2.3. Varlık Anlayışı
2.3.2. Öz
O direito ambiental tem forte conotação econômica, pois
em um de seus diversos aspectos, é Direito Econômico e, como tal, um instrumento de intervenção econômica. Como Direito Econômico, o DA é dotado de instrumentos específicos que o capacitam a atuar na ordem econômica, de molde a configurar um determinado padrão de apropriação dos recursos ambientais. 62
O Estado, através do seu poder de intervir na economia, pode se portar de diversas maneiras, que vão desde a proibição ou a limitação espacial do exercício de determinada
atividade devido o risco causado ao meio ambiente até a utilização de incentivos para a adoção de determinadas condutas tidas como desejáveis. Em relação ao meio ambiente, essa intervenção ocorre
com o escopo de estimular atividades não agressoras ao meio ambiente, com a premiação dos agentes econômicos que se comportarem de maneira a atender aos interesses ambientais. Essas premiações em matéria ambiental vão desde incentivos financeiros, econômicos ou tributários. Por outro lado, o Estado poderá intervir de maneira coativa, impondo aos agentes econômicos, que de alguma forma prejudicar o meio ambiente, sanções administrativas e criminais, obrigações de fazer e não fazer, obrigando o causador do dano ambiental a reparar os malefícios causados ao meio ambiente, bem como tributando suas atividades de maneira a ver atendidos os interesses ambientais. 63
A intervenção do Estado no meio econômico visa corrigir as falhas de mercado, que se apresentam através das externalidades, que podem ser definidas, de forma sucinta, como os “custos e benefícios que circulam externamente ao mercado”.64 As externalidades podem ser classificadas como negativas (custos) ou positivas (benefícios), onde, no primeiro caso, invariavelmente, tem sido suportado por toda a sociedade e no qual se encaixa os danos de natureza ambiental enquanto, no segundo caso, poucas são as práticas realmente sustentáveis por partes das empresas.65 Dessa maneira,
as externalidades, tanto a positiva quanto a negativa, escapam do mecanismo de mercado. No caso do poluidor, o fato de ele não suportar os custos indiretos causados permite-lhe praticar preços mais reduzidos, sem afastar sua lucratividade. A externalidade positiva, de igual modo, não reverte em maior renda para quem a gera. Um e outro caso podem contrariar os interesses da coletividade. No caso da
63 AMARAL, Paulo Henrique. Direito tributário ambiental. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 49. 64
Id. Ibid., 2007, p. 40.
65 Por exemplo, a indústria do papel e celulose no Brasil usa como “marketing ambiental” o fato de utilizar
recursos provenientes exclusivamente de áreas de reflorestamento, buscando, assim, uma imagem de indústria sustentável. Porém, o reflorestamento é feito basicamente com dois tipos de plantas, o eucalipto e o pinus, onde a sua utilização em larga escala pode acarretar uma série de problemas sócio-ambientais, além de não ser vegetação nativa das áreas onde são plantadas. Conforme, o Instituto de Defesa do Consumidor: “Segundo a consultora de meio ambiente do Idec, Lisa Gunn, utilizar madeira de área reflorestada é sempre melhor do que derrubar matas nativas, mas isso não quer dizer que o meio ambiente está protegido. "Quando o reflorestamento é feito nos moldes de uma monocultura em grande extensão de terras, não é sustentável porque causa impactos sociais e ambientais, como pouca oferta de empregos e perda de biodiversidade." de acordo com algumas pesquisas científicas, a monocultura do eucalipto, por exemplo, consome tanta água que pode afetar significativamente os recursos hídricos. Segundo Daniela Meirelles Dias de Carvalho, geógrafa e técnica da Fase, uma organização não-governamental que atua na área sócio-ambiental, só no norte do Espírito Santo já secaram mais de 130 córregos depois que o eucalipto foi introduzido no estado”. In: INSTITUTO BRASILEIRO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. Serviço: Ambiente. O lado escuro do papel. Revista do Idec, São Paulo. Disponível em: <http://www.idec.org.br/rev_servicosambiente.asp>. Acesso em: 22 set. 2009.
externalidade negativa, seu acobertamento por meio do repasse à coletividade implica aumento da atividade indesejada. A externalidade positiva, por outro lado, não recompensando seu gerador, pode não o motivar à prática de interesse coletivo. Surge, assim, a necessidade de intervenção do Estado, para corrigir ambas as distorções. 66
Apesar de ser visível o caráter econômico do direito ambiental, a atuação do Poder Público tem preferido utilizar de mecanismos protetivo-repressores, estabelecendo responsabilidade civil, administrativa e penal para os causadores de danos ambientais, em detrimento de mecanismos de ordem econômica, entre eles os tributários, que trabalhem com a prevenção de tais danos. A utilização de instrumentos tributários se mostra, entretanto, como uma alternativa viável, como se verá ao longo deste trabalho, para a proteção do meio ambiente, devido o caráter econômico do direito ambiental e do direito tributário, possibilitando, assim, que as externalidades sejam corrigidas de forma mais eficaz. Assim é, que
a adoção desta estratégia pode contribuir, em muito, para a efetividade da legislação ambiental brasileira, de predominante perfil protetivo-repressivo, bem como para a própria mudança deste clássico perfil legislativo e da forma de controle passivo que lhe é próprio. Este, como se verá, preocupa-se mais em desfavorecer as ações nocivas do que em favorecer as ações vantajosas, sendo nítida a superioridade, em termos de eficácia prática, do controle ativo, que, contrariamente, busca favorecer as ações vantajosas, mais do que desfavorecer as ações nocivas. 67
Do exposto, o Estado deve adequar, através de medidas restritivas ou incentivadoras, que visem combater as externalidades oriundas das falhas de mercado, o desenvolvimento das atividades econômicas aos valores expostos na Constituição, entre os quais está a defesa do meio ambiente.
66 SCHOUERI, Luis Eduardo. Normas tributárias indutoras em matéria ambiental. In: TÔRRES, Heleno Taveira
(Org.). Direito tributário ambiental. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 236.
67 YOSHIDA, Consuelo Yatsuda Moromizato. A efetividade e a eficiência ambiental dos instrumentos
econômico-financeiros e tributários. Ênfase na prevenção. A utilização econômica dos bens ambientais e suas implicações. In: TÔRRES, Heleno Taveira (Org.). Direito tributário ambiental. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 534.