KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.1. Kuramsal Çerçeve
2.1.4. Çocuklara Yabancı Dil Öğretiminin Hedefler
2.1.4.1. Çocuklara Yabancı Dil Öğretiminin Duyuşsal Hedefler
2.1.4.1.3. Çocuklara Yabancı Dil Öğretiminde Kaygı
Para Lukács (1968), os avanços das ciências naturais com Goethe tinham ligação direta com sua intuição dialética. Seria por meio dela e de seu materialismo incipiente que ele conseguiu romper com o esquematismo e com a metafísica. Porém, do seu empirismo e da sua concepção de mundo deriva uma tendência de antropomorfizar a natureza, identificada em sua
Doutrina das Cores.
Tal tendência se expressa numa apaixonada polêmica contra Newton, na sua antipatia – mantida por toda vida – para com o uso da matemática nas ciências naturais, na sua repugnância em ir além dos fenômenos imediatos da experimentação pelos sentidos (da qual derivava a antipatia pelos microscópios, para não falar do prisma de Newton) (LUKÁCS, 1968, p. 142).
Os sentidos físicos do homem são seus maiores meios de apreensão da natureza. O grande equívoco das ciências modernas mecanicistas, para Goethe, consistia exatamente na dissociação do homem em relação ao fenômeno observado ou à experiência, estimulada pela mediação da técnica – instrumentos artificiais – utilizada para se conseguir atingir o fenômeno. Até mesmo a quantificação era contestada por Goethe, pois para ele a coisa verdadeira não podia ser mensurada.
Para Lukács (1968, p. 143), Goethe, com seu método antropologizante, de certa maneira, representou um avanço em relação a algumas classificações da natureza que se esquivavam de considerar a relação entre o sujeito e o objeto. Goethe chegou, em alguns momentos, a resultados importantes que independem do seu antropomorfismo, por exemplo, as suas análises comparativas das plantas em sua metamorfose e a descoberta do osso maxilar. Mesmo assim, Lukács admite que seu modelo antropologizante comprometeu suas teorias.
Goethe teve clareza do movimento das ciências de seu tempo e foi crítico daqueles que insistiram em separá-las da vida. Para o poeta, a teoria tem que se elevar a partir das experiências em que apreendem o conjunto da esfera da vida e das artes. Sua teoria da
natureza tem clara associação com sua teoria estética, mas não se deve confundi-las com as concepções românticas e idealistas segundo as quais se estabelecem analogias abstratas entre o trabalho do artista e a natureza, mistificando as leis puramente naturais (LUKÁCS, 1968, p. 144).
Se em sua teoria da natureza seu antropologismo representa um limite, para Lukács sua articulação entre a ciência e a estética indica um avanço. As formas artísticas mantêm sua especificidade; não são mais formas de conhecimento secundárias, mas também não se limitam à sua autonomia. É por isso que a beleza para Goethe é uma manifestação das leis secretas da natureza presentes no próprio fenômeno. Elas têm que se revelar no fenômeno para ele ser elevado em sua beleza.
Pode ser que essa unificação metodológica entre as artes e a ciência da natureza tenha levado Goethe a algumas dificuldades. Sua teoria estética tornou-se expressão de suas postulações sobre a teoria da natureza. A demonstração dessa premissa encontra-se na teoria das cores. Nela, Goethe aproxima-se delas, primeiramente, para explicá-las como fenômenos da natureza, para depois apreendê-las como arte. Sua teoria das cores recaiu, necessariamente, numa fundamentação cientifica ou estética, e não especificamente numa teoria da física das cores (LUKÁCS, 1968, p.145).
Apesar de tudo, a relação direta entre a teoria da natureza e a teoria estética marca toda a obra de Goethe e constitui um enorme avanço. Porém, do ponto de vista conceitual e científico, para alguns, a sua teoria sobre a natureza encontra-se superada.
É óbvio que nenhuma ciência pode ter a intenção de limitar-se no seu próprio campo a uma particularidade, por mais significativa que seja, mas deve tender a avançar para a universalidade independente do fato de se poderá ou não encontrar depois uma universalidade científica superior e mais vasta [...] (LUKÁCS, 1968, p. 148).
Nas leis da natureza, vistas em conjunto com o mundo dos homens, Goethe enxergava o que há de comum entre elas e as artes. Não é por outra razão que, para Lukács (1968, p. 148), Goethe liga a representação poética do fenômeno originário diretamente com o fenômeno botânico: a planta original. Essa associação é feita ao longo de grande parte de sua obra poética. O que se encontrava superado nas ciências revive nas artes e na estética. Se as artes são verdadeiramente antropologizadas, pois são obras dos homens, a natureza é obra de si mesma, e não de uma intuição sensível. Isso se mostra porque a antropologização da natureza tem em Goethe estreita relação com os juízos a priori kantianos. Por mais que Goethe tenha se aproximado de um materialismo, sua concepção antropologizante da natureza o fez ser mais próximo dos filósofos idealistas.
Portanto, um passo maior terá que ser dado. A partir de Marx, se compreenderá como a crítica da filosofia especulativa repõe a natureza viva para si mesma, independente de qualquer representação ou juízo a priori. Em Marx não é a consciência que configura a natureza a priori, mas, ao contrário, é a sua existência que possibilita que se pense e se atue sobre ela.
6 MARX: MÉTODO, CRÍTICA E NATUREZA
O objetivo deste capítulo é realizar uma análise crítica da filosofia especulativa, principalmente a de Hegel no tocante à sua lógica dialética e à sua concepção de natureza, a partir do escritos de Marx. O pressuposto fundamental apóia-se na integridade da obra deste último, sem cortes epistemológicos, o que faz dela uma obra histórica, aberta e inconclusa, mas, ao mesmo tempo, coerente e transformadora. A análise percorrerá trechos da obra marxiana que mostram sua posição diante da filosofia hegeliana, em que a abstração torna-se fundamento da materialidade e a crítica permanece apenas no terreno do pensamento. Tal abstração especulativa, o sujeito da história é quem determina os fundamentos e as mediações sociais concretas.
A tarefa de Marx, ao contrário do que supõem os que veem nele um lógico hegeliano de esquerda que apenas inverte a sua dialética, é estabelecer, desde jovem, suas diferenças em relação à filosofia especulativa, fato que persistirá até seus últimos dias, como mostram seus escritos sobre a crítica da economia política, entre outros.44
Serão expostas, sumariamente, com base no exame dos textos de Marx, principalmente, suas obras de juventude que confirmam o modo caracterísitico de sua análise crítica em seu pensamento na maturidade. Igualmente, pretende-se explicitar como a investigação científica, inaugurada pela posição teórica de Marx, permite examinar as diversas proposições que conformam, em alguma medida, o conjunto de categorias que perfazem a filosofia especulativa e, em última instância, a economia política.
O objetivo é evidenciar, mesmo que de maneira sucinta, o exame crítico da filosofia especulativa realizado por Marx, que se efetiva como uma analítica das formas de ser. Com base na análise das categorias, entendidas como formas de ser da efetividade,
Daseinsformen, e não como puras figuras conceituais, pretende-se mostrar, também, que este
traço original do padrão científico de Marx se dirige ao esclarecimento dos nexos essenciais do modo de produção capitalista:
Tanto da sua realidade objetiva quanto de sua expressão ideal, bem como faculta estabelecer aproximações críticas das produções ideais que tinham por objeto a realidade social. Crítica analítica e compreensiva, que visa a esclarecer não apenas as inconsistências discursivas e epistêmicas, mas indicar ao mesmo tempo o caráter expressivo – como formação ideal socialmente determinada – das demais proposições de seu tempo (ALVES, 2009, p. 72).
44 Outros traços de crítica à filosofia especulativa podem ser encontrados em outros escritos, entre eles as Glosas marginais ao compêndio de economia política de Adolph Wagner, de 1880; e Cartas a Vera Zazulitch, de 1881.
Indica-se, portanto, em Marx o conhecimento que se forma em seu próprio fazer efetivo, em outras palavras, uma ciência de caráter social, que não admite o desenvolvimento apenas ideal dos conceitos. Tal conhecimento se constrói nas tessituras e tramas do real, na perspectiva crítica de transformação efetiva do mundo.