BÖLÜM II: ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.2. İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
Além das leituras já mencionadas, fiz inúmeras outras, com a intenção de coletar e organizar dados no texto objeto deste estudo. Como o objetivo é encontrar potencialidades pedagógicas para a educação das relações étnico-raciais, primeiramente foi necessário um guia para organizar e analisar os dados. Estes guias foram encontrados nos princípios, para proceder a educação das relações étnico-raciais, contidos no Parecer CNE/CP 003/2004, e que são: consciência política e histórica da diversidade; fortalecimento de identidades e de direitos; ações educativas de combate ao racismo e à discriminação.
Esses princípios conduzem, orientam, encaminham entendimentos, ações, proposições para os sistemas de ensino, para os professores e estabelecimentos de ensino (BRASIL, 2004, p.18), com o objetivo de implementar e proporcionar aos alunos, professores, pais, ou seja, a toda comunidade escolar, a educação das relações étnico- raciais. Vale retomar, aqui, que tais princípios no referido Parecer se encontram assim explicitados: “consciência política e histórica da diversidade”, que deve conduzir à:
Igualdade básica de pessoa humana como sujeito de direitos; à compreensão de que a sociedade é formada por pessoas que pertencem a grupos étnico-raciais distintos, que possuem cultura e história próprias, igualmente valiosas e que em conjunto constroem, na nação brasileira, sua história; ao conhecimento e à valorização da história dos povos africanos e da cultura afro-brasileira na construção histórica e cultural brasileira; à superação da indiferença, injustiça e desqualificação com que os negros, os povos indígenas e também as classes populares às quais os negros, no
geral, pertencem, são comumente tratados; à desconstrução, por meio de questionamentos e análises críticas, objetivando eliminar conceitos, idéias, comportamentos veiculados pela ideologia do branqueamento, pelo mito da democracia racial, que tanto mal fazem a negros e brancos; à busca, da parte de pessoas, em particular de professores não familiarizados com a análise das relações étnico-raciais e sociais com o estudo da história e cultura afro-brasileira e africana, de informações e subsídios que lhes permitam formular concepções não baseadas em preconceitos e construir ações respeitosas; ao diálogo, via fundamental para entendimento entre diferentes, com a finalidade de negociações, tendo em vista objetivos comuns; visando a uma sociedade justa
(BRASIL, 2004, p.18-19).
“Fortalecimento de identidades e de direitos”, segundo princípio, orienta para:
O desencadeamento de processo de afirmação de identidades, de historicidade negada ou distorcida; o rompimento com imagens negativas forjadas por diferentes meios de comunicação, contra os negros e os povos indígenas; os esclarecimentos a respeito de equívocos quanto a uma identidade humana universal; o combate à privação e violação de direitos; a ampliação do acesso a informações sobre a diversidade da nação brasileira e sobre a recriação das identidades, provocada por relações étnico-raciais; as excelentes condições de formação e de instrução que precisam ser oferecidas, nos diferentes níveis e modalidades de ensino, em todos os estabelecimentos, inclusive os localizados nas chamadas periferias urbanas e nas zonas rurais (BRASIL, 2004, p.19).
No terceiro princípio “ações educativas de combate ao racismo e a discriminações” os encaminhamentos dados são para:
A conexão dos objetivos, estratégias de ensino e atividades com a experiência de vida dos alunos e professores, valorizando aprendizagens vinculadas às suas relações com pessoas negras, brancas, mestiças, assim como as vinculadas às relações entre negros, indígenas e brancos no conjunto da sociedade; a crítica pelos coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, professores, das representações dos negros e de outras minorias nos textos, materiais didáticos, bem como providências para corrigi-las; condições para professores, alunos pensarem, decidirem, agirem, assumindo responsabilidade por relações étnico-raciais positivas, enfrentando e superando discordâncias, conflitos, contestações, valorizando os contrastes das diferenças; valorização da oralidade, da corporeidade e da arte por exemplo como a dança, marcas da cultura de raiz africana, ao lado da escrita e da leitura; educação
patrimonial, aprendizado a partir do patrimônio cultural afro- brasileiro, visando preservá-lo e difundi-lo; o cuidado para que se dê um sentido construtivo à participação dos diferentes grupos sociais, étnico-raciais na construção da nação brasileira, aos elos culturais e históricos entre diferentes grupos étnico-raciais, às alianças sociais; participação de grupos do Movimento Negro, e de grupos culturais negros, bem como da comunidade em que se insere a escola, sob a coordenação dos professores, na elaboração de projetos político-pedagógicos que contemplem a diversidade étnico-racial (BRASIL, 2004, p. 19-20).
Para organizar os dados, ou seja, os trechos, as passagens da narrativa de Thereza Santos que se identificaram com os princípios em pauta, foi confeccionado um quadro (Quadro 1) em que busquei identificar relações entre os referidos princípios e as expressões da escritora. O quadro contém, numa primeira coluna, os princípios apontados no Parecer CNE/CP 003/2004 e seus respectivos desdobramentos. Numa segunda coluna, trechos do livro “Malunga Thereza Santos a História de Vida de uma Guerreira” que apresentam significações relativas ao princípio em tela. E uma terceira coluna, foram registrados os significados do trecho selecionado e, na última, as possíveis potencialidades pedagógicas.
Quadro de Análise 1 – Análise capítulo por capítulo
Princípio do Parecer
CNE/CP 003/2004
Trechos do Livro “Malunga Thereza Santos a História de Vida de uma Guerreira”
Significados Potencialidades Pedagógicas
Fortalecimento de Identidades e de Direitos
Orientação do Princípio:
Após organizar o Quadro 1, foi elaborado um segundo, (Quadro 2, ver anexo, pág. 95) com as mesmas informações, mas organizado de forma diferente. O primeiro, como já comentado, foi reunido capítulo por capítulo; já o segundo; foi organizado a partir dos Princípios do Parecer CNE/CP 003/2004. Por exemplo, foram selecionados todos os trechos das narrativas, referentes ao princípio “Consciência Política e Histórica da Diversidade”. Feito isso, foram buscados os significados e as potencialidades pedagógicas dos trechos.
Quadro de Análise 2 – Princípio por Princípio
Princípio do Parecer
CNE/CP 003/2004
Trechos do Livro “Malunga Thereza Santos a História de Vida de uma Guerreira”
Significados Potencialidades Pedagógicas
Fortalecimento de Identidades e de Direitos
Orientação do Princípio
Por fim, é importante frisar que, segundo Silva (1987), com a análise dos dados a partir do método utilizado, nos preocupamos em desvelar o mundo, neste caso, o mundo descrito na narrativa de Thereza. Não se pode negar que o convívio com Thereza Santos na revisão dos originais contribuiu, de uma ou de outra forma para a análise organizada nos quadros, apresentada na descrição compreensiva do quarto capítulo e nas interpretações, reflexões e considerações do capítulo final.
Nessa convivência, experienciei que, conforme afirma Fiori (1983, p.10), “na intersubjetivação, as consciências também se põem como consciência de um certo mundo comum e, neste mundo, se opõem como consciência de si e consciência do outro”.
Realizada a apresentação dos caminhos metodológicos, apresentarei, no capítulo seguinte, a análise dos dados coletados.