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O  UZ ATAY’IN ESERLER NDE ÖLÜMÜN ANLAMLANDIRILI

A Escola enquanto instituição da sociedade moderna dispõe do status de ‘elemento fundante’ para o espírito de modernidade, “um dos principais motores de triunfo da modernidade” conforme (PINEAU, 1999, p. 39). Todavia, urge que se reflita sobre o produto dessa instituição frente às novas demandas.

Nesse cenário observa-se o desdobramento da instituição escolar frente à cultura que a permeia e aos sujeitos que a constituem e intercedem nos processos de subjetivação, que se interpõem com regras próprias em cada agente da educação, ou seja, a família, a turma de amigos, a comunidade, os meios de comunicação, a igreja, a própria Escola enquanto agente, de acordo com Sousa (2004).

Esses agentes funcionam formando um matizado onde a família introduz, nos indivíduos, os procedimentos para que se adeqúem aos valores da vida, como as regras básicas de convivência social. Já a Escola trabalha com outros modelos mais intelectualizados propiciando a apropriação dos conhecimentos, das letras, da filosofia, da arte, da gramática, num contexto onde o currículo se concentra como componente e funciona na instituição educacional com normas próprias, as quais regem a aproximação dos sujeitos à cultura, direciona os conteúdos propostos para fins específicos, apresenta códigos próprios, peculiares a cada instituição sociocultural, num processo de elaboração e implantação das políticas pedagógicas educativas, infere Sousa (2004).

Já a igreja se dedica aos valores do espírito, de Deus, do perdão, procura desenvolver, no aprendiz, valores nobilitantes para o crescimento do ser como a generosidade, a tolerância, a paciência, a perseverança, a fé e assim por diante. Esses desdobramentos, por vezes, aparecem imbricados, havendo, consequentemente, uma superposição entre os níveis discorridos e os cenários onde são trabalhados.

Dessa forma, a família delega à Escola a formação de princípios básicos como, por exemplo: a higiene pessoal, os modos de convivência, (bom dia, por favor, obrigada), já a ação dos meios de comunicação desbanca o poder da Escola, mediante informativos que desfazem as regras escolares, assim como a família é suplantada pela influência do grupo dos iguais, ou seja, o grupo de amigos que primam por desfazer normas do modelo familiar em prol de atitudes mais ousadas, inovadoras segundo seus preceitos.

Na realidade, o que ocorre é a concorrência de tipos de educação não exatamente coincidente quanto aos conteúdos culturais que percorrem as diversas modalidades de aprendizagem causando um entrelaçamento de propósitos e modos de atuar, nem sempre agregadores, outras vezes numa superposição de informações nem sempre complementares.

Assim, os estilos de educação desenvolvidos pelos diferentes agentes de enculturação6 como seja, os vínculos da família, da igreja, dos amigos, da Escola, ou dos meios de

6 É um processo educativo através do qual os indivíduos aprendem os elementos da sua cultura, quer

informal/formal. Esse processo acontece informalmente de um modo contínuo, seja consciente ou inconscientemente, pois se processa essencialmente pela imitação e pelo envolvimento com grupos espontâneos,

comunicação constituem-se combinações particulares de fontes básicas para distintas experiências, portanto, a informação obtida de forma direta, pela Escola através da aula ou leitura ou, de modo indireto, pelos meios de comunicação, ou rede social, é assimilada e utilizada nas relações interpessoais, de modo particular por cada aprendiz conforme aponta Gimeno Sacristán (2002). Pois,

Os processos de subjetivação da cultura dependem, obviamente, das possibilidades de cada um, de acordo com suas capacidades e habilidades para entrar no complexo mundo de significados segundo a orientação que lhes proporcionam seus interesses (GIMENO SACRISTÁN, 2002, p.202).

Essa citação elucida como os conteúdos de experiências se interpenetram e se elaboram na subjetividade do sujeito e como são regulados pelos tipos de fontes da qual procedem e de acordo com as redes sociais nas quais ele participa e está envolvido. Assim, na interação face a face o sujeito aprende coisas sobre a vida cotidiana muito diferente das que se admite entender através das aulas ou dos livros.

Nas redes sociais absorvem-se significados sobre coisas, pessoas, fenômenos, além dos próprios aspectos desses ambientes, enquanto que na Escola se adquirem significados mais circunscritos, mais focados sobre essas mesmas coisas, pessoas e fenômenos. Todas as apropriações que se fazem “são cristalizadas em camadas com desigual valor, com desigual significado e com destaque e valor afetivos distintos” (GIMENO SACRISTÁN, 2002, p. 206).

Percebe-se, assim, que a experiência de viver um forte conflito social é uma aprendizagem de significação e relevância muito diferente da que se obtém ao ‘vivê-la’ como espectador dos meios de comunicação, por exemplo, apenas assistindo.

Essas colocações demonstram o quanto as Escolas atuais apresentam uma perspectiva para além da racionalidade moderna, o que faz se presumir a existência de um intercruzamento de práticas pedagógicas distintas no seu interior e, portanto, uma real tensão entre o ‘real vivido’ e o ‘real proposto’ circunstância esta devido, também, à rede de relacionamento do seu entorno, além das próprias redes sociais e as midiáticas.

Assim, “a vida interior, na Escola, (...) reconstrói, conforme a sua dinâmica interna, diversas normas, valores, práticas comunitárias emprestando a elas uma aparência inovadora (...)” (CANDIDO, 1964, pp. 111 - 128).

e não instituições sociais. http://criarmundos.do.sapo.pt/Antropologia/pesquisacultura006.html Acesso em 23/11/2011

Esse empréstimo, essa roupagem inovadora torna a Escola uma instituição aparentemente não engessada, conforme muitas situações em que se apresentam como instituições inovadoras, embora sem consistência, devido à cultura escolar efervescente de tensões, resistências e contradições em níveis ainda não explorados. Estes desdobramentos são muito mais profundos do que se possa imaginar, uma vez que essas tensões se transformam em conflitos ideológicos, educacionais, sendo necessário desenvolver estratégias que busquem minorar esses conflitos e talvez mudar essa realidade.

Existe um fosso entre as atividades autênticas do fazer pedagógico, em situações reais, e as atividades escolares, que consistem na prática descontextualizada do real vivido, ainda que, inserida no contexto escolar, conforme comenta Fino (2009), “(...) A distância existente entre a cultura da Escola e a cultura real torna essa tarefa praticamente impossível” (FINO, 2009, p.192-209).

Mediante esta premissa, independente do fosso político e idelológico existente na Escola, há a subjetivação permeada pela cultura escolar, como vetor determinante na forma de ver o mundo. Apesar de a cultura da Escola estar imersa, também, na cultura experiencial, atuante e condicionante, existe, com relação ao desempenho do papel do aprendiz, no mundo peculiar da educação, todo um enraizamento de uma experiência ou aprendizagem que o habilita a ver e atuar no mundo de um modo particular conforme sua história de vida, suas vivências, valores e expectativas.

Esta subjetivação dotada de significados funciona como um referencial importante, na história de vida, no envolvimento pessoal, na experiência vivida, na tonalidade afetiva do encontro, na própria apropriação dessa experiência em si mesmo, tornando, assim, relevante este mundo de subjetivação incluso na Escola, porém, nem sempre completamente explicitado na linguagem enquanto discurso pedagógico.

É relevante entender-se a importância desses vínculos culturais, seus significados e sua validade na Escola, enquanto lugar de trocas de expriências e vivências.

Nessa junção, a educação viabilizada pela Escola promove novas experiências sociais. Estas, por sua vez, superam o âmbito das relações frente a frente, e dão lugar ao nascimento de outras raízes graças ao estabelecimento de novos vínculos pelos quais os indivíduos se reconhecem e reconhecem uns aos outros, estabelecendo interdependência conveniada entre eles, construindo, assim, os novos espaços sociais que são os novos vínculos culturais e seus significados.

Mediante o exposto na próxima sessão adentra-se mais sobre a dimensão social e a função da educação.

Benzer Belgeler