2.3. Varlık Anlayışı
2.3.5. Ruh Anlayışı
Como visto até agora, o Estado tem um papel primordial na proteção ao meio ambiente, tanto pelo fato de o mesmo ser o instituidor de normas ambientais quanto pelo fato de que o mesmo pode intervir no meio sócio-econômico, buscando adequar as atividades econômicas aos ditames constitucionais da tutela ambiental.
Nessa diretriz, o direito tributário encarna o papel conciliador entre a economia e o meio ambiente, pretendendo, através da utilização dos seus instrumentos, estabelecer a prática da proteção ambiental e do desenvolvimento sustentável. Essa abordagem, dada ao direito tributário, vem sendo denominada de tributação ambiental.
A tributação ambiental não tem forma fixa de aplicação, sendo que em sentido lato “puede calificarse como tributo ecológico todo aquel cuya principal finalidad es servir a la protección del médio ambiente”.79 Assim, a proteção ambiental pode ser finalidade apenas de um tributo ou de determinada política tributária específica ou pode servir como fundamento para uma reestruturação do próprio sistema como no caso dos países que adotaram a denominada reforma fiscal verde.
A tributação ambiental pode ser definida como
o emprego de instrumentos tributários para gerar os recursos necessários à prestação de serviços públicos de natureza ambiental (aspecto fiscal ou arrecadatório), bem
79
MOLINA, Pedro Alonso Herrera; VASCO, Domingo Carbajo. Marco conceptual, constitucional y comunitário de la fiscalidad ecológica. In: TÔRRES, Heleno Taveira (Org.). Direito tributário ambiental. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 163.
como para orientar o comportamento dos contribuintes à proteção do meio ambiente (aspecto extrafiscal ou regulatório). 80
Dentro da definição de tributação ambiental, encontram-se quais os caminhos a serem adotados na elaboração de uma política fiscal que tenha como objetivo a proteção do meio ambiente. Vislumbra-se ao legislador e aos governantes tanto a instituição de novos tributos quanto de incentivos fiscais, dependendo das finalidades que se queiram galgar com a instituição dos mesmos. Percebe-se, assim, que a tributação ambiental pode agir por caminhos diametralmente opostos, não sendo, portanto, fácil o seu manuseio, devendo-se analisar caso a caso a correta utilização de seus instrumentos.
As finalidades da tributação ambiental são de duas ordens, levando-se em consideração a função dos tributos: a arrecadatória, ou fiscal, e a não-arrecadatória, ou extrafiscal. Porém “o caráter extrafiscal prevalece na tributação ambiental, pois o seu escopo é estimular condutas não-poluidoras e coibir as agressoras ao meio ambiente”. 81
Do exposto, são finalidades da tributação ambiental: 1) a prestação de serviços públicos de natureza ambiental através da instituição de novos impostos, taxas e contribuições e 2) a orientação de comportamentos dos contribuintes visando à proteção do meio ambiente. Enquanto a primeira, cuida da arrecadação de recursos para fiscalização, recuperação e preservação de áreas consideradas de relevante valor ambiental, a segunda, procura incutir nos contribuintes a adoção de comportamentos (incentivando ou desestimulando condutas) que se coadunem com a política de proteção ambiental exposta na Constituição Federal e nos demais textos legais. 82
A utilização dos tributos como forma de reparar ou evitar danos ambientais oriundos da atividade econômica encontra fundamentação na Constituição Federal de 1988 em dois principais momentos: no art. 225, caput, onde impõe ao Poder Público e à coletividade o
80 COSTA, Regina Helena. Apontamentos sobre a tributação ambiental no Brasil. In: TÔRRES, Heleno Taveira
(Org.). Direito tributário ambiental. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 313.
81 AMARAL, Paulo Henrique, op. cit., 2007, 64.
82 Nesse mesmo entendimento, Consuelo Yatsuda elenca como objetivos dos ecotributos: “1) minimizar o dano
ambiental, internalizando seus custos, sem impedir o desenvolvimento industrial (...); 2) influenciar a conduta dos sujeitos passivos, de modo a reduzir suas atividades poluidoras; 3) constituir instrumentos de indenização para a sociedade; 4) criar um incentivo para reduzir a quantidade de produtos poluentes, cujo êxito depende de um alto nível de informação à população e a existência de um ente arrecadador apto; 5) fonte de financiamento do custo ambiental, por exemplo, utilizando a arrecadação para desenvolver dispositivos de segurança ou reduzir o custo do produto reciclaro”. YOSHYDA, Consuelo Yatsuda Moromizato, op. cit., 2005, p. 537.
dever de defender e preservar o meio ambiente, e no art. 170, inc. VI, ao estabelecer como princípio da atividade econômica “a defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação”.83
Segundo Regina Helena Costa, a declaração final da Conferência da Organização das Nações Unidas realizada no Rio de Janeiro em 1992 delimitou os critérios pelos quais se obtém um eficiente tributo ambiental. São eles:
1) eficiência ambiental, vale dizer, que a imposição tributária efetivamente conduza a resultados positivos do ponto de vista ambiental, mediante a instituição de tributo orientado ou imprimindo-se a tributo já existente esse caráter;
2) eficiência econômica, isto é, que ostente baixo custo, que seja um tributo de baixo impacto econômico, embora conducente àqueles dois objetivos: geração de recursos ambientais e/ou orientação do comportamento do contribuinte a adotar uma conduta ecologicamente correta;
3) administração barata e simples, significando que sua exigência não deva onerar a máquina administrativa, porque, senão, ter-se-á o mesmo problema com o exercício do poder de polícia; e
4) ausência de efeitos nocivos ao comércio e à competitividade internacionais, ou seja, que o tributo ambiental não venha a provocar efeitos danosos no ciclo de consumo, não acarretando repercussão negativa do ponto de vista econômico. 84
Do ponto de vista do sistema tributário pátrio, Heleno Taveira Tôrres ao analisar as possibilidades de utilização do direito tributário como meio de proteção ao meio ambiente estabelece como alternativas: 1) o uso do IPTU progressivo no tempo, enquanto única possibilidade de sanção a ato ilícito através do tributo, para proteger o meio ambiente artificial; 2) a cobrança de taxas pelo exercício do poder de polícia e pela prestação de serviços públicos específicos e divisíveis; 3) a instituição de contribuições de intervenção no domínio econômico onde se mostre cabível tal intervenção estatal com a observância do princípio do poluidor-pagador em atividades potencialmente causadoras de danos ao meio ambiente; 4) através de compensações financeiras, com a criação de fundo próprio para a reparação do meio ambiente atingido por atividade de considerável impacto ambiental e 5)
83
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Vade Mecum Acadêmico de Direito. Organização por Anne Joyce Angher. 6 ed. São Paulo: RIDEEL, 2008, p. 77.
através de incentivos fiscais, isenções e outras medidas cujo objetivo seja o atendimento de regras de natureza ambiental. 85
A tributação ambiental deve ser manejada de forma a proporcionar tanto uma máxima eficácia nas políticas de proteção ao meio ambiente, visto que este é o seu objetivo principal, quanto a observar os princípios e regras de direito tributário, uma vez que não se pode olvidar da correta utilização dos seus instrumentos. Portanto, as políticas ambientais só poderão se valer dos mecanismos tributários que não conflitem com o direito pátrio, pois este é o substrato sobre o qual as políticas fiscais de proteção ao meio ambiente deverão seguir na busca da construção de uma sociedade ecologicamente equilibrada.
Traçada em linhas gerais a tributação ambiental, passar-se-á agora a analisar a mesma como mecanismo de mudança social, onde se enxerga uma possibilidade de alteração do quadro atual de crescente degradação ambiental enfrentada pela nossa sociedade.