2.5. Spor Turizmi Pazarı Olarak Futbol Takımları ve Hazırlık Kampları
2.5.2. Turizm Sektörü Ġçinde Futbol Kampları
Esse microevento, observado no dia 9 de março de 2006, se insere em um evento maior, que envolveu a visita a um museu, a discussão sobre um catálogo do museu de Louvre e a organização para a visita ao museu Casa Fiat de Cultura, no qual estavam expostas várias obras de arte. Esse fragmento é aqui apresentado por se caracterizar como uma proposta que visava ao trabalho da microestrutura da língua enfatizando-se especificamente as letras e as sílabas de determinadas palavras, que foram agrupadas por terem em comum a mesma letra inicial e sendo também já apresentadas anteriormente à turma.
Vale ressaltar que esse microevento aconteceu na seqüência de uma aula em que foi apresentado um livro com as obras de arte, num momento de circulação de informações visando à preparação para a ida ao museu. Muitas informações e discussões com as crianças foram asseguradas pela experiência da professora em visitar museus e também por meio do material impresso. Baseando-se um livro de arte do museu de Louvre, mostrou imagens, possibilitando conhecimento e informações, destacando a cidade de Paris, a Monalisa, de Da Vinci, esculturas e outras obras presentes no material. Diante do material impresso, a professora chamou a atenção das crianças para os diversos objetos, as cores, os detalhes e as técnicas utilizadas pelos artistas. Deixou claro o tipo de obra de arte que as crianças iram encontrar na exposição.
Professora e crianças estabeleceram uma relação dialógica em que todos puderam expressar seus conhecimentos, que foram confrontados com as informações e os diversos conhecimentos formais sobre museus. Após a exploração do catálogo, a professora escreveu
no quadro as palavras mulher, março e museu, em letra caixa alta, delimitadas no formato de fichas. Stela propôs um sorteio para que as crianças descobrissem quais eram as palavras. Solicitou ao aluno Gui que fizesse a leitura. A criança leu corretamente a palavra mulher. Em seguida, solicitou a todos que lessem juntos a palavra março e apontou com o dedo para a palavra.
Crs: mo... mo... (Crianças fizeram a soletração mo e não mu (mulher)) Stela: Tem O aqui? (A professora questionou sobre a presença da letra O na
palavra)
Dan: ma... ma... (Tentou ler a sílaba inicial) Crs: Macaco.
Stela: Macaco começa com ma (Escreveu mo quadro a sílaba ma), depois vem o caco. (Escreveu macaco, ao lado das palavras)
Vou dar dica, é o mês... Cr: Das mulheres.
Stela: É o das mulheres, mas como chama? Cr: Março.
(A professora mostrou e leu a palavra março)
As crianças utilizaram a estratégia de adivinhação na tentativa de acertar a palavra. Como não eram ainda leitoras, a professora atuou fornecendo pistas para que descobrissem o que estava escrito no quadro-de-giz. Nesse momento, associou a palavra março ao mês das mulheres, assunto que já havia sido enfatizado, na sala de aula, em outros momentos. Percebi que as crianças, na sua maioria, tentaram fazer a decodificação. “Soletravam”, mo... mo..., ma..., ma..., para descobrirem a referida palavra. Quando uma criança disse macaco para a escrita de março, foi possível identificar o exercício de adivinhação num movimento de busca para acertar ou “ler” a palavra. Esse comportamento é freqüente quando as crianças ainda não são leitoras. Nesse momento, a professora retomou a palavra macaco, destacando-lhe a sílaba inicial e a final, e registrou-as no quadro para que as crianças visualizassem e estabelecessem relações com a escrita da palavra março.
Stela: Essas palavras são iguais? (Apontou para a palavra museu) Cr: O primeiro pedaço.
Stela: Que pedacinho é esse?
Cr: um, um. (A criança leu um no lugar de mu e a professora não fez
intervenções)
Stela: Se aqui é um... aqui é o quê? (Não era um e sim mu, a professora
ressignificou a fala da criança, tentou demonstrar que não era “um”, mas “mu”)
Cr: um.
Stela: Só esse pedacinho. (Enfatizou para que ficassem atentos à
Cr: Mula-sem-cabeça. (Uma criança disse, aleatoriamente, mula-sem-
cabeça)
Stela: Então as duas começam igual, mas termina igual? Crs: Não.
Stela: Então eu vou ler museu. E a de cima? Crs: Mulher.
Stela: E essa? (A palavra era março, mas as crianças não responderam, e a
professora interrogou as crianças) Stela: Esqueceram...?
Nessa atividade, ficou evidente a preocupação com as letras iniciais e finais das palavras, os sons delas, bem como em proporcionar o exercício de associação e de comparação entre palavras. Essa estratégia se vincula ao princípio metodológico da associação de uma letra inicial das palavras, uma organização que se apresenta em materiais didáticos diversos em que se vinculava comumente a uma imagem. Os métodos silábicos, por exemplo, apresentavam a família silábica e destacavam as letras iniciais como “P” de pato, “M” de macaco e, ao lado, a imagem de um objeto cujo nome começava com a sílaba inicial da referida família. A professora apontou para a palavra museu estabelecendo comparações e relações com a sílaba inicial, mu, da palavra mulher, denominado a sílaba “pedaço”. Ressaltou que uma palavra pode ajudar na leitura da outra. Percebe-se, então, a estratégia da comparação considerando a letra e sílaba inicial das palavras destacadas, os sons iniciais e finais delas e as relações grafema e fonema.
Ao analisar o evento, não percebo que ela tenha se apoiado em um método específico. Mas é possível reconhecer um princípio também presente nos métodos de marcha analítica historicamente utilizado pelos alfabetizadores. Isso porque o modo como a professora conduziu o processamento da leitura encontra nesses métodos alguma sustentação. O modo como Stela encaminhou a atividade pressupunha que as crianças leriam palavras em destaque de modo global, baseando-se na referência do contexto já vivido, em que as palavras foram vistas anteriormente. Pude constatar que não ocorreu o reconhecimento imediato por parte das crianças, já que tais palavras não foram vistas com certa sistematicidade, o que permitiria a memorização. Já que as crianças não as reconheceram, iniciou-se, assim, o processamento de unidades menores, das letras e das sílabas, estabelecendo associações com outras palavras cujas unidades eram comuns, uma tentativa de reconhecer a palavra.
Para ler a palavra março, a professora estabeleceu relações com o corrente mês, perguntando: Em que mês estamos? Nesse momento, retomou a seqüência dos meses do ano seguindo a ordem de janeiro a dezembro. Muitas crianças não acompanharam, pois não sabiam toda a seqüência. No início das atividades do dia, era comum a professora registrar a
data e investigar sobre os dias da semana, os nomes dos meses e o ano corrente. Nesses momentos, permitia que as crianças fizessem associações do mês com alguma data importante, como março, o mês das mulheres. O trabalho da seqüência e da ordenação dos meses, dos dias da semana, dos numerais e a contagem foi sempre enfatizado nas rodas.
A estratégia utilizada nesse evento evidenciou que a professora elegeu palavras de um contexto já vivenciado na turma e, ao explorá-las, percebi-lhe a intenção comunicativa de dar sentido a tais palavras nas situações em que socialmente são utilizadas. Assim, tais palavras teriam maior significado para a turma, ao mesmo tempo em que se discutia a composição silábica, ou seja, priorizava-se a apropriação do sistema de escrita. Os conhecimentos sociais, relativos aos meses do ano, foram comumente enfatizados pelas professoras e, no caso desta pesquisa, foi recorrente a associação às datas comemorativas voltadas para a própria cultura escolar, como março, mês da Páscoa, maio mês das mães.
Nesse evento, a estratégia de uso das palavras para refletir sobre o sistema de escrita se distancia da concepção das propostas de alfabetização baseadas nos métodos sintéticos e analíticos quando não privilegiavam o sentido das palavras e dos textos, o uso efetivo e real dele para a criança. Quanto ao material escrito disponibilizado nas cartilhas, era comum os textos estereotipados, com frases curtas, no padrão “O boi baba” e “Eva viu o Ivo”, cuja preocupação central era a estrutura da língua, a análise das unidades, com palavras com estruturas silábicas previamente organizadas que visavam ao controle do aprendizado.
Essa aula permitiu fazer uma análise e refletir sobre a metodologia utilizada pela professora e a concepção dela ao desenvolver a atividade com a intenção de proporcionar a aquisição do sistema de escrita e mais especificamente numa situação em que a crianças deveriam ler palavras advindas de contexto já vivido. Houve esforço da professora para garantir a leitura de palavras e resgatar aquelas já apresentadas em outras situações em que o texto esteve presente e foi explorado. Nesse caso, o texto se apresentou no catálogo do museu em que o conteúdo dele, as obras de arte, foi visualizado com a intenção de conhecer esse espaço cultural.
É importante ressaltar que nem sempre é possível utilizar os textos para criar estratégias para a análise da microestrutura da língua, do sistema de escrita. Houve situações em que o objetivo foi analisar palavras, seja em situações de leitura, seja de escrita, uma vez que constatei a presença de palavras de um mesmo campo semântico e que não se vincularam a nenhum trabalho com os gêneros textuais. Destaco, por exemplo, nomes de frutas, profissões, nomes próprios, dentre outros, cujo objetivo era permitir um trabalho mais
analítico e reflexivo sobre o sistema. Ressalto, ainda, que foi possível evidenciar que as ações que visam prioritariamente à apropriação do sistema de escrita precisam ocorrer de modo planejado e sistemático, com uma seleção de materiais escritos adequados, tendo em vista que esses materiais devem assegurar a atenção e a análise por parte das crianças das unidades mínimas da língua, de modo a possibilitar associações e interações eficazes com o objeto de conhecimento – a língua.
A prática observada leva à constatação de que nem sempre os gêneros textuais utilizados são facilitadores para desenvolver o trabalho da apropriação do sistema de escrita, por isso é necessário que o professor planeje situações específicas para esse fim.
Um dado importante a destacar refere-se ao modo como as crianças se comportam quando ainda não são leitoras. Foi comum as crianças dizerem palavras e letras aleatórias, demonstrando que não faziam associações corretas em relação à escrita e não se atinham ao contexto da discussão. A professora sempre atuou como informante da turma e buscou chamar a atenção insistentemente para que todos observassem as questões discutidas. A dificuldade de interação das crianças com a língua, objeto de conhecimento ainda em construção, pareceu causar a dispersão, gerando conversas paralelas, comentários e relatos que não tinham relação com a tarefa realizada.
Considerando que essa aula ocorreu no mês de março, há que se destacar que a turma se manteve muito dispersa. Solicitava a presença da professora para a resolução de pequenos conflitos com os colegas, que ajudassem na organização dos seus pertences, o que interferia na concentração das atividades. Nesse momento a rotina escolar estava em construção e as atividades sobre o sistema de escrita que exigiam a análise mais específica se mostraram, em alguns momentos, comprometidas. Há, então, que se propor ações que possam garantir a atenção das crianças quando se prioriza o trabalho com a microestrutura da língua.