1.2. Türkiye’de Turizm Alanındaki Bibliyometrik Yayınlar
2.4.11. Tezlerin Temel Bulguları
2.4.11.4. Turizmin Gelişiminin Küçük Yerleşim Birimlerinde Yaşayan
A globalização contemporânea apresenta certamente manifestações que já estavam presentes em etapas anteriores; distingue-se, porém, por alguns elementos específicos e dá lugar a um mundo cada vez mais condicionado pelas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), pela dimensão mundial da economia, o desenvolvimento de estruturas de governança regionais ou as novas formas de regulação internacional. Mas também se distingue pelo que viria a constituir a globalização
negativa, pela exibição mundial de um capitalismo que, liberado de todo compromisso com a Justiça e a ecologia, estaria cumprindo o vaticínio de Marx, quer dizer, desatando as forças do caos social e o desastre ecológico, através da disseminação planetária dos riscos mais graves da industrialização e do consumo energético, assim como pela produção de problemas planetários sistêmicos: crescentes desigualdades, volatilidade dos mercados, lavagem de dinheiro, tráfico internacional de drogas, terrorismo em grande escala, aquecimento global e aids, entre outros (Held, 2005).
Dessa mesma forma, outro dos traços característicos desta globalização negativa é que, tal como expressou Graham (Bauman, 2007), cada vez somos mais dependentes de sistemas complexos e distanciados para o sustento da vida e, por causa disso, até os pequenos contratempos e falhas podem ter enormes efeitos em cascata sobre a vida social, econômica e ambiental, sobre todas as cidades , onde a maioria de nós vivemos a maior parte de nossas vidas, e que são lugares extremamente vulneráveis aos transtornos externos.
E se tudo isso fosse pouco, a humanidade, como bem descreve Dupuy em seus estudos mais recentes (2004, 2005), alcançou no transcurso do último século, nada menos que a capacidade de autodestruição. A ameaça ao planeta atualmente não é uma rodada mais de danos auto-infligidos (uma característica bastante constante da história humana) nem outro elo mais da extensa cadeia de catástrofes que tem sofrido reiteradamente a humanidade no caminho que percorreu até sua situação atual; mas, é, sim, um desastre que ponha fim a todos os desastres: uma catástrofe que não deixaria ser humano algum detrás de si para documentá-la, refletir sobre ela nem extrair lição alguma da mesma (nem, certamente, para aprender e aplicar dita lição). A humanidade de fato dispõe hoje em dia de todos os recursos necessários para perpetrar (deliberada ou automaticamante) um suicídio coletivo: aniquilar-se a si mesma levando consigo o restante da vida sobre o planeta.
Por conseguinte, a paz se vê ameaçada, no mundo contemporâneo, de uma forma nova embora não por isto menos inquietante. Indubitavelmente a paz civil se viu ameaçada, em todos as épocas, por tiranos, ditadores ou demagogos de todo tipo. Panikkar sustenta, contudo, que antes era possível identificar o verdadeiro ou suposto causante da desordem e combatê-lo. Atualmente, a paz se vê ameçada pelo sistema.
Este anonimato do sistema e a ausência de uma alternativa viável tornam esta ameaça ancestral substancialmente mais perigosa. O homem moderno se sente ameaçado por circunstâncias externas difusas e inapreensíveis. É suficiente considerar as desigualdades humanas, as injustiças impressionantes, a insegurança individual, social e política - coisas que não melhoraram nos últimos trinta anos. De tal forma que, fenômenos indesejáveis, como podem ser o “terrorismo” , mas também o “crime organizado” ou a “ insegurança dos cidadãos” são acolhidos – embora por razões muito diferentes – pelos defensores do status quo como os responsáveis (que se podem nomear) de um mal anônimo, endêmico e muito mais profundo. E o fazem, nem sequer necessariamente por má fé, por exigência intrínseca do sistema de defender-se, deslocando a atenção para problemas que suscitam um maior consenso social (Panikkar, 2002). Isto é o que também assinala Renner ao considerar o “terrorismo” como um mero sintoma de uma série mais ampla de preocupações que desembocaram numa nova era de desassossego. De maneira que os atos de terrorismo e também as perigosas reações que desencadeiam, deveriam ser interpretadas como os efeitos tragicamente visíveis de profundas pressões sócio-econômicas, ambientais e políticas - forças que em conjunto criam um mundo mais tumultuado e menos estável.
Não é assim que os governos ocidentais têm querido entender o chamado “terrorismo”. A “guerra contra o terror” ameaça deixar de lado a luta contra a pobreza, as epidemias no campo da saúde e a degradação ambiental, e subtrai os escassos recursos econômicos e o capital político das causas que estão na base da insegurança social global. Vejamos então: são precisamente esses fatores subjacentes – e a forma em que se traduzem em dinâmicas e tensões políticas – os desencadeantes-chave de boa parte da desestabilidade no mundo. Assim entendeu, no ano de 2003, o então secretário- geral das Nações Unidas, Kofi Annan, ao declarar lapidariamente: “Agora vemos, com uma horrível clareza, que um mundo em que muitos milhões de pessoas padecem uma brutal opressão e uma miséria extrema não será nunca seguro de todo, nem sequer para seus habitantes mais privilegiados” (Renner, 2005).
A insegurança própria desta era de globalização não se manifesta somente, pois, através do conflito violento, mas também mediante desastres de todo tipo. Renner (2005) traz um dado revelador a respeito: embora no ano de 2000 tenham morrido trezentas mil
pessoas em conflitos armados, por exemplo, a cada mês se produz a mesma cifra de mortes causadas por contaminação da água ou por falta de condições sanitárias. Então, mesmo se centramos nos riscos que se materializam em desastres como nos conflitos que descambam em violência, a guerra moderna contra os temores humanos parece produzir mais uma redistribuição social desses do que uma redução de seu volume. De maneira que, seja qual for o lugar em que aterrizem, os riscos e os conflitos globais se instalam ali como desastres e violências locais e se arraigam com rapidez, se interiorizam, e como não vêm precedidos de solução global alguma, procuram alvos onde descarregar a frustração resultante. Assim sendo, os perigos que mais tememos são os imediatos; e, por conseguinte, não admitimos outra coisa que não sejam soluções rápidas, que nos tragam um alívio instantâneo (embora inevitavelmente efêmero) a uns sintomas desagradáveis. Não nos importa que as causas do perigo possam ser complexas, a única coisa que desejamos é que os remédios sejam simples e estejam disponíveis para ser empregados de imediato. Isso acarreta que, como diz Bauman, nos irrite qualquer solução que não prometa efeitos rápidos e fáceis de alcançar e que, ao contrário, leve muito tempo antes de que se possam apreciar seus resultados. “Mais ainda nos irritam as soluções que requeiram que prestemos atenção a nossos próprios defeitos e faltas e que nos instem – no mais puro estilo socrático – a nos conhecermos a nós mesmos. E detestamos completamente a idéia de que , nesse sentido, são poucas ou nulas as diferenças entre “nós”, os filhos da luz, e “eles”, a camada da escuridão” (Bauman, 2007).
Sem dúvida, o medo, tampouco, é um traço exclusivo da época atual: numa seqüência longa de traumatismo coletivo, o Ocidente tem vencido a angústia nomeando, quer dizer, identificando, inclusive fabricando medos particulares (Delumeau, 2002) que podem acabar sendo, tanto no plano psicológico como no social, manipuláveis. Mas, sim, chama fortemente a atenção que, apesar de que vivamos (ao menos nos países desenvolvidos) certamente em algumas das sociedades mais seguras que já existiram, mesmo assim, contra toda evidência objetiva, também sejamos nós – as pessoas mais mimadas e crédulas de todos os tempos – os que nos sentimos mais ameaçados, inseguros e assustados, os mais inclinados a ser presos do pânico, e os mais apaixonados por tudo relativo à proteção e à segurança, de todos os membros, de qualquer sociedade
de que já se tenha tido notícia (Bauman, 2007). Até o ponto que essa obsessão pela
segurança termina gerando, paradoxalmente, justo o contrário do que pretende: máxima
insegurança (Trías, 2005). Assim, nossa intolerância a admitir a insegurança, não assumida voluntariamente, acaba se constituindo numa autêntica - e talvez a principal - fonte auto-abastecida de medo e ansiedade que tão insidiosamente nos aflige.
Não caberia esperar que esta massa autopropulsada de insegurança global não cristalizasse nas correspondentes expressões no âmbito da política e da economia. No plano político, Pavarini (2006) adverte que a insegurança se converte na preocupação política central, quando uma cultura neoliberal de governo se impõe hegemonicamente; de tal forma que o governo da segurança está estruturalmente conectado com o governo dos novos processos de exclusão social. Para Bauman, aliás, não há a menor dúvida de que a especial atenção recentemente centrada na insegurança e associada, de forma direta e exclusiva, à delinqüência predatória e a violência interpessoal está estritamente relacionada com a crescente sensação de vulnerabilidade social, e que segue muito de perto o ritmo da desregulação econômica e da substituição (paralela à dita desregulação) da solidariedade social pela independência individual (Bauman, 2007). Quase inevitavelmente, portanto, a insegurança e seu correlato – a obsessão pela segurança – acabam monopolizando a agenda política mundial tanto como a dos Estados e, progressivamente também, a dos governos locais. Recentemente, Irene Khan, secretária- geral da Anistia Interncional, mostrava sua preocupação por essa “política do medo” e, em particular, é claro, por suas conseqüências:
A agenda mundial dita o medo, o que gera insegurança, intolerância e o menosprezo pelos direitos humanos em nome da segurança. O medo “ao outro”, ao terrorista, às armas de destruição em massa, fomentado por dirigentes sem escrúpulos, nos desemboca no beco sem saída do aniquilamento do Estado de direito e dos direitos humanos, no beco sem saída das desigualdades, da xenofobia e da violência . A política do medo se justifica pela ameaça de grupos armados que também esmagam os direitos humanos. Uns e outros se retroalimentam e o medo paralisa as mentes e outorga o poder a quem o souber manipular (Segura, 2007).
Embora não somente esteja clara a sinergia perversa que, no plano político, converte a insegurança social no melhor combustível para a locomotora neoliberal; no
âmbito econômico, também, “o mercado prospera, quando se dão condições de insegurança, tira vantagem dos temores humanos e da sensação de desamparo” (Bauman, 2007). A economia de consumo, de fato, depende da produção de consumidores, e os consumidores necessários para o consumo de produtos contra o
medo têm de estar atemorizados e assustados e, ao mesmo tempo, esperançados de que
os perigos que tanto temem possam ser eliminados e de que eles mesmos sejam capazes de fazê-lo (com ajuda do seu própio bolso, é claro). Para essa percepção contribuem, numa proporção em absoluto desprezível, os meios de comunicação; posto que, como assinala Gil Calvo, “independente da fonte do risco, os meios estão sempre interessados em criar alarme social. É por isto que tendem a exagerar, por pura deformação profissional, os possíveis perigos que se cabe esperar dos riscos sociais. Embora ao fazê-lo, possam elevar o nível de periculosidade do simples risco normal até o catástrofico” (Gil Calvo, 2006). De fato, reconfigurar e reenfocar os medos nascidos da insegurança social global para convertê-los em preocupações locais pela segurança pessoal parece ser a estratégia mais eficaz e, praticamente, infalível; quando se aplica sistematicamente logra grandes benefícios com, relativamente, poucos riscos associados.