• Sonuç bulunamadı

1. GİRİŞ

3.2. Azınlık Grupların Eğitim Hakları

A busca de resolução de conflitos por via de recursos que favoreçam o diálogo e o entendimento entre as partes tem-se intensificado nos últimos tempos,

dado o desgaste físico, emocional e financeiro que a burocracia e os entraves judiciais causam nas pessoas (SILVA, 2011a). Alves (2009, não paginado), ao discorrer sobre o assunto, assim define a mediação:

Em linhas gerais, a mediação, como uma das espécies de equivalentes jurisdicionais, pode ser definida como a solução de conflitos não-estatal, onde um terceiro, o mediador, profissional devidamente preparado, se coloca entre as partes e fomenta uma solução autocomposta em que ambas saiam ganhando.

Na mediação, portanto, há uma solução do conflito apresentado sem a participação do ente estatal, mas sim com a intervenção de um terceiro imparcial, o mediador, que visa essencialmente promover um entendimento entre as partes envolvidas para que elas, por si próprias, através da linguagem, do diálogo, construam uma real e efetiva resposta ao problema vivenciado pelas mesmas.

A participação efetiva na tomada de decisões, que é o objetivo principal da mediação, pode fazer com que este instrumento possa atingir o seu intuito, pois o mediador tem apenas o papel de ajudá-los, mas a decisão final será tomada pelos mediados. Sarmento (2005) explica que a mediação é uma forma pacífica de resolução de conflitos, pois se fundamenta no consenso entre as parte, desarmando-se de qualquer espírito de contenciosidade, resolvendo o conflito com boa-fé e boa vontade, com o auxílio de um terceiro. Nesse sentido, Leite M. (2008, não paginado) assevera:

A mediação de conflitos é uma prática interdisciplinar cujo objetivo é a construção e ampliação de um espaço de interlocução entre as pessoas, para que estas possam perceber e reconhecer as diferenças, discutindo as divergências e negociando as convergências possíveis, no intuito de criar vínculos, transformar as possibilidades em ações concretas, reconhecendo a si mesmo e ao outro como protagonista de experiências e comportamentos que, transformados, os levarão ao consenso e a preservação do relacionamento, convertendo assim o contexto adversarial em colaborativo, por isso a mediação transcende a solução de conflitos.

O terreno do direito de família é uma área particularmente delicada e complexa, portanto, se distingue, exigindo soluções próprias, que retire a figura do “vencedor” e a do “perdedor”. A solução judicial, contenciosa, não tem surtido bons efeitos, revelando-se insuficiente, pois define o litígio justamente com a determinação de um vencedor e de um vencido, o que só aumenta os ressentimentos (LEITE E., 2008).

O método clássico de solução de litígio gera desgastes que levam ao esgotamento, piorando ainda mais a situação anterior, aumentado a animosidade

entre o casal. A mediação poderia evitar esses transtornos, e principalmente, atingir o fim, que é o entendimento entre as partes.

Leite M. (2008, não paginado), assim se manifesta sobre o assunto:

No que concerne à mediação familiar propriamente dita, as finalidades traçadas seguem no sentido de oferecer ao casal em fase de separação um contexto adequado à negociação, possibilitando a sua autodeterminação; garantindo a continuidade das relações paterno-filiais e fomentando a co-parentalidade; prevenindo os descumprimentos de acordos de regulação do exercício do poder paternal; alterando formas de comunicação disfuncionais e reforçando a capacidade negocial do casal em fase de separação. Além disso, a facilitação da comunicação entre os excônjuges possibilita a escuta e o entendimento mais apurado das reais necessidades e sentimentos de cada um, auxiliando a desfazer as mágoas, a reconhecer-se e consequentemente respeitar-se mutuamente. Afetando diretamente de forma benéfica a relação com os filhos, já que o principal interesse, passa a ser o bem estar dos mesmos.

A mediação permite a construção de uma efetiva solução racional para o litígio, evitando-se que nova lide venha a se instalar. Em virtude dessa característica, exige-se que ela seja bem feita, o que impõe a necessidade da capacitação do mediador, além da realização dos trabalhos através da interdisciplinaridade, com profissionais das áreas da Psicologia, da Psicanálise, do Serviço Social, da Sociologia, etc . Assim, Rosa (2008, não paginado) acrescenta:

A mediação familiar é realizada de forma interdisciplinar, envolvendo profissionais de diversas áreas, como advogados, psicólogos, assistentes sociais, entre outros, que atuam com a finalidade de auxiliar os envolvidos a que eles possam construir uma nova alternativa para seus conflitos e também, colocarem sua atenção voltada para o futuro, construindo um novo relacionamento após a separação, principalmente em relação a seus papéis parentais.

A mediação familiar estava prevista no artigo 9º do projeto de Lei n. 4.053 de 2008, mas quando da sua aprovação, que resultou na Lei n. 12. 318 de 27 de agosto de 2010, que dispõe sobre a alienação parental, o artigo 9º foi vetado pelo então Presidente da Republica. As razões do veto foram baseadas no argumento de que como o direito da criança e do adolescente à convivência familiar é indisponível, nos termos do art. 227 da Constituição Federal, não caberia sua apreciação por mecanismos extrajudiciais de solução de conflitos. Ora, tal justificativa não procede, pois a questão seria resolvida pelo próprio parágrafo 3º do artigo vetado, que sujeitava a eficácia jurídica do acordo ao exame do Ministério Público e à

homologação judicial. Assim, patente que o veto não se justifica..

Mas, apesar de não se ter uma legislação específica sobre a mediação familiar, ela pode ser tratada nas normas internas dos Tribunais, inclusive Rosa (2009), apresenta a experiência de um grupo de mediadores familiares, coordenados pela assistente social Rosemari Seewald, em conjunto com advogados, assistentes sociais e psicólogos, que desde 2001, realizam um projeto de mediação nas Varas de Família das Comarcas de São Leopoldo e Novo Hamburgo no Rio Grande Sul. Os atendimentos já ultrapassaram a marca de 1.500 processos atendidos, contando com uma eficácia superior a 90% dos casos. Além do Estado do Rio Grande do Sul, outros já utilizam técnicas de mediação, dentre eles destacamos os Estados de Santa Catarina, São Paulo e o Distrito Federal.

Diante dessas considerações, e da possibilidade de utilização da mediação é preciso destacar que essa prática se faz absolutamente necessária para um eficaz exercício da guarda compartilhada, precipuamente quando não há acordo dos pais sobre ela, cabendo a decisão ao magistrado. Ora, em sendo exigida na guarda compartilhada uma participação conjunta dos pais na educação dos filhos menores, a continuidade do conflito entre eles com desenlace conjugal poderia, em tese, prejudicar o sucesso desse instituto, violando assim o princípio do melhor interesse do menor (ALVES, 2009).

A necessidade de ambiente familiar tranqüilo, para que se tenha um bom resultado quanto à guarda compartilhada também é o entendimento de Lima (2006, p. 23-4) ao comentar sobre o tema:

Neste particular, nos filiamos à corrente que sustenta a inalterabilidade do exercício da autoridade parental após a ruptura dos pais. Mas é preciso registrar que isso somente é possível quando o ambiente familiar pós-separação é propicio ao dialogo e a participação igualitária de ambos os pais, elementos essenciais para a adoção e o sucesso da prática da Guarda Compartilhada. Do contrário, o exercício da autoridade parental por parte do não detentor da guarda se restringe a uma atuação distante e meramente fiscalizadora.

[...] O crescimento e o sucesso dessa modalidade de guarda, em um primeiro momento, depende de fatores relevantes. O ideal é que sua implementação ocorra através do consenso, seja por meio de um acordo prévio ou pela mediação, constituindo este um procedimento chave na pacificação de conflitos de família, oportunidade em que o mediador poderá colocar em evidencia as vantagens da guarda conjunta.

Portanto, para atingir o objetivo de promover o compartilhamento do exercício do poder familiar, será necessário antes resolver os conflitos entre o casal, pois a

permanência das desavenças entre eles poderá constituir um terreno fértil para o desenvolvimento do Fenômeno da Alienação Parental, gerando a indesejada Síndrome da Alienação Parental. Diante disso, o incentivo da guarda compartilhada, nessas condições, acabaria funcionando como um meio de se promover a violação ao princípio do melhor interesse do menor.

Benzer Belgeler