2.2. Modern Mimarlıkta Malzeme ve Detay
2.2.2. Utarit İzgi’nin mimarlığında malzeme ve detay
Diversos/as pesquisadores/as10 divulgaram análises sobre o fator da mobilidade reli- giosa no cenário brasileiro – sociólogos/as, antropólogos/as, teólogos/as e filósofos/as - to- dos/as tentando entender a influência desse fenômeno sobre os sujeitos e os grupos religio- sos. O trânsito religioso como chave de leitura para compreender a relação entre religião e modernidade constituiu-se, por exemplo, como referencial teórico metodológico para a aná- lise desenvolvida por Jonas Becker (2002). Em uma perspectiva multidisciplinar, o autor correlaciona os postulados sócio antropológicos da religião com os aportes da teologia prá- tica, visando tipificar, caracterizar e quantificar o fenômeno da mobilidade religiosa para apontar possíveis motivações, razões e consequências oriundas da movimentação dos sujei- tos. A análise é significativa, pois o autor revisa as principais produções literárias que abor- dam a relação entre religião e modernidade e o tema do trânsito religioso, além de apresen- tar dados de pesquisas e estatísticas sobre a questão. O diferencial do trabalho está na indi- cação de pistas pastorais como contraponto ao desenraizamento dos sujeitos. Becker (2002) indica que essa ação pastoral deve pautar-se pela esperança, consciência crítica e resgate do
10 Autores/as como Regina Novaes (2006), Ronaldo de Almeida (2001), Paula Montero (2001), Sandra Duarte
de Souza (2001), Sílvia Regina Alves Fernandes e Marcelo Pitta (2006) efetuaram pesquisas relevantes sobre o trânsito religioso no cenário brasileiro. Esses estudos são referenciais teóricos fundamentais para a compreensão desse fenômeno.
meio ambiente, pois embora o sujeito seja dinâmico, sua transitoriedade não deve ser con- traditória, fragmentária e desestabilizadora.
Outra contribuição relevante foi proposta por Fernanda Lemos (2006). Tendo como universo de análise os funcionários e funcionárias da Universidade Metodista de São Paulo, Lemos analisa o itinerário religioso desses sujeitos, objetivando identificar as motivações sócio religiosas para a mobilidade em perspectiva de gênero. Uma peculiaridade da pesquisa está na discussão da masculinidade, por ser essa uma temática pouco abordada nos estudos de gênero. Esse viés permitiu ainda uma análise criteriosa no sentido de apontar as diferen- ciações das motivações para o trânsito religioso de homens e mulheres, fundamentada na pesquisa de campo que considerou fatores variáveis, como o sócio econômico, gênero e classe, que podem influenciar diretamente para a mobilidade ou inércia dos sujeitos.
Tais observações nos sugere que, somado a outros fatores, um impulso para essa in- tensa mobilidade religiosa reside na pluralidade11 de organizações religiosas que, oferece ao sujeito social a oportunidade de recorrer simultaneamente ao máximo de ofertas na busca de uma resposta eficaz aos seus problemas, produzindo uma mutação religiosa que, dentre ou- tras consequências, estabelece um novo conjunto de forças institucionais (Bastian, 1997: 208-213). Regina Novaes (2006: 138) corrobora essa percepção ao indicar que no, Censo 2000, o IBGE recebeu 35 mil respostas diferentes para a pergunta qual é a sua religião?
No entanto, além de revisitar os trabalhos desses/as autores/as visando apresentar su- as proposições principais, é construtivo a partir de dados sociodemográficos, correlacionar e contextualizar os postulados sócios antropológicos com elementos concretos de realidades diversas. Citamos, por exemplo, Pitta e Fernandes (2006) que a partir de dados resultantes
11 O campo religioso brasileiro contemporâneo está marcado por uma pluralidade de grupos religiosos. Essa
manifestação pode ser percebida nos dados do Censo brasileiro do ano 2000 e, a partir da divulgação desses dados, têm-se múltiplas análises que procuram compreender como essa variedade religiosa redimensiona o cená- rio religioso. Nessa perspectiva, as obras de AMARAL, Leila. Carnaval da Alma. Comunidade, Essência e Sin-
cretismo na Nova Era. Petrópolis: Vozes, 2000; RIVERA, Dario Paulo Barrera. Matrizes protestantes do pente-
costalismo. In: PASSOS, João Décio (Org.). Movimentos do Espírito: matrizes, afinidades e territórios pentecos- tais. São Paulo: Paulinas, 2005. pp.79-112; RIVERA, Dario Paulo Barrera & HEATON, Tim. A diversidade religiosa brasileira e suas dimensões sociais segundo o Censo do ano 2000. In: Estudos de Religião, v. 23, n. 37, 129 – 145, Jul / Dez 2009 e CAMPOS, Leonildo Silveira. Os mapas, atores e números da diversidade religiosa cristã brasileira: católicos e evangélicos entre 1940 e 2007. In: Revista de Estudos da Religião, dezembro de 2008, pp. 9 – 47, dentre outros, são referenciais teóricos que oferecem contribuições significativas e indispensá- veis para compreender o fenômeno do pluralismo religioso e os processos decorrentes dessa manifestação.
de um survey sobre o trânsito religioso, realizado em 23 capitais e 27 municípios brasileiros, no ano de 2004, pelo Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (CERIS), anali- saram os principais percursos feitos pelos/as fiéis ao buscarem uma nova religião, além de mapear os motivos e características da mudança de religião.
O principal questionamento da pesquisa desenvolvida pelo CERIS refere-se à mu- dança de religião do/a entrevistado/a. Dividido em duas partes, primeiro indaga sobre a reli- gião atual do/a respondente; depois, há quanto tempo essa pessoa possui tal religião. Os índices indicam que, aproximadamente, 23% das 2870 pessoas que participaram da pesquisa transitaram entre religiões em algum momento e, apesar de não ser a maioria, os dados reve- lam uma possibilidade considerável de se mudar de religião.
As características de perfil das pessoas entrevistadas levaram em conta idade, sexo, estado civil e escolaridade. Os grupos formados por homens e mulheres apresentam a mes- ma proporção de pessoas que já trocaram de religião, posição que diverge da pesquisa de- senvolvida por Almeida e Monteiro (2001) que aponta as mulheres como as mais propensas a mudanças para outras religiões.
Já a análise dos dados, segundo classes de idade, aponta maior mobilidade entre a faixa etária compreendida entre 46 e 55 anos. Entre 18 e 25 anos e mais de 80 anos, a pro- porção é inferior à média geral. Segundo os autores, esse comportamento pode estar associ- ado à certa continuidade com a religião recebida dos pais, somado ao fato de a religião não ser elemento prioritário entre a juventude. Entre os mais idosos, percebeu-se uma valoriza- ção da tradição e pertença primária.
Quanto ao estado civil, as pessoas casadas tendem a ser mais estáveis, com maior mobilidade entre as pessoas separadas judicialmente, principalmente as mulheres. Esse fator pode estar relacionado à busca de amparo em função do sentimento de solidão, ocasionado pela separação (Pitta e Fernandes, 2006: 10), indicação corroborada por Souza (2006 b: 27) quando afirma que, ao circularem, as mulheres ampliam significativamente seus espaços de sociabilidade.
A pesquisa apontou que, quando são considerados os grupos religiosos, somente no grupo dos católicos a proporção de pessoas que mudaram de religião é pequena (4%) e infe- rior à média geral. No grupo dos pentecostais, essa proporção chega a 84,6%. Os dados de- monstram que praticamente todas as religiões cederam adeptos para as denominações pen- tecostais. Significativo também é o número de pessoas que se apresentaram sem religião (80,1%), embora já tivessem experimentado uma pertença anterior.
Considerando os dados revelados pela pesquisa, os autores apontam que o trânsito religioso no campo brasileiro pode ser compreendido a partir de quatro eixos, a saber: a des- filiação institucional, a destradicionalização, a noção de conversão e as configurações do pluralismo.
Nesse aspecto, vale lembrar o estudo sugestivo desse fenômeno desenvolvido por Ronaldo de Almeida (2001), aplicado em um contexto que apresenta as mesmas caracterís- ticas sócio demográficas e com territorialidades semelhantes ao grupo pentecostal que anali- samos nessa pesquisa. Concluiu que os pentecostais buscam seus fiéis entre alguns estratos sociais e segmentos religiosos, basicamente entre católicos, afro-brasileiros e sem-religião.
A partir da articulação de três conjuntos de dados (um survey, o georrefecimento dos lugares de culto no município de São Paulo e a análise etnográfica de uma grande favela paulistana), Almeida (2001) apresenta o modelo do trânsito religioso e discute a eficácia das alternativas religiosas entre os mais pobres e suas estratégias espaciais que geraram distintas formas de sociabilidade. Diante desses pressupostos, identifica como a mobilidade religiosa influencia os grupos pentecostais presentes em ambientes de vulnerabilidade social e as transformações geradas a partir dessa presença.
Embora os limites entre esses sistemas não tenham sido demarcados de maneira rígi- da, na atualidade configura-se um contexto significativo de pluralidade de religiões que permite um fluxo dos sujeitos sem fidelidade a um único sistema. Aliado ao fato do espec- tro da escolha religiosa ser extremamente variado, cerca de um quarto da população adulta já experimentou o sentido da adesão a uma religião diferente daquela em que nasceu (Pran- di, 1996: 65).
Almeida (2001) aponta que uma em cada três pessoas já havia mudado de religião pelo menos uma vez. Ainda segundo esse estudo, cerca de 1/3 dos evangélicos circularam pelas denominações, principalmente nas pentecostais. Assim, Almeida apresenta ainda o crescimento dos pentecostais e as mudanças provocadas no cenário religioso em consequên- cia desse aumento quantitativo, sua inserção sócio demográfica e as transformações dos grupos em virtude da concorrência por adeptos. Todos esses fatores emergem como proble- máticas adjacentes ao desafio da análise da mobilidade religiosa, logo são tratados como elementos fundamentais na nossa proposta interpretativa. Por conseguinte, consideramos ser plenamente factível analisar o fenômeno do trânsito religioso no contexto da Igreja Evangé- lica Assembleia de Deus, Ministério São Bernardo do Campo, visando identificar a recom-
posição das formas religiosas e as novas identidades desenvolvidas pelos sujeitos a partir dessa mobilidade e, fundamentados nos dados obtidos na pesquisa de campo, identificar a motivação para essa mobilidade religiosa de homens e mulheres na IEAD, MSBC; diferen- ciar as motivações de classe, gênero, geracional e de etnia para estabelecer o itinerário reli- gioso desenvolvido pelos sujeitos em movimento.
Para analisarmos esse cenário, é indispensável reconhecermos as peculiaridades do universo de análise, objetivando pontuar as marcas das expressões pentecostais no campo religioso brasileiro e as imbricações dialéticas culturais nas fases de sua implantação e in- serção na sociedade, para identificarmos os elementos que tornam a realidade nacional uma cultura pluralista, com múltiplas representações étnicas e portadora de fatores potenciais para o surgimento de fenômenos variados, como a pluralidade e a mobilidade religiosa. Por- tanto, essas serão as problemáticas que nos orientarão no próximo tópico.