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BÖLÜM IV: BULGULAR VE YORUM

4.1. SORGULAMA TOPLULUĞU (ST) ALGILARI

Após apresentar o campo estudado, as referências da literatura e a forma de análise, demonstro neste capítulo a análise dos dados coletados.

De início, é importante retomar que, ao buscar potencialidades pedagógicas na narrativa de Thereza Santos, tenho como diretriz os princípios apontados no Parecer CNE/CP 003/2004, que são “consciência política e histórica da diversidade; fortalecimento de identidades e de direitos; ações educativas de combate ao racismo e às discriminações” (BRASIL, 2004). É com esses guias que busco potencialidades que transmitam visões de mundo; incentivem a produção de conhecimento; despertem reflexões; organizem pensamentos; ajudem a resolver problemas; auxiliem a entender situações, a significar fatos; fortaleçam a identidade e o pertencimento étnico-racial. Busco também potencialidades pedagógicas que desencadeiem ações para aprender-ensinar-aprender, que encaminhem projeções para o futuro, que levem a compreender novas visões de mundo e a redimensionar a própria, que busquem dialogar com novos jeitos de ser e viver, que permitam multiplicar ações positivas de humanidade, de pertencimento étnico-racial, de luta por mudanças de realidade social adversa, de respeito e orgulho de gênero e opção sexual, de respeito às gerações mais antigas e mais novas, de respeito e valorização a diferentes formas de religiosidade, de manifestações culturais de diferentes raízes étnico- raciais, à história de todos os povos que contribuíram e contribuem para a construção da nação e de toda a humanidade.

Antes de apresentar a análise dos dados, é necessário esclarecer que, para ilustrar as referidas potencialidades pedagógicas, selecionei alguns trechos, de alguns capítulos. Isso

não significa dizer que os trechos não selecionados são desconsideráveis para a educação das relações étnico-raciais.

No entanto, para que a seleção fosse possível, o todo da obra esteve presente. Identificar passagens em alguns capítulos como se pretendesse dissecar o texto, o meu olhar, os meus conhecimentos, as minhas experiências, a literatura, aguçaram minha atenção para algumas passagens.

Certamente outras pessoas que fizerem o mesmo esforço destacarão algumas passagens que não se mostram ao meu olhar, percepção, capacidade de análise.

Toda obra orientou a identificação que fiz de passagens com o intuito de compreender os sentidos para a educação das relações étnico-raciais, mas tais significados só são possíveis porque o todo da obra esteve presente.

Para melhor explicar o que pretendo, vou fazer uma analogia ao cubo de cristal de que nos fala Merleau-Ponty:

Do ponto de vista do meu corpo, nunca vejo iguais as seis faces do cubo, mesmo se ele é de vidro, e todavia a palavra “cubo” tem um sentido; o cubo ele mesmo, o cubo na verdade, para além de suas aparências sensíveis, tem suas seis faces iguais. À medida que giro em torno dele, vejo a face frontal, que era um quadrado, deformar- se, depois desaparecer, enquanto os outros lados aparecem e tornam-se cada um, por sua vez, quadrados. Mas para mim o desenrolar dessa experiência é apenas a ocasião de pensar o cubo total com suas seis faces iguais e simultâneas, a estrutura inteligível que lhe dá razão. E, mesmo para minha caminhada em torno do cubo motive o juízo “eis um cubo”, é preciso que meus deslocamentos estejam eles mesmos localizados no espaço objetivo e, longe de a experiência do movimento próprio condicionar a posição de um objeto, ao contrário é pensado meu próprio corpo com um objeto móvel que posso decifrar a aparência perceptiva e construir o cubo verdadeiro (MERLEAU-PONTY, 1994: 274).

É importante dizer que os trechos não são isolados, eles tomam significados no todo do capítulo e os capítulos, no toda da obra. Eles precisam ser lidos dentro dos capítulos e os capítulos, dentro de toda obra.

Sabendo que a narrativa de Thereza Santos contém potencialidade pedagógicas em toda a sua obra, busquei selecionar apenas alguns trechos, por compreender e respeitar a importância do texto na sua totalidade, e porque compreendo a identificação das passagens narradas como uma forma de exemplificar a busca por potencialidades pedagógicas.

Feitas estas considerações passo à análise dos dados, que têm por eixo de organização os já mencionados princípios contidos no Parecer CNE/CP 003/2004, conforme segue.

Consciência política e histórica da diversidade:

Tendo em vista o princípio em tela, expresso no subtítulo acima, foram identificados sentidos que podem levar a identificar, compreender, julgar, a realidade preconceituosa e discriminadora. As experiências de vida de Thereza, reveladas de passagem em sua obra, da infância à idade adulta, levaram-na a perceber a perversidade dos preconceitos e das discriminações; mais do que isso, a buscar superar todo tipo de desigualdades e hierarquias, a compreender a luta dos negros em todos os espaços sociais, políticos, assim como a identificar os problemas que enfrentam. Desta maneira, percebeu e até mesmo sofreu os efeitos do racismo e da escravidão. E, a partir de experiências sentidas na pele e de decorrentes compreensões, buscou enfrentar as desigualdades étnico-raciais para além de uma questão social, muitas vezes não-politizada. Thereza, ao exercer cargos

como secretária de cultura do município de São Paulo, ao dirigir, em parceria com outras pessoas, organizações como Associação Agostinho Neto, ao escrever e dirigir peças de teatro, conduziu com estas ações, lutas e conquistas da população negra para a construção de um futuro sem racismo. Nesse processo de significação que via, vivia, sentia, ao lado dos companheiros negros, compreendeu que a sociedade se constitui da e pela diversidade.

Para melhor entendimento, identifiquei passagens que, penso, ilustra a origens desses significados e, por isso, encerram potencialidades pedagógicas. Essas potencialidades decorrem da maneira como a autora vai formulando seus pensamentos, seus julgamentos sobre fatos, situações e experiências.

Como se pode ver no trecho a seguir (Santos, 2008. p.17-18), a perversidade dos preconceitos e das discriminações ela os descobriu ainda menina, em brincadeiras de rua.

Na vila, onde morava, minhas colegas de brincadeiras eram as menininhas brancas e a nossa relação era marcada por altos e baixos. Foi lá que ganhei a verdadeira percepção das diferenças entre negros e brancos, e digo até hoje que devo minha consciência de negra à crueldade dos brancos na relação com os negros. Quando eu fazia tudo que elas mandavam, eu era maravilhosa e suas mães diziam que eu era uma verdadeira “negrinha de alma branca”; porém, quando durante as brincadeiras, eu brigava com alguma delas, voltavam-se todas contra mim e me chamavam de “Tiziu”, “Macaca” e ouvia a famosa frase: “Negro quando não faz na entrada, faz na saída”. A vila marcou minha vida por tudo que ouvi lá contra os negros.

O trecho citado à luz do princípio que conduz esta parte da análise pode suscitar percepções, entendimentos que abrangem: o sentimento de falta de igualdade, em todos os âmbitos e situações; a defesa da pessoa humana como sujeito de direitos; situações em uma sociedade são formadas por grupos étnico-raciais com histórias e culturas diferentes; a premência da superação das indiferenças, das injustiças e desqualificações às quais os negros são submetidos; a desconstrução de relações étnico-raciais opressoras. E, além

disso, pode conduzir educadores, especialmente os não familiarizados com a análise das relações étnico-raciais, a informações e subsídios que lhes permitam formular novos pensamentos sobre os negros, preparar planos de ensino e construir ações respeitosas.

Como se vê, desde cedo, Thereza teve a percepção das desigualdades culturais e sociais entre negros e brancos, e esta compreensão se deu de maneira cruel. Descobriu as tensas relações entre negros e brancos, que em determinadas situações a população negra se vê obrigada a passar por submissa para ser aceita, e, quando não aceita este papel, recebe toda a carga negativa racista que a sociedade despeja sobre os negros e as negras. Estas experiências a levaram a significar as relações entre as pessoas e, a delas foi construindo sua identidade de mulher negra.

A passagem em pauta possibilita tomar consciência de que o racismo se dá de inúmeras formas, e que está impregnado de tal forma em nossa sociedade que crianças não- negras, também adultos, o praticam espontaneamente, sem se dar conta, talvez, de que fazem os negros sofrer desde a infância com esta prática desumana. Permite que agentes educacionais - sejam professores(as), diretores(as), pedagogos(as), entre outros - entendam que a identidade negra se constrói também por elementos negativos, como a crueldade dos não-negros, pelo sofrimento causado pelo racismo, pela omissão ou reforço dos adultos quanto a práticas racistas e discriminatórias.

Podem os educadores, a partir da passagem citada, verificar que certas “brincadeiras de crianças” estão impregnadas de cruel discriminação, que faz sofrer as crianças negras, e as constrange a ponto de negar a cor de sua pele, a sua herança africana. Apontam que os educadores precisam estar atentos para corrigir os efeitos dessas brincadeiras, bem como proporcionarem outras em que todos se sintam valorizados.

Continuando a busca por potencialidades pedagógicas, destaco que a obra de Thereza nos mostra que as relações étnico-raciais têm o cunho político. Neste sentido, vale destacar a passagem em que Thereza nos fala sobre a estréia da peça “História de Angola”, que escreveu e dirigiu, realizada na Fortaleza de São Pedro da Barra, em um teatro de Arena, à beira da baía de Luanda, para comemoração do primeiro aniversário de independência de Angola em 1976. A passagem serve para mostrar os efeitos do colonialismo português em África, e ela, Thereza, se coloca contra qualquer tipo de descriminação:

Tivemos alguns problemas sérios antes da estréia, eram problemas raciais que estavam tomando um cunho político. Fui acusada de estar colocando muitos brancos no espetáculo. Resolvi não me preocupar, pois num universo de oitenta e sete alunos da escola tínhamos duas alunas brancas. Para mim estava claro que não iria colaborar com manifestação racista.

Num país em que os negros, no regime colonial, não tinham sequer o direito de ser um simples motorista de ônibus ou datilógrafo nas repartições públicas, o ressentimento era muito grande e era natural que houvesse algumas confusões. Ninguém tinha parado para analisar politicamente a questão, mas eu não iria participar daquilo, era contra meus princípios. Sofri na pele inúmeras vezes conseqüências da discriminação, e não a praticaria. Ao contrário, lutaria contra ele de todas as formas (SANTOS, 2008. p. 60-61). Há, a partir do trecho destacado, possibilidade de sublinhar a importância da luta por igualdade entre todos os seres humanos: a superação de todas as formas de racismo, marginalizações, injustiças e desqualificações; a desconstrução de idéias preconcebidas, veiculadas por uma ideologia tida como dominante que tanto mal faz a negros e a brancos, e por isso devem ser combatidas.

A referida passagem permite identificar, situar e dar sentido aos efeitos, ressentimentos, dores, causados pelo racismo, pela marginalização da população que está sendo discriminada. Thereza não admite atitude de revanche, pois ela percebeu isso na

atitude das pessoas envolvidas na peça de teatro: todas eram angolanas, umas negras e outras brancas. Os leitores do trecho selecionado podem perceber que o racismo, doença planetária, que introjetaram nos não-negros e também em alguns negros, a aversão ao outro, a não-aceitação do seu jeito de ser e viver e do pertencimento étnico-racial, tem levado à ridicularização dos jeitos de ser e viver.

A lição de Thereza Santos para os educadores é contundente: é preciso defender o direito de todos serem e participarem da vida social, em condições de igualdade.

Avançando na análise, cabe destacar que, em sua narrativa, Thereza mostra que observou em diferentes ambientes - como, por exemplo, o partido político, movimento estudantil, movimento de mulheres - tentativas de resolver as desigualdades étnico-raciais como se fossem desigualdades econômicas. Neste sentido, ela mostra que, na sua participação no partido político, suas demandas, no que diz respeito às desigualdades que atingem os negros, não foram levadas em consideração. Sua luta por justiça e igualdade na sociedade, via partido político, não foi bem sucedida. Segundo ela, a discriminação étnico- racial, mesmo no partido comunista de que participava, era vista como uma discriminação fruto da pobreza econômica e cultural. Ela percebe então que sua presença e de seus amigos naquele ambiente servia apenas para que dissessem haver negros no partido, mas desconsiderando seus argumentos, desqualificando suas opiniões e agiando de forma paternalista:

A essa altura eu já estava, há muito tempo fora da Juventude [União Nacional dos Estudantes] e era do Partido Comunista, do Núcleo do CPC [Centro de Popular de Cultura]. Lá, tentava mais uma vez trazer à discussão a questão racial, mas a visão era a mesma, tentavam me convencer que era uma questão social. Aliás, a esquerda brasileira só muito recentemente assumiu que existe uma questão racial no Brasil. Na verdade, ela sempre se escondeu atrás da questão social para não assumir o preconceito. (...)

Custei a descobrir o viés do preconceito que permeava nossa relação no CPC. Na verdade Haroldinho, Jorge Coutinho e eu servíamos muito mais para dar uma cor ao local, uma “pitada de cor” naquele mundo branco, além de negros, éramos moradores da zona norte, de classe média baixa, nada tínhamos a ver com eles, e seria demais querer que a visão socialista deles nos colocasse no mesmo pé de igualdade.

Muitas vezes percebia o paternalismo mal disfarçado na postura de desqualificar nossas opiniões ou de emitir opiniões em nosso lugar. Creio que nós três acreditávamos tanto na luta que nos recusávamos a perceber a verdade(SANTOS, 2008. p.25-26).

Esta passagem permite conhecer relações sociais aparentemente cordiais, que marginalizam as pessoas negras. Com fundamentos e justificativas errôneas de que a marginalização negra é devido à desigualdade sócio-econômica. Ações balizadas pelo mito da democracia racial. E, umas das formas de não considerar o outro e desconsiderar suas experiências, vivências, visões de mundo, jeitos de ser e viver.

O trecho nos leva a pensar que, ao tratar de questões socioeconômicas, não estamos atingindo diretamente as questões étnico-raciais, e sendo assim, a luta por igualdade social não pode suprimir a luta por igualdade étnico-racial.

Na passagem em destaque, há subsídios para que o(a) leitor(a) possa perceber que conscientizar-se politicamente sobre a história da sociedade e perceber a sua diversidade, suas necessidades, seus direitos acontece no dia-a-dia, nas relações com outras pessoas. Estas descobertas provocam também diferentes demandas, para lutar com a finalidade de sair da situação de marginalização. Os educadores poderão utilizá-los como subsídio, a fim de buscar superar e desconstruir o mito da democracia racial, as injustiças e desqualificação com que os negros, em geral, são comumente tratados.

Sugere, ainda, a passagem que os agentes educacionais analisem as relações sociais com as várias dimensões de que são compostas, dentre elas as relações étnico-raciais; que

não desconsiderem, invalidem, desqualifiquem, as experiências oriundas das vivências do grupo a que pertencem os educandos, experiências que fazem pessoas ler o mundo.

Thereza alerta, com o intuito de nos dirigirmos para a construção do futuro sem racismo, a todos os cidadãos, em especial a juventude negra, a respeito da necessidade de ter conhecimento sobre as lutas e as conquistas da população negra, na construção histórica e cultural brasileira. Construção esta que foi marcada, de forma profunda, pelos povos africanos e afro-brasileiros:

(...) Nossa juventude precisa ter consciência para alcançarmos a plena cidadania e o direito de viver neste país como iguais, porque, no país da “democracia racial”, saímos da condição de escravos para a semi-escravidão.

Temos dificuldade de perceber que esta sociedade nos jogou em um buraco, primeiro em nome da “servidão cordial” e depois da “democracia racial” e ainda vive buscando formas de nos oprimir. Além disso, tirou de nós o direito mais elementar, que é a vida, não só pela brutalidade da violência policial, mas também pela falta de emprego, de direito à saúde, de escola e de moradia. Muitos negros têm dificuldade de enxergar esta realidade, porque preferem, para conseguir sobreviver, serem cegos, surdos e mudos.

Talvez seja mais fácil, mas é um ato de profunda covardia, neste país profundamente desigual. É necessário, portanto, coragem, ver este país de frente. É doloroso, mas devemos preservar a única coisa que temos: a nossa dignidade e respeito(SANTOS, 2008. p. 134-134).

O trecho em pauta nos põe frente a frente com a desigualdade histórica e política cujo conhecimento e valorização são necessários, a fim de que se superem as marginalizações com que os afro-brasileiros, os povos indígenas e os desfavorecidos economicamente, entre outros, são tratados.

Traz, a passagem, elementos que podem ajudar a todos, e não somente os negros, a perceber como uma sociedade fundada na ideologia do racismo, tenta confirnar a população afro-brasileira à margem da sociedade. Reforça, o trecho, sobre o fundamental papel que a

juventude negra tem de assumir na luta em busca de cidadania e direitos dos afro- brasileiros.

Com a passagem destacada, os agentes educacionais têm a possibilidade de se educar e de educar crianças, jovens e também os adultos para a realidade opressora a que a população negra é submetida; educar para fortalecer a luta por cidadania, igualdade e equidade e educar para a educação das relações étnico-raciais. Podem, a partir do referido texto, construir ações educativas com o objetivo de eliminar conceitos, idéias, comportamentos veiculados por ideologias racistas e marginalizadoras em busca de uma sociedade justa e equânime.

As potencialidades pedagógicas do trecho podem conduzir a conhecer as realidades brasileiras, no que tange, em especial, à população negra, e avaliar efeitos do racismo, da descriminação, do ideário da democracia racial e do branqueamento. Mais ainda, entusiasmar a juventude negra a conhecer a história dos afro-brasileiros neste país, por exemplo, as ferramentas utilizadas para aprisionar, de forma física, cultural e emocional, negros e negras e a necessidade de construir um país digno para todos. Tem potencialidades ao provocar o papel dos jovens para a construção de um país sem racismo e para fortalecer o pertencimento étnico-racial.

Na trajetória de sua vida, Thereza Santos nos mostra, por meio de sua narrativa, que, além de compreender o dia-a-dia da população negra, percebeu que, para mudar esta situação são necessários conhecimentos, estudos, leituras e vontade de alterar a realidade dos negros e negras no Brasil:

Para mim eram duas descobertas: a sabedoria do meu pai e a realidade do negro. Comecei a pensar que alguma coisa deveria ser feita, creio que foi assim a descoberta da questão social, sentia-me impelida a fazer alguma coisa, lutar para mudar a situação, a descobrir onde estava a luta, qualquer coisa que pudesse fazer.

Comecei a falar sobre o que aprendia com o meu pai aos meus amigos da favela, e eles me achavam inteligente, sabida. Não passava disso, não tinham consciência da realidade e alguns até tentavam justificar a situação pelo fato dos negros terem sido escravos. Eu não aceitava essas razões e a cada dia aprofundava meus conhecimentos com meu pai. Ele comprava livros e mais livros sobre os negros, a escravidão, sobre a sociedade e eu devorava tudo (SANTOS, 2008. p. 18-19).

Há, no trecho selecionado, elementos que conduzem à busca de informações e conhecimentos, subsídios que permitem a análise e compreensão da realidade da população negra, os efeitos do racismo, que conheçam e valorizam a história dos negros e desconstroem pensamentos e comportamentos transmitidos pela ideologia do branqueamento e da democracia racial.

Esta passagem demonstra a importância do conhecimento, da leitura, dos livros, do estudo, da história e cultura afro-brasileira e africana para mudar a situação da população negra e, conseqüentemente, das populações não-negras. Tem potencialidade para aprender- ensinar-aprender sobre a importância dos mais experientes para compreendermos a sociedade presente e planejá-la para o futuro. Possibilita, o fragmento do texto, que educadores enfatizem a importância do estudo, da leitura, do conhecimento para entender a construção da sociedade brasileira, construída sobre a marginalização de negros, negras e indígenas, e também reconstruir a sociedade para torná-la sem racismo e de todo tipo de marginalização.

Os agentes educacionais podem, a partir da passagem, construir e reconstruir o respeito e admiração aos mais experientes, às pessoas de gerações mais velhas, pois também são elas organizadoras, zeladoras e detentoras do conhecimento do passado para compreender o presente e projetar o futuro.

Por fim, as potencialidades pedagógicas encontradas nos trechos apresentados, tendo como guia o princípio “consciência política e histórica da diversidade”, a partir dos

Benzer Belgeler