstd de estar nd reid dd pdvd.” “É ruitd bdnitd a gente ver a rulher ir resgatandd ads pducds a integridade dela.” “Pdr que eu addrd rexer cdr d grupd, rexer cdr as pessdas, addrd pdder ajudar as pessdas.” (Relato das mulheres participantes

Variadas foram as respostas, mas, em seu conjunto, revelaram o papel que os grupos passaram a desempenhar na vida das mulheres que deles participam. Embora tais respostas tenham sido dadas por uma e não todas as participantes de cada grupo, pode-se dizer que, no seu conjunto apresentaram aspectos de grande relevância referentes à saúde não apenas física mas também mental ao referiram-se ao fim da depressão, aos momentos de alegria. Existiam esses relatos uma forte conotação evidenciando a importância da convivência com outras mulheres e as potencialidades quanto às oportunidades de aprendizado que o grupo lhes proporciona.

Associada a essas questões, percebe-se, ainda, o reforço a valores humanos como a cooperação, a solidariedade, a doação que os encontros proporcionam. Entre as respostas, ressalto que apenas uma, se referiu ao caráter mais objetivo e concreto desses encontros. Trata-se da confecção de trabalhos manuais artesanais. E, de modo geral, nas respostas às perguntas feitas às participantes dos grupos, percebi certa satisfação que ultrapassava o nível pessoal, sendo, antes de tudo, coletivo e social.

“É ruitd irpdrtante para tirar aquelas reninas da rua.” “Aqui é ura casa de apdid, de acdlhirentd, de aprendizadd.” “Significa ur rdrentd de lazer, e ad resrd terpd a gente ajuda as pessdas. “Nós perceberds d valdr que d grupd ter na cdrunidade através da participaçãd, dd carinhd, da prdteçãd. O recdnhecirentd da cdrunidade nds indica que eles nds dãd ruitd valdr.” “Divulgandd e trabalhandd na prevençãd ad câncer. Acdlhendd e dferecendd rais qualidade de vida a estas pessdas que nds prdcurar lá na casa.”

(RELATÓRIO. PREFEITURA MUNICIPAL D E IPATINGA. S.d.)

Entre as inúmeras mulheres que fizeram e fazem parte da história dos grupos e mesmo do Movimento de Mulheres, algumas desempenharam um papel singular mesmo que sua importância não seja de todo percebida por quem foi lembrada. Não se trata de exaltar as representantes/coordenadoras dos grupos ou de outras pessoas que neles e com eles trabalharam, uma vez que eles existem e a importância é dada pelas ações coletivas realizadas por todas. Isso não impede de registrar a importância da atuação que algumas mulheres tiveram em momentos específicos, em alguns casos, ou no decorrer da caminhada e em seu respectivo grupo.

Em resumo, como a própria história, esta, referente aos grupos, não é linear, não se desenvolveu sem conflitos, tensões, avanços e recuos. Entretanto, a atuação de algumas mulheres foi fundamental para que essa história pudesse ter continuidade e mantivesse presente, mesmo com oscilações, o sentido inicial de sua existência. Certo é que algumas mulheres foram lembradas mais de uma vez, em diferentes momentos e por

diferentes pessoas nas entrevistas realizadas. Dessa forma, ressalta-se o significado que determinadas atuações representaram na existência e no percurso dessa história que é coletiva. A esse respeito, uma das funcionárias lembrando o papel de algumas mulheres na constituição dos grupos, disse:

“Alguns grupds rais cdnsdlidadds cdr rais história, dutrds, rais sirples e rendres vêr capengandd a vida tdda, ras nãd deixar de existir. Sãd pequends e prdvavelrente, assir ficarãd. Exister alguras rulheres que sãd referência, cdrd D. Maria, nd Mdrrd dd Sdssegd, Rdberta dd Marirassas, Diva, dd Grupd Mulheres Mª Pereira da Silva.” (Adriana.

Entrevista em 18/07/2007).

Dessa forma, ao apontar a presença dessas mulheres repetidamente citadas, não foi intenção de destacar nomes, mas apontar o significado que determinadas atuações representaram na existência e na trajetória dos grupos. Do mesmo modo, destaca-se a atuação de algumas profissionais, assistentes sociais, que junto aos coletivos de mulheres nos diversos momentos, desde a sua fundação, foram também lembradas nas entrevistas. Uma vez apresentada a história dos Grupos de Mulheres de Ipatinga e da criação do Movimento de Mulheres de Ipatinga , os capítulos seguintes serão dedicados à análise de um grupo específico: Associação de Mulheres do bairro Bethânia.