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Belgede FAALİYET RAPORU 2021 (sayfa 35-38)

A década de 1950, no Brasil, inicia-se com a eleição de Getúlio Vargas que retorna, agora por meio democrático, à Presidência da República. Nesta nova passagem pelo poder executivo federal, ele retoma o seu projeto de intervenção estatal na economia para modernização do país através da industrialização. Entretanto, desde a década de 1930, a disparidade regional intensificou-se, impulsionada pela política desenvolvimentista iniciada ainda pelo Estado Novo:

O processo de industrialização no Brasil, que tem início no primeiro governo Vargas, contribuiu “para a perda do dinamismo da economia regional”. A configuração territorial de independência das regiões no relacionamento com os centros consumidores do exterior foi substituída pouco a pouco pela criação de uma hierarquia nacional, que implicou em novas condições de dependência, reforçadas também no plano político pela centralização do poder pretendida pelo Estado Novo (PAIVA, 2011, p.73).

O quadro de estagnação econômica da Região Nordeste era agravado pelo flagelo social decorrente de mais uma estiagem, que exacerbou as diferenças regionais e gerou crescente movimento migratório para as grandes cidades brasileiras, acelerando a sua urbanização:

A partir da década de 1950, no contexto de integração e hierarquização do mercado nacional, surgem ações do Governo Federal com o intuito de atenuar as disparidades regionais. No caso do Nordeste, as desigualdades se exacerbam devido ao problema recorrente da seca, que maximizava as dificuldades de agricultura, inclusive de subsistência, e resultava em baixos índices de renda e no alto fluxo migratório, em escala regional e nacional. (PAIVA, 2011, p.76).

Diante deste cenário, o então ministro da Fazenda, Horácio Lafer, viaja à região para um diagnóstico da situação e enfatizou, então, o problema da falta de crédito existente e, para solucioná-lo, sugeriu a criação de um banco regional. Segundo Oliveira e Vianna (2005), iniciou-se uma nova abordagem para a questão do desenvolvimento regional, ampliando o campo de visão do problema estritamente hidráulico, capitaneada pelo Departamento Nacional de Obras Contra à Seca (DNOCS)19, para inserção de aspectos dentro do âmbito econômico.

O Banco do Nordeste do Brasil - BNB foi então criado em 1952 como instituição de desenvolvimento regional para focalizar diretamente no problema do bem-estar econômico. Sua área de atuação estava associada ao Polígono das Secas20, mas agora percebido, para além do problema climático, como um território que necessitava de políticas públicas específicas para estimular as atividades produtivas e superar o quadro de pobreza existente.

Desse modo, a jurisdição do BNB abrangia seis dos sete estados nordestinos, exceto o Maranhão, e parte de três estados da outrora região Leste (Sergipe, Bahia e Minas Gerais). Os limites de atuação do BNB já representavam um paradoxo, uma vez que não compreendia toda a região que o nomeava e, ao mesmo tempo, transpassava a mesma, demonstrando que, apesar da denominação dada, havia um viés muito mais econômico-social do que geográfico-administrativo na sua implantação (mapa 2.3).

19Criado sob o nome de Inspetoria de Obras Contra as Secas - IOCS, foi o primeiro órgão a atuar no

enfrentamento da problemática do semiárido. (FGV-CPDOC, 2009).

20O Polígono das Secas compreende a área do território brasileiro reconhecida pela legislação como

sujeita à repetidas crises de prolongamento das estiagens e, consequentemente, objeto de especiais providências do setor público. Foi criado pela Lei nº 175, de 7 de janeiro de 1936. (BANCO DO NORDESTE, 1969).

Mapa 2.3 - Área delimitada pelo Polígono das Secas na época de criação do BNB.

Fonte:http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103 -40141997000100007#fig1.

A escolha da localização da sede do BNB, importante componente desta pesquisa, foi acompanhada de um embate político entre as bancadas dos estados que compunham o Nordeste no Congresso Federal, principalmente entre os representantes do Ceará e Pernambuco (SANTOS; GOIS, 2012). Sobre a pertinência da escolha de Fortaleza, o deputado federal Armando Falcão, em pronunciamento no dia 04/12/1951 na Câmara Federal, argumenta, comparando-a ao Recife:

Fortaleza, capital da seca, sempre foi a sede, o centro, o núcleo de todo movimento de combate às secas. A História o prova. O Banco é um novo instrumento de combate às secas.

Recife é toda zona do Brejo pernambucano, paraibano e alagoano, está fora do polígono seco. [...]

Sediado o Banco em Recife, por razões lógicas, seria ele absorvido e dominado pela economia local do açúcar, esquecendo aquela a que, por princípio, se destina a fomentar e amparar. [...]

Fortaleza é, das duas capitais, a que oferece melhores condições, inclusive de mais fáceis comunicações. É o maior centro demográfico, cultural, social,

econômico e financeiro situado dentro do Polígono das Secas (FALCÃO apud SANTOS; GOIS, 2012, p.13).

De acordo com Oliveira e Vianna (2005), para a escolha de Fortaleza foi, portanto, determinante o envolvimento de toda a bancada cearense no Congresso Nacional, liderada pelos deputados federais Paulo Sarasate e Armando Falcão, como, também, do então governador do estado, Raul Barbosa, que posteriormente se tornaria presidente do próprio BNB.

O BNB só entrou em operação em 1954, com a criação da primeira agência em Fortaleza (OLIVEIRA; VIANNA, 2005). No mesmo ano em referência, abriu mais seis unidades, em capitais nordestinas, chamadas de filiais estaduais: Recife, Salvador, João Pessoa, Natal, Maceió e Teresina, principiando, assim, a sua rede de atendimento ao público.

Nesse mesmo ano, é criada outra importante instituição pública em Fortaleza: a Universidade Federal do Ceará (UFC), iniciando suas atividades em 1955. Apesar de efetivamente fundada no governo Café Filho, que ascendeu à presidência com o suicídio de Vargas, a criação de uma universidade federal no Ceará já constava na mesma mensagem da Presidência da República ao Congresso Nacional em 1953, que também solicitava os recursos para o BNB entrar em operação, e afirmava os objetivos das instituições públicas de ensino superior dentro das políticas de desenvolvimento econômico nacional:

O objetivo central do Govêrno, em matéria de ensino superior, é dar-lhe um cunho mais funcional, isto é, orientá-lo para preparar, antes de tudo, os quadros de que carece a economia brasileira, ao invés de formar, sem plano algum, especialistas, certamente sempre úteis, mas nem sempre os mais úteis, dentro de uma escala de prioridade das necessidades de crescimento do País (VARGAS, 1953, p. 242).

Assim, a criação da UFC pelo governo federal estava cercada de uma preocupação do ensino superior com o desenvolvimento do país, o qual é corroborado pelas próprias palavras do primeiro reitor da instituição, Antônio Martins Filho: “desenvolvimento é técnica, técnica é ciência e ciência é universidade.” (MARTINS FILHO, 2004, p.111). Esse ideário estava presente inclusive no lema da nova universidade: “o Universal pelo Regional”, firmando “compromisso com as transformações modernizadoras da nação” (JUCÁ NETO, FERNANDES e DUARTE, 2014, p.84).

Deste modo, a UFC apresentava afinidade com os objetivos do BNB de desenvolvimento regional pois também buscava, dentro das suas especificidades, “contribuir com o progresso do meio nordestino em compasso com as transformações do mundo.” (JUCÁ NETO, FERNANDES e DUARTE, 2014, p.84)

O BNB e a UFC logo iniciam ações em conjunto. Em 1957, segundo Martins Filho (2004), a referida universidade realizou o primeiro “Curso de Elaboração de Projetos para o Desenvolvimento Econômico”, em parceria com o BNB. Posteriormente, com o apoio do Banco, foi criado o Centro de Treinamento em Desenvolvimento Econômico (CETREDE) e implantados dois cursos de mestrado21. Essas iniciativas demonstraram que o BNB, segundo Parente (2001), tinha interesse na formação de uma elite técnica que contribuísse para a modernização da Nordeste.

Em 1958, enquanto a região Nordeste passava pelo segundo período de seca na década, o governo de Juscelino Kubitschek, que se iniciara dois anos antes, intensificou as medidas desenvolvimentistas voltadas à industrialização:

Juscelino Kubitschek estabeleceu, em 1956, o Plano de Metas, ou a planificação da política econômica voltada para a dinamização do setor industrial, sintonizada com o sistema capitalista mundial orquestrado pelos Estados Unidos. Brasília está no bojo deste projeto desenvolvimentista e constitui o marco final desta vanguarda alimentada por esta política de “conciliação” ideológica (SEGAWA, 1983, p.73).

Dentro da visão de planejamento setorial do governo Kubitschek, segundo Santos e Gois (2012), foi criado o Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste – GTDN, que produziu o relatório: “Uma política de desenvolvimento econômico para o Nordeste”. No documento, foi abordado que a condição de subdesenvolvimento regional existente era resultado de uma formação histórico- estrutural específica que só poderia ser superada através de transformações estruturais (FURTADO, 2005).

Santos e Gois (2012) afirmam que a consequência principal do relatório do GTDN foi a criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE em 1959, que se tornou, na década seguinte, a principal instituição de

21No início da década de 1970, o BNB apoiou cursos de mestrado no Nordeste através de ajuda

financeira, assistência técnica e até cessão de professores. Na UFC são implantados dois cursos: o mestrado em Economia Rural, no Departamento de Agronomia, em 1971, e o mestrado em Economia, no CAEN (Centro de Aperfeiçoamento de Economistas do Nordeste), no Departamento de Economia, em 1972; em Pernambuco, o mestrado em Economia e Sociologia da UFPE, e na Bahia, o mestrado em Economia da UFBA, ambos em 1973 (Parente, 2001).

planejamento e fomento do desenvolvimento regional do Nordeste Brasileiro, formulando as políticas públicas dentro dessa temática. A própria atuação do BNB passa a ser orientada pelas diretrizes estabelecidas pela SUDENE.

Com a parceria entre SUDENE e BNB formalizada, intensifica-se, a partir da década de 1960, a política industrial para o Nordeste, baseada na concessão de estímulos “fiscais e financeiros e tinha como principais instrumentos a Lei 34/18, que estabelecia a dedução de imposto de renda de pessoas jurídicas e físicas investidos em empreendimentos industriais no Nordeste” (PAIVA, 2011, p.77). Essa estratégia de desenvolvimento baseada em incentivos tributários para a indústria guiou a atuação do BNB durante todo o recorte temporal deste trabalho.

Segundo Oliveira (1993), essa ação de desenvolvimento regional representou, a partir de 1964, a transferência de grupos hegemônicos da burguesia do Centro-Sul para o Nordeste, assegurando a homogeneização monopolista do espaço econômico nacional e a inserção dessa região na lógica internacional do capital:

A industrialização que se implementou no Nordeste pela SUDENE, que conforme os objetivos propostos buscavam acolher a mão-de-obra excedente, funcionou como uma espécie de expansão da industrialização verificada no Sudeste. Os incentivos fiscais e financeiros, na verdade, criaram oportunidades para a instalação, em sua grande maioria, de indústrias filiais que enxergavam melhores possibilidades de acumulação de capital no Nordeste. Nesse sentido, o objetivo original, pautado no desenvolvimento regional escandalizou as diferenças entre as regiões brasileiras (PAIVA, 2011, p.77).

O processo de industrialização teve, então, um caráter de complementaridade em relação ao Sudeste e concentrou-se nas capitais nordestinas, reforçando as suas funções como polos econômicos da Região, e foi mais representativo em alguns estados, como Bahia, Pernambuco e Ceará (PAIVA, 2011). O interior, o sertão, permanecia ligado à agricultura de subsistência, cenário evidenciado nos documentos do BNB à época, conforme pode ser aferido no diagnóstico apresentado por Costa (1969).

No final da década de 1960, além do cenário nacional favorável pelas medidas da “Reforma Bancária” e o início do “milagre econômico”, houve um crescimento de quase 10 vezes no seu capital social do BNB, “que vem de ser elevado de NCr$ 15,2 milhões para NCr$ 140 milhões, conforme Assembleia Geral Extraordinária encerrada em 25/mar/68.” (COSTA, 1969). Essa medida foi o símbolo

de um cenário de aumento expressivo na disponibilidade de recursos tanto para o financiamento as atividades produtivas, como também para a expansão da sua rede. Foi neste contexto que se iniciou a estratégia de construção dos edifícios modernos, objetos desta pesquisa.

Em 1974 aconteceu o primeiro choque mundial do petróleo, freando a economia brasileira. Contudo, para continuar estimulando a economia nordestina, o Banco lança o “Plano Qüinqüenal” (1975-1979) que se inseriu dentro do II Plano Nacional de Desenvolvimento – II PND22. O referido plano possuía diversos objetivos e metas administrativas, dentre elas: a continuação da expansão da rede de agências, iniciada no final da década anterior. Graças ao referido plano administrativo, mesmo com a mudança no cenário econômico nacional, o BNB continuou, então, o seu processo de crescimento e, também, de construção dos seus edifícios.

Santos e Góis (2012) afirmam que, na visão da direção do BNB, o processo de expansão deveria ser um contraponto à concorrência de outras instituições bancárias, como o Branco do Brasil e os diversos bancos estaduais. Evidenciando, assim, que o setor financeiro continuava se expandido, motivado pelas possibilidades de capitalização a partir da Reforma Bancária, não reconhecendo ainda nenhum sinal de mudança na tendência de crescimento dos seus resultados, mesmo com o cenário econômico adverso.

O BNB permaneceu então em expansão de suas atividades e da sua rede de atendimento até a segunda metade da década de 1980, quando o agravamento da crise econômica, afetou sobremaneira as atividades produtivas, foco de atuação do BNB, exigindo o estabelecimento, por parte do Governo Federal, de planos econômicos com o intuito de encerrar o quadro de recessão e hiperinflação. Este cenário econômico adverso intensificado na década de 1980, associado a uma crescente informatização da atividade bancária estimulou mudanças na estratégia de atuação dos bancos, encerrando este ciclo de crescimento contínuo das redes de atendimento ao público, inclusive do próprio BNB, refletindo também no término do processo de construção de edifícios.

22O II Plano Nacional de Desenvolvimento (1975-1979) tinha como objetivos centrais elevar a renda

per capita a mais de mil dólares e fazer com que o produto interno bruto ultrapassasse os cem bilhões de dólares em 1977.A meta básica era o ajustamento da economia nacional à situação de escassez de petróleo, dando grande ênfase às indústrias básicas, sobretudo aos setores de bens de capital e da eletrônica pesada (FGV-CPDOC, 2009?).

Belgede FAALİYET RAPORU 2021 (sayfa 35-38)

Benzer Belgeler