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Konya Bilim Merkezi’nin LEED standartları açısından incelenmesi

3. SÜRDÜRÜLEBİLİRLİK VE EKOLOJİ ANLAYIŞININ KONYA

3.2. Konya Bağlamındaki LEED Sertifikalı Yeşil Binalarının İncelenmesi

3.2.1. Konya Bilim Merkezi

3.2.1.2. Konya Bilim Merkezi’nin LEED standartları açısından incelenmesi

As duas linhas de pensamento que hoje predominam na análise organizacional dos acidentes começaram a ser formalizadas simultaneamente, no início dos anos 80, e no percurso a tensão não se desfez. Em determinado momento, representantes da HRT assentiram que o caráter complementar existia, só que foram peremptoriamente rechaçados, como pode ser visto na publicação dos artigos do

Journal of Contingencies and Crisis Management, de dezembro de 1994, citados na

bibliografia. A partir daí a comunicação ficou comprometida, com cada partido delimitando sua atuação. Cabe a ressalva que no campo de batalha, Weick sempre teve o passe livre para os dois lados: adepto explícito da HRT, enquanto editor da

Administrative Science Quarterly, foi quem publicou o ensaio de Perrow que viria a

gerar seu livro de 1984, e com ele mantém relação respeitosa, que está transparente

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Nas palavras de Perrow, “We miss a great deal when we substitute culture for power (PERROW, 1999 [1984], p. 380).

no uso de que cada qual faz do trabalho alheio. Contudo, não foi capaz de aproximar os contendores.

Em paralelo aos mais dogmáticos, certos autores acreditavam que a colaboração seria frutífera. Rijpma (1997, p. 21), por exemplo, concluiu que a NAT poderia explicar a confiabilidade e que a HRT dava conta não apenas do desempenho das organizações, mas também dos fatores que acentuam a propensão aos acidentes. Em uma posição salomônica apregoou que “HRT may prevent practioners from over-

pessimism induced by NAT. NAT may reduce over-optimism with regard to the success of reliability-enhancing strategies” (RIJPMA, 1997, p. 22).

Em uma avaliação posterior, o autor menciona que o debate evoluiu da dicotomia previsibilidade/imprevisibilidade ao incluir a questão sobre a natureza da gênese dos acidentes (RIJPMA, 2003, p. 41). Esta abordagem ficou um pouco forçada uma vez que, desde o intróito, estava em debate a origem dos problemas; todavia, permitiu ao autor alçar uma conclusão: as duas perspectivas permaneciam separadas, com ângulos divergentes mais acentuados, o que levará a um distanciamento maior. Com uma linguagem amarga, profetizou, ao contrário de sua opinião anterior, que o debate tinha chegado ao fim e que e todo e qualquer ganho seria independente. As razões são claras: de um lado estão aqueles que argúem que podemos lançar mãos de sistemas com potencial disruptivo, sendo factível a implantação de medidas de segurança confiáveis; e do outro lado os que vêem a incrível falibilidade das pessoas, sistemas e tecnologias, sendo melhor evitá-las (RIJPMA, 2003, p. 43). Pode-se dizer, então, que a cizânia não deriva da origem dos acidentes e da viabilidade de gerenciá-los; o cerne da questão é a cosmologia de cada lado, aparentemente irreconciliáveis.

A despeito do ceticismo e do alerta de Rijpma, naturalmente a contenda continua. Hoje a dimensão da cultura está em relevo (por exemplo, NAEVESTAD, 2008; BOIN; SCHULMAN, 2008; TURNER; GARY, 2009; BARTON; SUTCLIFFE, 2009;), sem que as discussões sobre a dinâmica dos aspectos estruturais dos sistemas tenham desaparecido (por exemplo, SHRIVASTVA et al., 2009; LEVESON et al., 2009). As notícias de aproximação, entretanto, não são alvissareiras. O debate no campo teórico não avança, atendo-se muito em aspectos pontuais, tanto que Perrow,

deixando um pouco de lado a fleuma que o caracteriza, ontem foi ácido ao clamar mais por estudos aplicados aos casos concretos, e menos energia no choque conceitual (PERROW, 2009). Na visão dele, as duas teorias são imprescindíveis, sem esquecer que devem ser aplicadas corretamente: a NAT focando os sistemas e suas falhas, e a HRT priorizando o lado humano das organizações.

A fala de Perrow procede, mas deve ser assimilada com um certo cuidado para não entronizar o entendimento de que uma delas é capaz de explicar um fenômeno sem a colaboração da outra. Vaughan (1990, 1997, 2005), por exemplo, realçou as falhas que a interação complexa e o acoplamento justo ocasionaram em dois acidentes da Nasa, considerando ainda o papel dos grupos de poder, e nem por isso se sentiu impedida de elucubrar ações que poderão ser implementadas para o aperfeiçoamento da gestão. A tese de Snook (2000), por sua vez, demonstrou sobejamente que há, de fato, complementaridade. Ao esmiuçar as estórias que narram como soldados aniquilaram seus companheiros, no que se consagrou como “fogo amigo”, Snook chegou a um exemplo de acidente normal em uma organização altamente confiável. Com arguta precisão e pragmatismo, o autor nos desvela suas intenções:

While I agree that the cause of normal accidents is found in the nature of the system itself, unlike Perrow, my goal is to better understand the organizational and behavioural dynamics of such systems so as to better design and manage them in an attempt to increase reliability and reduce the likehood of failure (SNOOK, 2000, p. 14)

O que se depreende da leitura do livro de Snook é que, para conseguir atingir com tanto arrojo o que se propôs, o autor, mais do que fazer uso de um óculos para aproximar os aspectos macroscópicos, e outro para salientar as nuances microscópicas, trocou de ferramenta: ao invés de lentes convencionais, recorreu a um caleidoscópio, tal qual Turner o fez, como diria Weick53.

É possível se afirmar que no segundo lustro dos anos 90, a influência de Turner, ou até mesmo sua redescoberta, aconteceu em decorrência da segunda edição de seu livro sobre acidentes feitos pelo homem (RIJPMA, 2003, p. 40). Até então, na opinião de Short e Rosa (1998, p. 94), o ostracismo na academia e entre os gestores das

organizações pública e privadas era quase absoluto. Concorria para tanto, segundo Short e Rosa, a tradição epistemológica da ciência ocidental, que favorece a racionalidade mais circunscrita. Dela deriva a prática de quebra dos fenômenos em componentes elementares, os quais são estudados por campos de conhecimento específicos, cujas fronteiras são ferreamente defendidas por seus integrantes. Como bem assinalam os autores, os paradigmas são lentes que focalizam alguns aspectos e escondem outros, favorecendo a disputa entre os times e a dificuldade de mútua compreensão. Não é de se estranhar, portanto, que o aporte de Turner, destacando a organização enquanto unidade de análise, ficasse em um ponto cego. Quando da segunda edição em 1997, todavia, as tragédias feitas pelo homem, como Seveso, Exxon Valdez, Chernobyl e Bhopal, por exemplo, estavam estampadas no roteiro da humanidade, sem condições de serem apagadas. Nesse contexto, o modelo de Turner entrou na surdina no mainstrean, sem dele fazer parte mas influenciando-o, e Snook soube aproveitá-lo.

Muito da potência do arcabouço de Turner está na abrangência de sua abordagem, a qual contém os elementos que os estudiosos que se seguiram se apropriaram. A NAT, de forma inequívoca, está sedimentada na fase de incubação, quando, por exemplo, privilegia a distribuição de poder que favorece ou não o processo decisório descentralizado. A HRT, por seu turno, realça a o papel que os processos de trabalho e de comunicação desempenham na prevenção de disjunções, e também destaca dimensão da cultura, objeto da primeira pesquisa de impacto de Turner, no início de sua carreira54, e também assunto de suas últimas publicações55. Não é à toa que Weick e Sutcliffe (2001, p. 120) justamente recuperam os escritos antigos de Turner para discorrer sobre a cultura e as organizações confiáveis.

Weick vai mais além do que admitir que a contribuição de Turner vincula-se a um modelo consistente; para ele, o poder explicativo está na abordagem feita que estimula a reflexão (WEICK, 1998). Como é típico na prosa weickeana, o autor se aproveita do poder das metáforas no sentido de transmitir toda a riqueza de seu pensamento. Na análise da contribuição de Turner para os estudos organizacionais, e longe de ser apenas para os problemas dos acidentes, Weick enfatiza que o

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Ver depoimento em Turner (1994).

intelectual britânico, engenheiro que se tornou sociólogo, descartou as lentes convencionais e entregou, a quem querer pegar, um caleidoscópio. Na posse dessa ferramenta, o interessado poderá despojar-se dos padrões antigos, gerar padrões inusitados a partir dos mesmos elementos constitutivos, percebendo então que inúmeras configurações são possíveis. Cita, com propriedade, a inflexão do pensamento de Turner quando disse que a apreensão com a entropia dos sistemas poderia ser equivocada, visto que sistemas negentrópicos é que acabariam por acelerar os processos disjuntivos56. Após ser dito, torna-se óbvio que a ordenação das partes, quando mais em sistemas de alto acoplamento, tem chances de possibilitar uma bola de neve devastadora; o ponto é que poucas vozes ousaram fazê-lo antes. Tendo em mente a complexidade do mundo atual, Weick está correto em seu entendimento de que as ferramentas analíticas precisam provocar e inquietar as pessoas. Diante da incerteza dura perante o porvir, o que não se precisa é de faróis que estreitem o horizonte.

A vida é uma boa obra de teatro com um terceiro ato mal escrito. (Truman Capote)