3. ELEKTRİK DEVRESİ
3.5. Uygulama Yapımı İşlem Sırası
Débito e responsabilidade são subelementos do vínculo obrigacional. O conceito de responsabilidade que se apresentará neste tópico não se confunde com a responsabilidade patrimonial retro aludida, embora haja entre elas certa promiscuidade. A
79
PERLINGIERI, Pietro. Perfis do direito civil: introdução ao direito civil constitucional. 3ª ed. Trad. Maria Cristina De Cicco. Rio de Janeiro-São Paulo-Recife: Renovar: 2007. p. 209-210
35 responsabilidade como elemento do vínculo obrigacional é qualidade inerente à obrigação civil, ainda examinada estaticamente, antes de se perquirir se houve ou não pagamento espontâneo. É, portanto, a garantia. Em face do inadimplemento, essa qualidade pode se corporificar, dependendo da espécie de obrigação, em responsabilidade patrimonial e, aí sim, é verificada a sua extensão, dinamicamente, com base nos elementos do caso concreto.
A doutrina alemã foi a responsável por esmiuçar o vínculo, como elemento da obrigação. Segundo propugnou Otto von Gierke, em sua obra Schuld und Haftung im älteren
deutschen Recht, o vínculo, examinado mais de perto, poderia ser separado em débito
(Schuld) e responsabilidade (Haftung)80.
O débito, também chamado de elemento espiritual do vínculo obrigacional, é a contraposição do crédito81. É a dívida em sua essência. Tem débito aquele que deve cumprir espontaneamente a obrigação, em benefício do credor. Normalmente, identifica-se o débito pela existência de um elemento negativo, atual ou potencial, no patrimônio do devedor. Aquele que comete ato ilícito e causa dano tem débito porque deve indenizar a vítima. Da mesma forma, o têm o pai que deve pensão alimentícia a seu filho, o tomador de empréstimo, o compromitente vendedor de imóvel que recebeu a totalidade do preço e deve subscrever o contrato definitivo de venda e compra, entre tantos outros exemplos comuns do cotidiano jurídico.
Em todas essas situações, é possível identificar um elemento negativo no patrimônio do devedor: a própria dívida. Tanto isso é verdadeiro que, se o devedor falece, os seus sucessores devem providenciar a satisfação do credor, até o montante que a força da herança suportar (artigo 1792 do Código Civil). Exceto se a obrigação for personalíssima, como a de um arquiteto, de fazer um projeto de arquitetura. Ainda assim, se o devedor falece antes de cumprir a sua obrigação, o contrato resolve-se, devendo os sucessores do devedor ressarcir eventual quantia percebida como adiantamento da remuneração, em homenagem à proibição do enriquecimento sem causa.
A responsabilidade, por sua vez, o segundo subelemento do vínculo obrigacional, também conhecida como o elemento material, em contraposição ao espiritual, é
80
GIERKE, Otto Von. Schuld und Haftung im älteren deutschen Recht, Breslau, 1910. Apud Marcelo Abelha. Manual de execução civil. 5ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015. p. 72.
81
Cesare Massimo Bianca (in: Istituizioni di diritto privato. Milano: Giuffrè, 2014. p. 261) diz: "Il rapporto obbligatorio si struttura in due posizioni correlative. Alla posizione passiva, il debito, corrisponde infatti una posizione attiva, il credito".
36 a outra face da mesma moeda. É a possibilidade de o credor exercer o seu direito coativamente, por meio da interferência do Estado.
Em geral, débito e responsabilidade estão presentes conjuntamente. Assim, aquele que tem dívida e não a paga pode ser patrimonialmente responsabilizado. É o caso do devedor de alimentos, do mutuário, do compromitente vendedor que se recusa à outorga da escritura definitiva de venda e compra. Em todos esses casos, e em muitos outros, estão presentes concomitantemente tanto o elemento espiritual do vínculo (débito) quanto o elemento material (responsabilidade).
Entretanto, em algumas situações, pode estar presente apenas um desses subelementos. Exemplificando, o devedor de dívida prescrita continua com o débito, elemento espiritual. Por essa razão, eventual pagamento que venha a realizar espontaneamente não o autoriza a pedir de volta aquilo que foi pago, não sendo válido o argumento de que nada mais seria devido por causa da prescrição. Isso acontece porque a dívida, o débito mais precisamente, continua presente, mas a responsabilidade não. A prescrição extingue a pretensão (e, portanto, a responsabilidade), e não o direito em si. O credor de dívida prescrita tem um direito agonizante, não mais dotado de seu principal atributo, que é o segundo subelemento do vínculo obrigacional: a responsabilidade. Diz-se que a obrigação é natural nesse caso, a exemplo do que também ocorre com a dívida de jogo. Marcelo Abelha cita outro exemplo de débito sem responsabilidade. Refere-se o autor à dívida da fazenda pública82. Apesar da existência do débito, não haveria responsabilidade patrimonial porque os seus bens não respondem pelo inadimplemento, por haver um sistema jurídico próprio para o credor obter aquilo a que tem direito.
De outro lado, a responsabilidade também pode existir sem o débito. As relações obrigacionais garantidas são bons exemplos disso. O garantidor é responsável mas não tem o débito em sua essência. Não há em seu patrimônio um elemento negativo. Não há propriamente uma dívida, ao menos em seu sentido estrito, pois ainda que seja feito por ele o pagamento, espontâneo ou forçado, ocorre a sua sub-rogação nos direitos do credor. Ainda que se considerasse, sob enfoque diverso, a existência de um elemento negativo no patrimônio dos responsáveis sem débito (garantidores), não se poderia negar que invariavelmente esse
82
37 elemento negativo estaria conectado ao elemento positivo (crédito) correspondente, decorrente da sub-rogação.
Outro exemplo, além dos garantidores, é o do adquirente de bem em fraude de execução. Esse indivíduo também se encontra em situação jurídica similar porque, apesar de não ter dívida, propriamente, pode sofrer constrição de um ou mais bens de seu patrimônio para a satisfação do credor do alienante, vítima da fraude. Se isso ocorrer, surgirá para o adquirente de boa-fé o direito de se ressarcir perante o vero devedor, que lhe alienou bens fraudulentamente.
Embora a obrigação destituída da responsabilidade seja capenga, tanto que é chamada de obrigação natural, não se pode dizer o mesmo quando ausente o elemento espiritual (débito) e presente o elemento material do vínculo obrigacional. Em outras palavras, parece que o aspecto principal da relação obrigacional assenta-se na responsabilidade, ou seja, no estado de sujeição do devedor, que permite ao credor alcançar bens no patrimônio dele para a satisfação de seu crédito. A existência ou não do elemento espiritual pode ser importante para a recomposição do patrimônio daquele que não tinha débito mas tinha responsabilidade em face daquele que efetivamente se beneficiou com o pagamento (é o caso do afiançado, por exemplo).
O destaque feito a respeito da distinção entre débito e responsabilidade é importante para o que se desenvolverá mais adiante, na medida em que a existência ou inexistência do débito pode ser um fator relevante a ser analisado pelo julgador para proteger o devedor ou, em outro sentido, prestigiar o credor, quando a discussão tiver como objeto a possibilidade ou não de excutir determinados bens do patrimônio do sujeito passivo da relação obrigacional.