2. KURAMSAL ÇERÇEVE ve İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.5. İlgili araştırmalar
Da mesma maneira que foi realizado com os bibliotecários, iniciou-se as entrevistas com os estudantes explicando-lhes sobre o que tratava a pesquisa e que havia um roteiro a ser seguido. Procurou-se ao máximo deixar os estudantes à vontade. Foi explicado que a entrevista seria gravada, mas que seria mantido o sigilo de acordo com as informações que constavam no TCLE, e foi solicitada sua anuência.
O encontro com o estudante com deficiência visual foi realizado na biblioteca que ele mais frequenta, a decisão de onde seria realizada a entrevista foi tomada pelo estudante. Esse estudante foi indicado pelo primeiro bibliotecário entrevistado na pesquisa.
O estudante E1 chegou à biblioteca acompanhado por uma moça e foi em direção ao local combinado com a pesquisadora que tinha sido marcado por e-mail. A pesquisadora se dirigiu até o E1 onde se apresentou, e imediatamente sua acompanhante os deixou sozinhos.
A entrevista seria realizada em uma das salas de estudos individual da biblioteca, mas, por estarem ocupadas, se dirigiram para outro espaço. Neste momento, a pesquisadora deu o seu braço para que E1 pudesse se apoiar, se dirigindo para outro espaço na biblioteca para realizar a entrevista. Esta foi a primeira vez que a pesquisadora teve um contato tão próximo com uma pessoa com deficiência visual, e perguntou a ele se poderia referir a ele
Este estudante, em particular, recebeu antecipadamente por e-mail o TCLE em formato pdf. No primeiro contato por e-mail com esse aluno foi questionado se ele preferiria que o termo estivesse em Braille, mas o mesmo disse que não precisava.
A deficiência deste estudante é de nascença, ele tem glaucoma congênito. É uma pessoa de 28 anos, alegre, que mora sozinho e é bastante autônomo em suas atividades diárias. Ele trabalha em órgão público (Tribunal de Justiça) dando informações ao público sobre o andamento de processos.
Questionou-se a este estudante se ele conseguiria chegar até a sala na biblioteca em que marcou com a pesquisadora sozinho, usando sua bengala. Ele disse:
Não (risos) não conseguiria não. Eu tenho uma dificuldade muito grande de andar aqui e até por essa questão da ausência do piso tátil e por conta também das teleiras mesmo não é? É então você fica meio confuso. Nesse caso seria necessário realmente um piso tátil para eu conseguir andar com autonomia e saber exatamente onde virar por que são muitos corredores, é um labirinto mesmo, se você não tem nenhuma demarcação no chão, é meio complicado (E1).
Assim, a pesquisadora o questionou conforme a passagem abaixo.
Pesquisadora: Você consegue ver alguma coisa? E1: Não, hoje não.
Pesquisadora: Mas algum dia já conseguiu?
E1: Somente cores mais fortes e vultos. Nunca consegui ver nada para além disso. Nem fisionomia, nem letras. Até uns 8, 9 anos conseguia ver as cores. Hoje não mais.
Pesquisadora: Quais as cores que você lembra?
E1: Eu via branco, preto, amarelo, verde, azul, vermelho, rosa, as únicas que eu não conseguia identificar era o marrom, cinza e bege.
Nesse momento a pesquisadora descreveu a roupa que estava vestindo e as cores.
Pesquisadora: Estou de blusa vermelha. E1: Ah legal.
Pesquisadora: Calça jeans preta, sapato baixo preto, e o cabelo preso no alto da testa. E1: risos. Eu acho que causa um efeito legal o vermelho, um contraste legal, positivo do vermelho com o preto.
Com a preocupação com a acessibilidade, principalmente pelo entrevistado ter uma memória das cores, considerou-se importante a descrição de como a pesquisadora estava se vestindo para que o interlocutor pudesse ter uma ideia da pessoa que estava com ele e como ela se vestia.
O segundo estudante a ser entrevistado, o E2, foi indicado pela coordenadora do CADV que fez o primeiro contato com o estudante, expondo a pesquisa e posteriormente
informou a pesquisadora que o E2 aceitou participar da sua pesquisa. Esta entrevista foi realizada em uma sala no CADV, estando presente somente a pesquisadora e o estudante.
O E2 tem 20 anos, é deficiente auditivo, está no 3º período (graduação), mora com os pais e mais dois irmãos, sendo o mais velho dos filhos. Em um dado momento E2 disse que tem um irmão autista. A sua deficiência é adquirida, e ao questionarmos como ele descobriu que era deficiente auditivo, nos disse que
Eu descobri isso por que a minha mãe, na adolescência, percebia que ela falava alguma coisa aí eu não entendia, mandava ela repetir ou simplesmente não ouvia e ela achava que eu tava fingindo, que não tava escutando, coisa de adolescente, sei lá o que. Aí ela disse: “não, isso tá estranho, vamos levar pra audiometria”. Aí quando eu fiz a audiometria, eu descobri que piorou, que antes era leve e não tinha com o que se preocupar. Eles erraram porque eu fui perdendo. Também acho que o uso do fone de ouvido também ajudou um pouco assim, ouvia música muito alto, hoje até evito, não ouço muito (E2, 2015).
O estudante com deficiência auditiva ultimamente tem procurado o NAI para que a ajude a conseguir um estágio, como também um novo aparelho auditivo devido ter perdido o que utilizava.
Finalizando a amostra dos estudantes deficientes, entrevistou o E3 que tem 32 anos e trabalha como Analista de Sistemas em uma empresa do Governo, ele é cadeirante. Este estudante foi indicado pelo bibliotecário B7 que após ser entrevistado fez o primeiro contato com E3, tendo em seguida encaminhado o e-mail desse estudante para a pesquisadora, informando que o mesmo tinha aceitado o convite para participar da pesquisa.
O quadro clínico desse estudante é congênito, ele tem Amiotrofia Espinhal tipo 2, segundo o próprio E3, é uma doença que faz com que o paciente perca força muscular ao longo da sua vida. Ele nasceu com essa doença e nunca andou, sempre utilizou cadeira de rodas e possui alguns outros problemas associados ao fato de usar cadeira por muito tempo,
mas segundo E3 “é bem tranquilo”. Não abordou detalhes sobre os problemas que decorrem
do uso de cadeira de rodas porque foge do foco da pesquisa.
E3 se graduou em Ciência da Computação em uma Instituição de Ensino Particular, cursou o Mestrado na UFMG, e atualmente, cursa o Doutorado nesta mesma Instituição, com previsão de defesa para o segundo semestre de 2015.