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Unilever Konya Dondurma Fabrikası’nın LEED standartları açısından

3. SÜRDÜRÜLEBİLİRLİK VE EKOLOJİ ANLAYIŞININ KONYA

3.2. Konya Bağlamındaki LEED Sertifikalı Yeşil Binalarının İncelenmesi

3.2.4. Unilever Konya Dondurma Fabrikası

3.2.4.2. Unilever Konya Dondurma Fabrikası’nın LEED standartları açısından

O texto abaixo está estruturado segundo os verbos selecionados, em razão de eles serem a espinha dorsal das narrativas para a construção da identidade. Ao mesmo tempo, ressaltam o caráter retrospectivo que o processo de sensemaking possui e denotam a noção de que a fala é essencialmente a ação no ambiente, conforme Weick sublinha. Mais ainda, que essa ação corresponde um fato social em permanente construção, no qual os atores recolhem evidências para delimitar as características que seus personagens assumem. E como quase todo fato social, o que é necessário é que faça sentido aos seus autores, quando a racionalidade restringe-se ao mapa cognitivo dos mesmos, bastando que forneçam elementos plausíveis para o desenrolar da peça. Se isso não vingar, haverá um colapso de

Os verbos também têm a função de permitir a seleção de trechos que salientam os aspectos envoltos nas situações de acidentes, segundo as conclusões de Turner quando investigou mais de oitenta episódios nos quais a influência das organizações foi o catalisador das efemérides. Assim, a rigidez nas percepções, a regulação obsoleta e o descaso com as opiniões externas, por exemplo, são passíveis de seleção. Além desse aspecto, os verbos podem ser vinculados às fases do modelo de Turner. É o caso de responsabilizar, que tende a predominar nos momentos de precipitação e choque, quando tudo que é dissonante passa por um equalizador e é modulado até alcançar o padrão aceito como usual para o ator, imputando aos demais os ruídos. Legitimar, inquestionavelmente, é corriqueiro na fase de ajustamento.

Os trechos estão apresentados por verbos e em ordem cronológica, intercalados por comentários que exploram algumas reflexões sobre as falas, bem como procuram sublinhar os elementos teóricos tratados do decorrer da tese. Ao final, apresenta-se uma leitura sobre as características dos personagens construídos na narrativa dos principais atores sociais.

9 Prevenindo

Criar também os mecanismos municipais, que realmente atuem numa situação como esta, e principalmente fazer as diligências de fiscalização, [...]. (Vereador Jooji Hato, 27 mar. 2002, autos da CPI dos Postos de Combustíveis, p. 144).

A recente Lei Municipal nº 15.098/2010, do município de São Paulo, que exige que o executivo local divulgue um relatório de áreas contaminadas no perímetro urbano, já referida anteriormente, pode ser considerada ferramenta municipal no sentido colocado pelo vereador, com um interregno de oito anos. Consiste em uma tentativa de atualização da regulação, só que apenas o tempo dirá se representa uma mudança cultural.

Então, as consequências futuras são maiores. Então, nesse sentido é que devemos olhar bastante nas medidas preventivas, daqui para a frente. O que já foi [feito], já foi, mas devemos nos preocupar para que não aconteçam mais. E é nesse sentido que devemos ter legislações específicas daqui para a frente. (Representante do sindicato dos geólogos, 27 mar. 2002, autos da CPI dos Postos de Combustíveis, p. 161).

Mais importante que a lei municipal acima citada, parece ser a Lei estadual 13.577/2009, que dispõe sobre diretrizes e procedimentos para a proteção da qualidade do solo e gerenciamento de áreas contaminadas. Aspecto relevante a ser ponderado é que, talvez em razão de uma cultura legalista que marca o país, diferentes tipos de atores apresentam tendência a sempre propor novas leis para a solução dos problemas enfrentados pela comunidade. Sem desmerecer a legislação adotada recentemente em nível estadual e municipal sobre áreas contaminadas, talvez as leis preexistentes bastassem para o enfrentamento da questão, se houvesse fiscalização e elas fossem realmente aplicadas68. Aí sim ter-se-ia a mudança cultural.

Aqui no Brasil ninguém faz prevenção. [...]

Não, eu acho que o processo está correto [licenciamento de postos], são várias secretarias envolvidas, só que ninguém fiscaliza nada. (Representante do Contru69, 10 abr. 2002, autos da CPI dos Postos de Combustíveis, p. 615 e 618).

A fala do representante do Contru traz trecho que expõe rara sinceridade em depoentes com algum tipo de atribuição de controle sobre a contaminação por agentes químicos. Se a fiscalização ocorresse, a probabilidade de os acidentes acontecerem reduziria. É possível cogitar que o órgão se encontrava em uma crise de identidade, conseqüência das alterações no campo dos administrados e na incapacidade de o aparato interorganizacional acompanhar e se adaptar ao novo.

Como lá na Vila Carioca, agora, onde era o terminal da Esso, vai ser transformado num grande shopping center da região, [...] gostaríamos de ver, talvez através de prospecção, você poderiam verificar se aquilo lá... (Vereador José Viviani Ferraz, 17 abr. 2002, autos da CPI dos Postos de Combustíveis, p. 701).

Então, a CPI pede dos senhores [Sindicom] a relação dos postos em que foi feita a limpeza dos tanques, lavagem, retirada da borra, de tudo. (Vereador Wadih Mutran, 24 abr. 2002, autos da CPI dos Postos de Combustíveis, p. 992).

Com ênfases variáveis, são encontradas nos vereadores posturas no sentido de demandar iniciativas no sentido da prevenção de contaminação e acidentes

68 Para a compreensão dos problemas na fiscalização, ver Guimarães et al. (1995).

69 O Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) atua na prevenção e fiscalização de segurança de uso de edificações no Município de São Paulo, incluindo a questão da armazenagem de produtos químicos.

ambientais. O fenômeno pode estar associado à fase de ajustamento, quando o calor do acidente ainda queima.

[...] porque eu entendo que a única maneira de fazer com que este setor, que movimenta uma quantidade muito grande de recursos, de fato invista na prevenção de acidentes desse tipo, é o risco de que, ali na frente, de que tenha que reparar os danos realizados. (Vereador Nabil Bonduki, 08 mai. 2002, autos da CPI dos Postos de Combustíveis, p. 1.458).

A associação feita pelo vereador entre o receio do empreendedor de ter de arcar com a reparação de danos e o investimento em prevenção é consistente. Assume relevância nesse sentido a efetividade das decisões judiciais voltadas a assegurar essa reparação que, vale lembrar, é prescrita pelo próprio texto da Constituição Federal70. Ou seja, a regulação não é obsoleta, mas não consegue chegar a um termo final.

[...] quando nós fazemos a vistoria, é no edifício em si. [...] não fazemos no complexo, na redondeza [sobre a existência de uma fundição, com caldeira, ao lado da Vila Carioca]. (Representante do Corpo de Bombeiros, 15 mai. 2002, autos da CPI dos Postos de Combustíveis, p. 1.632).

A fala do representante da segurança pública estadual evidencia pouco cuidado com a prevenção. Claramente um problema de rigidez de valores que, tudo indica, não foram alterados pelo acidente, sugerindo que inúmeros eventos estão em fase de incubação. Para o órgão policial, a Vila Carioca não produziu o colapso de

sensemaking.

A indústria como um todo, ela, eu quero crer que não houve má fé [no enterramento da borra]. Eu quero crer que a falta de conhecimento, a falta de tecnologia, [...] a falta desse conhecimento foi que levou as empresas a terem procedimentos que não seriam os mais adequados. [...] Hoje somos uma sociedade mais preparada, hoje somos uma indústria mais preparada e a partir disso, e com a responsabilidade que a empresa está trazendo aos senhores, e tem levado às autoridades, acho que podemos não só tentar recuperar o que houve, mas assegurar que essas coisas não vão acontecer mais, esse é um dos compromissos principais, [...]. (Representante da Shell, 27 jun. 2002, autos da CPI dos Postos de Combustíveis, p. 3.681).

Pelos documentos levantados, é verdade que o enterramento das borras provenientes da lavagem dos tanques de combustíveis foi prática comum durante décadas. A contaminação na área da Shell na Vila Carioca estaria relacionada mais

70

a essa prática contínua do que a eventos que configuram acidentes ampliados, como vazamentos de grande porte (OBSERVATÓRIO SOCIAL, 2003, p. 32). Há aqui uma defesa da empresa calcada nos valores prevalecentes e na impossibilidade de decodificação dos sinais emitidos na fase de incubação, indicando ainda uma provável mudança cultural da organização (crise de

sensemaking?). Assegurar que práticas desse tipo não ocorram daqui para a frente,

contudo, mais do que uma preocupação com a prevenção, hoje decorre de imposição da lei71.

O que nos preocupa é que esta CPI está tendo dificuldades em fechar a base. Tivemos um fechamento administrativo por algumas horas. (Vereador Willian Woo, 07 ago. 2002, autos da CPI dos Postos de Combustíveis, p. 10.681).

O problema da Shell é gravíssimo [...] acho que a Shell tem que ser uma questão de uma CPI própria para isso, não só a Shell, mas a contaminação do solo [...]. (Vereador Willian Woo, 11 set. 2002, autos da CPI dos Postos de Combustíveis, p. 12.908).

[Em depoimento do representante da vigilância sanitária] Mas, você não acha que sabendo que houve um consumo humano de uma água contaminada por drins, por exemplo, no caso do condomínio Auriverde, a vigilância sanitária não deveria fazer exames para verificar? O processo degenerativo, o processo da doença em si progride, vai-se vivendo, já se passou mais de um ano depois da descoberta. Isso vai e quando você pode fazer um tratamento precoce, com mais eficácia, pelo menos entendemos assim, você não acha que a vigilância sanitária deveria fazer os exames direto? (Vereador Jooji Hato, 19 fev. 2003, autos da CPI do Passivo Ambiental, p. 258).

A maior parte das cobranças em termos da perspectiva da prevenção surge em vereadores, o que parece condizente com o papel de representação política da comunidade. Cabe dizer que os vereadores com atuação mais vigorosa nas CPIs provavelmente têm a região coberta pela subprefeitura do Ipiranga como base eleitoral. Esse é o caso do vereador Jooji Hato.

Nós recomendamos que todas essas áreas pesquisadas os moradores não fizessem mais nenhum contato com esse solo exposto. Se tivesse algum tipo de plantação, de horta, eliminasse como uma medida inicial, preventiva, [...]. (Representante da Cetesb, 04 jun. 2003, autos da CPI do Passivo Ambiental, p. 3.687).

71 A Lei 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais) qualifica como crime, entre várias outras condutas, “causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana” (art. 54). Ver subitem 2.2.2.

[...] a nossa exigência foi que esses dados preliminares que coletamos no campo, comunicamos aos moradores. Assim que tivemos esses resultados, fizemos uma reunião, comunicamos aos moradores as providências que deveriam ser tomadas em caráter preventivo. E, aguardando o diagnóstico total serão exigidas as medidas que porventura a gente verifique pelos dados apresentados que devam ser exigidas em campo. (Representante da Cetesb, 04 jun. 2003, autos da CPI do Passivo Ambiental, p. 3.691).

A reificação do saber técnico é tão exuberante que encobre a visão de profissionais bem formados, que adentram em uma condição de miopia situacional que obstaculiza ações imediatas e o planejamento preventivo. A precipitação e o choque são amortecidos pela crença iluminista na ciência, descolando o administrador do administrado (ou agente-principal, para uma terminologia mais em voga). A partir daí, situações de engodo (na acepção de atacar essencialmente questões secundárias) e de descaso para com as opiniões externas, tornam-se quase certas. Pode-se aventar, inclusive, que o escudo da ciência é uma estratégia (consciente ou inconsciente) de prevenir a crise de identidade e o colapso nos sentidos.

Há também um valor de prevenção, a partir do qual a concentração de contaminantes no solo pode causar danos à vegetação, ou aos usos do solo. Então, ele foi um dado levantado em função de efeitos ecotoxicológicos. [...]

Então, usa-se o valor de prevenção para servir como uma base em que está sendo aumentada a poluição. Até este ponto sabe-se que ela não causará grandes danos, mas não deve ultrapassar esse nível, para evitar que chegue ao valor seguinte, que é o valor de intervenção.

O valor de intervenção já é relacionado à presença de riscos, de uma forma genérica, à saúde da população. (Representante da Cetesb, 18 mai. 2006, autos da CPI da Poluição, p. 161 e 162).

São expostos conceitos que, de alguma forma, já caminham na direção do conteúdo da futura Lei estadual 13.577/2009. A dúvida é se o movimento representa uma mudança cultural ou tão-somente a reedição da crença no saber técnico, o que indicaria a cristalização dos antigos valores prevalecentes. Se assim o for, o aprendizado organizacional terá sido pequeno e, como mais agravante, as políticas públicas, em sua concretude, poderão não sofrer alterações. Em face das dificuldades enfrentadas pela Cetesb na contaminação da Vila Carioca, faz-se difícil não lançar dúvidas sobre o sucesso na implementação da recente lei, lembrando que leis havia, como o ancião Código da Águas, e elas não foram eficazes.

9 Remediando

No caso da Shell, basicamente, há uma base de petróleo que opera provavelmente desde o início da década de 50 ou final da década de 40, é, nós temos que lembrar que as práticas ambientais desse período, elas não eram aquelas que se usa atualmente.

[...] já foi feita a retirada praticamente dessas borras, [...] e agora estamos analisando se o que restou em termos de contaminação é aceitável ou não em termos de causar algum risco ainda à comunidade. (Representante da Cetesb, 03 abr. 2002, autos da CPI dos Postos de Combustíveis, p. 390- 392).

Não se pode deixar de considerar, também, a reparação dos dados causados à comunidade. Esse aspecto, entretanto, parece ultrapassar o campo de atuação da agência ambiental, a não ser quando inserto nas negociações do TAC, que acabou não logrando êxito. É um momento típico das fases de choque e ajustamento, quando alguma ação se faz necessária72. Há uma mensagem não explícita de isolamento do órgão, quando a primeira pessoa do plural é utilizada, sugerindo o descaso com opiniões externas. Quase como corolário, situações de engodo estariam por vir.

Nós visitamos as instalações da Shell e verificamos várias irregularidades e nós temos que tomar providência, porque isso está ocorrendo desde 1993, e [...] esta CPI irá pedir no dia de hoje a interdição da Shell [...]. (Vereador Jooji Hato, 15 mai. 2002, autos da CPI dos Postos de Combustíveis, p. 1.667).

Todas as empresas do Grupo Shell têm por princípio assumir a responsabilidade pela reabilitação das áreas que eventualmente sofram impacto em consequência de suas operações. Mesmo que os problemas tenham sido decorrentes de práticas que no passado eram consideradas padrão para toda a indústria. [...]

Os trabalhos de remediação na base vêm sendo executados há muito tempo, sempre acompanhados de perto pelas autoridades ambientais. O processo de avaliação ambiental na Base do Ipiranga, [...], resultou na implementação [...] do plano de trabalho aprovado pelo órgão ambiental. [...] a Shell já manifestou para as autoridades que vai colaborar de todas as formas para garantir o bem-estar, a tranqüilidade e a saúde da comunidade. (representante da Shell, 27 jun. 2002, autos da CPI dos Postos de Combustíveis, p. 3.653-3.655).

Nessa fala do representante da Shell, negada em diferentes momentos pelo político, estão colocações que serão uma constante nos trabalhos das três CPIs. Assume-se

72 Vale comentar que no caso da Vila carioca a fase de ajustamento é prolongada, diferente do que uma leitura mais ligeira de Turner sugeriria. No evento em tela, a precipitação foi rápida, tal qual blow up, em razão das denúncias e da cobertura jornalística, e as fases posteriores podem tender ao infinito, se não houver o colapso dos sentidos e mudança cultural.

o compromisso claro com a remediação, destacam-se o plano de trabalho e o acompanhamento sistemático pelos órgãos públicos das ações realizadas (em uma espécie de “parceria”, descaracterizando a relação administrador/administrado), e externa-se a preocupação com o bem-estar da comunidade. Esses são os elementos de identidade da empresa que se deseja passar para consumo geral73, e trazem algo de contraditório. A rigor, a precipitação do acidente teria sido em 1993 e durante anos houve a procrastinação quanto ao envolvimento da comunidade, para quem as discussões entre empresa e órgãos públicos soavam como uma tertúlia para a qual não foi convidada. O descaso com as opiniões externas estava presente, como se a empresa é quem decidisse quem são os stakeholders. Depois de quase cinquenta anos, o conceito de corporação de Drucker ainda não havia sido assimilado.

Foi feito o erro. Agora queremos corrigir esse erro. Ninguém quer punir ninguém. Queremos que as empresas, as pessoas que realizaram isso tomem consciência e façam a remediação. (Vereador Jooji Hato, 05 fev. 2003, autos da CPI do Passivo Ambiental, p. 61).

Nesse trecho, não obstante ser incontestável a relevância primeira da remediação, o político acaba explicitando posicionamento em algum grau incompatível com as investigações de uma CPI. Se a comissão se depara com atos ilícitos, não há de se afastar de propor punições, que posteriormente serão devidamente trabalhadas pelo Ministério Público e outras autoridades. Caso contrário, os atores permanecerão crentes que desempenham seu papel a contento, inviabilizando crises de identidade que forcem a mudança cultural. No caso da empresa, nesse andar da carruagem ela jamais alcançaria as práticas de uma organização confiável.

Das 255 [áreas contaminadas então cadastradas] do Estado, que, se entramos na página da Cetesb e da Secretaria do Meio Ambiente na Internet, vamos verificar cinco com remediação concluída. É algo que é longo. É um processo longo para chegar até a remediação. Só que como essa lista foi feita em determinado momento, ela usou, para as que já estavam remediadas, praticamente só as mais recentes foram incluídas. As mais antigas provavelmente nem foram incluídas porque passaram para o esquecimento. Era algo que já tinha sido concluído. (Representante da Cetesb, 12 fev. 2003, autos da CPI do Passivo Ambiental, p. 82).

73 Uma rápida leitura no conteúdo do sítio eletrônico da Shell Brasil deixará clara a preocupação da empresa de externar uma imagem correta do ponto de vista do ambientalismo e da responsabilidade social corporativa. Ver: http://www.shell.com/home/content/bra/footer/sitemap/. Acesso em: 12 jan. 2010.

Pela fala do representante da Cetesb, fica evidenciado que a remediação das áreas contaminadas ainda se encontra em seus primeiros passos no Estado de São Paulo. Nesse sentido, a Lei estadual 13.577/2009, se assegurados meios para sua aplicação, parece avanço considerável. Para a população, contudo, a ação da administração pública talvez soe como desprezo pelo perigo, usando o termo de Turner74.

Foi feita a retirada daquele solo que nós detectamos através dos trabalhos que a Cetesb exigiu que fossem feitos dentro da Shell, [...]. Esse solo está sendo enviado para ser queimado em um equipamento de incineração fora do Estado de São Paulo, que tem habilitação pelo órgão ambiental daquele estado para receber esse material. (Representante da Cetesb, 12 fev. 2003, autos da CPI do Passivo Ambiental, p. 120).

Foi exigido que nos quatro tanques de armazenamento de gasolina fossem colocados os tetos flexíveis. Isso já aconteceu e, de fato, junto à comunidade, a partir da mudança dos tetos dos tanques de gasolina, diminuiu bastante a sensação de odor na população, a população não tem mais reclamado. (Representante da Cetesb, 12 fev. 2003, autos da CPI do Passivo Ambiental, p. 130).

São explicitadas ações concretas de remediação, requeridas pela Cetesb e outros entes governamentais, que haviam sido realizadas pela Shell. Representam medidas de ajustamento ao choque, tomadas lentamente, diferente das encontradas nos acidentes repentinos e ampliados.

Tivemos uma articulação na nossa regional, entre a vigilância epidemiológica e a vigilância sanitária, estávamos já em contato com o nosso laboratório de referência, que é o laboratório Adolfo Lutz para que isso fosse efetuado. Nesse meio tempo houve a proposta desse TAC e aí parou essa nossa conduta técnica e começou a ser feita essa outra forma de resolução.

[...] mandamos à nossa referência técnica, que é o Centro de Vigilância Sanitária e houve a opção de fazer realmente não os exames, mas esse termo de ajuste de conduta, que foi uma ação institucional.

[...] houve uma procura da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, [...], ao Secretário de Saúde do Estado e ao Secretário Municipal [de saúde], enfim, no sentido de que essa questão da Shell fosse feita de forma interinstitucional, envolvendo todas essas instâncias estaduais e municipais de saúde e meio ambiente. (Representante da vigilância sanitária, 12 mar. 2003, autos da CPI do Passivo Ambiental, p. 498, 501 e 521).

O depoimento do representante da vigilância sanitária do Estado traz fato em geral inesperado: a negociação do TAC pode ter prejudicado ações de remediação em andamento. Não se pode chegar a conclusões apenas com o depoimento de um

técnico, nem esse tipo de análise se insere no escopo da pesquisa, mas a informação aponta para um aspecto de interesse: o processo de construção do TAC, que acabou frustrado, ao refletir a dificuldade de articulação entre os vários atores públicos e privados envolvidos, pode ter gerado retrocessos no caminho de solução dos problemas existentes, em um autêntico movimento de engodo, como diria