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2.2. Spor ve Spor Turizmi Kavramları

2.2.3. Spor Turizminin GeçmiĢi ve Bugünü

A preocupação com o alinhamento e a direção da escrita foi evidente no trabalho da professora Júlia, na sala 9. Foi usada a estratégia de marcar pontos na folha em branco para que as crianças se orientassem ao escrever e para que não se perdessem ao fazer pequenas cópias do quadro, ditados ou escritas espontâneas.

Para exemplificar, cito um ditado, realizado em 23 de março de 2006, em que a professora distribuiu as folhas e, em seguida, conferiu junto com as crianças o número de pontinhos já marcados por ela em cada folha. Esses pontinhos, colocados um

 

abaixo do outro, correspondiam à marcação que deveria ser respeitada pelas crianças para escreverem cada uma das palavras. Essa marcação é a referência do lugar em que se deve iniciar a escrita, seja de palavras, seja de frases, títulos ou pequenos textos.

A professora chamou a atenção das crianças para os pontinhos, reproduzindo-os no quadro e numerando-os de 1 a 10. As crianças reproduziram com o lápis os numerais nas folhas para dar início à atividade.

Na entrevista em que discorreu sobre essa estratégia utilizada, a professora deixou clara a sua preocupação em relação à orientação da escrita no papel e à necessidade de mostrar esse aspecto às crianças. Ela fez o registro no quadro para orientar e servir como modelo para a turma, uma intervenção recorrente, desde o início do ano, que denominou

estética do papel. Desse modo, ela acredita que as crianças escrevem sem embolar, pois,

nessa fase, é comum escrever sem referência do espaço, descer e subir morro. Deixou claro que esse é um aspecto que precisa ser ensinado, caso contrário as crianças se perdem ao começar a escrever; elas podem até mesmo começar a escrever da direita para a esquerda se não tiverem referência, ressaltou a professora.

Torna-se relevante destacar que a marcação com “X” para delimitar o início da escrita, bem como a demarcação de linhas ou pautas nas folhas, é visível em materiais destinados ao período da alfabetização, mais especificamente em cartilhas da década de 1970. Essa estratégia demonstra uma preocupação com o uso correto da folha para que a escrita se apresente de forma legível e organizada. Assim, constatei que marcar os limites e demarcar as referências onde se deve escrever é algo legítimo no contexto dessa prática e foi recorrente na sala da alfabetizadora Júlia, ou seja, a professora acredita que essa é uma estratégia que utiliza tendo clareza do seu objetivo.

Na entrevista, a professora ressaltou que Stela solicitou que falasse como é que se trabalha com os “pontinhos”. Isso porque as crianças, nos momentos em que estavam na sala dela, na enturmação flexível, passaram a cobrar que ela também fizesse os pontinhos na folha antes de iniciarem as atividades de escrita. Nesse momento, relatou: Stela me chamou lá: ‘Me

conta como é que você faz o negócio dos pontinhos’. Disse, então, que determinava a

distância para que todos realizassem a escrita, uma abaixo da outra, e orientava-os a marcar com os dedinhos entre uma linha e outra: Explico pra eles que é um dedinho deles mesmos; aí

 

as crianças se orientassem quanto aos espaços a serem demarcados entre as palavras, o que fez gerar uma escrita mais organizada na folha em branco.

Stela passou a orientar as crianças quanto ao uso da folha em branco baseando-se na troca de experiência com a outra professora e na própria cobrança das crianças. Nos momentos das atividades, constatei que as crianças passaram a ter referências do uso do espaço da folha, observando a marcação feita previamente, que delimitava além do início da escrita a sua seqüência de cima para baixo que era medida com o “dedinho”.

Ao analisar as atividades de escrita desenvolvidas ao longo do ano, percebi como as crianças demonstraram ter se baseado nas marcações da professora, o que garantiu boa disposição da escrita no papel, a direção dela e tudo o que envolve a organização gráfica. Presenciei a estratégia utilizada pela professora de fazer no quadro-de-giz a demonstração antes de iniciar as tarefas que envolviam a escrita. Era comum a reprodução, no quadro-de- giz, da atividade impressa que distribuía às crianças. O objetivo era que visualizassem a organização gráfica da matriz e seguissem a professora, orientando-se para os espaços determinados para e escrita.

Em outra atividade, “Pinguelinha”, cujo objetivo era a apropriação do sistema de escrita, realizada em 20 de março de 2006, a professora seguiu, passo a passo, a instrução no momento de sua realização, buscando garantir que todos obedecessem criteriosamente ao espaçamento da folha. Para iniciar a atividade, a professora localizou as diferentes palavras que compõem a atividade, dizendo Põe o dedinho na palavra NOME e, em seguida, destacou o nome da escola e a data. Nesse momento, facilitou a identificação das palavras pelas crianças, contemplando o processamento da leitura.

Para a realização dessa atividade impressa, a professora recorreu ao calendário para a verificação e a exploração da data, momentos em que chamou a atenção para a forma correta do traçado dos numerais: Vamos ver se todo mundo escreve sem virar o numeral; ela utilizou essa mesma estratégia nos momentos da escrita das letras. Era comum fazer intervenções em relação ao traçado e à posição correta para se escrever as letras. Nessa fase inicial da alfabetização, é freqüente a inversão e as letras espelhadas, bem como a realização de um movimento inverso traçar as letras. Nos momentos de intervenção, a professora circulou entre as mesas para verificar a forma como as crianças pegavam no lápis. Sempre que necessário, e isso ocorreu com freqüência, voltou ao quadro chamando atenção para a direção do traçado da letra e o movimento correto do lápis. Ao longo da atividade, a professora demonstrou preocupação com a organização gráfica, o uso adequado da folha.

 

A distinção entre os aspectos gráficos e construtivos da escrita foi feita por Ferreiro (1989, p. 19). De acordo com a autora, “os aspectos gráficos têm a ver com a qualidade do traço, a distribuição espacial das formas, a orientação predominante (da esquerda para a direita e de cima para baixo), a orientação dos caracteres individuais (inversões, rotações, etc.)”. No que se refere aos aspectos gráficos, destaco a importância de mostrar à criança, no período inicial da alfabetização, as convenções gráficas, para que ela domine as regras de alinhamento, a orientação da escrita e o traçado das letras. Esses aspectos precisam ser ensinados às crianças para que se garanta a organização da escrita no papel tal como rege o sistema formal. Como observei nas aulas e no material recolhido no trabalho de campo, as primeiras produções das crianças, nas duas turmas, evidenciaram que o movimento de escrita pela professora e o traçado formal nem sempre são percebidos pelas crianças.

Isso demonstra, tão logo as crianças iniciam o processo de alfabetização, a necessidade de um trabalho específico para esse fim.

Esse trabalho, relativo às convenções gráficas, foi realizado, nas duas turmas, de maneira integrada às atividades diversas que envolviam a leitura e a escrita, ou seja, no contexto e na diversidade das propostas. Não foram observadas estratégias de treino, cobrir letras ou traçados pontilhados ou mesmo cópia de letras. As cópias consistiram em pequenos textos e nomes próprios, sempre contextualizados, garantindo a motivação das crianças.

Benzer Belgeler