• Sonuç bulunamadı

4. SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER

4.1. Sonuçlar

4.1.1. Öğretmen ve Okul Yöneticilerinin Eğitimde Fırsat Eşitliğine

O aviso prévio cumprido em casa tem se tornado uma prática comum por parte de muitos empregadores, isto é, tem-se empregadores que quando da resilição contratual sem justa causa, avisa o empregado de sua decisão, mas não exige o trabalho do obreiro, ou seja, não exige o cumprimento do aviso prévio trabalhado e nem o indeniza. Nesse caso, o empregado, por convenção do empregador, cumpre o aviso em casa, a saber: fica em sua residência aguardando o empresariado, sob a alegação deste que se precisar dos préstimos de seu serviço o convoca para a realização.

Conforme observa Camino (2004), o fato de o empregador dispensar o empregado da prestação do trabalho, não importa dizer que esteja exonerado de sua obrigação principal de pagar salario, e demais verbas, pois irrenunciáveis. Traz a jurisprudência com base no princípio da razoabilidade, uma única hipótese de liberar reciprocamente empregado e empregador antes de findar-se o prazo do aviso prévio: quando o empregado obter novo emprego, de admissão imediata.

Dessa forma não teria sentido “hipertrofiar o princípio da irrenunciabilidade a ponto de obstaculizar a obtenção de novo emprego” (CAMINO, 2004), meio que o empregado disponibilizará para garantir sua subsistência sem apresentar qualquer prejuízo:

Quando o empregado for dispensado para admissão em novo emprego, o tempo de serviço cessará no dia em que concedida a dispensa (CAMINO, 2004, p.477).

No aviso prévio “cumprido em casa” o contrato permanece em vigência, e a rescisão do contrato se dará apenas depois de expirado o prazo legal, ou seja, o

empregado fica vinculado à empresa por pelo menos trinta dias, na expectativa de que pode ser chamado a qualquer momento para realização de algum serviço na empresa, mas também com maior tempo para buscar nova colocação no mercado de trabalho.

Destaque-se, que esta prática é desassistida de previsão legal, onde o art.477, caput e § 6° da CLT esclarece:

É assegurado a todo empregado, não existindo prazo estipulado para a terminação do respectivo contrato, e quando não haja ele dado motivo para cessação das relações de trabalho, o direito de haver do empregador uma indenização, paga na base da maior remuneração que tenha percebido na mesma empresa.

§ 6º O pagamento das parcelas constantes do instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverá ser efetuado nos seguintes prazos:

b) até o décimo dia, contado da data da notificação da demissão, quando da ausência do aviso-prévio, indenização do mesmo ou dispensa de seu cumprimento. (BRASIL, 1943).

Dessa forma, é possível afirmar que quando o empregador convenciona que o empregado deve cumprir o aviso prévio em casa deverá pagá-lo em até 10 dias, o valor integral de seu salário, isto é, um aviso prévio indenizado.

Se houver atraso no acerto das verbas rescisórias, completa Barros (2007), que isso implica multa favorável aos cofres públicos (160 BTN) e do empregado, no valor correspondente ao salário do obreiro, corrigido, a menos que o empregado dê causa à mora. Essa multa favorável ao empregado será aplicada mesmo que o empregador seja pessoa jurídica de direito público.

Quanto ao pagamento da multa ao empregado, restam poucas justificativas ao empregador para não efetuar o pagamento, assim traz Barros (2007), visto que se houver recusa por parte do sindicato em proceder a homologação; embasado no art. 477, a multa correspondente não estaria afastada, pois restaria outras alternativas para o empregador adimplir suas obrigações trabalhistas, recorrer ao Ministério do Trabalho ou ajuizar ação de forma a consignar o valor.

Conforme, ainda, Barros (2007) que a responsabilidade do empregador é tamanha que mesmo que este não dispusesse de condições para realizar o pagamento das verbas rescisórias, deveria pagá-las, visto que de acordo com o art. 2° da CLT deverá suportar o risco de sua atividade.

Assim, uma vez que há o vínculo empregatício, ao trabalhador é assegurada a totalidade dos direitos nas normas trabalhistas.

Nesta situação, seguindo também Barros (2007), permitir ao empregador a isenção da multa, “implicaria injustiça ao empregador que desde o início reconheceu o pacto laboral, com todos os seus ônus.”.

A este respeito, pronuncia-se Delgado (2006, p.1175):

Ora, na hipótese do § 8° do art. 477, a única exceção para que o empregador fique isento da multa é que o trabalhador frise-se, comprovadamente, dê causa à mora. Não se incluiu, na exceção, relação jurídica controvertida, tampouco discussão em torno da causa da cessão do contrato.

Dessa forma, somente quando satisfeito os créditos trabalhistas tempestivamente, estaria o empregador desobrigado da multa pela mora, pois os empregadores quando dispensam os trabalhadores de cumprir o aviso prévio têm prazo legal para realizarem o pagamento, veja-se os artigos da legislação - CLT:

Art. 487 - Não havendo prazo estipulado, a parte que, sem justo motivo, quiser rescindir o contrato deverá avisar a outra da sua resolução com a antecedência mínima de:

I - oito dias, se o pagamento for efetuado por semana ou tempo inferior; (Redação dada pela Lei nº 1.530, de 26.12.1951).

II - trinta dias aos que perceberem por quinzena ou mês, ou que tenham mais de 12 (doze) meses de serviço na empresa. (Redação dada pela Lei nº 1.530, de 26.12.1951).

§ 1º - A falta do aviso prévio por parte do empregador dá ao empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço.

[...]

Murad (1998, não paginado) entende:

A intenção evidente desses patrões é ganhar tempo para acertar com os trabalhadores as verbas rescisórias, tendo em vista que, quando o aviso prévio é indenizado, têm apenas dez dias para quitá-las, e no trabalhado, pelo menos trinta e um dias.

Portanto, pode-se observar tratar-se de mera prática protelatória do empresariado brasileiro como ilustra Jorge Neto e Cavalcante (2004), sendo que haveria razões para dizer que há um desvirtuamento ou fraude ao direito do empregado em receber suas verbas rescisórias em um prazo menor - até o décimo dia.

Assim, nota-se que dessa prática muitos empregadores tem se utilizado para ganharem tempo na realização do pagamento das verbas rescisórias, visto a imprevisibilidade legal do aviso prévio “cumprido em casa”, sua irreversibilidade e ignorância do proletariado, pois, este não é nem indenizado e nem trabalhado nos termos da lei.

Como menciona Rodriguez apud Murad (1998) se analisada esta matéria visando a norma mais favorável ao empregado com base no princípio da proteção, neste caso, prevalece o aviso prévio indenizado, pois se for cumprido em casa, deverá ser pago até o décimo dia, uma vez que, se não há mais serviço para o empregado realizar na empresa o ideal é que seja liberado imediatamente para procurar um novo emprego, devendo assim, receber as verbas rescisórias em dez dias após a dispensa, e, não no prazo final no caso do pré-aviso.

Nesse sentido, o TST (BRASIL,1994) endossa:

Aviso Prévio Multa. O cumprimento do aviso prévio em casa equivale ao descumprimento daquele instituto, pois decorre de ato de vontade do empregador, revelando não mais persistir interesse na continuidade da prestação de serviços pelo empregado. Assim, o pagamento das parcelas constantes do instrumento de rescisão deverá ser efetuado até o décimo dia, contado da data da dispensa do aviso prévio, art. 477, § 6º, alínea `b', da CLT , cuja inobservância importará a aplicação da multa prevista no § 8º do mesmo dispositivo legal. Recurso de Embargos conhecido e provido [grifo do autor].

Equivale dizer, que, cumprir o aviso prévio em casa, até o esgotamento de seu prazo total, inclui descumprir a finalidade precípua desse instituto. Se ao empregador resta caracterizado o desinteresse na continuidade do vínculo empregatício, e, se parte dele a rescisão contratual injusta, resta-lhe realizar o pagamento das verbas rescisórias até o décimo dia da dispensa do trabalhador, desatando de vez a ligação que os unia.

Dessa forma, não há sentido protelar o pagamento devido, como menciona Murad (1998, s.p) sobre o pagamento do aviso prévio indenizado:

A única consequência prática da não-aceitação do aviso prévio cumprido em casa é de que, nesse caso, o empregador terá que pagar ao empregado a multa do § 8º do multicitado art. 477 da CLT por descumprimento do prazo de dez dias para acerto das verbas rescisórias quando o aviso é indenizado. Como o valor da multa é de um salário mensal do trabalhador, verifica-se que não há uma penalização excessiva ao empregador, que "prendeu" o empregado por mais trinta dias à empresa sem nenhuma necessidade [grifo do autor].

Dessa forma, observa-se que o empregador (detentor do capital), não é penalizado de forma excessiva no pagamento da multa – já que esta corresponde a um salário mensal do trabalhador, face ter impedido o recebimento e sem haver interesse em reaver o vínculo.

Destaque-se a impresciência de observar leis que punem com sanções, empregadores que praticam tais costumes, a saber: determinam que os obreiros cumpram o aviso prévio em casa, e realizam o pagamento após o trigésimo dia de cumprimento do mesmo. Observou-se anteriormente que, este tipo de aviso não existe legalmente, e o mesmo, só pode ser considerado resultado de artifícios dos empregadores para ganharem um tempo adicional para realizar o pagamento das verbas rescisórias e em não tendo essa modalidade de aviso prévio sustentação legal, há de ser nulo.

Assim, as empresas têm utilizado o momento do aviso prévio para afastar o empregado das suas funções, mas não o indenizam, criando uma situação, não prevista em lei, de deixar o período de 30 dias para ser cumprido em casa. O que temos na prática é um desvirtuamento da natureza jurídica do instituto, o que permite considerar que a empresa que saldar a rescisão no prazo de 30 dias do aviso prévio cumprido em casa, tem na verdade o pagamento em atraso, o qual deveria ser quitado em 10 dias ou gerar o pagamento de multa de mora, isto é, o pagamento de um salário por atraso na quitação de rescisão, de acordo do que preconiza os Tribunais brasileiros:

Aviso prévio cumprido em casa. Multa do art. 477, § 8º, da CLT. A dação do aviso prévio em casa corresponde à dispensa do cumprimento de que cogita o § 6º, alínea 'b', do art. 477 da CLT. O pagamento das verbas rescisórias deve ser efetuado até o décimo dia, contado da data da notificação da demissão. A desobediência a esse preceito legal, no tocante à ausência de pagamento dessas verbas no prazo legal, implica o pagamento da multa estabelecida no § 8º do art. 477 da CLT. Recurso de revista conhecido e provido."(BRASIL, 2002 TST,) (Acórdão unânime da 1ª Turma do TST - RR 359419/1997 - Rel. Min. Ronaldo José Lopes Leal - DJU de 09.06.2002, pág. 285) Pagamento das verbas rescisórias - Art. 477, § 6º, da CLT - Aviso prévio cumprido em casa.

Pagamento das verbas rescisórias - Art. 477, § 6º, da CLT - Aviso prévio cumprido em casa. A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que as verbas rescisórias devem ser quitadas até dez dias depois da notificação da demissão nos casos de aviso prévio cumprido em casa. Isto porque o art. 477, § 6º, alínea 'b', da CLT é claro ao dispor que o pagamento das verbas rescisórias constantes do instrumento de rescisão ou recibo de quitação deve ser efetuado até o décimo dia, contado da data da notificação da demissão, quando dispensado o empregado do aviso prévio. E tendo o

empregador determinado que o aviso prévio fosse cumprido em casa, tem- se como dispensado o obreiro do cumprimento do respectivo aviso, haja vista inexistir trabalho neste período e tampouco a determinação de que o empregado ficasse em casa à disposição do empregador a fim de ser convocado a qualquer momento. Recurso de embargos a que não se conhece com fulcro no Enunciado nº 333 do TST." (Acórdão unânime da SBDI 1 - ERR 288849/1996 - Rel. Min. Vantuil Abdala - DJU de 17.09.99, pág. 60) (Arts. 481 e 487 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), c/c com o art. 7º, XXI da Constituição Federal e art. 21 da Instrução Normativa SRT/MTE nº 03/2002)

Ainda:

Aviso prévio cumprido em casa. Multa do art. 477, §§ 6º e 8º, da CLT. A determinação patronal para cumprimento do aviso prévio domiciliar caracteriza a hipótese da dispensa do aviso prévio. Assim sendo, o caso dos autos enquadra-se no art. 477, § 6º, alínea 'b', da CLT, que dispõe que o pagamento das parcelas do instrumento de rescisão ou do recibo de quitação deverá ser efetuado até o décimo dia contado da data da notificação da demissão. Não cumprida a exigência da lei, impõe-se a cominação da multa prevista no § 8º do mesmo dispositivo legal. Recurso conhecido e provido." (Acórdão unânime da 1ª Turma do TST - RR 365885/1997 - Rel. Min. Ronaldo José Lopes Leal - DJU de 05.04.2002) Aviso prévio Aviso prévio Aviso prévio Aviso prévio cumprido em cumprido em cumprido em cumprido em casa - Art. 477, § 6º, da CLT, OJ nº 14/TST - Incidência do Enunciado nº 333 do TST

Assim, é inquestionável a discussão sobre o prazo para pagamento do aviso prévio cumprido em casa. A lei, do mesmo modo que as Súmulas evidencia que ultrapassar do mencionado em lei trata-se de descaso do empregador face ao obreiro que está sendo ludibriado em seus direitos.

Contudo, há autores como Martins (2008) e Quadros (1999) que defendem a prática do aviso prévio cumprido em casa por entenderem ser mais benéfico ao trabalhador. Assim, para Quadros (1999), o cumprimento em casa é totalmente favorável ao trabalhador, uma vez que possibilita ao trabalhador maior tempo para buscar nova colocação no mercado de trabalho. Nesse sentido discorre Quadros (1999 [sem paginação]):

Note-se que a teleologia do instituto do aviso prévio guarda perfeita harmonia com cumprimento "em casa" do respectivo período. É que tal instituto pretende evitar que o trabalhador seja surpreendido com o inopinado despedimento, preservando-lhe a possibilidade de buscar nova colocação. Para esse fim é que o art. 488 da Consolidação estabeleceu a redução da jornada diária, ou a falta por sete dias corridos. Se durante todo

o período do aviso prévio (pouco importa se por interesse do empregador) o

trabalhador é liberado da efetiva prestação de serviços, poderá utilizar todo o tempo disponível na procura de novo emprego, o que de forma alguma o prejudica, mas apenas e tão-somente lhe traz benefícios.

Há quem vislumbre no cumprimento do aviso prévio em casa alguma ofensa ao prazo para pagamento das verbas rescisórias. Discordamos desse

entendimento, primeiro porque o exercício regular de um direito, pelo empregador, do qual resulta benefício ao empregado, não pode ter sua juridicidade negada. De outra parte, o não-exercício de um direito (de exigir a prestação do trabalho) não pode penalizar o seu titular (mormente quando resulta em benefício para aquele contra quem o direito seria exercido: o empregado). Verifica-se, ademais, que a hipótese é exatamente aquela referida no § 6º do art. 477 da CLT . Dado o aviso prévio, a rescisão somente se torna efetiva após o decurso do respectivo prazo (haja ou não prestação de serviços). Deverá o empregador pagar as parcelas constantes do instrumento de rescisão ou recibo de quitação, assim, até o primeiro dia útil subsequente. (grifo do autor)

Dessa forma, o aviso prévio cumprido em casa por ser mais benéfico ao trabalhador e à própria empresa, cumpre mais eficazmente sua função social qual seja, disponibilizar ao trabalhador maior tempo para granjear outro emprego.

Martins (2007, p.387) considera positivamente o cumprimento do o aviso prévio em casa. Para o autor:

Na maioria das vezes o empregador não quer que o empregado trabalhe durante o aviso prévio, pois pode não prestar serviços a contento nesse período, por já estar dispensado, ou, até mesmo, causar problemas no ambiente de trabalho. Daí, a empresa determinar que o aviso prévio seja “cumprido em casa”.

Tem o aviso prévio três finalidades: (a) comunicação de que o contrato de trabalho irá acabar; (b) prazo para o empregado procurar novo emprego e o empregador novo funcionário; (c) pagamento do período respectivo. O aviso prévio “cumprido em casa” possibilita o pagamento do salário durante o interregno de tempo. Importa considerar o tempo de serviço para todos os efeitos em seu contrato de trabalho, projetando este por tempo de serviço para todos os efeitos em seu contrato de trabalho, projetando este por mais 30 dias (§ 1º do art. 487 da CLT). Implica a possibilidade de o trabalhador procurar novo emprego e da comunicação de que o contrato de trabalho estará rescindido dali certo prazo. Dessa forma, não se pode dizer que há nulidade de tal aviso prévio, pois foram cumpridas suas finalidades.

No aviso prévio “cumprido em casa” o empregado não terá, apenas, duas horas para procurar novo emprego, mas período integral, situação mais benéfica ao obreiro. Durante o período de aviso prévio o empregador poderá, inclusive, reconsiderar o aviso e o contrato de trabalho continuar, nos termos do art. 489 da CLT.

Desta feita, observa-se a existência de entendimento em prol da consumação desta prática, por compreender que os requisitos do aviso prévio são respeitados, pois mais favorável para tanto para o empregado quanto ao empregador.

Nessas noções sobre o aviso prévio “cumprido em casa” oportuno observar- se determinados princípios trabalhistas que existem justamente para proteger os empregados, e intimidar práticas abusivas pelos empregadores, uma vez que os obreiros necessitam do amparo legal, por não disporem de condições paritárias e

econômicas face ao empregador.

Desse modo, é mister focar-se o princípio da continuidade da relação trabalhista, na medida em que com o passar do tempo incorporam-se ao patrimônio do trabalhador vantagens alcançadas pelas negociações coletivas e pelas inovações legislativas. Além de possuir uma natureza eminentemente econômica, indubitável que um vínculo de trabalho duradouro testemunha progressos pessoais e familiares do trabalhador, onde essa estabilidade no emprego oferece uma base mais sólida, inclusive e principalmente no aspecto social, permitindo que o trabalhador desfrute de bem estar físico, mental e social.

2. 2 PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE DA RELAÇÃO DO EMPREGO

Este princípio é muito importante para o trabalhador, vez que o interesse que haja a prevalência do emprego, abrange muito mais que o trabalhador; interessa à sociedade e ao Estado também.

Nesse ínterim, mencione-se que a primeira vez que foi criada uma lei que visava assegurar alguma proteção contra a dispensa arbitrária, conforme Sousa (2008) foi a chamada Lei Eloy Chaves de 1923, inicialmente restrita aos ferroviários.

Esta lei manifestou proteção contra a dispensa arbitrária, de forma a prever estabilidade no emprego para trabalhadores após o décimo ano de trabalho na empresa. Posteriormente, tal direito foi estendido a todos os trabalhadores pela inserção do art. 492 da Consolidação das Leis do Trabalho.

Nota-se, pois, que chega ao trabalhador o princípio da continuidade da relação de emprego que preserva o direito não apenas do obreiro em permanecer no seu trabalho, fonte de sua renda e sustentabilidade, mas do Estado que vê com maus olhos o desemprego.

O princípio da continuidade do emprego, conforme aduz Delgado (2007) também chamado de princípio da conservação do contrato, apresenta-se como a manutenção do vínculo empregatício, como também a integração do trabalhador na estrutura e dinâmica empresariais. Apenas com a permanência e integração é que a ordem justrabalhista poderia cumprir, satisfatoriamente, o objetivo teleológico do Direito do Trabalho de assegurar melhores condições – sob a ótica obreira – de pactuação e gerenciamento da força de trabalho em uma determinada sociedade.

Continua Delgado (2007) que o desemprego não interessa à sociedade em geral, pois causa impactos negativos de dimensões diversas: econômicas, sociais, psicológicas, entre outras. Para o trabalhador diretamente atingido, bem como abrange com tamanha profundidade, o âmbito comunitário que o cerca, especialmente sua família. Quando se trata de desemprego maciço, o impacto atinge toda a sociedade, trazendo desestruturação do sistema de convivência interindividual e comunitária e o agravamento da Questão Social e consequente aumento das demandas sobre o sistema estatal de seguridade e previdências sociais, de forma a ampliar a exclusão social.

Partindo dessa análise, é plausível afirmar-se que avassaladoras são as consequências que o desemprego traz consigo, de forma que pode causar um desequilíbrio social, pois atinge não apenas o trabalhador, como também sua família e toda a sociedade.

É possível caminhar-se, ainda, com o raciocínio que compromete o ciclo econômico, vez que o obreiro não se limita em sanar suas obrigações assumidas anteriormente de ser atingido pelo desemprego, como vem a frear o crescimento econômico do Estado. Assim, o desemprego vai além de interesses individuais, tornando-se uma das manifestações da questão social, assolando a sociedade em geral. É assim que o Direito do Trabalho, por meio de seus institutos e normas visa privilegiar a permanência da relação empregatícia, procurando coibir a ruptura do contrato de trabalho que não esteja pautada em causas tidas como relevantes juridicamente. Delgado (2007):

O princípio da continuidade da relação de emprego, no Direito brasileiro, teve larga aplicabilidade no modelo jurídico trabalhista

Benzer Belgeler