• Sonuç bulunamadı

II. KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.12. Tutum ve Öz Yeterlik Hakkında Yapılan Çalışmalar

Samuel de Souza Santos, durante 30 anos, narrou futebol em diversas rádios. Assim como Pedro Carneiro Pereira, Armindo Antônio Ranzolin e Mendes Ribeiro, Santos também ingressou na vida profissional jurídica, em meio às funções que exerceu no rádio. Natural de Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, começou a carreira de jornalista atuando como repórter policial no jornal A Razão, nos anos 1960. Mas logo veio a primeira oportunidade no rádio. Aos 16 anos, iniciou na Rádio Guaratã, mas a grande chance no esporte, que era o que Santos98 (2006) desejava, veio em seguida, quando conheceu o radialista Paulo Flores, que, segundo ele, foi sua primeira influência na narração.

[...] já havia trabalhado aqui em Porto Alegre, na Rádio Guaíba. Ainda é vivo e está com noventa e poucos anos. Mas era um profissional que narrava ao estilo bem do surgimento do rádio esportivo, né, porque nós tivemos uma grande influência do rádio rio-platense, ou seja, Uruguai e Argentina, mais Uruguai. O estilo de narração, é uma narração mais, digamos assim, vou te dar uma noção de expressões próprias desta região do Pampa Gaúcho, mas, que serviam muito para a ideia que se queria transmitir daquilo que estava acontecendo numa determinada jogada. Tu estás narrando o jogo, e, ao invés de dizer “o Fulano está a tantos metros do gol”, ou a tal distância, tem uma “estância” pela frente. Uma “estância” é própria da geografia, da economia do Rio Grande e dessa região (SANTOS, 2015).

Além de Paulo Flores, Samuel de Souza Santos cita outras influências que foram importantes para o desenvolvimento da sua narração.

Muito bem, depois desse período, eu lembro que não era fácil, tu tinhas que fazer treinamentos de narração. O que é que eu fazia? Eu tinha um LP, um

long play, com a narração de jogos da Seleção Brasileira da década de 60,

50, 60, mais ou menos. Tinha um narrador aqui no Rio Grande que era o Euclides Prado. E Prado tinha alguns jogos que ele gravou e gravaram em um tipo de LP. E eu ouvia muito para ver qual é que era o estilo e tal, e, paralelamente tinha um outro que era com narradores de São Paulo, Pedro Luiz, Edson Leite, então, o que é que eu fazia? Eu ouvia, mas eu precisava ver o jogo no estádio, no campo. Então eu pegava uns 30 metros de fio e o gravador “geloso”, tu nem conhecestes, mas era um gravador italiano que havia aqui, “geloso”, chamava-se, todos tinham, tudo o que era rádio tinha

que ter. Era um aparelho pequeninho, com fita, e eu levava para o campo do Riograndense de Santa Maria, e narrava os treinos do Riograndense. Mas só que, alguns jogadores tinham camisa, outros sem camisa, e nenhuma das camisas tinha número, então, eu tinha que adivinhar que era quem que estava ali, para tentar uma narração mais correta (SANTOS, 2015).

A história de Samuel de Souza Santos em Porto Alegre começou na Rádio Difusora (atual Bandeirantes), conforme relata em entrevista ao Projeto Vozes do Rádio99. Segundo conta, a sua trajetória em Porto Alegre teve início em meados do ano de 1968. Pela Difusora, Santos desenvolveu-se ao ponto de, rapidamente, narrar Gre-Nais, o que logo chamou a atenção de outras emissoras.

Quando vim para Porto Alegre, eu já estava narrando em Santa Maria, em 67, 68. Eu tive uma passagem depois, rapidamente, aqui em Porto Alegre, não na Gaúcha. Antes dessa inauguração, eu tinha vindo aqui para esta Rádio Difusora, que depois dá origem à BAND. Mas fiquei um ano e pouco e voltei para Santa Maria, porque inaugurou o sistema de comunicação de rádio da universidade e, como eu já havia trabalhado com o reitor Mariano da Rocha, mais na área de assessoria, então eles me convidaram para integrar a equipe da rádio, junto de uma outra emissora que era a Imembuí. Eu voltei a Santa Maria, inaugurou-se a TV, eu fui para a inauguração da TV e lá, o Maurício então fez esse convite. Passou um ano e pouco, 70, eu vim para Porto Alegre, final dos anos 70. Aqui, em Porto Alegre, então já trabalhava em vários setores da Gaúcha, uma emissora muito dinâmica. Então, fazia um pouco de cada coisa, locução comercial, apresentação de programas e tal, e narração. E a Gaúcha, que tinha parado um período, anos anteriores de ter uma equipe de esportes, retomava a equipe esportiva. E eu permaneci na Gaúcha, integrando a equipe que ali estava. O Ary dos Santos era o nosso diretor de esportes, e aí que surge o Paulo Sant'Ana, e companheiros “glamourosos” da reportagem, principalmente (SANTOS, 2015)

Em 1973, Samuel de Souza Santos já atuava na Rádio Gaúcha. Participou de uma grande cobertura acompanhando a Seleção Brasileira entre diferentes países da Europa.

Nós ficamos quase três meses fora do país. Começamos na África do norte, em Argel, Tunísia, passamos pela Itália, para tu teres uma ideia, fizemos Alemanha, Áustria, Rússia, né, Moscou, depois passou para a Escandinávia, voltamos à Suécia e a excursão acabou em Glasgow, na Escócia. Foi uma coisa fantástica. Nem a Seleção Brasileira, e nem há mais condição de fazer uma cobertura dessa. Eu e o Sant'Ana. O Sant'Ana era o meu comentarista naquela oportunidade, sem repórter. A gente fazia as vezes, entrevistava, era aquela criatividade (SANTOS, 2015).

Ainda em 73, o locutor foi contratado por Armindo Antônio Ranzolin para fazer parte da Rádio Guaíba, justamente no ano em que Pedro Carneiro Pereira faleceu em

Tarumã. Pedro Carneiro foi para Samuel de Souza Santos a grande referência na narração de futebol, como ele relata:

O Pedro, ele era divertido, era um cavalheiro, era um homem de publicidade [...] também era advogado e era um baita amigão, uma pessoa alegre, brincava bastante, solidário e de uma correção profissional exemplar, tinha um cuidado muito grande com o português, tinha um português corretíssimo. Aliás na Guaíba não se permitia um português pobre, não se usava gíria. Eu me lembro que quando nós tínhamos alguma dúvida conversávamos muito, chamávamos o professor Celso Pedro Luft que hoje tem um dicionário. E o Luft ia nos tirar dúvidas. Então havia esse cuidado com o que você dizia, a Guaíba tinha este cuidado, a Gaúcha por consequência fazia o mesmo porque do outro lado a concorrência era muito forte (SANTOS, 2015).

No dia da morte de Pedro Carneiro Pereira em Tarumã, Samuel de Souza Santos substituiu o narrador Luiz Carlos Prates, que, sem condições de transmitir o restante da fatídica jornada esportiva de 21 de outubro de 1973, decidiu não narrar o duelo entre Internacional e São Paulo, no Beira-Rio, a exemplo da atitude de Armindo Antônio Ranzolin, pela Guaíba. Santos conta que, algum tempo mais tarde, recebeu em casa uma visita que mudaria os rumos de sua trajetória profissional.

Passados alguns dias, alguns meses, eu recebi em casa a visita do Antônio Britto, que era nosso colega, repórter, já da Caldas Júnior. E me convidando para ir até a Caldas Júnior, porque o pessoal queria que eu passasse a integrar a equipe, que era a intenção deles. Mas antes, queriam saber se eu aceitava e tal. Aí, fui lá para a Guaíba e conversei com o Francisco Antônio, doutor Breno, e tudo mais, e aceitei a minha ida para a Guaíba. Então, assim que fiquei na Guaíba 17 anos, ou, talvez, um pouco mais (SANTOS, 2015)

Samuel de Souza Santos enfrentou um período difícil na Rádio Guaíba, principalmente, quando a emissora passou por diversas dificuldades financeiras. Em 1986, o empresário do setor agroindustrial Renato Bastos Ribeiro assumiu todas as dívidas, impedindo leilão dos prédios da Caldas Júnior. A cobertura mais importante da carreira de Samuel de Souza Santos, foi da Copa do Mundo de 1986. Enquanto os jogos da Seleção Brasileira eram transmitidos por Milton Jung, Santos narrava outros duelos importantes. Um deles, que Santos considera o mais importante e mais emocionante de sua carreira, foi a vitória da Argentina, de Maradona, contra a Inglaterra, por 2 a 1, quartas de final, no dia 22 de junho de 1986, no Estádio Azteca, na Cidade do México. Naquele jogo, Maradona foi o principal protagonista. Em um

dos gols que marcou, que ficou conhecido como “La Mano de Dios”, admitiu, em 2005,

no seu programa de televisão La Noche del 10100, que tocou com a mão na bola.

Figura 15 – Samuel de Souza Santos (1983)

Fonte: Rádio Guaíba AM101. Grêmio campeão da América rumo a Tóquio. Porto Alegre, 1983.

Encarte do LP.

Além disso, Maradona ainda marcou um gol antológico, quando avançou desde a intermediária, passando por vários adversários ingleses, até marcar um dos mais conhecidos gols da história de futebol mundial. Samuel de Souza Santos se orgulha de ter sido testemunha e, além disso, de ter narrado aquele jogo. Foi um momento também de tensão, pois, justamente entre os dois países, havia um clima tenso e de conflito, em função do evento que ficou conhecido como a Guerra das Malvinas102.

Bom, um grande jogo que me causou uma emoção muito forte, não foi nem um jogo de clubes nossos aqui, foi na Copa do México, em que, a Argentina venceu a Inglaterra. O gol do Maradona foi uma coisa assim extraordinária. Esse momento me marcou muito, porque a gente tinha convivido, esporadicamente, com o Maradona. E não só eu, mas alguns amigos mais próximos ali, e sabíamos o quanto tinha representado para a Argentina a

100 La Noche del 10 foi um programa de televisão argentino, comandado por Maradona, no canal Treze

de Buenos Aires, que foi ao ar em 2005. Chegou a registrar picos de 40 pontos de audiência. Maradona recebia e entrevistava, informalmente, personalidades não necessariamente ligadas ao futebol. Em uma das edições, além de conversar, “bateu bola” no palco do programa com Edson Arantes do Nascimento, Pelé.

101 Acervo de Ferraretto (2005). Ver: http://www.radionors.jor.br/2014/05/armindo-antonio-ranzolin-e-o-

futebol.html.

102“Guerra das Malvinas (em espanhol Guerra de las Malvinas; em inglês Falklands Conflict) foi um

conflito travado entre Argentina e Reino Unido pela posse das Ilhas Malvinas, e que ocorreu de abril a junho de 1982, terminando com a vitória dos britânicos, que reafirmaram sua soberania sobre o pequeno conjunto de 778 ilhas localizado no Atlântico Sul, a 463 km da costa argentina”. Texto completo em: http://www.infoescola.com/historia/guerra-das-malvinas/.

Guerra das Malvinas. E nessa partida, eles jogaram muito isso aí. O orgulho e a situação vivenciada. Foi um momento extraordinário (SANTOS, 2015).

Ainda em 1986, Samuel de Souza Santos dá preferência ao Direito e deixa a Rádio Guaíba. Nos anos 1990, o narrador retorna aos microfones pela Bandeirantes onde forma uma equipe ao lado de profissionais como o locutor Mário Lima (atual Rádio Guaíba).

Aí, fui para a Bandeirantes, também a pedido de um colega, o Paulo Solano, para organizar a equipe de esportes da Bandeirantes. Fizemos isso, o jornalismo, a equipe de esportes, mas, um dia, eu já achei que estava cansado, estressado fazendo as duas coisas, e digo, não, vou parar um pouco, vou parar com a atividade no rádio e vou me dedicar aqui, algum período, à advocacia, que estava me exigindo muito, porque eu tinha que ficar pedindo gentilezas para os juízes para adiar audiências (SOUZA, 2015).

Atualmente, Samuel de Souza Santos integra o quadro da Rádio Galera da WEB, emissora que transmite pela internet jogos de Grêmio, Internacional, além de jogos de clubes da região metropolitana de Porto Alegre, tais como Cruzeiro, de Cachoeirinha e Cerâmica, de Gravataí. E ao mesmo tempo que Santos narra ao lado de jovens profissionais e estudantes de jornalismo, trabalha também na companhia de cronistas experientes como João Garcia, que foi repórter da Rádio Gaúcha nos anos 70 e comentarista esportivo de emissora de Porto Alegre como Band e Guaíba. A Rádio Galera WEB possui como slogan a frase “a rádio do futuro, hoje” e, apresenta uma programação de 24 horas, com ênfase, principalmente, em debates. O embrião da Rádio Galera surgiu em 2011, quando os radialistas Rodrigo Aliardi e Eduardo Souza formaram a WEB RS, com o intuito de transmitir jogos de futebol de base e do Cruzeiro de Cachoeirinha, que, na época, ainda possuía sua sede na zona norte de Porto Alegre.

Conforme conta Aliardi (2015), percebeu-se um “vácuo” deixado por outra emissora de web, a WRI, coordenada pelo radialista Mauricio Freitas e que, nessa época, era repórter da Rádio Guaíba.

Começamos a fazer jogos do Cruzeiro, do São José103, e às vezes, o

Cerâmica104. Passou um tempo, aconteceram algumas divergências, acabei

criando a Rádio Galera, e convidei o Jairo Kuba. Aí foi criada a Galera, por mim, mas com apoio muito grande do Jairo Kuba. E nessa nova fase da Galera, eu procurava uma coisa mais popular, mais próxima das pessoas. A

103 O São José é um clube que se situa na zona norte de Porto Alegre.

Web RS era muito distante. Até o próprio nome era complicado, muito ligado com a web. E a gente queria uma coisa mais descolada. A gente se orgulha de ser web, mas, queria uma coisa mais descolada, para fazer essa transição, que é uma transição que vai acontecer. A gente já tinha uma ideia, de que será na próxima década. Nós começamos fazendo eventos e festas. E aí surgiu a ideia de fazer jogos mais seguidos, mas não só do São José e Cruzeiro. Começamos a fazer categorias de base. Depois de uma insistência do Jairo Kuba, também resolvemos fazer profissional. E a coisa foi pegando, fomos conhecendo pessoas, gente que ia saindo das escolas de radialistas, jornalistas, pessoas que estavam fora do mercado, que queriam começar, todo mundo com algum interesse. Então nos reunimos em torno de uma ideia, e começamos a transmitir de uma forma mais profissional, nos últimos dois anos, principalmente, adquirindo equipamentos de qualidade, investindo em transmissão de qualidade, fazendo viagens (ALIARDI, 2015).

Figura 16 – Santos em ação pela Rádio Galera WEB

Fonte: SANTOS (2015)

Conforme Rodrigo Aliardi, em 2015, a Rádio Galera “transmitiu mais jogos da dupla Gre-Nal fora do Rio Grande do Sul, do que, pelo menos, uma grande rádio de Porto Alegre, das quatro grandes, para se ter uma ideia” (ALIARDI, 2015). Segundo um dos idealizadores da Rádio Galera Web, a emissora trabalha em um sistema cooperativo, isto é, “tudo que entra na forma de patrocínios é reinvestido na rádio, e fazemos questão de que seja assim. É uma metodologia um pouco diferente das convencionais. Até aqui tem dado certo” (ALIARDI, 2015). De acordo com o radialista, umas das mais importantes ações que a Rádio Galera está promovendo, é o contato de jovens com o universo prático do jornalismo esportivo:

As pessoas têm consciência disso e, é claro, amanhã ou depois, quando o bolo for maior, as fatias também vão ser cortadas, e cada um terá sua parte, mas a gente acredita muito no projeto, porque ela é quase como uma escola de rádio. Quanto sai para tu fazer um jogo no Beira Rio, do Inter, na

Libertadores? Onde que um aluno da Famecos, da Unisinos, ou da Fabico poderia fazer isso? Ou um aluno da Feplam, da Oscip, a antiga Landell de Moura, não pode, não faz. Nem sendo estagiário de rádios grandes. O valor que tem é muito grande. As pessoas podem fazer jogos de Libertadores. As pessoas podem ir no Morumbi, fazer jogo de Seleção, como nós fizemos, há poucos dias, México e Brasil. É uma coisa muito forte isso, porque é algo do faça você mesmo. Não preciso me formar ou arrumar uma vaga na Gaúcha, eu mesmo pego, me organizo e vou lá.

Só deixar bem claro, que gostamos, temos orgulho do tratamento como web, mas é bom lembrar que não é uma rádio aos moldes da maioria das rádios web que têm. A grande maioria, inclusive São Paulo e Rio de Janeiro, têm dificuldade em entender web, porque, ou é de clube, ou de pessoa isolada, que faz um jogo ou outro, sem interesse mais profissional. Nós fazemos algo bastante profissional, dentro das nossas possibilidades, embora todo mundo tenha outra profissão, até por questão financeira. Vem dando certo nos últimos tempos e temos planos grandiosos. Existe um grande grupo e sempre tem alguém que possa fazer futebol. Não abrimos mão das categorias de base. Nos dá cancha. E somos indagados por muita gente de grandes rádios que nos perguntam sobre jogadores, inclusive dirigentes da dupla Grenal (ALIARDI, 2015).

Na grade de programas da Galera, também há espaços musicais, contemplando diferentes gêneros. A Rádio Galera Web é composta por um misto de jovens com experientes profissionais, tais como o narrador Samuel de Souza Santos, e o comentarista João Garcia.

O Samuel é um amigo meu e conheço ele de outras agremiações. O convidei para comentar um ou outro jogo, e ele estava totalmente aposentado disso. E ele retomou o gosto e recomeçou a narrar. Já está com 73 anos e está narrando direto. O João Garcia, a gente convidou, ele estava fora, saiu da Band, e agora tem feito alguns jogos, e a nossa ideia é que ele participe mais. O que importa mesmo é a participação deles, porque agregam experiência (ALIARDI, 2015).

Em relação ao rádio “tradicional”, Samuel de Souza Santos sente que tem mais “liberdade” para se expressar. Segundo ele, é permitida uma linguagem muito mais informal do que aquela em que se formou, principalmente entre as décadas de 1970 e 1980. Mesmo assim, Samuel acredita que ainda mantém, praticamente, o mesmo estilo de narração que construiu ao longo do tempo, por exemplo, o uso de efeitos sonoros.

Não, te confesso que não. Isso não. Mas não tenho nada contra, mas não ouço, por exemplo. Prefiro uma jornada mais limpa. Acho que polui muito, cheio de reverberações. Não precisa disso, você tem um estilo de narração, vai contar o jogo, tem que ter um som, claro. Eu digo, a jogada é esta e você está ouvindo exatamente como eu estou dizendo. Eu acho o seguinte, tu tens que saber improvisar, qualquer circunstância. Tu estás narrando um jogo e tu estás sentindo aquilo que tu queres transmitir. Tu tens que saber dizer aquilo

que tu estás pensando, com a emoção. Essa emoção, tu tens que saber transmitir. Agora, tu vais para uma jornada, e não precisas fazer muito discurso. Antes até havia isso, né, digamos, antes da década do Pedro, ao início do nosso ali. Até ali, faziam grandes eloquências, verdadeiros discursos, “aqui, nesta tarde...”, era uma poesia (SANTOS, 2015).

Em função de novos compromissos particulares, Samuel de Souza Santos diminuiu a intensidade de narrações, nos últimos tempos, pela Rádio Galera, apesar de, nos bastidores, ainda cumprir um importante papel no desenvolvimento e na organização da rádio, que segue cobrindo Grêmio e Internacional, além de outros campeonatos que não possuem espaço nas rádios tradicionais, com, por exemplo, torneios de categorias de base. No capítulo 5, serão analisados trechos do clássico Gre-Nal que decidiu o Campeonato Gaúcho de 2015, com a vitória do Inter por 2 a 1, contra o Grêmio, e da transmissão de Bolívar e Grêmio, em 1983, pela Copa Libertadores da América.

Samuel de Souza Santos encerra este capítulo, Os Narradores Paradigmáticos, que, desde os anos 1950, passando por Mendes Ribeiro, depois Pedro Carneiro Pereira, Milton Jung, Armindo Antônio Ranzolin e Haroldo de Souza, contou a história de personagens que, da influência de uma narração puramente descritiva, dos primórdios do rádio de Porto Alegre, foram inserindo, cada um deles, gradualmente, experimentações, características novas, e, principalmente, muita emoção nas transmissões, tudo isso aliado ao desenvolvimento tecnológico e a consequente popularização do rádio, como se mostrou. O próximo capítulo contará a história dos narradores que, dos anos 1980 até à atualidade, se inspiraram nos personagens do passado e que estão dando continuidade à trajetória da narração de futebol no rádio de Porto Alegre.

Como se percebe, neste momento em que se avança dos Narradores

Paradigmáticos para os Narradores Contemporâneos, já está estabelecida uma

Benzer Belgeler