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KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.1. Kuramsal Çerçeve

2.1.4. Çocuklara Yabancı Dil Öğretiminin Hedefler

2.1.6.1. Uygun Dilsel Girdilerin Sunulması

Os escritos de Marx pós-1843, da Crítica da Filosofia do Direito de Hegel até a

Miséria da Filosofia, 1847, não tiveram outro intuito senão o de realizar a crítica à filosofia

especulativa alemã. No primeiro momento a crítica a Hegel e, depois, aos neohegelianos Bruno Bauer (1809-1882) e Max Stirner (1806-1856) e ao socialista Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865), entre outros.

As obras de juventude de Marx nada mais são do que um acerto de contas com seu próprio passado; ou seja, uma crítica ao misticismo lógico do pensamento hegeliano e dos neohegelianos. A partir de então, aparece a rejeição ao invólucro místico da lógica na opção de se abdicar do construto especulativo, incluindo também o kantiano.

Já nesse período é possível identificar em seus contornos mais decisivos a opção gnosiológica de Marx, que rejeita qualquer tipo de construtivismo especulativo, seja este resultante de alguma tentativa de correção sofisticada – mas, sempre formalizante – dos limites da ciência do entendimento, seja ele – o que vem a ser tão unilateral e equivocado – qualquer tipo de edificação, por mais elevada e tortuosa que seja, de algum cogito transcendental (VAISMAN, 2006, p. 328).

Tanto Kant quanto Hegel não ultrapassam o idealismo quando admitem que é a razão a fornecedora de sentido ao mundo, embora para Hegel isso se dê depois do caminho histórico percorrido pelo espírito – ou seja, a posteriori –, enquanto para Kant é a priori. No entanto, sendo antes ou depois, o construto especulativo é que dá sustentação ao arcabouço conceitual, seja antes do próprio contato com o fenômeno ou depois de tocá-lo. Ambos confirmam a razão como fornecedora de sentido à realidade. Kant elabora um sistema homogêneo e a-histórico, ao passo que Hegel produz uma generalização a partir da história. Para ambos o mundo é destituído de sentido; é a razão responsável por sua montagem e por sua significação. Para Marx, ao contrário, a razão é social e historicamente determinada e constituída, e “por isso reprodutora de sentido, e nunca sua usina originária” (VAISMAN, 2006, p. 329).

Em Marx, o objeto é pensado conforme sua própria constituição, seu próprio devir. Não é o pensamento que dá sentido ou forma ao objeto; é ele que possibilita a apropriação e a representação subjetiva a partir de sua efetividade. O pensamento que dá forma ao objeto não parte de outro caminho que não seja a desordem do mundo aparente. Os nexos lógicos são propriedades das próprias coisas, e não do pensamento que as representa (VAISMAN, 2006).

O erro da filosofia especulativa apontado por Marx está em prefigurar o movimento autônomo dos conceitos, sem laços na concretude do mundo. O movimento que vai do abstrato ao concreto é, em verdade, aquele que descobre as determinações mediadoras do próprio concreto, mediações produzidas na realidade do processo histórico, e que, no fundo, acaba por determinar a abstração da qual se parte. Contudo, a razão não se autorregula e quando somente especula perde o lastro com a efetividade.

Em Kant ocorre a imputação a priori de significados e em Hegel a aproximação genérica da realidade, a imputação arbitrária de significados – um “quase nada formal e um quase tudo suposto”. Já para Marx, instrui Vaisman:

Trata-se, em verdade, de uma nova concepção de objetividade, que não guarda nenhum parentesco nem com a solução kantiana nem com a hegeliana. Em palavras bem simples e diretas – como convém em determinados momentos –, não se trata de organizar o mundo pela cabeça, mas de organizar a cabeça pelo mundo (VAISMAN, 2006, p. 330).

A organização da cabeça pelo mundo exige o reconhecimento do significado do por-si do próprio mundo. O pensamento deixa de submeter o mundo a seus preceitos e permite que as coisas falem por si mesmas, porque em Marx a consciência é historicamente determinada, dependendo do que está efetivamente constituído. É o mundo que transcende a razão, porque a determina, mas ela não se limita a essa determinação a priori e consegue vislumbrar possibilidades presentes no próprio real.

Em Hegel não há uma crítica da razão pura, mas uma razão que se constitui na marcha da história, uma descrição dos passos da razão, desde a consciência mais simples, a sensível, até seu apogeu, o espírito absoluto. O problema aparece quando tenta fundamentar a própria história a partir de uma lógica pressuposta, denominada “para-nós”. Então, todo para- si, toda individualidade do sujeito e do objeto, se perde em sua identidade lógica preestabelecida.

O importante, para Hegel, é a constituição da racionalidade ou, em outras palavras, da subjetividade, em que o mundo dos objetos se encontra dissolvido no mundo da

razão. Por isso constitui em Hegel o que Marx denominou “razão mistificadora”, pois é ela que produz o mundo. A razão, portanto, forma a objetividade, e o sujeito torna-se predicado da razão.

Porque se partiu da “Ideia” ou da “Substância” como sujeito, como essência real, o sujeito real aparece apenas como o último predicado do predicado abstrato. [...] O conteúdo concreto, a determinação real, aparece como formal; a forma inteiramente abstrata de determinação aparece como o conteúdo concreto (MARX, 2005, p. 38).

Hegel inverte a relação sujeito e predicado. René Descartes (1509-1650) e Kant, dentre outros, também fizeram isso ao determinarem o real pelo ideal por meio do movimento da razão. A razão, sujeito da história, cumpre o papel de movimentar e de engendrar por si mesma as particularidades do realmente existente. A lógica específica do objeto específico é substituída pela lógica especulativa, que dá sentido ao próprio objeto. Foi Ludwig Feuerbach (1804-1871) o primeiro a pôr em xeque este pressuposto hegeliano.

Em Hegel, o pensamento é o ser; – o pensamento é o sujeito, o ser é o predicado. [...] A verdadeira relação entre pensamento e ser é apenas esta: o ser é o sujeito, o pensamento o predicado. A lógica é o pensamento num elemento do pensamento, ou o pensamento que a si mesmo se pensa (FEUERBACH, 2002, p. 30-31).

Quando Marx coloca em seu estudo o título de Crítica da Filosofia do Direito de

Hegel, o sentido da crítica é, também, o escrutínio de especulação mística, metafísica, a

representação de ponta-cabeça da realidade. Hegel ontologiza a ideia ao invés do ser. Tal abstração se move simplesmente no pensamento e não busca suas raízes nas relações sociais, configurando-se em tautologias, razão pela qual Marx busca retirar do real abstrações razoáveis, conceitos possíveis de serem elaborados a partir do mundo. A tarefa de apropriação efetiva e subjetiva do real pressupõe, então, a compreensão da lógica da coisa, e não da coisa da lógica. “Mas esse compreender não consiste, como pensa Hegel, em reconhecer por toda parte as determinações do conceito lógico, mas em apreender a lógica específica do objeto específico” (MARX, 2005, p. 108).

A manifestação da ideia lógica desprendida da lógica da coisa conduz a ideia à função de demiurgo da história, o verdadeiro sujeito. Para Marx cabe ao real a tarefa de conduzir a ideia. Ou seja, não são os objetos que giram em torno da ideia, como postula Kant e, em alguns momentos, Schelling, Goethe e, até mesmo Humboldt, mas são as ideias que giram em torno do objeto.