4. SONUÇLAR ve TARTI MA
4.3. TYÇ, TKÇ ve KTÇ Örnekleri çin Rüzgar Sektör Analizi
O crescimento da população no Estado de São Paulo entre os anos 1880-1940 pode ser compreendido a partir do desenvolvimento da economia cafeeira iniciado na segunda metade do século XIX, cuja expansão resultou na ocupação do Estado pelas frentes pioneiras que avançaram em direção ao oeste do planalto ocidental (Monbeig, 1983).
Nas décadas finais do século passado a ocupação do território limitava-se à metade oriental do Estado: o litoral, o vale do Paraíba, a região da Mantiqueira, o início da Depressão Periférica e o lado oeste do planalto ocidental. O quadro populacional do Estado acompanha a ocupação cafeeira que se iniciou no Vale do Paraíba e se deslocou para as áreas de Campinas, Sorocaba e Ribeirão Preto. Dessa forma, apesar de, no século passado, o vale do Paraíba ainda concentrar maior densidade populacional destacam-se, desde essa época, importantes movimentos de populações para outras, também, antigas áreas do Estado como Campinas e Ribeirão Preto51.
51 Para analisar a questão do crescimento populacional e urbano no Estado de São Paulo, mais uma vez, se torna
presente a questão da regionalização. Neste texto foram consideradas as mesmas propostas de regionalização assumidas no capítulo anterior.
Em 1886 o Estado conta com 1.221.380 habitantes. Em 1900 superava os dois milhões (2.279.608) (Tabela 5). Esse grande aumento de população, nas décadas finais do século XIX, deveu-se, basicamente, a imigração de europeus e asiáticos entrados como mão-de-obra para a lavoura cafeeira (Camargo, 1952).
TABELA 8
População do Estado de São Paulo Número de Habitantes por Zonas
(1886-1940)
ZONAS ANOS
1886 1900 1920 1934 1940
Capital
Vale P. e Litoral Norte Central
Mogiana Baixa Paulista Araraquarense
Noroeste e Alta Paulista Alta Sorocabana Baixa Sorocabana Santos e Litoral Sul
74.895 335.922 295.762 178.795 133.697 33.151 ---- 71.903 54.805 42.430 281.256 405.334 412.741 464.091 275.079 148.400 7.815 118.905 80.820 85.167 654.578 484.699 752.524 811.974 530.257 583.771 136.454 341.754 148.365 226.903 1168.776 476.534 843.355 871.389 599.842 879.532 618.900 599.661 148.365 226.903 1480.116 472.305 848.659 843.148 576.775 943.832 856.506 724.017 175.272 259.686 TOTAL 1221.380 2279.608 4592.188 6433.327 7180.316
Fonte: Camargo, José Francisco. Op. cit., Vol. II, Tab. II e Tab. 22.
Segundo Monbeig, que também analisou a importância da imigração na composição da população:
Até 1886, o número de imigrantes entrados em São Paulo não fora ponderável (...) pode-se calcular seu número em aproximadamente 50.000 o que corresponderia, grosso modo, a 4% da população. Graças, entretanto, ao incremento da imigração nos anos seguintes eles chegarão em 1888 a Ultrapassar a casa dos 150.000 ... Um período de intensa imigração aparece entre 1887 e 1900: (...) 863.000 imigrantes, ou seja, 29,7% do total de entradas entre 1827 e 1936 (1983, p. 130 e 135).
Até 1886, dos 628.449 imigrantes estrangeiros entrados no Brasil, apenas 8,5% se dirigiam ao Estado de São Paulo. A partir dessa época esse número começa a se inverter. Entre 1888 e 1900, cerca de 1.400.000 imigrantes entraram no Brasil, dos quais 890.000 se fixaram em São Paulo. A média anual de imigrantes para São Paulo entre os anos de 1882 e 1885 foi de 4,8 mil. Em 1886
esse número sobe para 9,5 mil, em 1887 para 32,1 mil; e, de 1888 a 1987, 68,7 mil, totalizando 727 mil imigrantes entre os anos de 1886 e 1897 (Camargo, 1952).
Em 1900 São Paulo aparece como o estado de maior população estrangeira. Segundo Camargo (1952), em 1900 já‚ de 1.279.063 o número de estrangeiros recenseados no Brasil; em São Paulo encontra-se mais da metade dessa população.
De 1900 a 1920 a marcha do povoamento orienta-se para o oeste, ganhando os espigões paralelos que separam os afluentes do rio Paraná. A colonização e a ocupação cafeeira ocorreram rapidamente. A área de maior crescimento foi o médio Planalto Ocidental, atingindo até Mirassol e Araçatuba, Marília e Conceição de Monte Alegre, próximo ao Paranapanema. Nesse período ocorreu verdadeira explosão da população paulista. De 2.279.608 habitantes em 1900, o Estado atinge 4.592.188 habitantes em 1920. Esses números significam um crescimento de 101,2%, tendo dobrado a população em 20 anos (Camargo, 1952).
A intensificação do crescimento populacional, em termos do processo cafeeiro, foi possibilitada após 1906 quando, com o convênio de Taubaté, foram solucionadas as crises precedentes e estabelecidas as bases para o crescimento futuro. Note-se, também, que já se iniciava, nessa época, a diversificação da agricultura, especialmente nas regiões mais antigas do Estado (Cano, 1976).
Durante esses 20 anos todos os municípios do Estado tiveram suas populações ampliadas, principalmente nas áreas de Campinas e do planalto ocidental, onde a expansão da lavoura cafeeira e da população caminharam juntas. Foi, no entanto, na direção de Ribeirão Preto (ao norte, na direção de Igarapava e a oeste, na direção de Franca) a mais importante área de crescimento populacional. Destaca-se, também, importante adensamento populacional na região de Noroeste e Alta Paulista e na Alta Sorocabana. Essas últimas áreas, no entanto, tiveram o auge de seu crescimento após a década de 20 (Camargo, 1952).
Até os anos de 1920 os imigrantes de origem estrangeira foram em maior número. O número de migrantes brasileiros (vindos de outras regiões do Brasil) ‚ praticamente nulo até o final do século passado; entre 1908 e 1917 eles representam 5,5% do total. Durante o período de 1918- 1927 eles já representavam 23,4%, indicando grande migração interna (Camargo, 1952).
Analisando a questão da imigração no período da economia cafeeira como um todo, Camargo mostra que entre 1887 e 1930 entraram em São Paulo cerca de 2,5 milhões de imigrantes. No período de 1901 até 1920 nem todas as regiões foram igualmente beneficiadas. O Vale do
Paraíba recebeu apenas 0,6%; os municípios de Campinas, Sorocaba e Bragança receberam, juntos, 9%; a capital e suas vizinhanças receberam 10%. As maiores levas de imigrantes, no entanto, se dirigiam às zonas pioneiras: Mogiana e Rio Claro com 30%, e a zona da Noroeste, que nessa época apenas iniciava a sua expansão, recebeu 15% (1952, p. 124 e 132).
Outro fator de expansão populacional nas duas primeiras décadas do século, além da continuidade da imigração foi a expansão das ferrovias de penetração e a implantação de novas ferrovias (Monbeig, 1983).
Na verdade, desde o final do século XIX a construção das três principais ferrovias: a Mogiana, a Paulista e a Sorocabana estava associada ao avanço populacional. No século XX essas ferrovias estenderam seus ramais e implantaram pequenas estradas independentes para atender ao interesse de fazendeiros. No entanto, rumo à conquista do oeste, foram implantadas a Alta Sorocabana (de Avaré, na direção dos rios Paranapanema e Peixe) e a Noroeste (de iniciativa oficial, a partir de Bauru, na direção do Mato Grosso).
A implantação dessas novas ferrovias intensificou o povoamento de suas regiões. Ainda na década de 1910 a Sorocabana prolonga-se até os municípios de Avaré e Presidente Prudente chegando, por volta dos anos 20, nas proximidades do rio Paraná. Ao norte, o povoamento estendia-se até São José do Rio Preto, iniciado a partir de Araraquara com a construção da Estrada de Ferro Araraquara (Monbeig, 1983).
Em 1920, apesar do povoamento ter atingido os pontos anteriormente mencionados (S. José Rio Preto ao norte e Penápolis e Conceição do Monte Alegre, localizados a oeste do Estado), ainda as áreas mais antigas eram as mais dinâmicas quanto ao crescimento de população: Campinas, Ribeirão Preto, e, também, a região de Mogiana, que fazia a ligação com o sul de Minas Gerais. No vale do Paraíba, de um modo geral, o aumento de população foi mais reduzido.
Entre os anos de 1920 e 1940 a população do Estado de São Paulo saltou de 4.592.188 para 7.180.316 habitantes. As principais razões que explicam o dinamismo demográfico nesse período estão associadas: ao grande avanço das frentes pioneiras rumo ao rio Paraná, ao povoamento maciço nas áreas da Noroeste, da Alta Sorocabana e da Alta Paulista (nas áreas próximas a Bauru), ao relativo esvaziamento de população nas regiões de povoamento antigo (algumas áreas próximas a Campinas e na direção do Vale do Paraíba), e pelo início da estruturação da Grande São Paulo, com aumento de população em municípios periféricos. Esboça-se também,
nesse período, o eixo de expansão urbana, que a partir de São Paulo, através de Jundiaí e Campinas, passa por Limeira e Piracicaba, atingindo também Sorocaba (SEADE, 1991).
Se na década de 1920 a continuidade da expansão cafeeira ainda foi responsável pelo avanço na ocupação do território e expansão da fronteira, na década de 1930 as demandas das populações urbanas, em grande expansão, e a indústria estadual nascente sugeriam outros "arranjos" no delineamento das redes urbanas.
Após 1930 a imigração européia reduziu-se sensivelmente ganhando importância as correntes japonesas que se instalaram, sobretudo, na região da Noroeste e na Alta Paulista. Também, a partir de 1934, os migrantes nacionais começam a suplantar os migrantes estrangeiros (SEADE, 1991).
Algumas antigas áreas cafeeiras começam a perder população rural, que migraram para as zonas novas do oeste. Porém os municípios - sede das principais regiões de ocupação tendem a aumentar suas populações e a firmarem-se como centros regionais. Destacam-se nesse caso: Ribeirão Preto, Franca e Araraquara (SEADE, 1991, p. 34).
Nas zonas de povoamento antigo, é possível que a perda de população na zona rural tenha ocorrido em razão de migração para cidades da própria região e mesmo para a cidade de São Paulo. Na década de 1930, os maiores crescimentos da população ocorreram nos municípios de Campinas, Jundiaí, Limeira e Piracicaba (SEADE, 1991).
Ao encerrar-se a década de 1930 também já estava estruturada a aglomeração urbana paulistana com grande crescimento da população da cidade de São Paulo, além do crescimento dos municípios de Santo André e Mogi das Cruzes nas cercanias de São Paulo. Os rumos do processo de desenvolvimento econômico e social, já claramente insinuados a partir da etapa final da economia agrário - exportadora, indicavam que a partir dessa época o processo de industrialização/urbanização seriam os grandes comandantes do dinamismo demográfico.