• Sonuç bulunamadı

2.6. Örgütsel Bağlılığın Sınıflandırılması

2.6.1. Tutumsal Bağlılık Yaklaşımları

Alguns estudos relacionam o fenômeno da violência com a Educação Física Escolar, e os exemplos de fatos ocorridos no interior da escola nos remetem ao pensamento de que tais ocorrências, podem também fazer parte do cotidiano de nossas aulas. Poucos em relação a um assunto de grande visibilidade e ocorrência no universo escolar.

Lippelt (2004), faz um estudo sobre a violência nas aulas de Educação Física em duas escolas públicas do Distrito Federal. Utilizando-se do método de observação e tendo na amostra alunos de 6ª a 8ª séries, o autor relata os tipos de violência ocorridos em ambas escolas (contra o patrimônio, do professor, do aluno, contra o professor, contra o aluno, da escola) e a relação dessas manifestações com as aulas de Educação Física. Constatou-se a verificação de violências físicas, verbais e simbólicas como mais freqüentes e o mascaramento através de atitudes consideradas como brincadeiras, ressaltando ao final o comprometimento não só do professor, mas dele principalmente, no enfrentamento de tais situações.

Vaz et al (2008), trazem uma experiência realizada em uma escola pública onde, por meio do futebol, foi desenvolvida uma sensibilização dos alunos e das alunas para as relações de violência que permeavam suas práticas. Através da observação dos alunos em sala de aula, no recreio e nas aulas de Educação Física, constatam que é nessa última que as práticas de violência, em especial a física e a psicológica, se davam com maior intensidade. Mostram também a dificuldade do professor em traduzir a crítica em prática pedagógica e o quadro de frustração, insegurança e constrangimento, resultando em um chamado pelos autores de vazio pedagógico preenchido por “aulas livres”. Os resultados apontam situações habituais de violência, relacionadas muito à formação dos professores e a falta de legitimidade da disciplina no espaço pedagógico.

Costa (2007), ao pesquisar os episódios de violência na escola e nas aulas de Educação Física, constata a presença de atitudes de discriminação, violência física, verbal e simbólica, além das invasões de elementos de fora da escola, que pulavam os muros para depredar o prédio. Interessante é o fato de que essas práticas de violência, principalmente a verbal, são consideradas normais por

professores e alunos, comuns das atividades e do ambiente das aulas de Educação Física.

Outro estudo que traz considerações válidas é o de Peres (2005), quando relaciona a prática pedagógica do professor de Educação Física com atitudes de violência. Segundo o mesmo, algumas práticas como o tom de voz, ironia, menosprezo, punição, omissão e principalmente a exclusão, foram constatadas como atitudes de violência por parte dos professores. Toda discussão girou em torno da aplicação do esporte como atividade técnica e de exclusão, apresentando algumas reflexões acerca da postura desse profissional.

Filho e Schwartz (2006), trazem uma proposta baseada na aplicação dos jogos cooperativos como colaboradores na formação e inserção de valores positivos nos alunos. De acordo com os autores, a proposta do estudo vem devido o aumento da violência e da agressividade dos alunos nas aulas de Educação Física; acrescido de um exacerbado aumento do individualismo e da competição, o que acabava por contribuir para uma falta de atitudes e condutas de companheirismo e de cooperação.

Oliveira e Votre (2006), trazem uma abordagem sobre o bullying (uma das diversas manifestações de violência) e em seu estudo relatam e analisam alguns casos típicos deste fenômeno, ocorridos com meninas e meninos nas aulas de Educação Física de uma escola pública do Rio de Janeiro; concluindo que esse comportamento está inserido em conjunturas culturais e sociais e que as aulas de Educação Física reproduzem um contexto que os favorece.

Ramos et al investigaram os tipos e as formas mais freqüentes de manifestação de violências ocorridas entre crianças da faixa etária de oito a onze anos, correspondentes à 4ª e 5ª séries, onde observaram o comportamento dos estudantes nas aulas de Educação Física a fim de averiguar e identificar os possíveis focos geradores de agressividade que aconteciam nessas aulas e no ambiente escolar. Através das observações constataram a existência de atos e gestos de violência tais como murros, chutes e xingamentos ocorridos entre algumas crianças; e novamente surge a figura do professor relatando se tratar de atitudes comuns entre eles.

Brito e Simon (2009), apresentam um estudo teórico acerca de algumas transgressões disciplinares identificadas na Educação Física Escolar em especial aquelas relacionadas à disciplina enquanto ferramenta de controle. Na visão dos

autores, as transgressões se dão a partir do momento em que o aluno, durante as aulas de Educação Física, fica submisso ao comando do professor, obediente às regras do esporte e adestrado técnica e fisicamente para jogar. Portanto, o aluno deve ser disciplinado no respeito e não questionamento de uma figura superior representada aqui pelo professor.

Oliveira (2006), durante seus escritos sobre a educação do corpo na escola brasileira, traz um exemplo acontecido em uma aula de Educação Física e que representa bem o intuito deste trabalho na busca de tais manifestações.

Durante uma aula de Educação Física, uma turma de 5ª série realizava um jogo pré-desportivo. Nessa atividade, de cunho competitivo, uma das alunas não conseguiu desempenhar o objetivo proposto de apanhar a bola quando ela foi lançada para seu campo. Essa situação repetiu-se várias vezes e um grupo de alunos passou a hostilizar a menina cobrando dela uma maior eficiência. A provocação intensificou-se e ela foi vigorosamente agredida, com palavras e ameaças. Ao mesmo tempo em que isso ocorria pude notar que os agressores demonstravam uma imensa satisfação perante a humilhação da aluna. Em contrapartida, nenhuma providência foi tomada, nem pela professora, que percebeu a situação mas não interferiu, nem pela aluna, que corporalmente demonstrou uma imensa fragilidade e permaneceu paralisada, sem nenhum tipo de reação diante da ameaça. (p.67)

Fante (2005) também em um estudo sobre o bullying nas escolas, apresenta alguns relatos de casos ocorridos durante as aulas de Educação Física e assim os descreve;

“O aluno Carlos, da 5ª série, foi vítima de alguns colegas por muito tempo, porque não gostava de futebol. Era ridicularizado constantemente, sendo chamado de gay nas aulas de educação física. Isso o ofendia sobremaneira, levando-o a abrigar pensamentos suicidas, mas antes queria encontrar uma arma e matar muitos dentro da escola.”

“Minha vida escolar não é a melhor. Gosto muito dos professores, mas de umas semanas para cá eles andam me difamando, por causa de um trabalho escolar. Estou sendo rejeitada por algumas pessoas da minha classe. Na aula de educação física, dizem que sou baixinha e frágil, então não sirvo para nada [...]” (aluna da 6ª série, 12 anos).

Vale aqui a abertura de um parêntese no intuito de explanar a não abordagem e aprofundamento do fenômeno bullying na escola e nas aulas de Educação Física. Acredita-se que por não dar conta da violência escolar como um todo, este conceito apresenta limitações. É claro que as pesquisas devem ser

consideradas, mas a forma como a temática é abordada acaba deixando de considerar outras práticas, tais como a violência dos adultos, a violência anti- institucional, a violência relacionada ao contexto social o qual os sujeitos estão envolvidos, dentre outras. Por se tratar de um conceito psicologizante, tende a individualizar o problema, responsabilizando apenas o perpetrador e a vítima, sendo retirados do contexto, sem considerar assim o contexto socioeconômico ou da própria instituição.

Diante de alguns relatos e fatos, questionamentos se fazem necessários acerca da relação entre essas manifestações e o ambiente escolar, a freqüência com que ocorrem, a percepção de professores e alunos sobre essas situações, o professor de Educação Física frente às mesmas, e o posicionamento da escola, enquanto instituição, em relação a essas ocorrências.

Detectar tais manifestações que também se apropriam do ambiente das aulas de Educação Física, discorrer e discutir, dentre outras, “se”, “como” e “por que” ocorrem práticas de violência nas escolas do DF, compreender a aula de Educação Física, a figura do professor, a escola e as relações desta com a comunidade como elementos integrantes e intervenientes nessa análise, torna-se de fundamental importância para a construção de estudos teóricos a respeito do assunto, contribuindo para o enriquecimento de uma área pouco comentada por nós professores e tão pouco explorada por pesquisadores; cientes de que o problema aqui não se esgota.

METODOLOGIA

Benzer Belgeler