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2.1. DAMPİNG KAVRAMI VE ÇEŞİTLERİ

2.1.6. Dünya Ticaret Örgütü Anti-Damping Anlaşmasına Genel Bir Bakış

2.1.6.1. Ulusal Prosedür

A primeira parte da obra Cultura e Opulência do Brasil, editada em 1711, dividida em três livros, descreve todo o processo de produção do açúcar da cana, desde a escolha das terras para a construção do engenho, a descrição das oficinas e equipamentos necessários, as técnicas de cultivo e corte da cana e produção do açúcar, da moagem até o encaixotamento e envio do açúcar para Portugal com os emolumentos e taxas alfandegárias pagas em Lisboa.

Veloso, no entanto, excluiu o capítulo que trata dos custos de produção e as críticas de Antonil aos altos encargos impostos pela Corôa e à falta de investimentos e melhorias que implicassem em maiores ganhos para os agricultores, massacrados pelas políticas impostas por Portugal.

Com a cana já no engenho, as etapas de produção do açúcar descritas são: moagem da cana; limpeza ou purga do caldo; cozimento do melado ou formação dos grãos e branqueamento do açúcar.

Como mencionamos, a publicação de Veloso Extracto sobre os Engenhos de

Assucar do Brasil e sobre o methodo já então praticado na factura deste sal essencial, não contém nenhuma outra sugestão de modificações, além da

moenda. No entanto, pudemos observar sua preocupação em propor métodos para melhoria de todas as etapas de produção do açúcar, desde estrumação da terra, plantio da cana, moagem, limpeza do caldo, cozimento do melado e formação dos grãos, branqueamento e secagem, em diversas outras publicações.Tais publicações são iniciadas com O fazendeiro do Brasil, tomo I,

dividido em 3 partes, onde Veloso propõe um plano para se reformar os engenhos do Brasil, indicando melhoramentos nos métodos de produção do açúcar que poderiam ser aplicáveis à produção no Brasil. A esta, seguem outras especialmente pela Casa Literária do Arco do Cego, embora publicasse também em outros prelos.

Indicaremos algumas dessas modificações propostas, durante o estudo dos

métodos utilizados, conforme descritos na obra de Veloso/Antonil, seguidas de

nota de rodapé, sendo as referências completas dada no final do trabalho.

2.1 Escolha das terras e dos oficiais para o engenho

Segundo Veloso/Antonil a escolha de “terras boas ou más, são o fundamento

principal para ter um engenho real bom, ou mao rendimento”75. Mas não se

tratava apenas das terras para o plantio da cana, pois também eram necessárias terras para o cultivo de mandiocas para alimentação, e de onde se pudessem retirar madeiras nobres para construção dos engenhos e para o fornecimento de lenhas, terras para cultivar a cana e para retirar o barro para a purga do açúcar. Além disso, deveriam ser terras com de água facilmente acessível.

Na escolha das terras onde fosse instalar um engenho se deveria, portanto observar a existência de todos os tipos recursos, o que tornava necessário, segundo o texto, que o senhor de engenho:

75

Valha-se das informações dos lavradores mais entendidos, e atente não somente a barateza do preço, mas também de todas as conveniências[...] e para escusar outros inconvenientes, que os velhos lhe poderão apontar, que são os mestres a quem ensinou o

tempo, e a experiências, e que os novos ignoram76

A advertência é feita porque muitas das propriedades que estavam à venda

tinham “as terras cançadas, ou falta de lenha”77, sendo um outro motivo comum

para a venda de terras o difícil acesso, que por vezes inviabilizava a existência dos engenhos devido aos altos custos do transporte.

Veloso/Antonil sugere, ainda, que se investigue a existência de dívidas vinculadas ao terreno, além da correta demarcação da terra e que, uma vez realizada a compra o pagamento combinado seja rigorosamente cumprido. Ou, segundo suas palavras:

Não falte a seu tempo com a palavra que deu, pague e seja pontual nessa parte, e atente a conservação e melhoramento do que se comprou, e principalmente use de toda a diligência para defender o

marco e as águas de que necessita para moer seu engenho”78.

Com as terras compradas, o senhor do engenho deveria então contratar os serviços dos oficiais, tarefa das mais importantes, uma vez que os conhecimentos necessários à produção do açúcar teriam sido adquiridos com a prática de tais oficiais e, portanto, o rendimento e a qualidade da produção

76

Veloso, Extracto sobre os Engenhos de Assucar, 6. 77

Ibid, 6. 78

estariam diretamente relacionados, não apenas à estrutura física do engenho e seus equipamentos, mas também com a experiência de seus oficiais.

Se em alguma cousa mais que em outra há de mostrar o senhor do engenho a sua capacidade e prudência, esta sem duvida he a boa eleição das pessoas e oficiais que há de admitir ao seu

serviço79,

O primeiro oficial a ser escolhido era o capelão. Feita a escolha do capelão, o senhor do engenho deveria então contratar os feitores, pois “os braços de se vale o senhor do engenho para o bom governo da gente, e da fazenda são os

feitores”80. Dotados de autoridade, para distribuir as funções entre os escravos,

providenciando os devidos descansos e cuidados, se estes adoecerem ou se ferirem, garantindo assim que o senhor não perca escravos, aumentando ainda mais os custos de produção do engenho. Segundo orientação dada por Veloso/Antonil convém que os feitores sejam moderados no trato com os escravos:

Obrigação do feitor mór do engenho é governar toda a gente, e reparti-la a seu tempo como he bem para o serviço[...] Dar conta ao senhor de tudo o que he necessário para o aparelho do engenho[...]

vigiar para que ninguém falte com sua obrigação.81

Precisava haver também um feitor na moenda, para controlar a moagem das canas e atentar para que não ocorressem acidentes, principalmente durante o abastecimento da moenda; feitores nas plantações para defender as terras e

79

Veloso, Extracto sobre os Engenhos de Assucar, 12. 80

Ibid, 16. 81

determinar a hora de plantar, colher e fazer roças, cuidar do corte e transporte das canas e das lenhas, e vigiar os escravos que trabalham nos canaviais. Além dos feitores, era preciso também contratar o mestre do açúcar.

A quem faz o assucar com razão se dá o nome de mestre, porque o

seu olhar pede inteligência, atenção e experiência82.

É o mestre do açúcar que, com sua experiência, controlará as etapas de produção do açúcar no engenho “e para tanto não basta que seja qualquer

[experiência], é necessária que seja a experiência local”83, uma vez que ele

deverá conhecer a qualidade das canas, pois dependendo da qualidade da cana será necessário maior ou menor tempo para a purificação do caldo; cozimento do melado, têmperas e purga.

Para suprir as ausências do mestre do açúcar, tem o engenho ainda o banqueiro e o ajuda-banqueiro, sendo este último, muitas vezes um escravo do engenho.

Deve contar ainda o engenho de um purgador, responsável pela purga do açúcar e dois caixeiros, um no engenho, responsável pelo encaixotamento do açúcar e por anotar todas as caixas produzidas, e um caixeiro na cidade, que manda embarcar o açúcar, e serve como contador para o senhor do engenho.

82

Veloso, Extracto sobre os Engenhos de Assucar, 20. 83

2.2 Corte da cana e estrumação do solo

A sequência de operações no engenho inicia-se pelo corte e limpeza das canas, que deverá ser moída tão logo seja cortada “tanto pois que estiver de vez , se mandará por nella a fouce, tendo já certo o dia em que se há de moer para que não fique depois de cortada a murchar-se no engenho, ou que não

seque exposta ao sol”84.

A cana era cortada por escravos do sexo masculino, sendo reservado às escravas amarrar os feixes, pois as escravas do sexo feminino não deveriam trabalhar com foices. Os escravos encarregados do corte da cana trabalhavam por tarefas, isto é, deveriam cortar uma quantidade determinada de cana por dia, diferentemente dos outros escravos.

Consta o feixe de doze cannas: e tem por obrigação cada escravo cortar em hum dia sete mãos de dez feixes por cada dedo, que são trezentos e cincoenta feixes.[...] e se lhes sobejar tempo será para

gastarem livremente no que quiserem85

A palha retirada da cana durante o corte era então queimada

“ou pela madrugada, ou já de noite quando acalmado o vento der

para isso lugar, e serve para fazer a terra mais fértil”86.

O uso das cinzas como estrume87 era bastante conhecido, chegando a

fazer parte de uma poema de Tomás Antônio Gonzaga88.

84 Ibid, 48. 85 Ibid, 49. 86 Ibid, 50.

Sobre a estrumação da terra, Veloso publicou em O Fazendeiro do Brasil métodos de estrumação utilizados na Jamaica, onde obtinham maiores rendimentos da cana que no Brasil e, portanto, deveriam ser testados.

Nas terras humidas, que não admittem com facilidade vallas para o escoamento das águas o uso das cinzas pôde aproveitar para o effeito de absorver a humidade supérflua[...] Isto com tudo não he sufficiente nas plantações, que fe achao muito cançadas, e exhauridas pela cultura[...] Também costumão estrumar os campos com grandes cargas de esterco, de maneira igual ao uso das

cinzas.89

Veloso publicou também pela Casa Literária do Arco do Cego a obra de Patullo

Ensayo sobre o modo de melhorar as terras, em 1801, onde descreve as

experiências do francês com diferentes tipos de estrumes, que poderiam ser aplicados a diferentes tipos de terras, além da classificação das terras. Nesta obra, o autor explica as características de cada tipo de terra, e de cada estrume, e menciona a necessidade de adicionar à terra adubo de natureza oposta, afim de equilibrar a terra. Deste modo, a indicação para terras com excesso de água ou pesadas, como as argilosas, é o uso de estrumes de cinza, para retirar a umidade das terras, e mistura com terras areiscas. Nesse livro se pode ler:

Com tudo protesta-se, que se não pensa nesta obra dissuadir o methodo de M. Dunhamel, nem causar o menor prejuízo aos

87

Moraes, Compêndio, 68. A definição de estrume aparece na obra publicada pela Casa Literária do Arco do Cego da seguinte maneira: estrume é toda substância que deitada, ou deixada na terra, aumenta sua fertilidade.

88

Gonzaga, Tomás Antonio, Marília de Dirceu. Tomás Antônio Gonzaga mudou-se de Porto, Portugal, para Pernambuco no ano de 1715 mudando-se para a Bahia em 1751, quando ingressou no Colégio dos Jesuítas, retornando para Portugal no ano de 1761, voltando então ao Brasil no ano de 1782. Não sabemos exatamente a data do poema, mas sabemos que foi escrito no Brasil.

89

escriptos deste amigo do gênero humano, que se destinou a illuminallo em agricultura. Respeita-se o seu methodo, como demonstrado , e naô se propõem este, senaô como mais apto de ser facilmente concebido , e praticado pelo commurn dos rendeiros , e ainda dos proprietários e também como talvez mais susceptível

de ser adoptado.90

Veloso menciona que a publicação mais completa sobre a adubação das terras é a de Monceau Duhamel (mencionado na citação acima), Eléménts

d´agriculture, publicada em Paris em 1763, onde além da descrição e uso de

diversas plantas, encontramos também orientação para produção de estrumes dos reinos animal, vegetal e mineral, e a indicação seus usos nos diversos tipos de solo. A publicação desta obra, no entanto, não consta do catálogo de publicações da Casa Literária do Arco do Cego.

2.3 Casa das fornalhas

A casa das fornalhas compreende o edifício onde se faz a purga, ou limpeza do caldo, e o cozimento do melado, até o ponto do açúcar. Segundo descrição de Veloso/Antonil, a casa das fornalhas, instalada junto à casa da moenda eram operadas, dia e noite, por escravos:

[...] condenados que são os escravos bobentos, e os que tem corrimentos: obrigados a esta penosa assistência para purgar com suor violento os humores gálicos; de que tem cheios seus corpos. Tem ahi também outros escravos facinorosos, que presos em compridas, e grossas cadeias de ferro, pagam neste trabalhoso

90

exercício os repetidos excessos de sua extraordinária

maldade[..]”91

Para Antonil, apesar do trabalho de abastecer a moenda ser o mais arriscado, é o trabalho da casa das fornalhas, sem dúvida o mais penoso, considerado mesmo um castigo.

Segundo a descrição de Veloso/Antonil, no engenho Sergipe do Conde, apesar do uso de diversas tachas para o cozimento, cada qual estaria sobre uma fornalha diferente.

Nos engenhos reais costumam haver seis fornalhas, e nelas outros tantos escravos assistentes, que chamam metedores de lenha [...]92.

Uma vez que, a temperatura de cozimento de cada etapa determina a qualidade dos grãos que serão cristalizados, apesar da abundância de lenhas, estas deveriam ser arrumadas seguindo um método, para que as fornalhas fossem abastecidas adequadamente e assim produzir açúcar de boa qualidade, sendo que o abastecimento era ordenado pelo caldeireiro, para que se pudesse obter a temperatura adequada à limpeza. Vejamos como se refere ao processo:

o primeiro aparelho de lenha, para se botar fogo a fornalha chama- se armar, e isto vem a ser, empurrar rolos, e estende-los no lastro[...] e sobre eles cruzar travessos, e lenha miúda, para que levantada

91

Veloso, Extracto sobre os Engenhos de Assucar do Brasil, 66. 92

chegue mais facilmente com a chama ao fundo das caldeiras e taxas.

Cabia ao caldeireiro o conhecimento necessário para controlar a temperatura

de cozimento, e para tanto, orientar aos metedores93 a quantidade necessária

de lenha “e o metedor há de estar atento ao que lhe mandam os caldeireiros, botando precisamente a lenha, que os de cima conhecem, e avisam ser necessária”:

assim, para que não transborde o melado dos cobres, como para que não falte o ferver; porque se não o ferver em sua conta, não se poderá alimpar bem da imundície, que hade vir acima, e escumar

das caldeiras94

O descontrole da temperatura de cozimento nesta etapa, segundo a descrição de Veloso/Antonil, poderia prejudicar a retirada das impurezas do caldo, comprometendo a qualidade do açúcar.

Veloso fez publicar em O fazendeiro do Brasil95 a obra de J.-F. Dutrone de la

Couture, em 1799, onde é proposto um novo método, que estaria sendo testado por ele e teria como objetivo aumentar o rendimento da produção do açúcar. Nesta obra, encontraremos também a indicação do uso de um novo forno. Veloso republicou a obra pela Casa Literária do Arco do Cego, em 1801 sob o título um novo método para fazer açúcar. Nesta obra, segundo Veloso:

M. Dutroni se propõem generalisar muito mais uso do Assucar, do que actualmente está, pelos grandes bens , que do seu uso resulta

93

Escravos encarregados de abastecer com lenha o fogo das caldeiras e tachas. 94

Veloso, Extracto sobre os Engenhos de Assucar do Brasil, 69. 95

a humanidade; e para isto se propõem extrahillo da mesma quantidade de matéria em huma maior abundância, extrahillo no ultimo ponto da sua pureza, vende-lo por hum preço muito mais cómodo , de sorte que possa chegar a todos, e tér hum lucro

dobrado o seu Lavrador.96

No forno apresentado por Veloso/Dutrone, uma mesma boca de fogo atenderia a um conjunto de tachas, utilizando uma chaminé de tiragem para aquecer todas as tachas e um melhor encaixamento das tachas à mesa de alvenaria, diminuindo as perdas de calor e consequentemente o uso de combustíveis, e a facilidade de transferência do caldo de uma caldeira para outra graças a pela proximidade entre elas, sendo que na própria mesa de alvenaria haviam regos

e calhas para recolher o caldo escumado.97

Neste tipo de forno, as tachas também sofreram uma diferenciação com relação ao seu tamanho, sendo a temperatura também controlada pelo tamanho das tachas, sua posição em relação à boca do fogo e o tempo de permancencia no fogo.

Veloso/Dutrone ao apresentar seu novo método irá sugerir a substituição das caldeiras de ferro, introduzidas na Ilha de São Domingos pelos holandeses e, em uso há mais de 50 anos, por caldeiras de cobre que, apesar de serem mais caras, possuíam um valor agregado pelo cobre, que poderia ser usado para outros fins e também seriam mais eficientes para o aquecimento, devido a

natureza do cobre, mais resistentes à ação do calor.98

96

Ibid, V. 97

Veloso, O fazendeiro do Brazil (tomo I parte II), 347-349. 98

O cobre depois do ouro é o metal mais sensível a acção do calor, e que ele penetra com maior rapidez [...] fazendo-se os seus fundos com cuidado, sofrem a acção do fogo, o mais forte, sem alteração alguma, e podem aturar até um século.[...]

O cobre em todo o tempo, e em todo o lugar, tem um valor intrínseco bem determinado[...] Unicamente as nossas colônias o bannirao a 50 anos; mas os ingleses, mais sábios que nós o tem

conservado.99

As caldeiras de ferro também sofriam desgaste devido ao uso dos alkalis durante a limpeza das canas, contaminando o caldo.

O ferro fundido é muito sujeito a ser arruinado pela ferrugem, e sempre se vê coberto dela[...]

A ferrugem que cobre a sua superfície, he tenacíssima, e se despega difficultuosamente, mas despega-se sempre. E assim, por mais cuidado, que se lhe aplique em lavar a cadeira, a ultima água de lavagem nunca he pura, traz sempre consigo huma tinta negra

muito forte, que passa em o caldo.100

Quando Veloso/Dutrone propõe o uso deste novo forno, seria necessário o uso das caldeiras de cobre, utilizadas no Brasil, uma vez que as temperaturas necessárias ao cozimento do caldo seriam atingidas por ser o cobre segundo ele, melhor condutor do calor, e o controle da temperatura do cozimento seria feito pela proximidade das caldeiras com a chama e pela diferenciação do

99

Ibid, 309. 100

tamanho das caldeiras. Nesta obra, Veloso menciona que o abastecimento do forno é feito utilizando-se o bagaço da cana.

Figura 1: Esquema das bocas e do exaustor do forno proposto por

Veloso/Dutrone101.

2.4 Limpeza do caldo

A limpeza do caldo inicia-se logo após a moagem da cana. O caldo é

depositado na primeira caldeira, “que chamam do meio”102 e é a que recebe o

caldo que, saído da moenda chega até ela por uma bica saída do “parol da

guinda”103, onde se ferve o caldo para se “botar fora toda a imundícia, com que

vem da moenda”.

A escuma saída dessa parte do processo é chamada de cachaça, sendo armazenada para servir de alimento para os animais, conforme se pode ler no texto de Veloso/Antonil:

101

Ibid, anexos. 102

Veloso, Extracto sobre os Engenhos de Assucar do Brasil, 75. 103

“sahida a primeira escuma per si mesma, começam os caldeireiro de quando em quando a escumar o caldo, e ajuda-lo, e chamam ajudar o caldo botar-lhe de quando em quando, já em um reminol de decoada, já outro de água [...] serve a água para lavar o caldo, e a decoada para que toda a imundícia que resta na caldeira venha mais de pressa arriba, e não se assente no fundo. Serve também para condensar o açúcar; e fazê-lo mais forte, incorporando-se com o caldo [...]104”.

Esse processo é seguido pela decoada, que é preparada utilizando-se das cinzas das caldeiras. Seu método de preparo da decoada dá-se da seguinte maneira:

“arrasta-se com rodo de ferro até a boca das fornalhas pouco a pouco, a cinza e o borralho, e dahi com huma pá de ferro se tira, e se leva a mesma para o cinzeiro, que é um tanque de tijolo sobre pilares de pedra, e cal [...] e aqui se conserva quente, e assim quente, se põe nas tinas[...] Ahi, depois de bem caldeada e arrumada, se lhe bota água tirada de um taxo grande que está fervendo[...] e coando esta água pela cinza , até passar pelo buraco

que tem as tinas no fundo”105.

A preparação da lixívia, material importante em diferentes atividades, é descrita em outro texto publicado por Veloso. Assim, em Alographia dos Alkalis fixos, publicado no mesmo ano de 1800, ele descreve esse processo para obtenção “sais alcalinos” pelo cozimento das cinzas de alguns vegetais e alguns tipos de

104

Veloso, Extracto sobre os Engenhos de Assucar do Brasil, 76. 105

lenha, em caldeiras de cobre ou de ferro, evaporando-se a água do cozimento, poderia se obter sais alcalinos. Os denominados sais alcalinos fixos eram a

soda e a potassa, porque resistem à ação do fogo.106

Por este processo se obteriam, dependendo das madeiras utilizadas os sais conhecidos como Potassa ou Soda. Consta da obra Alographia dos Alkalis

fixos uma tabela com a descrição das madeiras utilizadas para a obtenção da