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O objetivo de um plano de fechamento de mina deve ser o de reabilitar a área afetada pela mineração, de tal forma que ela possa ser novamente disponibilizada, em bom estado, à sociedade e à comunidade circunvizinha. O quadro 2.2 mostra os objetivos gerais de um plano de fechamento de mina. Alguns dos padrões de desempenho de um plano de fechamento de mina incluem: reabilitação do contorno da área degradada; estabilização das áreas superficiais para controle da poluição do ar e da água; regularização do balanço hidrológico na qualidade e quantidade da água superficial e nos sistemas subterrâneos; proteção das áreas circunvizinhas de deslizamentos ou danos. Além disso, segundo IIED (2002), o plano de fechamento de mina deve ser parte do projeto integral de ciclo da vida útil da mina e deve prever métodos e medidas que visem a assegurar que:

 A segurança e saúde pública não sejam comprometidas em curto, médio e longo prazo.

 Os recursos ambientais não estejam submetidos à deterioração física e química.  A área, ao final da mineração, tenha uso benéfico e sustentável por longo período

de tempo.

 Impactos socioeconômicos e culturais adversos sejam minimizados.  Todos os benefícios socioeconômicos sejam maximizados.

13 Critérios Objetivos do Fechamento

Estabilidade física • Todas as estruturas antropogênicas remanescentes são fisicamente estáveis, sustentáveis e seguras com relação à erosão, e não impõe riscos para a saúde pública por longo período.

• As estruturas estão desempenhando as funções para as quais foram projetadas. Estabilidade química • Todas as estruturas antropogênicas remanescentes são quimicamente estáveis

e não impõem riscos para a saúde pública ou ambiental em todas as fases do seu ciclo de vida.

• O fechamento é adequado às exigências específicas do local em termos da qualidade das águas superficiais, das águas subterrâneas e dos solos.

Estabilidade biológica • O ambiente biológico

a) é restaurado em um ecossistema equilibrado e natural, típico da região, ou b) é deixado em um estado tal que incentiva e possibilita a reabilitação natural

da diversidade biológica, ambientalmente estável. Influências climáticas

e geográficas • O fechamento é adequado à demanda e especificações locais da região em termos de clima (por exemplo, chuvas, tempestades, extremos sazonais) e fatores geográficos (por exemplo, proximidade da comunidade, topografia, acessibilidade da mina)

Estética e uso do solo • A reabilitação é tal que o uso final do solo é otimizado.

• As oportunidades de fechamento são otimizadas em termos de recuperação do solo e as atualizações do uso do solo são consideradas sempre adequadas e/ou economicamente viáveis.

• O fechamento permite o uso produtivo e econômico do solo pós-lavra, seguindo os princípios do desenvolvimento sustentável.

Recursos Naturais • O fechamento visa a garantir a quantidade e a qualidade dos recursos naturais da região.

Considerações

financeiras • Os fundos disponíveis são adequados e apropriados para garantir o fechamento. Questões

socioeconômicas • Os impactos negativos socioeconômicos são minimizados. • Os desejos da comunidade local são levados em consideração na medida do possível.

Quadro 2.2 – Exemplos de objetivos gerais para as atividades de fechamento de mina. Fonte: (BRODIE et al., 1992; MMSD, 2002a; EC, 2004; ROBERTSON; SHAW, 2004) Planos de fechamento, especialmente aqueles elaborados na fase de licenciamento de um projeto de mineração, devem ser revistos periodicamente, de modo a atender a evolução e as modificações de um projeto. Esses planos devem ser suficientemente flexíveis para levar em conta as mudanças nas características do minério, as novas tecnologias e as alterações nos padrões estabelecidos pela legislação ambiental (BITAR, 1997).

O Brasil possui uma legislação específica quanto ao fechamento de mina (NRM 20 – Plano de Fechamento de Mina), que está inserida entre as normas estabelecidas pelo DNPM (Portaria nº 237 de 18/10/2001, alterada pela Portaria nº12 de 22/01/2002 – Normas Reguladoras de Mineração – NRM do DNPM – MME). A portaria Brasil (2001) “estabelece procedimentos administrativos e operacionais em caso de fechamento de mina (cessação definitiva das operações mineiras), suspensão (cessação temporária) e retomada

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de operações mineiras, estabelecendo, inclusive que tais hipóteses dependem de prévia comunicação e autorização ao DNPM, devendo o titular da concessão de lavra (minerador) apresentar requerimento justificativo, devidamente acompanhado dos diversos documentos que formam o plano de fechamento ou de suspensão da mina”.

De acordo com Brasil (2001), o Plano de Fechamento de Mina deve estar contemplado no Plano de Aproveitamento Econômico da Jazida – PAE, sendo que o DNPM poderá exigir sua apresentação, na hipótese de a mina não possuir o plano de fechamento. Esse deverá ser atualizado periodicamente e deverá estar disponível na mina para fiscalização.

O plano de fechamento exigido pelo DNPM prevê que as etapas de desativação e de fechamento de mina devem ser consideradas desde o início do projeto de implantação, permitindo uma constante atualização e flexibilidade, desde que não se modifique a solução previamente aprovada pelo órgão ambiental competente para a recuperação da área degradada pela mineração, fato previsto no EIA/RIMA.

De acordo com ICMM (2008), existem três etapas básicas para se desenvolver um plano de fechamento de mina efetivo. Se o planejamento para o fechamento fizer parte da filosofia de operação de uma mina, as etapas podem combinar umas com as outras, ao longo do tempo, em vez de se tornarem estágios distintos. A primeira etapa é a concepção de um resultado alvo de fechamento e objetivos, onde tais objetivos são explicados em um plano de fechamento conceitual. Esse plano é desenvolvido e usado durante a exploração, a pré- viabilidade, a viabilidade/projeto e a implantação, visando-se a guiar a direção das atividades. A sua vida útil pode ser de três a cinco anos.

A segunda etapa envolve o desenvolvimento e a implantação de um plano de fechamento detalhado, que aumenta o entendimento e detalha os objetivos e marcos específicos, assim como as ações e os resultados a serem alcançados. Esse plano é utilizado continuamente durante as operações e sua vida útil pode variar de cinco a trinta anos, ou mais, sendo atualizado durante esse tempo. Há possibilidade de mudança das expectativas da comunidade e dos outros interessados diretos durante esse tempo. Também existe a possibilidade de o plano da mina mudar, afetando as operações e a vida da instalação. Se forem bem definidos no início, os objetivos específicos podem não mudar muito durante a

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vida da operação, mas é provável que o plano de fechamento detalhado evolua de acordo com as variações das circunstâncias. Cabe salientar que o plano de fechamento detalhado é, efetivamente, um plano de fechamento conceitual amplamente detalhado com as informações operacionais servindo para atualizá-lo de modo contínuo. Alguns elementos do plano de fechamento precisarão progredir mais rapidamente do que outros, de maneira a se reduzirem efetivamente os riscos.

A última etapa é a transição efetiva para o fechamento, que pode se manifestar como um plano de desativação e pós-fechamento. Sua vida útil pode ser curta, com um ou dois anos. Porém, dependendo das responsabilidades do pós-fechamento, pode-se estender vários anos além desse tempo. O sucesso de um fechamento de mina depende da definição, da revisão e da validação contínua do plano de fechamento e, finalmente, da conquista dos objetivos alinhados com os requisitos da empresa e dos interessados diretos. Recomenda-se que o risco residual para a empresa seja mínimo e que a comunidade perceba os benefícios os quais continuarão a existir, mesmo sem novas contribuições da empresa (ICMM, 2008).