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VEDAT NEDİM TÖR

Belgede Abdülhak Hamid (sayfa 30-32)

HÂMİDİN ANTROPOLOJİK TETKİKİ

VEDAT NEDİM TÖR

Silva (2006) considera que ainda há outras classificações de ambiguidade (entre elas a ilocucionária, a situacional e a operatória) que não foram exploradas em virtude da falta de explanação sobre elas nos compêndios de teoria linguística.

Com exceção da ambiguidade operatória - a qual ocorre quando se articulam as noções de subjetividade, heterogeneidade e coenunciação com a noção de efeitos de sentidos, em relação às estratégias enunciativas - nenhuma das supracitadas foi sequer exemplificada por falta de exploração mais aprofundada sobre elas.

A assunção de que há ambiguidades não exploradas é de extrema pertinência para com aquilo que acreditamos e defendemos, como hipótese central, ao longo dessa pesquisa: há uma indeterminação da linguagem que joga toda a discussão acerca de referência, sentido, valor, identidade, alteridade, etc., para o infinito.

A enunciação é o uno e o múltiplo. Uno porque há uma articulação entre léxico e gramática que a sustenta como tal e torna cada enunciado um fenômeno único. Múltiplo porque essa mesma articulação léxico-gramatical garante que a língua seja um sistema aberto em constante operação por meio dos atos de linguagem do homem.

A grande realidade é que essa constatação nos serve como uma prévia conclusão do que expomos nessa parte da pesquisa, pois o que quisemos mostrar foi algo relativamente simples: anteriormente aos contornos que se dão (no produto) há uma força maior que não se estanca por ser exatamente aquilo que entendemos por produção, isto é, a linguagem.

Admitimos que muito do que fizemos aqui foram tautologias de como a linguagem funciona e faz da língua um sistema funcional. Também admitimos que tal análise não é exclusiva daqueles (que é o nosso caso) que se debruçam com maior entusiasmo sobre o postulado de Antoine Culioli, mesmo porque, a busca do referente linguístico está no âmago da ciência linguística, seja essa busca apenas no âmbito da língua (daí um posicionamento mecanicista como o de Bloomfield (1935)), seja no da linguagem (daí um posicionamento de Culioli (2002)).

De tudo o que apresentamos e discutimos nas seções anteriores, algumas constatações foram se destacando e nos remetendo ao núcleo da TOPE para dele tentarmos extrair aquilo que é entendido por sentido. E é esse é foco da seção

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ENFIM, DE QUAL AMBIGUIDADE TRATA A TEORIA DAS

OPERAÇÕES PREDICATIVAS E ENUNCIATIVAS?

8.1 Introdução

Esta seção vem para mostrar que a reflexão de Culioli (1990, 1999a, 1999b) segue um caminho bem definido: parte dos observáveis para chegar a uma formalização de um problema em linguística. Amiúde, realizam-se observações comparáveis e constrói-se uma representação formal dessas observações em termos de um sistema de representação metalinguística.

Mas afinal, o que justifica seu método de análise? Vamos explicar:

A partir da crença de que os enunciados são formas derivadas de formas mais complexas, a atividade de re (construção) é o trabalho que traz à tona os processos subjacentes à produção e o reconhecimento dessas formas.

A premissa é a de que cada nova nuança observada é representante dos processos que originaram a nuança anterior. Em termos mais técnicos: cada enunciado produzido pela atividade metalinguística (que como já dissemos noutra passagem desse trabalho, é uma atividade consciente e manipulada) são representativos diretos do enunciado anterior. O resultado deve conter qualquer coisa que estabeleça uma relação entre uma representação e outra representação linguística. E mesmo que todas essas operações aparentem certo distanciamento do enunciado matriz, os processos que o constituem são recuperáveis por meio das marcas que vamos fazendo a partir de sua primeira derivação.

Em verdade, há uma sutileza teórica de base: se se acredita que a linguagem não é acessível diretamente, será a partir da remodelagem sucessiva (concatenação de operações) de um enunciado de origem (matriz) que criaremos vias de acesso a toda a atividade de linguagem que o construiu. Demonstração de que a linguagem só é acessível mediante a materialidade linguística que deixa rastros (as invariâncias) de operações mais profundas. Resumindo: as marcas trabalhadas no nível sucessor recuperam o processo que originou o nível anterior. Daí falar-se em

“família parafrástica”, pois é como se cada enunciado possuísse “genes” em comum com os demais que compõem essa família.

As palavras de Culioli resumem o exposto:

[...] não podemos nos dar por satisfeitos em trabalhar com relações já constituídas e organizadas, mas sim devemos representar o estágio de cada constituição dessas relações e dessas categorias

gramaticais em termos de operações concatenadas. (1990, p. 179)28

Posto que nossa missão, nessa tese, é trazer algo de significante ao estudo da atividade (pluri)significante dos homens, esta seção se dedica a compreender o que, de fato, é aquela ambiguidade inevitável e fundamental da linguagem de que Culioli (1999a) fala em seus escritos. Das assunções que serão feitas no decorrer do texto, destaca-se a de que a linguagem nada tem de reprodutiva no que se refere ao referente: ela não o representa, ela constrói valores referenciais que só são (momentaneamente) estáveis em virtude do que a enunciação pode construir.

Apesar da indeterminação da linguagem estar no bojo do pensamento de Culioli (1990, 1999a, 1999b), conceituar e delimitar ambiguidade dentro dos contornos da TOPE está longe de ser uma tarefa simples e finita. Aliás, ainda se trata de um desafio para aqueles estudiosos que fazem parte desse círculo de estudo, pois, nesse tocante há um paradoxo de base: o conceito de ambiguidade é e não é o mesmo de que tratam os linguistas, sobretudo semanticistas como Lyons (1977) e Ullmann (1977). Não é o mesmo porque a TOPE aponta suas discussões que recaem sobre a questão da referencialidade enunciativa. É a mesmo porque também traz à tona a historicidade das línguas, sobretudo por colocar sob análise as cristalizações oriundas da articulação léxico-gramatical.

As unidades da língua são dotadas de uma heterogeneidade indiscutível e tanto isso é verdade que lacunas vão sendo constante e inevitavelmente deixadas ao longo do processo de formalização de análise do que a semântica formal convenciona determinar como tipologia da ambiguidade.

A abordagem típica da ambiguidade nos gera inquietação por tender a se dar em territórios fragmentados (ou semântico, ou sintático, ou lexical, etc.) por duas

28 [...] we cannot be content with working on relationships which are already constituted and

razões que assombram a ciência linguística: a variação interlínguas e a arbitrariedade metodológica responsáveis, em grande parte, pela fragmentação do conceito de ambiguidade e nos colocam em situação de risco quando defendemos uma ambiguidade que contraria exatamente essa partição herdada das observações do nível mais raso das línguas naturais. Em verdade, trata-se da nossa assunção do risco das generalizações ao propormos a diluição do que tradicionalmente conhece- se como a tipologia da ambiguidade.

A terminologia vigente também nos incomoda. Falar em polissemia, contradição, polifuncionalidade, etc. é estar mais próximo do estudo de língua do que de linguagem, mesmo sabendo que não fazemos linguística sem a articulação desses dois domínios humanos. Assim, estudar a significação é perpassar pela verificação da existência (ou não) de identidades semânticas que garantem uso e valor. E essa verificação se dá por meio da materialidade verbal (a atividade linguística), a qual, por sua vez, também confere sentido e valor. Vejamos o que diz Merleau-Ponty:

Se o signo só quer dizer algo na medida em que se destaca dos outros signos, seu sentido está totalmente envolvido na linguagem, a palavra intervém sempre sobre um fundo de palavra, nunca é senão uma dobra no imenso tecido da fala. Para compreendê-la, não temos de consultar algum léxico interior que nos proporcionasse, com relação às palavras ou às formas, puros pensamentos que estas recobriram: basta que nos deixemos envolver por sua vida, por seu movimento de diferenciação e de articulação, por sua gesticulação eloquente. Logo, há uma opacidade da linguagem: ela não cessa em parte alguma para dar lugar ao sentido puro, nunca é limitada senão pela própria linguagem, e o sentido só aparece nela engastado nas palavras. Como a charada, só é compreendida mediante a interação dos signos, que, considerados à parte, são equívocos ou banais, e apenas reunidos adquirem sentido. (1991, p. 42-43)

Por outro lado, o nosso posicionamento - declaradamente construtivista na medida em que cremos que a significação é construída por meio dos textos e das formas - também incomoda, pois os respingos deixados pelas perspectivas mais clássicas ainda tendem a fazer acreditar na existência de qualquer espécie de

sentido independente da linguagem, sobretudo da atividade discursiva. G. Kleiber reverbera essa insatisfação:

Um tal construtivismo [encontra-se], de fato, na moda (testemunhado de forma eloquente pela presença do sintagma ‘na construção do sentido’ na maior parte dos títulos dos artigos e obras recentes tratando do sentido). Não se pode construir com nada e, portanto, a existência de fragmentos semânticos estáveis ou sentido convencional é necessária ao funcionamento interpretativo. Não é porque o sentido de um enunciado é algo construído discursivamente que tudo o que conduz a esta interpretação é igualmente construído durante a troca discursiva. Não apenas a construção dinâmica do sentido de um enunciado não é incompatível com o fato de que ela se efetua com elementos de sentidos estáveis ou convencionais, mas, mais ainda, ela exige isso: sem sentido convencional ou estável, poucas são as construções semânticas possíveis. (KLEIBER, 1997 apud FRANCKEL, 2011, p. 51).

Para a TOPE, cada enunciado, como já dissemos noutros momentos, é um processo único e sujeito a normas na medida em que tem o enunciado (essa espécie de agenciamento de formas e fenômenos prosódicos) como orientador, pois é graças aos agenciamentos dos enunciados que nos são permitidas as (re)construções dos atos enunciativos. Em realidade, trata-se de uma via de mão dupla, pois a enunciação também exerce influência direta na constituição dos enunciados.

Nesse caminho, um enunciado é somente interpretável mediante um contexto ou situação que escapa dos contornos dados pelas teorias pragmáticas para se imbricar no ponto de vista construtivista culioliano, o qual confirma que o sentido se determina pela matéria verbal, pois é ela que o constrói e o dá estatuto. No ponto de vista em questão, contexto e situação não são externos ao enunciado, mas gerado pelo próprio enunciado. O extralinguístico e o mundo fenomenológico não atribuem sentidos, eles fornecem valores referencias afins para a determinação do sentido dentro dos contornos materiais de cada enunciado.

contexto possível e gerador por esse encadeamento. E a maravilha da plasticidade da linguagem reside justamente nessa trama, pois à medida que um enunciado se torna passível de interpretação, ativa-se um dos contextos potenciais, o que significa que há mais de um contexto que pode ser efetivado.

Assim, sendo a orientação da TOPE a de que a linguagem é dotada de uma plasticidade e de uma opacidade ingênitas, as páginas seguintes dessa seção tentarão desvendar um pouco do enigma do conceito de ambiguidade nos territórios do postulado culioliano e de seus colaboradores.

Belgede Abdülhak Hamid (sayfa 30-32)

Benzer Belgeler