• Sonuç bulunamadı

2.2 ULUSLARARASI İNSANCIL HUKUKUN ÇATIŞMALAR

3.1.2 UNSÇ Durumunda UİH’nin Uygulanmasında Eşik

3.1.2.4 UNSÇ’nin Bitişinin Tespiti

O desenvolvimento deste estudo foi um exercício de disciplina, organização, cooperação e superação de obstáculos. Destaca-se aqui a dificuldade em desenvolver uma pesquisa dessa dimensão, que envolve a ida a campo, o convencimento de empresários a abrirem suas portas à academia e permitirem o acesso aos seus trabalhadores, a organização desses dados e escolha dos métodos de análises mais apropriados e a elaboração do produto final no formato de tese.

Ao seu término, destacam-se as suas contribuições, pelos resultados expostos, que permitiram obterem-se informações do PAT no Estado do Rio Grande do Norte, tal como se desejava ao seu início, pela aplicação de uma metodologia que comparou dois grupos de trabalhadores, demonstrando-se diferenças entre eles e apresentando resultados inéditos tanto em relação ao risco cardiovascular quanto em relação às diferenças no consumo de nutrientes; e pela utilização de um modelo de análise de consumo alimentar que não se limitou à alimentação ofertada pelo PAT, mas, trouxe uma visão mais completa do consumo alimentar, evidenciando diferenças qualitativas e quantitativas na alimentação dos grupos de trabalhadores.

Reconhece-se que o estudo, apesar da relevância e ineditismo de alguns dos seus resultados apresenta limitações, as quais se referem à ausência de informações do estado nutricional desses trabalhadores anteriores a sua entrada nas empresas, especialmente aqueles do grupo PAT, o que permitiria obter um t0 para o acompanhamento do índice de massa corporal e confirmaria o impacto do Programa, em caso de ganho de peso diferenciado dos trabalhadores dos grupos PAT e Não PAT. Isto porque se poderia argumentar que indivíduos que já tivessem diagnóstico de sobrepeso preferissem trabalhar em empresas que ofertassem alimentação em detrimento das que não ofertam. No entanto, essa argumentação não se sustenta, pois, estudos têm demonstrado o desconhecimento acerca do PAT junto a sua clientela (BANDONI; BRASIL; JAIME, 2006), de um lado, e, de outro, a falta de possibilidade de escolha por parte dessa mão-de-obra no mercado de trabalho. Em geral, eles aceitam o trabalho que lhes surge, independentemente de a empresa oferecer ou não benefícios associados ao emprego. Prova disso é o enorme contingente de trabalhadores no mercado informal sem acesso sequer aos direitos trabalhistas previstos em lei como obrigatórios.

Também à ausência de informações acerca da produtividade de empresas e trabalhadores. Quanto a isso, ressalta-se que, durante o planejamento desse estudo, foi traçado um objetivo estimando uma possível relação do PAT com indicadores de produtividade das empresas e dos trabalhadores, porém esse objetivo não foi passível de realização, porque as empresas não disponibilizaram esses dados alegando sigilo organizacional. Ao fato de que os grupos não foram randomizados, limitação essa que foi minimizada ajustando-se as análises pelas diferenças entre os grupos. Ao porte da indústria ter entrado como um fator fixo, o que só permite interpretar esses resultados para as indústrias de pequeno e médio porte. Por outro lado, o setor de atividade econômica foi um fator aleatório, o que permite generalizar os resultados a todas as indústrias daquele setor.

O estudo ter sido realizado apenas com o setor indústria de transformação também pode ser visto como uma limitação, já que isso implica em que seus resultados sejam expandidos apenas para os trabalhadores daquele setor. No entanto, ressalta-se que a sua escolha foi definida considerando o fato de esse ser o segundo maior setor de atividade econômica no Estado do RN, sendo o maior em empregos formais, ou seja, o que abrange a maior quantidade de trabalhadores potencialmente beneficiados pelo PAT. E, por fim, quanto aos resultados da avaliação do PAT referirem-se ao Estado do RN. Nesse sentido, argumenta- se que as características das empresas norte-riograndenses não se diferenciam das demais empresas do país, o que provavelmente poderia fazer crer que mesmo incluindo-se empresas de outros estados, os resultados seriam semelhantes.

Novas perspectivas são pensadas como desdobramento desse estudo, quais sejam: a determinação do padrão de consumo alimentar dos trabalhadores, a partir das informações dos recordatórios (R24) combinados; o aprofundamento da análise do Programa, segundo o modelo dos ciclos de políticas públicas; as análises combinadas de fatores de risco para doenças cardiovasculares e doenças crônicas não transmissíveis; a análise de nutrientes específicos do consumo alimentar, tais como sódio e gordura saturada e sua relação com indicadores de saúde; o desenvolvimento de uma pesquisa que permita a obtenção de informações qualitativas que subsidiem à elaboração de um material para apoiar as ações de educação para a segurança alimentar e nutricional junto à clientela do Programa; e a publicação do livro “Álbum fotográfico para análise de consumo alimentar em coletividades” desenvolvido para apoiar a abordagem ao trabalhador com o recordatório de 24h.

Também se vislumbra a possibilidade de dar continuidade a esta pesquisa, tornando-a um estudo de coorte, voltando às mesmas indústrias e repetindo a aplicação dos instrumentos, de forma que as mesmas observações após um determinado período possam propiciar resultados que venham de fato a confirmar o impacto do PAT junto a sua clientela.

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