BÖLÜM 1: ULUS DEVLET KAVRAMI
1.7. Ulus Devlet Unsurlarının Irak’taki Paradoksları
Discutiremos aqui quais as mudanças que os princípios cooperativistas e os valores da Economia Solidária vivenciados nos empreendimentos provocaram nos trabalhadores de uma forma mais ampla, isto é, nas suas relações com as outras pessoas e com a comunidade em que vivem, partindo da idéia de que a Economia Solidária não deveria se referir apenas às relações de trabalho, mas a todas as esferas da vida daqueles que nela estão inseridos: família, amizades, vizinhança, comunidade, etc.
A preocupação com a comunidade em que está inserida a cooperativa é um dos princípios do cooperativismo originados em Rochdale. Gaiger (1999: 3) destaca que os empreendimentos solidários devem ter as seguintes características: autogestão, democracia, participação, igualitarismo, cooperação, auto-sustentação e responsabilidade social, a qual compreenderia uma “ética solidária socialmente comprometida como melhorias na comunidade e com relações de comércio, troca e intercâmbio; e praticas geradoras de efeito irradiador e multiplicador”. Cruz (2001:8), no mesmo sentido, destaca que os empreendimentos de Economia Solidária devem ter uma: “‘inserção cidadã’ das iniciativas: respeito ao consumidor e ao meio ambiente, participação ativa na comunidade em que está inserida, articulação política com as outras iniciativas de Economia Solidária, denúncia de mecanismos antiéticos de mercado, etc.” Esse caráter prescritivo presente na Economia Solidária é típico-ideal, já que é dificilmente encontrado na realidade. Uma proposição, talvez, para um futuro que pressupõe mudanças culturais significativas.
A maior parte dos cooperados não percebe mudanças significativas em suas concepções e atitudes depois que entraram na cooperativa no que se refere à colaboração e solidariedade em relação àqueles que lhes são próximos. Vários dos entrevistados afirmaram que a cooperativa os tornou mais cooperativos, sem, no entanto, mostrarem a maneira como isso se deu ou fornecerem exemplos concretos de mudança que pudessem estar relacionados
com os valores divulgados pela Economia Solidária. Quando os cooperados tentam justificar as mudanças, argumentam que agora têm mais amizades ou conversam com mais pessoas:
Sim, sim. Eu era uma pessoa de poucas amizades, uma, duas pessoas já era muito. Antes alguém falava: fulano ta precisando conversar, eu não queria nem saber o que tava acontecendo com ela, não me importava. Eu aprendi a escutar mais o que acontece com as pessoas, sabe? (Marcela, 30 anos, cooperada da Coopfaxina e membro do Conselho Fiscal).
Outros cooperados afirmaram que não perceberam qualquer mudança, uma vez que já se consideravam pessoas colaborativas, solidárias. A fala a seguir é representativa dessa situação:
Não [não mudou], o meu pensamento sempre foi esse, a contribuição tem que existir em qualquer meio, se não nada caminha, independente de cooperativismo ou não, tem que existir (José, 51 nos, cooperado da Coopfaxina).
O discurso das cooperadas da Diretoria da Coopfaxina parece um pouco diferente:
Eu lutava por mim, por exemplo: tinha um concurso lá da Prefeitura de quem fazia o prato melhor, se o meu pudesse ser o melhor... eu lutava pra mim, eu ganhei. Eu lutava por mim, agora eu luto por todas as pessoas (Sandra, 46 anos, cooperada da Coopfaxina e membro da Diretoria).
Mudei muito, até comigo mesma. Eu já tinha mania de dividir as coisas com os outros, mas aprendi mais ainda, eu aprendi, se tiver alguém que tá precisando daqui, que não tem serviço, eu tenho que passar o meu pra ela, de sábado. Porque eu ainda tenho aqueles trezentos e pouco que vão sobrar da minha renda, ela não tem nada, isso aí eu entendo, eu tenho o meu marido que trabalha e que ajuda, essa pessoa aí não tem nada (Viviane, 36 anos, cooperada da Coopfaxina, membro da Diretoria). A primeira fala, da cooperada Sandra, nos mostra sua preocupação em lutar pelo coletivo, o que demonstra a compreensão de que a cooperativa não é lugar para individualidades, o grupo é importante. A fala da segunda cooperada nos evidencia que existe uma maior compreensão, de sua parte, de que, na Economia Solidária, todos devem se ajudar e de que a prioridade é sempre dos mais necessitados. Apesar de ambas as entrevistadas apresentarem exemplos de contribuição e solidariedade internos à própria cooperativa e não nas relações mais amplas, demonstram uma preocupação maior com o coletivo e com os que mais precisam, se compararmos com os relatos dos demais cooperados.
No que se refere à preocupação que os cooperados têm com sua comunidade, com o entorno social, tanto os cooperados da Coopfaxina como as cooperadas da Coopcostura afirmam que se preocupam com o bem-estar da comunidade, mas não participam, em geral, de iniciativas que visem à melhoria de vida dessas pessoas, como associações, sindicatos e outros grupos de ajuda e discussão. Quando existem exemplos das formas de ajuda, estes são
puramente individuais, ou seja, o cooperado pode dar algum alimento ou outro tipo de ajuda se souber que um vizinho ou colega precisa, no entanto essa contribuição esbarra nas limitações financeiras desses entrevistados. O depoimento de uma das cooperadas da Coopfaxina nos evidencia isso e é bastante representativo das falas de grande parte dos sócios:
Se eu puder ajudar sim, com certeza. Também a gente não pode tirar da boca pra dar pra pessoa. Se eu puder ajudar, com certeza, não tem mal nenhum em ajudar, com alimentos, mas se saber que a pessoa realmente ta precisando (Alice, 25 anos, cooperada da Coopfaxina).
Novamente só notamos uma percepção mais ampla acerca de solidariedade e comunidade por parte da Diretoria, no caso da Coopfaxina. A fala da cooperada Viviane demonstra a compreensão de que contribuir com a comunidade significa agir coletivamente e segundo os propósitos da Economia Solidária, possibilitando que outras pessoas também possam ter acesso a trabalho e renda através da autogestão:
Sim. Tanto que é difícil pra gente ajudar a formar empreendimento, mas por que a gente tá ajudando? Porque quem ta lá fora às vezes não tem noção do que é, a gente quer trazer eles, tentar mostrar, explicar, pra cada vez mais fortalecer a Economia Solidária. Eu falo sempre quando eu convido alguém pra vir, pra formar um novo empreendimento: “gente, a cooperativa tá aí, quer prova maior de que dá certo, a Economia Solidária? Vamos tentar, trabalho não bate na nossa porta duas vezes, e esse tá batendo, essa ajuda que a gente tem do pessoal da Incubadora pra formar novos empreendimentos, só ta faltando as pessoas terem vontade e acreditarem (Viviane, 36 anos, cooperada da Coopfaxina, membro da Diretoria).
Enfim, ficou perceptível que os cooperados têm dificuldades em relacionar os princípios e propósitos que norteiam (ou deveriam nortear) o seu trabalho com sua vida de uma maneira geral, propiciando mudanças nas suas relações pessoais e com a comunidade. Em geral, as pessoas parecem compreender colaboração e solidariedade de uma maneira muito individual. Assim, essa solidariedade não se inscreve em práticas mais coletivas e não resulta em um ativismo político. A visão de colaboração é uma visão de senso comum, exceto para aqueles que têm uma maior participação na vida dos empreendimentos e que acreditam nas possibilidades oferecidas pela Economia Solidária.