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B. Re'sen Takdir Sebepleri

1. Vergi Beyannamesinin Kanuni Süre Geçtiği Halde

Como vimos, a pesquisa do Umwelt adotou o pesquisador para aplicar o método da observação participativa. Como resultado, foi possível traçar caminhos para “a unidade dinâmica dos processos de vida ou o processo dos signos como um todo”.(Op. cit: 17).50

Thure Uexküll apresenta sinteticamente o modelo construído para o estudo de outros seres vivos como resultado do método adotado para a construção do Umwelt do pesquisador. Até agora, observação participativa tem sido entendida como o observador que observa a si mesmo (sua mente) como parte de seqüências de eventos ‘fechados’51, os processos da vida. Para a análise destas seqüências de eventos, os elementos seguintes são isolados, suas funções determinadas e, portanto, a unidade de seqüências de eventos estruturada:

(1) o recebedor ou receptor está em todos os níveis de um sujeito vivo, i. é., distinguido (e definido) pela habilidade em transformar ‘não self’ em ‘self’ em suas infinitas diferenciações. O sujeito (vivo) faz distinção entre meio interno e meio externo. O que reconhece como dele, seja de que modo for, inclui o estranhamento do que não reconhece. A possibilidade de reconhecer e fazer distinções estabelece esse trânsito entre ‘self’ e ‘não self’ ou ‘eu’ e ‘tu’, a complexidade destas distinções depende do equipamento sensório-motor daquele sujeito. O sujeito que não tem este equipamento como, por exemplo, animais que reagem a estímulos com uma ação reflexa, ainda assim está habilitado, dentro da teoria do Umwelt, a transformar ‘não self’ em ‘self’. Isto não difere substancialmente das afirmativas de Damásio:

É necessário algo que não difere da percepção para que os desequilíbrios possam ser sentidos, algo não diferente de uma memória implícita, na forma de disposições para a ação, a fim de conservar o Know-how técnico, e algo semelhante a uma habilidade, para executar uma ação preventiva ou corretiva”. (2000: 182).

Neste caso, Damásio refere-se a criaturas unicelulares com capacidade adaptativa, a partir de funções de comando e controle que garantem uma certa

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The functional circle as formula for the dynamic unity of the processes of life - the process of signs as a whole”.

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estabilidade à maioria dos estados do corpo. É provável que o precursor do “self” de Damásio se relacione com o senso de ‘específico’ trazido por Uexküll.

O que toco do objeto e como ele me toca é meu sentido do self, meu jeito de ser que elabora. Traduzir o estímulo em reação do corpo é transformar não self em self? Ele pressupõe um sentido do self o tempo todo?

(2) a tarefa dos signos é formar uma conexão entre ‘self’ e ‘não self’. De acordo com a sua definição, “signos arrebatam a atenção para algo que não é eles mesmos. Em outras palavras, eles traduzem ‘self’ em ‘não self’ e vice-versa”. (Op. cit: 18). Signos-receptores (ego-qualidades ou ‘self’) interpretam estímulos (influências vindas de fora ou ‘não self’) dentro das ‘insinuações’ perceptuais (‘não self’ em seu significado para o ‘self’). Por essa razão signos sempre ocorrem como processos de signos.

(3) Isto procede de acordo com regras que estão à disposição do signo receptor (na forma de um repertório inato ou adquirido). Na teoria do Umwelt, estas regras são designadas ‘seqüências de impulsos’, ‘melodia’, ‘esquema’, ‘plano’ ou simplesmente ‘regras’. Thure Uexküll sugere chamá-las de “código”, de modo a deixar clara a sua analogia com as regras da linguagem.

(4) A fonte dos estímulos ocorre de duas formas:

(a) como ‘não self’, com todos os problemas que essa idéia carrega. Como elemento oposto para o recebedor e sua ‘bolha’ privada, isto é, um modelo do ‘não próprio’ e ‘não privado’ que pode ser concebido de uma fonte comum de estímulos em arredores comuns, e isto emite (‘não próprio’ e ‘não privado’) portadores de signos, que são então codificados pelos recebedores em signos ‘próprios’ de acordo com seu código particular.

(b) Como ‘self’. Retratou-se nos elementos 1, 2, 3 e 4 somente uma parte da unidade do processo de vida como um sistema de oposição de ‘self’ e não self’ – e esta parte é o processo de percepção (Merken). A outra parte por meio da qual o recebedor torna-se um portador, é designado como ‘operação’ (Wirken). A codificação do ‘não self’ em ‘self’ ocorre por feedback.

O modelo para observação de outros seres vivos construído por Jakob von Uexküll foi nomeado como círculo funcional. Neste, o sujeito (como ‘self’) envolve o objeto,

por um lado como recebedor (receptor) que recebe estímulos e os transpõe em signos, portanto estruturando o ‘não self’ com ‘insinuações’ perceptuais (propriedades de um objeto); por outro lado, um operador (effector), que muda ou apaga as ‘insinuações’ perceptuais ou propriedades do ‘não self’ com ‘insinuações’ operacionais. Podemos reduzir este processo para sua forma mais simples pela descrição como ‘self – estimulação’ que é modificada pela alternância do ‘não self’ entre operador estimulador (portador) e recebedor estimulado (receptor).

Este modelo descreve processos-sígnicos na estruturação do contexto de processos- vivos, cujo tema está em todos os níveis do problema da oposição e feedback do ‘self’ e ‘não self’. Isto permite ao pesquisador analisar as regras ou lógica interna que governa a construção do organismo e as conexões dos seres vivos com os seus arredores e seus companheiros vivos.

Fundamentalmente, o que é importante para a nossa pesquisa, é entender o conceito de Umwelt como uma espécie de navegador que indica procedimentos que envolvem diferentes tipos de organização. Para o criador de dança, a noção de que há um Umwelt está ligada à imagem de uma espécie de bolha que o separa do resto mundo através da especificidade dos processos, construída pelo fluxo de informações que estabelece o trânsito entre ‘dentro’ e ‘fora’ do seu corpo. Trata-se de um universo próprio que ele acessa por intermediação dos seus sentidos, carregando a noção de processos de comunicação. O corpomídia que cria arte tem inserido no contexto artístico o círculo funcional ao qual Uexküll se refere. Por transbordar complexidade, ou melhor, por apresentar comportamento complexo – por meio da sua obra artística, da tecnologia que inventa e outras estratégias diferenciadas – o que pode ser descrito como um universo animal próprio é, neste caso, apenas uma parte dos processos de significação aos quais Uexküll se refere. Cada espécie elabora seu mundo privado de forma muito diferente e a espécie humana parece apresentar diferenças realmente consideráveis. Se o mundo fenomenal ao qual Uexküll se refere depende das operações do sujeito intrinsecamente ligadas ao modo como percebe o objeto, esta relação abarca apenas uma perspectiva: a do sujeito, se o seu objeto não é um sujeito. Nos nossos experimentos, a instrução que agrega o conceito de Umwelt aponta a distinção da relação entre sujeitos ou entre sujeito e objeto (neste caso, tudo aquilo que não é sujeito). Em qualquer uma das situações, as relações entre sujeito e objeto são sempre regidas pelo mesmo princípio que modela o círculo funcional.

Plano, melodia, esquema, seqüência de impulsos, regras ou códigos, repertório inato ou adquirido, Uexküll refere-se às informações internalizadas no corpo ‘específico’, um conjunto de informações não estático e que se reorganiza a cada alteração. Os códigos lideram as relações entre o sujeito receptor de informações e o objeto portador de informações. Para animais mais simples, cujos movimentos são reflexos, as informações se organizam por esquemas espaciais. Para os animais dotados de um sistema sensório-motor, ocorre a formação de imagens ou padrões mentais que constituem, no homem, o fluxo do pensamento, segundo Antonio Damásio (1996, 2000, 2004). As imagens que sinalizam as alterações de estado do corpo são interdependentes do modo do corpo operar. Para Uexküll, todo o portador de informação é revelado pela coordenação dos movimentos de percepção e operação, abrigados pelo círculo funcional de cada sujeito.

O círculo funcional não restringe aumento de complexidade, quer dizer, o sujeito que elabora pensamentos, dos mais simples aos mais complexos, tem este processo assentado em processos sígnicos elementares (que garantem a sua sobrevida) que participam de processos sígnicos complexos. As taxas de complexidade variam de acordo com a quantidade e a qualidade das interações entre organismo/objeto. O processo ininterrupto que constitui o círculo funcional de Uexküll traduz um organismo com qualidades de movimento construídas por processos de organização de informação, signos mediadores dos objetos. Assim, a oposição [plano – objetivo] pressupõe uma dinâmica reguladora inata com relação a diferentes ambientes e aos objetivos que compõem suas estratégias. Uma condição de relativa estabilidade, face a face, com novas probabilidades. As relações complexas que emergem deste trânsito disparam processos de comunicação cuja complexidade pode ser observada na construção artística.

Ao agregar o conceito de Umwelt à coleção de instruções que auxilia no processo de criação, podemos contar com a complexidade de um sujeito dotado de consciência, com a habilidade de raciocinar e estruturar o espaço externo de acordo com as suas conveniências (por exemplo, o espaço cênico), um organismo que desloca os objetos pela possibilidade de abstração. A questão da significação para Uexküll está centrada no ponto de vista do organismo, o que parece combinar com diversidade – das espécies, de culturas, de perspectivas, estas geradoras de linguagens.

Damásio afirma que a perspectiva da experiência:

“Ajuda a situar não só objetos, mas também idéias, sejam elas concretas ou abstratas. A perspectiva da experiência é uma fonte de metáforas em organismos dotados de capacidades cognitivas refinadas”. E acrescenta “Analogamente, a propriedade e a condição de agente estão inteiramente relacionadas a um corpo em um instante específico e em um espaço específico”. (2000: 190).

Damásio garante que a subjetividade deve ser investigada como uma experiência pessoal, privada, mas pode ser explicada sob a ótica do conhecimento científico disponível. Nada podemos afirmar sobre a sua natureza baseada no estudo de seus correlatos de comportamento. (Op. cit: 389). Para cada um, um mundo privado, um sentido do self e um jeito de organizar o mundo. Do ponto de vista do corpo que dança – este é um sistema altamente complexo – devemos apontar-lhe a interface com uma realidade dual (realidade externa e realidade interna), cujos processos o atingem como fenômenos. Assim, fenômenos são processos perceptíveis que incluem um self. O criador intérprete pode testemunhar a sua presença cênica. A duração do espetáculo acentua os sentidos. Um enorme instinto de sobrevivência – uma espécie de “força” cênica – e a sensação de dor e prazer. Esta alternância de sentimentos joga o artista no seu mundo privado. Conhecer estes sentimentos pressupõe um sentido do self, ator principal no teatro mental do criador.

A proposta de testar etapas do processo de criação em diferentes ambientes passa a fazer parte das instruções. O criador precisa encontrar o mundo tátil proposto pela dança. A escolha do ambiente externo que deve funcionar como laboratório deverá ser um espaço público. O caráter de performance que esta fase do trabalho adquire configura a vivência cênica como o fazer do aqui e agora, minha história e o tom da minha presença. Qualquer que seja a organização encontrada para testar o trabalho em determinado ambiente, a diferença é sempre a protagonista. O que se mantém relativamente estável é o tempo interno a cada bolha, o Umwelt de criação ou a bolha que compreende o processo de criação. O sentido do self faz parte deste processo privado conferindo qualidades às observações do criador; este, enquanto observador dentro do experimento soluciona problemas da interação baseado em seu tino e sua habilidade de estabelecer relações. Estas estão apoiadas, são conduzidas pelo Umwelt

navegado por um tempo interno encontrado na construção das cadeias de movimentos, agora submetidas a outro ambiente. A cada imprevisto (e eles acontecem inúmeras vezes) uma possibilidade de estabelecer relações. E de lidar com o estranhamento.

O sentido do self no ato de conhecer um objeto é a possibilidade de conhecimento novo, criado ininterruptamente no cérebro, pela interação efetiva com o objeto e pela mudança de fato que ocorre no corpo. Os padrões mentais contínuos pertencem ao organismo, representado pelo proto-self e o conhecimento sem palavras emerge mentalmente em sua forma mais simples com o sentimento de conhecer. Só depois é que começam a acontecer inferências e interpretações. A consciência começa como o sentimento dos acontecimentos percebidos pelo corpo. O sentimento que está ao lado da produção de qualquer tipo de imagem, que as marca como nossas e que nos leva a dizer que as coisas do mundo são táteis. (Damásio, 2000: 46).

O estabelecimento de relações na consciência, a operação de relacionar, acontece no corpo todo, “no entanto, a parte do organismo chamada cérebro contém dentro de si uma espécie de modelo do todo”. (Op. cit: 41). Damásio aponta este fato estranho como talvez a pista mais importante para o possível fundamento da consciência. E conclui que “o organismo, conforme representado no interior do cérebro, é um provável precursor biológico daquilo que finalmente se torna o elusivo sentido do self” (op. cit: 41). A dificuldade de definir sentimentos e emoções provavelmente é decorrente destes fatos, do encobrimento da representação do nosso corpo e da eloqüência das imagens relativas a eventos e objetos externos ao corpo ao ocultar a sua realidade. Este mecanismo parece ser uma estratégia adaptativa, embora, para Damásio, possa ser também um entrave à percepção da origem e natureza do self. Esse vai e vem dos estados internos do corpo (controlado inexoravelmente pelo cérebro) parece constituir “o pano de fundo para a mente, mais especificamente, o alicerce para a entidade difícil de definir que denominamos self”.(Op. cit: 51).

Entre a dor e o prazer, em conseqüência da interação com eventos e objetos dentro ou fora do organismo, esses estados internos naturalmente parecem contar sobre o conjunto de acontecimentos processados naquele corpo. O Umwelt do corpo artista.