3. GEREÇ VE YÖNTEM
3.6. Verilerin Çözümü ve Değerlendirilmesi
Diante das transformações ocorridas no cenário mundial na década de 1970 marcado por uma conjuntura econômica de crise, provocada por dois choques de preço do petróleo (1973 e 1979) e, posteriormente, pela elevação da taxa de juros americana12 (1979), o Brasil é fortemente impactado e deixa de ter acesso aos fluxos internacionais de financiamento, o que estimula o processo inflacionário, e o endividamento externo se torna a característica da década de 1980.
Neste sentido, após o segundo choque do petróleo, em 1979, a Eletrobrás enfrentou graves dificuldades no plano do planejamento do setor, pois dependia da
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Maiores detalhes ver, A retomada da hegemonia norte americana. Texto da Maria da Conceição Tavares.
disponibilidade de recursos e, em função da crise, houve considerável elevação dos custos financeiros do setor elétrico e da crescente escassez de recursos internos (PANORAMA, 2006).
Conforme Lorenzo (2002), o governo brasileiro ao decidir ampliar os investimentos no setor elétrico em um cenário de crise econômica mundial não considerou a real profundidade da mesma, tendo como consequência um processo inflacionário e de endividamento externo. Ademais, no início dos anos 1980 há crise da divida e maior restrição dos fluxos de financiamento e o Brasil entra em uma recessão. Assim, nos anos 1980, o Estado perde capacidade de mobilizar recursos para realizar investimentos nos diversos setores da economia, inclusive, o setor elétrico (LORENZO, 2002).
Assim, na década de 1980, o setor elétrico brasileiro começa a mostrar sinais de declínio por causa do seu endividamento externo13, da recessão da economia e da estagnação da demanda (consequência da baixa atividade econômica). De fato, a recessão econômica naquele período teve impacto imediato no consumo de energia elétrica, apresentando crescimento naquele período de apenas 2,9%, muito inferior à média de 11,2% da década anterior (PANORAMA, 2006).
É nesse período de crise que é criado o Grupo Coordenador do Planejamento dos Sistemas Elétricos (GCPS), em 1982, sob a coordenação da Eletrobrás e com participação das empresas do setor. O grupo tinha a tarefa de propiciar um planejamento de cunho mais democrático, contemplando diferentes interesses das empresas do setor. Assim, o GCPS era um órgão responsável pela racionalização e planejamento da expansão dos sistemas de geração, transmissão e distribuição. Onze empresas participavam do grupo como membros permanentes do organismo, sendo cinco federais (Eletronorte, Chesf, Furnas, Eletrosul e Light) e seis estaduais (Cesp, Cemig, Eletropaulo, Copel, Celesc e CEEE). (PANORAMA, 2006; GONÇALVES JUNIOR, 2002).
Dessa feita, outro fator que contribuiu para degradação do setor elétrico, em plena crise, foi o uso das empresas públicas do setor para captar empréstimos na banca internacional para atingir metas econômicas (fazer saldo no balanço de pagamentos) e fazer políticas públicas. No entanto, isto levou o setor ao processo de endividamento progressivo, que culminaria em inadimplência e perda de eficiência do setor nos anos
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As empresas do setor elétrico eram utilizadas pelo governo para captar recursos no exterior com objetivo de fazer “caixa” para o Tesouro Nacional.
seguintes, causando mudanças institucionais através das ideias de privatizações. Segundo Abreu (1999), o declínio do setor foi causado pelo esgotamento do modelo estatal (monopolista) do setor elétrico, tendo como consequência pressões interna e externa para reestruturar e privatizar o setor.
O status do endividamento externo do setor elétrico agravou-se, principalmente, por causa de dois fatores: o aumento das taxas de juros internacionais e o controle das tarifas como instrumento de conter a inflação durante o período de 1982 a 1993 (ABREU, 1999). A elevação das taxas de juros internacionais encarece ainda mais o serviço da dívida externa e o controle da tarifa interrompe o fluxo de recursos gerado pelo próprio setor.
A escolha do governo brasileiro de usar as empresas estatais do setor elétrico como mecanismo de implantação de políticas de desenvolvimento acarretou em estagnação do setor por causa do subinvestimento.
Segundo Beluzzo, 1983 apud Abreu, 1999:
Esse endividamento extraordinário que, em 1980 representava 25% de toda a dívida externa brasileira teve como cenário as altas dos juros externos, que passaram de 9,9% em 1977-78, para 14,4% em 1979, chegando a atingir o pico de 20% em abril de 1980, e a partir desta data as taxas reduziram para níveis mais baixos. Voltando a subir após agosto do mesmo ano. Considerando-se que a maior parte dos contratos de empréstimos e financiamentos eram firmados com cláusulas de taxas de juros flutuantes, o que resultou no aumento do montante total da sua dívida externa e de todos os outros setores da economia brasileira (BELUZZO & COUTINHO ,1983 apud ABREU, 1999, p. 8).
Gráfico 1: Empréstimos em moeda estrangeira (Lei nº 4.131 de 1980) Fonte: Beluzzo & Coutinho (1983) apud Abreu, 1999.
Assim, as instituições bancárias internacionais evitavam emprestar recursos financeiros para o Brasil por causa da instabilidade econômica vivida pelo país naquele período, uma vez que representava risco de calote. E, quando acontecia uma nova operação de empréstimo os banqueiros exigiam maior spread bancário e juros flutuantes (ABREU, 1999). Isso ficou mais evidente com a moratória do México em 1982, quando houve a suspensão dos empréstimos externos.
Dessa forma, diante do cenário de crise, o quadro institucional do setor elétrico montado a partir da participação e intervenção do Estado fica bastante comprometido nos anos 1980. Ainda mais com o processo de adoção das políticas neoliberais no início dos anos 1990, organizadas no tripé: desregulamentação, privatização e abertura comercial.
No entanto, diante das ideias neoliberais, o setor elétrico nacional passou por um processo de reestruturação nos 1990. Um novo paradigma foi estabelecido com a abertura da concorrência e a privatização das empresas estatais do setor elétrico em nível federal e estadual.
As reformas no setor elétrico se dividiam em dois níveis: microeconômico e macroeconômico: o primeiro visava aumentar a eficiência do setor e obter financiamento pelo capital privado. E o segundo pretendia eliminar o déficit das empresas estatais e equilibrar as contas do setor público.
Os objetivos seriam criar um novo ambiente favorável para atrair e garantir os investimentos necessários à expansão da oferta através do setor privado. Foram feitas alterações na legislação para construir um novo ambiente institucional. Sendo assim, houve a introdução de mecanismos competitivos e privatização de concessionárias com o objetivo de aumentar a eficiência técnica e econômica do setor para viabilizar a atração de recursos privados no intuito de expandir a oferta de energia elétrica em geração, transmissão e distribuição.
O processo de privatização, com a saída do Estado como indutor do planejamento energético, foi marcado pela entrada de enormes grupos econômicos no mercado interno, resultando numa alteração significativa da estrutura de mercado. Porém, a entrada de capital estrangeiro não resultou em grandes investimentos que resultassem em aumento da capacidade produtiva instalada do setor elétrico.