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2. KURAMSAL ÇERÇEVE ve İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

3.3. Veri toplama süreci

Avaliar a percepção dos bibliotecários a respeito da presença de pessoas com deficiência enquanto profissionais na Universidade implica, necessariamente, avaliar o relacionamento desses profissionais (bibliotecários de referência) com essas pessoas com deficiência quando elas se tornam seus usuários. No entanto, a presença de alunos deficientes nas bibliotecas não é frequente, assim, o relacionamento entre o bibliotecário de referência e o aluno deficiente não se efetiva como a interação que ocorre com os usuários sem deficiência que utilizam o Sistema de Bibliotecas da UFMG. Muitas vezes o bibliotecário nem mesmo tem consciência da existência de aluno com deficiência estudando na unidade atendida pela sua biblioteca:

Só se vierem na biblioteca, aí a gente descobre que tem (B1, 2015).

Nossa biblioteca não tem nenhum usuário desse tipo, então nós não deparamos ainda com esse [...]. Em algum momento eu vou deparar, e eu não sei o que fazer (B5, 2015).

Diante das falas dos profissionais B1e B5, percebe-se que, se o aluno com deficiência não for até a biblioteca por vontade própria, ou por alguma necessidade informacional (que ele não tenha conseguido satisfazer em outro local), o bibliotecário não irá conhecê-lo, não saberá das suas particularidades e necessidades para se comunicar, auxiliá-lo em suas pesquisas, e identificar quais mudanças devem ser realizadas nestes espaços, por exemplo.

Ao referir-se às experiências dos bibliotecários de referência no atendimento aos usuários com deficiência nas bibliotecas da UFMG, que permitem discutir essa subcategoria, o bibliotecário B5 contou que o contato – indireto – que teve com um usuário deficiente não foi na Universidade, mas sim em uma biblioteca pública na cidade de Contagem, para atender a demanda de um deficiente visual.

Eu acho que o único atendimento que eu fiz não foi para o usuário deficiente foi para uma pessoa que trabalhava com deficientes visuais que foi até a biblioteca ver se a gente tinha material. Não foi ele que veio buscar a informação. Alguém que atendia em uma comunidade que tinha alguém com esse perfil e veio buscar e nós também não tínhamos o material e não se efetivou a consulta (B3, 2015).

O profissional B1 já teve contato com alunos com deficiência visual, auditiva e física; o bibliotecário B2 com vários usuários cegos.

[...] como eu não sei a língua de sinais eu não tinha como comunicar com ele, mas, através da escrita, sabe como? Eu tinha até dificuldade para entender a letra dele para te falar a verdade, a letra dele era toda complicada, não é? Então através do papel ele falava que queria um assunto, uma pesquisa sobre um assunto, livro de um assunto. Ele me pedia um papel, eu via que ele estava pedindo uma folha de papel, aí ele anotava e tal. Eu anotava para ele de volta e era desse jeito que a gente conversava (B1, 2015).

O bibliotecário B1 finalizou dizendo que “ele nem uma vez saiu da biblioteca sem

pegar um material”. Nota-se a satisfação do bibliotecário de referência ao ter sucesso no atendimento a um usuário surdo. Percebe-se pelas falas dos bibliotecários que a surdez é a deficiência que mais exigirá conhecimento do bibliotecário para comunicar com o surdo, e esta preocupação foi bastante notada nas falas dos entrevistados.

Hoje, na minha situação, se chegar um usuário lá eu não tenho capacidade para poder fazer nenhuma comunicação com ele, a não ser escrever no papel, se for surdo ou se for mudo (B5, 2015).

Embora os bibliotecários B1 e B2 terem relatado que já tiveram contato com vários usuários deficientes, cabe ressaltar que não é uma presença recente, do dia a dia atual dos bibliotecários, são casos que ocorreram durante anos de profissão. O B1 e B2 formaram em 1986 e 1985 respectivamente. Por outro lado, o bibliotecário B6 teve somente uma experiência com um usuário deficiente da pós-graduação, este profissional ajudou um usuário com baixa visão que solicitou que aumentasse a letra do computador para que pudesse acessar a internet. B7 e B8 também relatam experiências isoladas:

A gente aqui tinha alunos com deficiência física, que precisávamos ajudar para pegar livros, porque eram cadeirantes. Ajudávamos a pegar livros mais altos, que é um problema, não é, nas estantes mais altas (B7, 2015).

Auxiliei a utilizar o elevador, um funcionário que veio fazer a carteirinha, um aluno que tem baixa visão (B8, 2015).

E B4 jamais atendeu um usuário deficiente: “Nunca. Até hoje não” (B4, 2015).

No ponto de vista dos usuários deficientes sobre o relacionamento interpessoal nas bibliotecas, se a equipe está disponível para atendê-los, se são simpáticos, etc., encontra- se divergência na opinião dos entrevistados. Houve aqueles que perceberam interesse e boa vontade dos bibliotecários (ou funcionários) em ajudá-los, embora ressaltando que esse interesse não seja feito de uma maneira profissional, conhecedora da questão, e sim de forma

“improvisada”. Por outro lado, houve também usuário que não encontrasse ajuda por parte

dos bibliotecários ou funcionários da biblioteca. É o que mostram os relatos:

Sim, sim. Às vezes é de forma um pouco improvisada nem sempre se encontra alguém. Mas em relação à boa vontade você sempre tem muita boa vontade sim dos funcionários quando você os procura. Eu também consigo encontrar alguém, algum bibliotecário, eles têm muito boa vontade nesse sentido também, de ir lá ao computador pelo nome do autor do livro anotar o número pra mim do código e me acompanhar até a prateleira pra encontrar o livro pra mim, todo esse procedimento (E1, 2015).

São bem disponíveis assim. Sempre foram atenciosos, normal. Nunca tive nenhuma reclamação deles não (E2, 2015).

Você chega à biblioteca, o profissional não tem esse hábito de parar e perceber preciso perguntar se precisa de alguma coisa? Então assim, nas minhas experiências de utilizar aqui, nunca nenhum profissional chegou e perguntou se precisava de algum apoio ou não. É, mesmo aqui na universidade, como um todo, aqui na UFMG nunca me chegaram e perguntaram se havia necessidade de apoio de alguma coisa. Todas às vezes eu cheguei lá e resolvi o problema entendeu? Não dá pra ficar esperando das pessoas, atitudes certas ou não. Você tem que chegar e se impor, achar o seu espaço, independente da questão física ou não (E3, 2015).

Verifica-se pelos relatos dos estudantes que,falta por parte do bibliotecário o contato, a interação com a pessoa com deficiência para que quebrem barreiras na relação interpessoal. Goffman (2009, p. 24), define esta ação como “toda interação que ocorre em qualquer ocasião, quando, num conjunto de indivíduos, uns se encontram na presença

imediata de outros”. Percebe-se que parte do estudante solicitar auxílio às pessoas que trabalham nas bibliotecas para que possa realizar determinada atividade diante de suas limitações e da (in)acessibilidade nos nas bibliotecas.

Salienta-se que há várias facetas no processo de inclusão, tem o papel do professor, dos colegas de classe, dos prestadores de serviço, entre outros. A convivência, a

socialização com a diversidade, propicia um aprendizado para ambas as partes, o que possibilita efetivar a inclusão a partir do momento em que as pessoas conhecem suas características, seus comportamentos, bem como suas necessidades.