3.4. Verilerin Analizi
4.1.5. Beşinci Alt Probleme İlişkin Bulgular
Para verificação das manifestações de violência ocorridas nas aulas de Educação Física e como este fenômeno interfere nas mesmas, duas etapas de investigação foram realizadas; de modo a articular vantagens e superar as limitações de cada: a) uma abordagem quantitativa e, b) uma abordagem qualitativa. Tais abordagens são apresentadas simultaneamente na parte de análise dos dados e dos resultados.
O cruzamento entre as abordagens, além de mensurar tais manifestações em sua multiplicidade de formas; apresenta relatos e testemunhos de situações relacionadas ao fenômeno a partir das vozes dos sujeitos que passaram (ou passam) por tais experiências. Além de trazer relatos dos envolvidos, este estudo possibilita compreender a mecânica de construção do fenômeno nas aulas na medida em que mostra as motivações, as causas, os modos como determinados atos e atitudes se entrelaçam, e os efeitos sobre os indivíduos, as relações sociais e o ambiente escolar.
Para tanto foram realizadas observações que possibilitaram um melhor entendimento do ambiente escolar e das aulas de Educação Física, entrevistas com os envolvidos nesse processo e uma busca no caderno de ocorrências diárias da escola sobre práticas que possam ser relevantes ao estudo, assim como a aplicação de questionários e a formação de grupos focais.
A metodologia proposta por Abramovay e Rua (2002) será utilizada como apoio para o delineamento amostral e de investigação em razão de apresentar características similares e atender às expectativas do presente estudo.
a) Delineamento Amostral:
Amostragem não aleatória, dividida em duas etapas: na primeira foi selecionada a escola pública de ensino fundamental da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal pertencente à Regional de Ensino de Santa Maria, e na segunda as séries/turmas. O tamanho da amostra teve como parâmetro a variância do tamanho da(s) escola(s), medida pelo número de alunos.
b) Abordagem quantitativa:
Aplicação de questionário, adaptado de Abramovay (2009), composto por um conjunto de questões destinadas a identificar as características do informante,
seguido de questões envolvendo as manifestações de violência no espaço da escola e da Educação Física. Foram respondentes do mesmo, alunos, professores e equipe de direção.
c) Abordagem qualitativa:
Formação de grupos focais que, segundo Abramovay e Rua (2002), pode oferecer informação ágil, pouco onerosa, em profundidade e com um volume significativo de informação qualitativa fornecida pelos membros de um grupo específico. Com isso, foi observado o processo através do qual os participantes selecionados responderam às questões da pesquisa, sendo os dados teoricamente interpretados.
Neto, Moreira e Sucena (2002), definem Grupo Focal como;
“uma técnica de Pesquisa na qual o Pesquisador reúne, num mesmo local e durante um certo período, uma determinada quantidade de pessoas que fazem parte do público-alvo de suas investigações, tendo como objetivo coletar, a partir do diálogo e do debate com e entre eles, informações acerca de um tema específico” (p.05)
A interação entre os participantes e o pesquisador, objetivando colher dados a partir da discussão focada em tópicos específicos e diretivos, é a essência do grupo focal. Pode ser utilizado como forma de reunir informações necessárias para a tomada de decisão; como promotores da auto-reflexão e da transformação social e como uma técnica para a exploração de um tema pouco conhecido, visando o delineamento de pesquisas futuras.
Seu manejo requer a seleção aleatória dos membros, alunos, professores, equipe de direção e policiais; controlando alguns denominadores comuns como sexo e idade dos participantes, formando grupos que permitam obter uma maior pluralidade de opiniões. Este instrumento é freqüentemente usado pelas Ciências Sociais para buscar uma resposta aos “porquês” e “como” dos comportamentos.
As análises foram realizadas de modo a traçar um paralelo entre as observações, os depoimentos obtidos nos grupos focais e os dados obtidos pelo questionário, assim como os registros dos cadernos de ocorrências; buscando verificar a relação entre as práticas de violência e sua percepção através dos envolvidos.
3.1 O Campo de Pesquisa: Histórico da Cidade Satélite de Santa Maria e a Instituição Educacional
A cidade de Santa Maria surgiu no cenário do Distrito Federal com uma população oriunda de invasões, fundo de quintais e migrações das diversas áreas do entorno, sendo por isso, caracterizada como uma comunidade transplantada. Constituída na sua maioria por famílias de prole numerosa, apresenta razoável percentual de fragmentação, com um grau de instrução que varia entre o não alfabetizado e o 1º grau incompleto. Trata-se de uma comunidade, raras exceções, de baixo nível sócio-econômico que demonstra um universo cultural bastante diferenciado.
Fundada em 1999, a escola pesquisada atende a alunos de 5ª a 8ª série nos turnos matutino e vespertino, além de uma classe de ensino especial.
Neste panorama surge a necessidade de um posicionamento da escola, enquanto responsável pela articulação entre os diversos segmentos, para que estes possam estabelecer uma crítica construtiva da sociedade, possibilitando uma ação constante e eficaz destes ante o cenário sócio-político-econômico e cultural, levando-se em conta o seu papel de formadora de opinião, voltada para a qualidade, eficiência e a eficácia.
No contexto sócio-cultural e econômico a escola observou que a desqualificação profissional derivada da escolaridade insuficiente, alia-se às dificuldades enfrentadas por toda comunidade de periferia, como por exemplo: escassez de recursos para a manutenção da saúde, segurança, transporte, lazer, educação, alimentação e outros, gerando uma inconformidade que se manifesta mascarada pelo alcoolismo, prostituição, vandalismo, que contribuem para o elevado grau de violência no seio da própria comunidade que se vê vitimada por esta explosão de inconformismo mal canalizado.
Durantes os anos constataram que a escola está situada em área de difícil acesso, enfrentando problemas dos mais variados, relacionados à violência urbana, além de freqüência irregular dos alunos, gravidez precoce, violência doméstica, alcoolismo, uso indevido de drogas, ausência de acompanhamento da família, despreparo de alguns profissionais para lidar com tais problemas, e outros, comuns a escolas de periferia.
Estando a escola imersa nesta realidade, verificaram a necessidade de um projeto que de forma participativa, responsável, compromissada e coerente, contemplasse os anseios desta comunidade, na busca de alternativas para valorização do potencial humano.
Sendo assim tal instituição tem por objetivo instruir a criança e o adolescente para utilizar as diferentes linguagens - verbal, matemática, gráfica, plástica e corporal - como meios para compreender o ambiente natural e social, o sistema político, as diferentes tecnologias, as artes e os valores em que se fundamentam a nossa sociedade, expressar e comunicar suas idéias e usufruir das produções culturais; assim como promover e incentivar as condições básicas para que possam assegurar ao aluno o acesso, a permanência e o êxito na escola, visando sua preparação e qualificação para o trabalho.
A escola apresenta como metas o trabalho com as diversidades e especificidades de cada indivíduo sem distinção de credo, raça e cor; a promoção de ações de conscientização para toda a comunidade escolar, a fim de abolir qualquer atitude discriminatória e preconceituosa; e o trabalho com ações que busquem diminuir a violência e o vandalismo advindos de grupos formados por gangues e pichadores hoje tão comuns nos estabelecimentos de ensino.
RESULTADOS