BÖLÜM II: ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.1. ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ
2.1.1 Uzaktan Eğitim
Africana.
Após interpelação do Movimento Negro e outros setores da sociedade cível, foram aprovados, em 2004, pela Câmara Plena do Conselho Nacional de Educação, o Parecer CNE/CP 003/2004 e sua Resolução 01/2004. O referido parecer introduz as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e Para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, regulamentando os artigos 26, 26 A e 79 B, introduzidos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) n° 9394/96. (ver Anexo III, p 107).
Conforme destaca o Parecer CNE/CP 003/2004, “a educação das relações étnico- raciais impõe aprendizagens entre brancos e negros, trocas de conhecimentos, quebra de desconfianças, projeto conjunto para a construção de uma sociedade justa, igual e equânime” (BRASIL, 2004, p. 14).
Na Educação das relações étnico-raciais, é fundamental que se entenda raça como:
A construção social forjada nas tensas relações entre negros e brancos, muitas vezes simuladas como harmoniosas, nada tendo a ver com o conceito biológico de raça cunhado no século XVIII e hoje superado. Cabe esclarecer que o termo raça é utilizado com freqüência nas relações sociais brasileiras, para informar como determinadas características físicas, como cor de pele, tipo de cabelo, entre outras, influenciam, interferem e até mesmo determinam o destino e o lugar social dos sujeitos no interior da sociedade brasileira (BRASIL, 2004, p.13).
E que se entenda o termo étnico, na expressão étnico-racial como:
Serve para marcar que essas relações tensas devidas a diferenças na cor da pele e traços fisionômicos o são também devido à raiz cultural plantada na ancestralidade africana, que difere em visão de
mundo, valores e princípios das de origem indígena, européia e asiática (BRASIL, 2004, p. 13).
A educação das relações étnico-raciais fundamentada como política de reparações, de reconhecimento e valorização de ações afirmativas se pauta em três princípios, sendo o primeiro: “consciência política e histórica da diversidade”, que deve conduzir à:
Igualdade básica de pessoa humana como sujeito de direitos; à compreensão de que a sociedade é formada por pessoas que pertencem a grupos étnico-raciais distintos, que possuem cultura e história próprias, igualmente valiosas e que em conjunto constroem, na nação brasileira, sua história; ao conhecimento e à valorização da história dos povos africanos e da cultura afro-brasileira na construção histórica e cultural brasileira; à superação da indiferença, injustiça e desqualificação com que os negros, os povos indígenas e também as classes populares às quais os negros, no geral, pertencem, são comumente tratados; à desconstrução, por meio de questionamentos e análises críticas, objetivando eliminar conceitos, idéias, comportamentos veiculados pela ideologia do branqueamento, pelo mito da democracia racial, que tanto mal fazem a negros e brancos; à busca, da parte de pessoas, em particular de professores não familiarizados com a análise das relações étnico-raciais e sociais com o estudo da história e cultura afro-brasileira e africana, de informações e subsídios que lhes permitam formular concepções não baseadas em preconceitos e construir ações respeitosas; ao diálogo, via fundamental para entendimento entre diferentes, com a finalidade de negociações, tendo em vista objetivos comuns; visando a uma sociedade justa
(BRASIL, 2004, p. 18-19).
O segundo princípio “fortalecimento de identidades e de direitos” orienta para:
O desencadeamento de processo de afirmação de identidades, de historicidade negada ou distorcida; o rompimento com imagens negativas forjadas por diferentes meios de comunicação, contra os negros e os povos indígenas; os esclarecimentos a respeito de equívocos quanto a uma identidade humana universal; o combate à privação e violação de direitos; a ampliação do acesso a informações sobre a diversidade da nação brasileira e sobre a recriação das identidades, provocada por relações étnico-raciais; as excelentes condições de formação e de instrução que precisam ser oferecidas, nos diferentes níveis e modalidades de ensino, em todos os estabelecimentos, inclusive os localizados nas chamadas
periferias urbanas e nas zonas rurais (BRASIL, 2004, p. 19).
Os encaminhamentos dados ao terceiro princípio “ações educativas de combate ao racismo e a discriminações” são para:
A conexão dos objetivos, estratégias de ensino e atividades com a experiência de vida dos alunos e professores, valorizando aprendizagens vinculadas às suas relações com pessoas negras, brancas, mestiças, assim como as vinculadas às relações entre negros, indígenas e brancos no conjunto da sociedade; a crítica pelos coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, professores, das representações dos negros e de outras minorias nos textos, materiais didáticos, bem como providências para corrigi-las; condições para professores, alunos pensarem, decidirem, agirem, assumindo responsabilidade por relações étnico-raciais positivas, enfrentando e superando discordâncias, conflitos, contestações, valorizando os contrastes das diferenças; valorização da oralidade, da corporeidade e da arte por exemplo como a dança, marcas da cultura de raiz africana, ao lado da escrita e da leitura; educação patrimonial, aprendizado a partir do patrimônio cultural afro- brasileiro, visando preservá-lo e difundí-lo; o cuidado para que se dê um sentido construtivo à participação dos diferentes grupos sociais, étnico-raciais na construção da nação brasileira, aos elos culturais e históricos entre diferentes grupos étnico-raciais, às alianças sociais; participação de grupos do Movimento Negro, e de grupos culturais negros, bem como da comunidade em que se insere a escola, sob a coordenação dos professores, na elaboração de projetos político-pedagógicos que contemplem a diversidade étnico-racial (BRASIL, 2004, p.19-20).
Estes princípios e seus desdobramentos exigem mudanças, na estrutura educacional, nas visões de mundo, nas formas de pensar e agir e, conseqüentemente, nos materiais didáticos (BRASIL, 2004, p. 20). É neste último item que esta pesquisa busca principalmente influir: na reformulação e construção de materiais de ensino.
2.5 - Potencialidades Pedagógicas em Materiais de Ensino Para a Educação das Relações Étnico-Raciais
As discussões sobre as relações étnico-raciais na sociedade, em especial na educação, têm desafiado os estabelecimentos de ensino, os processos educativos, educadores, escritores e editoras a elaborarem materiais de ensino que possibilitem atitudes anti-racistas e antidiscriminatórias, que possibilitem reconhecer e fortalecer as identidades das culturas dos grupos socialmente marginalizados, entre eles, os negros. Desafiam educadores(as), intelectuais, sistemas de ensino a inteirar-se dos processos de resistência negra, a tomar conhecimento de uma produção cultural realizada pelos negros, a questionar práticas, atitudes, discursos, bem como a repensar a estrutura marginalizadora da escola. Tudo isso, com o objetivo de garantir direito ao acesso à educação, mas também de permanência, o êxito de alunos de diferentes pertencimentos étnico-raciais e níveis sócio- culturais nos bancos escolares e universitários (BRASIL, 2004).
Há inúmeros meios para realizar a educação das relações étnico-raciais. E esses meios passam pelas mudanças nas práticas pedagógicas dos(as) educadores(as), nas políticas públicas federais, estaduais e municipais, nos planos político-pedagógicos dos estabelecimentos de ensino e também nos materiais de ensino.
Mas, quando se trata de novos materiais de ensino, necessitamos primeiramente avaliar os que estão em uso e, ao mesmo tempo, produzirem novos. Para tanto, é importante critérios tanto para avaliar como para criar novos materiais.
Caso os materiais já produzidos estejam sob a forma de revistas, jornais, letras de músicas, filmes, livros didáticos e para-didáticos, imagens, fotos, cartazes, desenhos, entre
outros; tenham o objetivo primeiro, ou não, da realização da educação das relações étnico- raciais, podem ser usados para este fim, se tiverem potencialidade pedagógica para tanto.
Para utilizar tais materiais de ensino, é necessário identificar suas potencialidades de geração de aprendizagens significativas para a vida de pessoas. Potencialidades pedagógicas nos materiais estão relacionadas às mensagens que visam transmitir. Visões de mundo, por exemplo, que incentivem a produção de conhecimento, que mostrem capacidade de realização, despertem reflexões, organizem pensamentos, resolvam problemas, ajudem a fortalecer a identidade e o pertencimento étnico-racial.
Materiais com potencialidades pedagógicas são aqueles que geram aprendizagens, que permitem a conexão da experiência vivida, no dia-a-dia, com aquela que o material explicita, são aqueles que mostram possibilidades de multiplicar ações positivas de humanidade, de pertencimento étnico-racial, de luta por mudanças de realidade social adversa, de respeito e orgulho de gênero e orientação sexual, de respeito às gerações mais antigas e mais novas, de respeito e valorização a diferentes formas de religiosidade, às manifestações culturais de diferentes raízes étnico-raciais, à história de todos os povos que contribuíram e contribuem para a construção da nação e de toda a humanidade.
O adjetivo “pedagógico” qualifica os materiais de ensino que desencadeiam ações para aprender-ensinar-aprender, que encaminham projeções para o futuro.
A fim de identificar as potencialidades pedagógicas nos materiais de ensino, é importante ter como guia os princípios da educação das relações étnico-raciais, apresentados anteriormente, com a intenção de identificar no que o material de ensino pode contribuir para a “consciência política e histórica da diversidade”, o “fortalecimento de identidades e de direitos”, bem como para “ações educativas de combate ao racismo e a discriminações”.
Materiais – revistas, jornais, letras de músicas, filmes, livros didáticos e para- didáticos, imagens, fotos, cartazes, desenhos, entre outros – com potencialidades pedagógicas são aqueles que podem criar aprendizagens e ensinamentos, podem possibilitar novas visões de mundo, com as quais dialoga novos jeitos de ser e viver. As potencialidades pedagógicas são encontradas na interação entre mestres e aprendizes com os materiais. Potencialidades pedagógicas permitem, além da utilização dos materiais, sua reelaboração e inovação nos jeitos de aprender-ensinar-aprender.
Tendo em vista o anteriormente exposto neste capítulo, cabe agora relembrar a questão e o objetivo desta pesquisa. A questão orientadora é: Quais potencialidades pedagógicas para a educação das relações étnico-raciais estão presentes na narrativa de Thereza Santos?
O objetivo perseguido é: identificar e compreender as potencialidades pedagógicas presentes na narrativa de Thereza Santos para a educação das relações étnico-raciais.