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A educação nas instituições escolares articula-se com diversos agentes como professores, práticas pedagógicas, currículo, que propiciam o estilo de educar, não dispersando as peculiaridades inerentes de cada aprendiz. A Escola é uma instituição, um tipo muito particular que não pode ser pensada como qualquer fábrica ou oficina: “a educação não tolera a simplificação do humano (...) que a cultura da racionalidade empresarial propõe” (NÓVOA, 1998, p. 16).

A cultura permeia toda a construção social da sociedade globalizada onde a realidade social surge como o “conjunto dos objetos e dos acontecimentos do mundo cultural e social, vivido pelo pensamento do senso comum, emergindo num mundo de numerosas relações interativas” (MACEDO, 2010, p. 53).

Assim, as manifestações culturais possibilitam a convivência entre o tradicional e o novo, a transmissão e a criação e, as representações simbólicas, numa realização de trocas e permutas, onde a cultura passa de geração a geração, refletindo o comportamento dos indivíduos das gerações anteriores para as posteriores embora revistas pelos padrões atuais.

Incide, também e indiretamente sobre as ideias e percepções daqueles, permitindo a geração mais jovem absorver todo um conhecimento inerente a uma época e absorvê-los de modo a rever muitos deles reconstituindo um conjunto de interpretações e compartilhando-as

com seus pares, desenvolvendo, assim, a construção social da realidade vigente, através da ação dos próprios sujeitos.

Assim, existe toda uma negociação para dar forma social às orientações culturais recebidas, que eles, os jovens, valorizam, pois é a ação humana inserida na sua temporalidade que constitui ingrediente básico da construção de novas obras no mundo.

A cultura, então, perpassa todas as ações do cotidiano escolar, seja ela na influência sobre os seus ritos, ou sobre a sua linguagem (oral ou corpórea), pela determinação das formas de apreensão do conhecimento, ou, ainda, na construção dos distintos modos de apreensão desse conhecimento.

A cultura escolar também é descrita como um conjunto de normas que definem conhecimentos a ensinar e condutas a seguir, além de um conjunto de práticas que permite a transmissão desses conhecimentos e a incorporação desses comportamentos, conforme Nóvoa (1998).

As organizações escolares, ainda que estejam integradas num contexto cultural mais amplo, produzem uma cultura interna que lhes é própria e que exprime os valores e as crenças que os membros da instituição compartilham, de acordo com Nóvoa, (1994).

Pode-se, assim, inferir que a cultura da Escola é aqui entendida como um sistema de artefatos, imperativos socioculturais e ideias partilhadas e transmitidas pelos membros de uma determinada sociedade, no caso a pernambucana, que busca promover educação.

Assim, urge que se entenda a Escola como um lugar onde se promove a aprendizagem significativa, o crescimento pessoal visando desenvolver as potencialidades de cada ser e trabalhar os seus limites, enquanto obstáculos a ultrapassar e/ou situações a aceitar.

Viñao Frago (2000) vê a cultura escolar como:

Modo de pensar e atuar que proporciona a seus componentes estratégias e pautas para desenvolver-se tanto nas aulas como fora delas - no resto do recinto escolar e no mundo acadêmico - e integrar-se na vida cotidiana das mesmas pessoas (VIÑAO FRAGO, 2000a, p.100).

Assim, a função da cultura escolar não seria apenas promover uma incorporação dos valores e objetivos escolares, mas ser uma ferramenta para a assimilação desses valores, juntamente com as práticas pedagógicas focadas no crescimento do estudante como um cidadão.

O autor concebe a cultura da escola como aquele conjunto de práticas, normas, ideias e procedimentos que se expressam em modos de fazer e pensar o cotidiano da Escola, ou seja:

Esses modos de fazer e de pensar - mentalidades, atitudes, rituais, mitos, discursos, ações amplamente compartilhados, assumidos, não postos em questão e interiorizados, servem a uns e a outros para desempenhar suas tarefas diárias, entender o mundo acadêmico-educativo e fazer frente tanto às mudanças ou reformas, como às exigências de outros membros da instituição (VIÑAO FRAGO, 2000a, p. 100).

Os indivíduos e as suas práticas são pilares basilares para o entendimento da cultura da Escola, particularmente no que se refere à formação desses indivíduos, à sua seleção e ao desenvolvimento da sua carreira acadêmica e/ou profissional. Dessa forma, os discursos, as formas de comunicação e as linguagens presentes no cotidiano da Escola, constituem um aspecto fundamental de sua cultura.

Uma vez que a Escola tem sua cultura estabelecida, não sendo o sistema educacional diferente, isto é, também tem uma cultura institucionalizada que expressa aquele conjunto de:

Ideias, pautas e práticas relativamente consolidadas, como (...) hábitos. Os aspectos organizativos e institucionais contribuem (...) a conformar uns ou outros modos de pensar e atuar e, por sua vez, estes modos conformam as instituições num outro sentido (VIÑAO-FRAGO, 1998, p. 169).

Verifica-se, assim, a Escola, como uma instituição ímpar que se estrutura sobre processos, significados, rituais, formas de pensamento, normas, valores, que formam a própria cultura, nem monolítica, nem estática, nem repetível, pois estes são os componentes estruturais responsáveis pela instituição.

Não há educação que não permaneça submersa na cultura da humanidade e, consequentemente, no momento histórico em que essa se encontra. A cogitação sobre esta temática é copartícipe ao competente adiantamento do pensamento pedagógico, ou seja, a questão das analogias entre a Escola e a cultura é intrínseca a todo procedimento educativo.

Na verdade não se pode imaginar uma experimentação pedagógica ‘desculturalizada’, em que a alusão cultural não fique presente. A Escola é, sem equívoco, uma instituição cultural. Portanto, as relações entre Escola e cultura não podem ser arquitetadas entre dois polos autônomos, mas como mundos interligados como uma teia tecida no dia-a-dia e com

fios e seres fortemente imbricados; essas são características do mundo educacional, o que torna as práticas educativas desafiadoras.

A Escola é uma instituição arquitetada, historicamente, na conjuntura da atualidade, pensada como interposição elevada para ampliar uma função social basilar que é a de levar conhecimento às novas gerações, objetivando propor o que há de mais expressivo na construção da humanidade, a transformação dos jovens em homens com plena liberdade para se pensar, criar e desenvolver-se no tecido social, cidadãos.

Pérez Gómez (1998) propõe que se perceba, atualmente, a Escola como um ambiente de ‘cruzamento de culturas’. Tal possibilidade requer que se desenvolva uma nova perspectiva, uma nova postura que seja capaz, tanto de identificar as distintas culturas que se imbricam no mundo escolar, como de recriar a Escola, sob novas bases, novos ambientes dentro da Escola.

Assim, a miscelânea do caldo cultural, característica do universo escolar numa relação eivada por tensões e conflitos requer todo um trabalho com o propósito de uma mudança de hábitos.

Isso se acentua quando as culturas crítica, acadêmica, social e institucional, profundamente arraigadas e articuladas se tornam hegemônicas e tendem a ser absolutizadas em detrimento da cultura experiencial que, por sua vez, possui profundas raízes socioculturais, o que indica o quanto o dínamo5 desse universo escolar precisa de uma inovação com vistas a atender as urgências contemporâneas.

Com isso, as observações que proporcionam o encontro de novos cenários imersos na cultural escolar contemporânea encontram-se em vias de construção. Desta forma, entende-se a necessidade de demonstrar como essas relações são construídas através dos vínculos na cultura escolar.

Benzer Belgeler