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Avaliação dos impactos ambientais e o gerenciamento de riscos constituem uma parte essencial no processo de planejamento do fechamento de mina e do ciclo de vida das operações mineiras. As avaliações são feitas em várias etapas ao longo da vida de uma mina, por exemplo, no planejamento das operações e na preparação de um fechamento de mina. O objetivo das avaliações é minimizar as ameaças e maximizar os benefícios para o ambiente e para os seres humanos através de uma variedade de medidas de gerenciamento de riscos (HEIKKINEN et al, 2008).

Do estudo de viabilidade ao fechamento de uma mina, o processo de gestão de riscos possibilita a identificação de perigos e de situações críticas que possam acarretar acidentes ou perdas e/ou maximizar as oportunidades de ganho para a empresa, para a comunidade e para o ambiente. No fechamento de mina, embora os riscos ambientais sejam muito importantes, outras questões, tais como segurança, relações com a comunidade local, legal, fiscal e fatores tecnológicos precisam ser levados em consideração (LAURENCE, 2001a). Diversos autores abordam a gestão de riscos no fechamento de mina e defendem que os riscos de fechamento precisam ser identificados e monitorados durante toda a vida útil da mina e até mesmo por um período pós-fechamento. Diante disso, pode-se observar que diferentes mecanismos de gestão de riscos para o planejamento de fechamento de mina são apresentados pelos autores.

Robertson e Shaw (2003) defendem a ideia de que durante o desenvolvimento de um projeto de mina, este deverá passar continuamente por um processo de avaliação de riscos. A avaliação de riscos é feita com o sentido de se verificar se tal projeto está atendendo seus requisitos operacionais. Quando uma operação, em sua fase de desenvolvimento atual, apresentar riscos significativos que não atendam aos objetivos do projeto, esse deverá ser modificado até que suas características de desempenho estejam adequadas. Neste sentido, os autores propõem a técnica FMEA para gerenciamento desses riscos (figura 4.1) e,

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também, defendem que a análise dos riscos relacionados ao fechamento de mina e o plano de gestão de riscos devam ser elaborados quando do projeto inicial. Posteriormente, o plano de gestão de riscos deve ser atualizado sempre que necessário.

Figura 4.1 – Plano e projeto de desenvolvimento cíclico nas diferentes fases da vida de uma mina. Fonte: Robertson e Shaw (2003).

A técnica FMEA é utilizada para identificar as formas em que os componentes, os sistemas ou os processos podem falhar em atender os objetivos de um projeto. A FMEA procura identificar todos os modos de falha potenciais das várias partes de um sistema e os efeitos que essas falhas podem ter no sistema. Essa técnica procura também identificar as medidas

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para se evitar as falhas e/ou se mitigar seus efeitos no sistema. Assim, de acordo com a ABNT NBR ISO 31010:2012, a técnica FMEA pode ser utilizada para:

 Auxiliar na seleção de alternativas de projeto com elevada garantia de funcionamento.

 Assegurar que todos os modos de falha de sistemas e processos, bem como seus efeitos no sucesso operacional sejam considerados.

 Identificar os modos e os efeitos de erros humanos.

 Fornecer uma base para o planejamento de testes e para a manutenção de sistemas físicos.

 Melhorar o projeto de procedimentos e processos.

 Fornecer informações qualitativas ou quantitativas para técnicas de análise, como análise de árvore de falhas em um nível qualitativo ou quantitativo.

O Conselho Internacional de Mineração e Metais - ICMM apresentou, em 2008, um kit com treze ferramentas, tendo como objetivo promover uma abordagem mais disciplinada para o planejamento do fechamento integrado de mina e aumentar a uniformidade das boas práticas em todo o setor mineral. Além disso, esse kit de ferramentas foi desenvolvido para ajudar os gerentes de minas e seus grupos de apoio a tomarem decisões balizadas e suportadas em análise holística dos aspectos do fechamento. As ferramentas se constituem em orientações dadas no sentido de conduzir o comprometimento da comunidade, de efetivar um planejamento antecipado de fechamento com implantação operacional progressiva e de implementar um enfoque multifuncional para a obtenção de estratégias efetivas de pós-fechamento/transferência de custódia. Nesse kit, a ferramenta 4 sugere a incorporação de um processo de avaliação de riscos/oportunidades, tendo como base a norma de gestão de riscos desenvolvida do Conselho de Normalização da Austrália e Nova Zelândia (AS/NZC 4360:2004 Risk Management). Nessa norma, é sugerido que as empresas de mineração implementem um processo de avaliação de riscos em um plano conceitual de fechamento, sendo que tal plano deve identificar os pontos potenciais que podem elevar o risco de resultados indesejáveis de fechamento ou que podem reduzir a oportunidade de se obterem benefícios duradouros. Esses pontos devem ser ressaltados como fatores de risco que requerem controle e monitoramento nas versões atual e futura do plano de fechamento. E, para tal, devem ser introduzidas estratégias e abordagens abrangentes para o controle de cada risco identificado.

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Em outubro de 2006, o governo australiano apresentou, para a indústria mineira daquela região, um guia prático para o desenvolvimento sustentável na mineração, denominado “MINE CLOSURE AND COMPLETION, Leading Practice Sustainable Development Program for the Mining Industry”. Esse guia apresenta uma abordagem detalhada para uso da gestão de riscos no planejamento do fechamento de mina, que é apresentada na figura 4.2.

Figura 4.2 – Abordagem para uso da gestão de riscos no planejamento do fechamento de mina. Fonte: Australia (2006).

A análise de riscos torna possível identificar as medidas necessárias para o fechamento de mina, priorizando os riscos de forma preventiva e permitindo que as medidas de fechamento sejam focadas no gerenciamento dos riscos mais significativos. Além disso, a comparação de opções de gerenciamento de riscos pode ser usada na seleção das melhores opções possíveis de fechamento total. Se um levantamento dos riscos e uma análise de riscos não foram realizados anteriormente, então, no mais tardar, eles deverão ser feitos quando o plano de fechamento final é elaborado.

De acordo com DETR (2000), a gestão de riscos deve ser implementada em etapas, conforme mostra a figura 4.3. O processo deve ser interativo, exceto para os casos mais simples. Pode acontecer que, durante a análise, seja notada a necessidade de novos estudos e o resultado desses pode servir para reorientar o processo de análise ou fazer uma revisão dos seus estágios iniciais. O esquema apresentado na figura 4.3 é específico para riscos ambientais, mas, em princípio, é aplicável a qualquer outro tipo de risco.

Definição e classificação de opções de Monitoramento/ Auditoria/ Revisão Previsão de custos financeiros Avaliação de risco residual Plano de fechamento sustentável ó Análise de riscos e oportunidades Avaliação e seleção de opções de fechamento

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Definição do Problema

Nível 1.

Classificação preliminar de riscos

Nível 3.

Análise detalhada dos riscos quantitativos

Nível 2.

Análise quantitativa de riscos usando métodos de aplicação geral Priorização

de risco

Principais estágios dos níveis da análise de riscos

Identificação dos perigos

Estimativa de exposição

Avaliação do risco

Descrição do risco

Análise e comparação das opções de ação

Econômicos Tecnológicos Impactos ambientais e sociais

Gerenciamento

Gestão de Riscos

Aquisição de informações, monitoramento, iteração

Figura 4.3 – Exemplo dos estágios para implementação do processo de análise e gestão de riscos ambientais. Fonte: DETR (2000).

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Os níveis do processo de avaliação de riscos incluem a identificação dos riscos, a estimativa de exposição, a avaliação e a descrição dos riscos. Em um nível inicial, um método qualitativo principal simples é usado e, assim, os riscos são primeiramente priorizados. Uma classificação dos riscos é realizada, por exemplo, de acordo com a tabela 4.1, sendo que uma decisão preliminar é tomada como necessidade de ação, conforme tabela 4.2. Essa classificação pode ser feita, por exemplo, sob a forma de um brainstorming de uma equipe de especialistas (HEIKKINEN et al., 2008).

Tabela 4.1 – Matriz de classificação de riscos primários.

Probabilidade Gravidade das consequências Extremamente

leve Leve Moderado Grave Desastroso Extremamente provável Risco moderado Risco moderado Risco significativo Risco significativo Risco intolerável Altamente provável

Risco baixo Risco moderado Risco moderado Risco significativo Risco significativo Bastante provável

Risco baixo Risco baixo Risco moderado Risco moderado Risco significativo Improvável Risco insignificante

Risco baixo Risco baixo Risco moderado Risco moderado Extremamente improvável Risco insignificante Risco insignificante

Risco baixo Risco baixo Risco moderado

Fonte: Koskensyrjä (2003), modificado.

Tabela 4.2 – Análise da necessidade de ação com base na classificação de riscos.

Tipo de risco Necessidade de ação

1. Insignificante • Nenhuma ação é necessária.

2. Baixo • A ação não é obrigatoriamente necessária.

• Melhores soluções sem nenhum custo adicional devem ser consideradas. • A situação precisa de ser monitorada para manter o risco sob controle.

3. Moderado • Devem ser tomadas medidas para minimizar o risco, mas isto não é

urgente.

• A relação custo-eficácia das medidas tomadas deve ser considerada.

• Se o risco envolve consequências nefastas, a materialização da probabilidade de riscos deve ser investigada em mais detalhes.

4. Significativo • Devem ser tomadas medidas urgentes para minimizar o risco.

• A atividade a que o risco se aplica não deve ser iniciada antes que o risco seja reduzido.

• Se iniciada, a atividade pode ser continuada, mas todos os envolvidos devem estar familiarizados com o risco e devem ser preparados para parar a atividade, o mais rapidamente possível, se for necessário.

5. Intolerável • Devem ser tomadas medidas urgentes para neutralizar o risco.

• A atividade a que o risco se aplica não deve ser iniciada, ou deve ser interrompida imediatamente, até que o risco seja removido.

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Se não é possível estimar a severidade de um risco ou a sua probabilidade e se não é possível definir o nível de gerenciamento de riscos requerido através de uma classificação de riscos preliminar, então, a análise de riscos deve ser especificada usando métodos detalhados (tais como análise e modelação de consequências). Uma análise mais detalhada é, geralmente, necessária: se um risco é considerado moderado (classe 3, tabela 4.2); se mais alto; ou se é difícil estimar o quão sério são as consequências de uma situação perigosa que está susceptível devido a vários fatores envolvidos (HEIKKINEN et al., 2008).

Logan et. al. (2007) propõem uma ferramenta de avaliação do planejamento do fechamento de mina, que envolve um conjunto de configurações de alternativas definidas pelas técnicas de análise de multicritérios, análise de riscos e análise de custo benefício em uma abordagem integrada única. A técnica é fundamentada na identificação e priorização de critérios de decisão. Os critérios de decisão são fundamentados em exigências legais, políticas da empresa, riscos potenciais e objetivos desejáveis. Cada alternativa configurada é então avaliada de acordo com estes critérios. Segundo os autores, a vantagem deste processo é sua capacidade para avaliar impactos negativos, oportunidades e passivos ambientais.

Em 2011, a empresa Vale desenvolveu um guia de fechamento de mina (GFM) com objetivo de:

 Orientar os profissionais envolvidos no projeto, no planejamento e na operação de minas sobre as práticas atualmente aplicadas na empresa Vale.

 Estabelecer diretrizes e critérios corporativos para o fechamento de mina como desdobramento de estratégias da empresa Vale. Essas diretrizes e critérios são baseados em análise de requisitos legais e das normas técnicas nacionais e internacionais aplicáveis, de estudos de benchmarks e das melhores práticas de mercado.

Junto ao guia de fechamento de mina, a empresa Vale apresentou também, um modelo de avaliação de passivos de sustentabilidade em minas fechadas (figura 4.4). Esse modelo tem como objetivos o monitoramento e a avaliação de passivos de minas fechadas pela empresa Vale. O modelo consiste na proposição de um modelo-padrão para avaliação de riscos nas

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minas fechadas, permitindo identificar pendências e potenciais passivos de sustentabilidade.

De acordo com Vale (2011), o modelo possibilita ainda:

 Resgatar o histórico operacional e as condições de paralisação das atividades;  Avaliar as condições físicas através das minas, resultantes de atividades passadas

e/ou presentes;

 Identificar as vulnerabilidades quer sejam de cunho ambiental, social ou jurídico;  Propor ações de controle e/ou mitigação.

Figura 4.4 – Modelo de avaliação de Passivos de sustentabilidade em Minas Fechadas. Fonte: Vale (2011).

A metodologia proposta pela empresa Vale visa à identificação e à avaliação dos passivos e vulnerabilidades ainda remanescente na condição de pós-fechamento dos seus empreendimentos, para isso, propõe o cálculo de índices de vulnerabilidades associadas aos temas ambiental, jurídico e social.

 Índice de vulnerabilidade ambiental.  Índice de vulnerabilidade social.  Índice de vulnerabilidade jurídica.

Avaliação Ambiental • Índice de Vulnerabilidade Ambiental Avaliação Social e Econômica • Índice de Vulnerabilidade Social Avaliação Jurídica • Índice de Vulnerabilidade Jurídica Modelo de Avaliação de Minas Fechadas

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Para facilitar a identificação, a análise e a avaliação de riscos e, principalmente, para tomar decisões, em termos de priorização e alocação de recursos é fundamental uma categorização dos riscos por tipo. Laurence (2001a) dividiu os riscos envolvidos no fechamento de mina nas seguintes categorias: riscos ambientais (RA), riscos à saúde e à segurança (RSS), riscos à comunidade e riscos sociais (RCS), riscos de uso final do solo (RUS), riscos jurídicos e financeiros (RJF) e riscos técnicos (RT). Para a avaliação de riscos de fechamento de mina, Laurence (2001b) propõe a matriz de riscos apresentada na tabela 4.3.

Tabela 4.3 – Matriz de riscos para avaliação de riscos no fechamento de mina.

P R O B A B I L I D A D E C 10 Certo 9 8 7 6 5 4 3 2 1 Raro O 10 Catastró- fico 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 N 9 90 81 72 63 54 45 36 27 18 9 S 8 80 72 64 56 48 40 32 24 16 8 E 7 70 63 56 49 42 35 28 21 14 7 Q 6 60 54 48 42 36 30 24 18 12 6 U 5 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 E 4 40 36 32 28 24 20 16 12 8 4 N 3 30 27 24 21 18 15 12 9 6 3 C 2 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 I 1 Insigni- ficante 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 A Fonte: Laurence (2001b).

A classificação de riscos pode dividir a mina minuciosamente em detalhes, até que uma imagem completa da exposição ao risco seja alcançada. Para ajudar os operadores e os reguladores, Laurence (2006a) apresenta uma lista de verificação das principais questões e riscos que precisam de ser avaliados no fechamento de mina (quadros 4.1, 4.2, 4.4, 4.5,4.6 e 4.7). Essa lista de verificação se baseia nos trabalhos de fechamento de várias minas. Entretanto, convém sublinhar que essa classificação serve de guia e não pretende ser totalmente abrangente, quanto às questões envolvidas em cada mina. Devido à natureza

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dinâmica e diversificada da indústria da mineração, novas questões serão exigidas ao longo do tempo. Portanto, cada mina deverá ter uma classificação única.