2009 – 2013 YILLARI KONAKLAYAN TURİST SAYILARI
4.2. Uzun Vadede Gerçekleştirilecek Çalışmalar
Queremos nos valer, deste momento derradeiro para, não apenas retomarmos sucintamente algumas conclusões já apresentadas, mas para apresentar reflexões que, apesar das limitações desta dissertação, nos sentimos obrigados a fazer enquanto contribuição a um tema que, seguramente, concentrará trabalhos mais alentados e do qual, confessamos, não gostaríamos de nos despedir sem aproveitarmos todo o espaço possível que, prevenimos, será menos concludente e mais devaneio, mais indicativo.
Se num primeiro momento nosso contacto com as TCI se fez no incômodo de substituir memorandos escritos, como sempre escrevemos, por uma tecnologia imposta e de decifração desagradável; logo a seguir, superadas as dificuldades técnicas, começamos a nos dar conta que um novo modo se impunha às comunicações sem que a organização suspeitasse das mudanças, sem que se encontrassem estudos que nos falassem algo além de relações mecanicistas e óbvias apesar de toda a plasticidade e potencial contidos nessas novas ferramentas de intermediação. Assim, nos demos conta de uma série de corolários que, se não se confirmaram cabalmente, se mostram como hipóteses seguras para encaminhar nossas desconfianças enquanto propostas de trabalhos.
Assim, se no contexto das organizações contemporâneas a comunicação se mostrava cada vez mais essencial para a sua sobrevivência, se nesse mesmo tempo a inovação
apresentava situações inusitadas e surpreendentes com a acentuação de ritmos e simultaneidade de novas tecnologias, a integração de tudo isso pelo espaço virtual potencializou, efetivamente, realidades organizacionais que, mesmo quando nos detemos em observar eventos mais restritos, como o que fizemos enfocando um portal corporativo, revelam horizontes que obrigam o estudioso a preocupações jamais enfrentadas, o que levaria, forçosamente, a buscar novas luzes epistemológicas e que, para nós, aproximaram, irrefutavelmente, os estudos das organizações da Teoria da Complexidade pela sua natural vocação de tratar e viabilizar essas novas realidades excessivas para outras lógicas menos afeitas à imprevisibilidade.
A comunicação implementada e geneticamente modificada pelos info-meios revelou agir sobre a organização enquanto fator de complexificação, enquanto sistema, alterando, radicalmente, as relações entre os indivíduos e os indivíduos com o todo. É assim, que mesmo eventos informacionais naturalmente limitados como uma intranet, demonstraram potencial transformador muito além daqueles imaginados pelos mais cuidadosos arquitetos da inovação e muito menos percebidos pelos usuários mesmo os mais atentos: se de há muito os estudiosos têm se voltado para as relações humanas com a tecnologia, hoje, estabeleceu-se a certeza de que tais estudos necessitam de profunda revisão, tão profunda quanto a abissal diferença de essência das novas tecnologias com relação a aquelas que fizeram os "milagres" da Revolução Industrial; na mesma proporção, fica a distância entre os estudos das TCI nas relações organizacionais e seus precedentes mais imediatos agora sempre mais afastados pelas rupturas constantes criadas pela essência mesmas das inovações. Há que se considerar
um conjunto novo de variáveis de agravamento nesse processo de inconsciência tecnológica: dada a rapidez de anacronização, escassez de tempo de adaptação dos usuários para fazer retornar os investimentos e fazer produzir a aquisição, considerada a sempre por nós mencionada sedução pelo novo, as possibilidades de pensarmos os efeitos sobre nós dessas inovações ficam, cada vez mais, confinadas à pequenez das “vantagens competitivas” e cada vez mais limitadas pela “pequenez das máquinas”.
No sentido dessa outra ótica, há que se tentar enxergar a organização em rede, onde o conhecimento passa, mais e mais, a se constituir em forma de controle, onde a inovação impositiva e constante cria estruturas que se tornam, quase que espontaneamente, cada vez mais abertas, menos hierarquizadas e mais centradas nos processos; onde o próprio poder que incrementa a inovação tanto pode se reorganizar nessa nova dinâmica quanto se desequilibrar na descentralização involuntária sempre potencial da rede que tem a possibilidade de cultivar individualidades, que pode permitir a libertação do sistema pela sua incontável capacidade de gerar atalhos, de criar em sua completa fluidez, espaços singulares de descontrole. A digitalização da comunicação potencializa a reconstrução da realidade já reconstruída pela comunicação criando novas e surpreendentes realidades que podem, quase sempre, escapar dos próprios gestores das transformações obrigando a todo um repensar das estratégias de gestão da inovação; realidades onde as previsões serão trocadas pelos potenciais e nas quais as estruturas serão redesenhadas a partir das identidades produzidas pelos relacionamentos nascidos pela troca das informações: essas informações transmutadas
pela mediação informacional trazem uma das causas, um dos gatilhos provocadores dos movimentos autopoieticos que se tornarão mais constantes na realidade organizacional sobrevivente.
Mesmo que o acima afirmado possa assumir um proposital tom de “profecia organizacional escatológica”, tal exagero didático nasce da certeza de que, a partir do pouco que pudemos efetivamente constatar em nosso caso, nos silêncios das grandes redes todos sabemos desconfiar mudanças essenciais em nossa humanidade e, aceitá- las como viscerais, é o primeiro movimento para entender seu alcance e, quiçá, compreender seus efeitos, já que temos que entender a realidade recriada pela mágica muito concreta do espaço virtual, pela comunicação hipertextual: é cada vez mais estranho, senão assustador, observar os estudiosos das organizações se emocionarem e surpreenderem com o mundo metamorfoseado pela rede externa, e não se tocarem em igual ou semelhante proporção com o que estaria ocorrendo nas estruturas mesmas das organizações.
Quando se constata o "efeito complexificante" do hipertexto ou, genericamente, da geração e dos espaços virtuais dentro dos quadrantes da organização, lembramos que a complexidade é “tolerante”; de fato, predisposta à “desordem autocriativa” que, se de um lado, a adapta a enfrentar os distúrbios do mundo exterior, por outro, pode gerar um desequilíbrio interno desintegrador e mortal quando não entendida. Tal dilema encontraria uma de suas saídas na busca da solidariedade vivida enquanto catalisador
do único equilíbrio que sobreviveria à complexidade: temos aí, por vias transversas, a recuperação dos valores da cultura organizacional agora conquistada e mantida por "novos meios", meios capazes de criar espaço informais e relacionais inimaginados; capazes de armazenar dados de nossas memórias coletivas em escalas jamais pensadas estabelecendo correlações infinitas. Pensar essas culturas renascidas e compiladas em bits e ainda capazes de estabilizar a instabilidade essencial de nossos tempos é outro dos desafios que parecem que serão a nossa forma definitiva de viver a normalidade e onde a incerteza não será mais anomalia. Se tivemos uma muito longa ditadura da tecnologia sobre a humanidade em todos os espaços da vida profissional, a organização e a própria vida em redes e sua conseqüências permitiram que pudéssemos ultrapassar a iconoclastia dos humanistas em relação às técnicas que, agora TCI, apareceriam como aliadas, como instrumentos de promoção e respeito do homem: eis a possibilidade oposta que as redes oferecem como potenciais autopoieticos de sobrevivência e que nos faz oscilar entre as utopias da inovação e as lamúrias apocalípticas das metástases de uma tecnologia desumanizada.
Como será a convivência que as possíveis camadas de interfaces digitais terão com os nossos acervos escritos, imagéticos e orais nos contextos dos grupos e compondo nossos elencos valorativos?
A única certeza que se pode vislumbrar é que todos os compósitos nos trarão novas tradições, novos referenciais que acentuarão esse nosso surpreendente devir. Se séculos de escrita nos fizeram entender o mundo como se fosse uma página que nasce,
pelo menos para o ocidente, de cima para baixo, da esquerda para a direita, que se organiza em parágrafos, pontos e vírgulas, como será esse mesmo mundo olhado pela miscelânea de mídias em convivência complexa? Como será o mundo do hipertexto? Mais ainda, como estarão sendo lidas, entendidas e gerenciadas as organizações com suas necessidades aritméticas e contábeis por essa nova linguagem?
E quando tocamos no “lado negro”, nunca poder-se-á perder a óbvia dimensão de que as mesmíssimas TCI tem podido e poderão continuar a serem configuradas para endurecerem a cadeia escalar, para acentuar as diferenças hierárquicas, o centralismo, o formalismo, o verticalismo dos modelos lineares e impositivos. Aliás, no caso estudado dos portais corporativos, muitos exemplos conhecidos apontam declaradamente para esse intuito. A grande questão que se colocou, fazendo com que as TCI perdessem essa bipolaridade elementar das ferramentas - para o bem ou para o mal - é que tais instrumentos parecem que trariam em si o germe da indomabilidade, pareceriam que, mesmo quando sujeitos a rígidos padrões de controle, são capazes de permitirem subterfúgios, vias paralelas, subversão dos padrões originais: quando se fala em segurança digital, em propriedade digital, em organização digital, surge sempre aos nossos olhos a figurinha de um garoto míope burlando e brincando com os tesouros dos bancos, com os segredos das potências, caminhando sorrateiramente pelos corredores privativos das grandes corporações, quanto mais se pensa no Big Brother mais aparecem as possibilidades de “Davis cibernéticos”. De qualquer maneira, ainda assim, queremos relembrar uma outra vertente de possíveis estudos que, de maneira alguma
poderá ser afastada neste nosso espaço de justo, necessário e libertado refletir: as por nós designadas renascidas burocracias digitais que, se na contra-mão de tanto e de tudo que já se fez e falou em termos das modernas organizações, por inúmeras razões, tem sido objeto de ensaios, investidas e pesados investimentos, já que controles são elementos atávicos, medulares pois ideológicos de toda uma cultura gerencial de muito longa duração e, face a tudo o que se sabe e já foi dito aqui das TCI, jamais dispuseram de ferramentas tão eficazes...
Antes que nos imputem leviandade novelística, antes que nos acusem de estarmos usando um estereótipo estético cinematográfico, perguntamos: ante a fluidez e às possibilidades das redes não seriam estas o espaço natural de uma civilização de invasores? Não seriam elas o húmus de uma criatividade de fronteiras amplas, irregulares e indisciplinável? Não estaria nesse paradoxo intrínseco das relações entre "instrumentos desobedientes" e senhores autoritário-burocráticos a razão de sistemas sociais cada vez menos domináveis, cada vez menos capazes de produzir a auto- organização viabilizadora de saídas?
O que nos avalizou e incentivou tais reflexões sobre as questões pertinentes às relações mais especificamente entre comunicação e mudança foi, insistimos, a constatação de que as mesmas são analisadas por padrões um tanto rígidos e estanques, quer pelos estudiosos da comunicação que se restringem à sua área, quer pelos estudos organizacionais que, também pelo seu lado, pouco se esforçam nessa travessia inter-
disciplinar tão importante para que sinais, ao menos, nos apontem novas frentes de pesquisas: algo mais tem se escrito sobre comunicação organizacional sem que, no entanto, com raras exceções, tenha-se conseguido um novo instrumental teórico- conceitual que desse conta dessa enorme demanda e volume de diálogo que as TCI geraram nas organizações: as novas dimensões técnicas das redes potencializaram a ação articulada de públicos em escala mundial e de diversidade imprevisível. Nos parece que essa "terra de ninguém", que esse vácuo de interesse exista, menos pela ausência de estudiosos que aventurassem fazer o casamento entre essas áreas do conhecimento, do que pela ousadia epistemológica indispensável que deveria conduzir tais estudos. Insistimos, é mera percepção de um iniciante encantado pelos primeiros passos num deslumbrante cenário de novidades o que, conseqüentemente, nos permite a inconseqüência, assim como parece muito difícil se falar em conseqüência, ordem e outros conceitos respeitáveis quando a subversão se tornou a versão, quando todos os limites se dissolveram e quando a única coisa que nos parece mais fundamental do que nunca e mais tão necessária como sempre é o resgate, de sob os escombros de uma sucata tecnológica de última geração, da humanidade olvidada.
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