BÖLÜM 1: KURAMSAL ÇERÇEVE
1.1. HAYATIN ANLAMI
1.1.1. Varoluşsal Anlam
A integração vertical pode ser aqui discutida a partir da Economia dos Custos de Transação, os quais correspondem àqueles custos que não estão diretamente ligados à produção, mas aqueles que surgem a partir do relacionamento entre os agentes.
A Economia dos Custos de Transação (ECT) estuda diferentes formas de organizar as transações (mecanismos de governança), de modo que os custos envolvidos sejam reduzidos. Os custos de transação constituem, assim, o elemento fundamental na escolha dos mecanismos de governança.
Tendo como pressupostos a racionalidade limitada e o oportunismo, que aumentam os Custos de Transação, um mecanismo de coordenação ou governança deve ser escolhido para que tais custos sejam minimizados. Os três tipos apresentados para a forma organizacional são: o mercado, a hierarquia (integração vertical) e a forma híbrida.
A escolha entre esses mecanismos de coordenação é feita levando em consideração três parâmetros: a especificidade de ativos, a freqüência e a incerteza.
A especificidade de ativos é uma variável muito importante na definição da governança. Um ativo é considerado específico quando ele não pode ser empregado para outro fim sem sofrer perda de valor. Quando o ativo é específico, seu valor depende da continuidade da transação.
WILLIAMSON (1985) identifica seis tipos de especificidade de ativos, que serão relevantes para explicar a dependência bilateral envolvida quando os ativos são considerados específicos e, portanto, têm peso sobre os custos de transação:
a) especificidade locacional: quando as firmas ou estágios sucessivos de uma cadeia estão próximas, há economias de transporte e armazenagem, de forma que as partes operam numa relação de troca bilateral; b) especificidade física: referente às atribuições físicas dos ativos utilizados na produção; c) especificidade de ativos humanos: relacionados com o capital humano específico da atividade; d) ativos dedicados: relativos a um investimento cujo retorno depende de vender o produto a um cliente específico; e) especificidade da marca: referente ao capital que se materializa na marca de uma empresa; f) especificidade temporal: quando o valor de uma transação depende do tempo em que ela se processa.
Quanto mais específico for um ativo, maior será a dependência entre as partes envolvidas e, portanto, mais as partes estarão sujeitas a perdas no caso de ações oportunistas. Isso torna maiores os custos de transação.
A freqüência refere-se à repetição em que a transação ocorre. Quanto maior for a recorrência das transações, ou quanto mais freqüentemente ela acontecer, mais as partes se tornam dependentes.
Quanto maior a freqüência, menores serão os custos fixos médios associados à coleta de informações e à elaboração de um contrato complexo necessário para restringir ações oportunistas. Além disso, quando a freqüência é muito elevada, há mais possibilidade de as partes desenvolverem reputação, uma vez que o oportunismo poderia interromper a transação e incorrer em perdas no futuro. A reputação desenvolvida na transação limitaria a atitude oportunista (AZEVEDO, 2000).
Quanto ao terceiro parâmetro na decisão do mecanismo de governança, a incerteza está relacionada com o desconhecimento de acontecimentos futuros,
contribuindo para o surgimento de algumas lacunas nos contratos e, assim, viabilizando ações oportunistas.
A junção das três dimensões (especificidade dos ativos, frequência e incerteza), e a importância de cada uma delas vai caracterizar a transação de modo que permitirá estabelecer uma coordenação mais adequada para reduzir os custos de transação envolvidos.
De acordo com os diferentes atributos das transações, WILLIAMSON (1985) propõe diversos modos de realizá-las, sendo os dois extremos o mercado e a hierarquia (integração vertical), passando por formas intermediárias, como os contratos de longo prazo, contratos com especificações, franquias entre outros. As três formas tomadas como referência são o mercado, a hierarquia e a forma híbrida.
A passagem do mecanismo de mercado para o hierárquico indica um ganho no controle sobre a transação, mas em contrapartida há uma redução na motivação ou incentivos. Ou seja, a forma de coordenação do mercado é aquela em que se tem o menor controle sobre a transação, mas em contrapartida é a forma na qual se tem o maior incentivo. No outro extremo, a forma hierárquica garante o maior controle, mas por outro lado a motivação torna-se menor.
Levando-se em conta as três dimensões, a especificidade de ativos é a considerada de maior peso; a variável-chave para a escolha do mecanismo de governança. Diante disso, deve-se fazer a opção pela estrutura de governança de acordo com a especificidade do ativo envolvido.
Se a especificidade dos ativos for muito pequena, a necessidade de controle da transação é baixa ou inexistente, porque não há dependência bilateral. Nesse caso, a melhor forma organizacional seria o mercado. Quando há um grau de especificidade que indica uma dependência significativa entre as partes, opta-se por uma forma híbrida de coordenação. Seria o caso de se estabelecer contratos que limitem as atitudes oportunistas e restrinjam as perdas. Contudo, se a especificidade dos ativos for elevada, a forma de coordenação indicada é a hierárquica, pois é através deste mecanismo que fica assegurado maior controle das transações.
A forma de coordenação via mercado ocorre nas transações onde os ativos não apresentam forte especificidade e os produtores e compradores não apresentam relações de dependência bilateral. A estrutura híbrida é uma forma
intermediária comum em situações em que as partes são autônomas, mas existe um grau significativo de especificidade dos ativos. Já a forma hierárquica, identificável à integração vertical, aparece quando os ativos são altamente específicos, gerando dependência bilateral entre compradores e vendedores, e torna-se mais utilizada quando as transações se realizam com muita freqüência. Quando isso ocorre, surge a necessidade de um mecanismo que induz à cooperação (GUEDES, 2000).
O que se pode concluir sobre esta vertente explicativa para a integração vertical é que ela não leva em conta os aspectos tecnológicos, como economias de escala para explicar a estrutura organizacional. Embora em alguns casos isso seja considerado, tais fatores têm peso secundário na decisão de integrar. O que realmente é levado em consideração na tomada de decisão é a redução dos custos de transação.
Nas palavras de WILLIAMNSON (1985) “As decisões para integrar são raramente devidas ao determinismo tecnológico mas são em sua maioria explicadas pelo fato de que a integração é a fonte de economias de custo de transação”.
A opção pela integração vertical permite que a firma ative maior variedade de incentivos e controles e reduza os conflitos derivados do oportunismo, promovendo menores custos transacionais.
A escolha sugerida por WILLIAMSON, levando em consideração em maior grau a especificidade de ativos, para se adotar a estrutura de governança que minimize os custos de transação, contudo, foi considerada limitada à medida que não atribuiu importância às instituições externas ou, em outras palavras, ao ambiente institucional.
Esta desconsideração por parte de Williamson foi reparada em seu livro de 1996, “The Mechanism of Governance”, quando o autor incorporou em sua análise a influência do ambiente institucional na escolha dos mecanismos de governança. Não apenas o comportamento dos indivíduos, mas também o ambiente institucional (conjunto de instituições que definem as regras do jogo, como leis, normas, costumes, direitos de propriedade etc.) determina a configuração da estrutura de governança. Mas é Douglas North quem atribui às instituições um papel estratégico, conforme já foi demonstrado no primeiro capítulo.