Đşletme Fakültes
3 ARAŞTIRMANIN METODOLOJĐSĐ 3.1 Örnekleme Sürec
3.3. Veri ve Bilgilerin Analiz
As empresas são células fundamentais na estrutura das sociedades contemporâneas onde predomina um modelo capitalista de organização econômica e social. A atividade empresarial sustenta este modelo de desenvolvimento e a extensão dos seus efeitos atinge todos os domínios da vida em comunidade. Desde meados do século XX, à medida que as empresas foram adquirindo um papel central na sociedade, cresceram igualmente as preocupações com os múltiplos impactos da sua conduta, verificando-se, nas últimas décadas, um aprofundamento significativo do estudo do comportamento empresarial e das suas implicações éticas. Em particular, desenvolveu-se o campo da ética empresarial que evoluiu de uma crítica radical ao capitalismo e aos fins lucrativos da atividade empresarial, para uma análise mais profunda e abrangente das regras e das práticas subjacentes ao comércio (SOLOMON, 1993). A ética empresarial refere-se, portanto, ao campo organizacional que estuda os comportamentos e as decisões empresariais que produzem impactos no bem-estar individual e social69.
Em termos conceptuais, é comum as reflexões sobre a conduta das empresas adotarem uma linguagem que privilegia o termo ética em detrimento do termo moral, refletindo uma preferência teórica nem sempre devidamente fundamentada. A confusão entre os dois termos é freqüente, merecendo um esclarecimento sobre o que os distingue e o que os aproxima. Desde logo, a origem etimológica das duas palavras sobrepõe os seus significados, uma vez que a palavra ética provém do radical grego ethos, que significa “costume” ou “caráter”, e a palavra moral tem raiz no termo latino mores, que é a tradução para o latim do grego ethos. No entanto, do ponto de vista filosófico, é comum fazer-se a distinção entre os termos70.
69
A designação “ética empresarial” não se refere a uma forma particular de ética, mas à sua aplicação no contexto específico da atividade empresarial. Assim, não se pretende com esta designação atribuir uma classificação à natureza da ética, mas apenas circunscrever a discussão dos seus princípios, doutrinas e fundamentos filosóficos ao campo específico das empresas.
70
A este respeito, Levy (2004) sustenta que a raiz etimológica dos dois vocábulos remete ambos para uma instância na qual o sujeito atua por referência aos fins desejados, conferindo sentido ao ser e ao existir por meio do compromisso com a realização de determinadas finalidades ou valores que encarnam as idéias de bem e de felicidade, excluindo, desta forma, o domínio normativo dos modos de conduta que regulam a ação humana. O autor sugere, no entanto, que, para evitar confusões adicionais na tradição filosófica, é preferível “reservar o termo ética para designar o horizonte das finalidades existenciais, e
adotar o vocábulo moral na sua acepção francesa, que se refere explicitamente a um código de normas universais de conduta” (LEVY, 2004: p. 14). Por isto, embora alguns autores contemporâneos, tais como Peter Singer ou James Rachels,
TESE DE DOUTORADO EM ADMINISTRAÇÃO Responsabilidade Social das Empresas e Valores Humanos
148
Segundo Wunenburger (1993), há duas tradições predominantes na filosofia que distinguem ética e moral:
Primeira tradição: a ética é considerada a reflexão sobre os fundamentos da moral Ética: ciência do comportamento, dos
costumes; ou estudo teórico dos princípios que regem as escolhas práticas.
Moral: conjunto de prescrições
comportamentais concretas adotadas por agentes individuais ou coletivos.
Segunda tradição: a moral é universal e a ética é particular Ética: conjunto de regras de conduta
partilhadas e típicas de uma
determinada sociedade, que permitem distinguir o correto e o incorreto.
Moral: conjunto de princípios
universais, normativos, baseados na discriminação entre o bem e o mal.
A primeira tradição identificada por Wunenburger parece constituir a opção mais comum entre os filósofos e acadêmicos que estudam a ética enquanto fenômeno enquadrado no campo das ciências sociais e do comportamento. Outros autores de reconhecida influência no campo da filosofia moral parecem ter adotado uma orientação semelhante, como é o caso de Espinosa (que define a moral como sistema que impõe deveres e a ética como fundamento do modo de ser humano), de John Stuart Mill (que define a moral como o conjunto de regras e preceitos que se aplicam à conduta humana, e que se forem respeitados asseguram uma existência digna) ou de Bertrand Russell (que defende a necessidade da ética para sugerir propósitos - fins, valores - e dos códigos morais para definir normas de ação). Aceitando a primeira tradição filosófica referida por Wunenburger, identifica-se portanto a moral com os códigos de conduta e os costumes que orientam o comportamento coletivo de uma determinada comunidade e que esta aceita como válidos, correspondendo a ética a uma reflexão teórica sobre a moral, que visa analisar racionalmente os comportamentos e determinar a sua aceitabilidade filosófica. Nestes termos, pode concluir-se que a ética empresarial significa “estudar e tornar inteligível a moral vigente nas empresas capitalistas
contemporâneas” (SROUR, 2000: p. 30).
reconheçam a irrelevância da distinção entre os termos, utilizando-os indiferenciadamente, a tradição filosófica sugere que se faça essa distinção.
Quadro 10. Tradições Filosóficas da Distinção entre Ética e Moral
Uma empresa que desenvolva a sua atividade econômica num quadro de rigoroso e exclusivo cumprimento da legislação a que está obrigada, gerando lucros sem violar normas legais nem atropelar direitos individuais, não poderá ser acusada de alheamento das suas responsabilidades essenciais, nomeadamente as econômicas. No entanto, esta empresa pode ser condenada moralmente por violar normas sociais não regulamentadas ou por ignorar obrigações éticas que excedem o campo restrito da lei. A RSE implica uma avaliação do desempenho empresarial com base em critérios éticos que obrigam a uma reflexão sobre os múltiplos impactos das ações empresariais, nomeadamente as suas implicações sociais e ambientais. Tratando-se de uma questão que envolve necessariamente um impacto na vida coletiva e uma avaliação racional, porém subjetiva, dos princípios morais que fundamentam as diferentes visões sobre o tema, a reflexão sobre a RSE deve basear-se, desde logo, numa apreciação ética das suas estruturas teóricas essenciais (BEAUCHAMP & BOWIE, 2004). A resposta ao questionamento sobre o que é um comportamento empresarial socialmente responsável não pode ignorar o necessário enquadramento da reflexão no contexto das principais doutrinas éticas e da filosofia moral.
TESE DE DOUTORADO EM ADMINISTRAÇÃO Responsabilidade Social das Empresas e Valores Humanos
150