• Sonuç bulunamadı

4. BULGULAR VE YORUMLAR

4.8. Turistik Tüketime İlişkin Betimsel Analizler ve Sonuçları

Muitas vezes, o que dá sentido às palavras, atos, produções, processos, possibilidades, carências está silenciado, nem por isso, ausente. Apenas invisível no discurso e nas práticas. Para avaliar, é preciso produzir instrumentos e procedimentos que nos ajudem a dar voz e visibilidade ao que é silenciado e apagado (ESTEBAN, 2008, p. 32).

Ao ler esta epígrafe, constatei sua relação com minha trajetória de vida pessoal e profissional pela observância e vivência de práticas no contexto escolar que, envoltas de certa intencionalidade, se referem aos pais/responsáveis. Nesse sentido, percebo que no dia a dia da escola, por meio dos discursos e das práticas, esse segmento é silenciado de forma tácita, declinando-o aos poucos da presença efetiva na escola e, consequentemente, dos processos de ensino-aprendizagem e avaliativo, adotados pela instituição.

Geralmente as reuniões de pais das quais participei e participo na função de pedagoga e mãe caracterizam-se por formalidades entre os pais/responsáveis e o docente. Há uma

preocupação em informar a dinâmica da escola e as normas disciplinares; apresentar a equipe gestora e o coletivo de professores; orientar procedimentos que a família deve adotar quanto aos deveres de casa; falar sobre as dificuldades cognitivas, atitudinais, comportamentais, além de apresentar o desempenho dos filhos nas atividades avaliativas formais (provas, exercícios, trabalhos), ao final de um determinado período de tempo; coletar a assinatura dos pais/responsáveis, sem elucidação dos registros avaliativos, como boletins de notas/menções/conceitos, relatórios descritivos. Resta, assim, pouco espaço de conversação para a troca de ideias, sugestões, questionamentos e sobra menos tempo ainda para escutar o que os pais/responsáveis têm a dizer sobre as práticas avaliativas que permeiam o fazer pedagógico.

Há quinze anos, aproximadamente, desde a conclusão do Curso de Pedagogia em 1995, e após a realização de diversos cursos de aperfeiçoamento voltados para a ação pedagógica, procuro planejar e realizar as reuniões com a família, visando tornar inteligíveis aspectos fundamentais tanto para minha prática quanto para o conhecimento dos pais/responsáveis. Trata-se de aspectos referentes à dinâmica pedagógica por mim adotada e sobre a organização do trabalho pedagógico da escola, o que implica explicar os seguintes tópicos: o dia e o horário de atendimento aos pais/ responsáveis no período contrário à aula; a importância e o significado de desenvolver determinados conteúdos para a aprendizagem dos alunos, no transcorrer do ano letivo; o modo como as crianças aprendem, observando o esquema de pensamento - nível de desenvolvimento cognitivo, tendo como referência a escrita e a leitura; o que é avaliado e como são avaliadas as aprendizagens dos estudantes, além de aspectos importantes da organização escolar e administrativa da instituição.

A explicitação desses aspectos tinha como propósito esclarecer as possíveis dúvidas dos pais/responsáveis e abrir espaço para serem ouvidos acerca de qualquer assunto que gostariam de clarificar, referente à escola e à aprendizagem dos estudantes. Considero todos esses tópicos relevantes e primorosos para o estabelecimento de uma relação dialógica e franca entre docente e pais/responsáveis, com vistas a dar visibilidade do trabalho pedagógico realizado junto aos filhos/estudantes.

Dessa forma, à medida que os dias letivos passavam, eu observava maior interesse e participação dos pais/responsáveis no processo de aprendizagem dos estudantes, manifestados em diferentes momentos: quando verbalizavam preocupação com o desempenho escolar dos filhos/estudantes, questionando-me em que poderiam contribuir para a melhoria das aprendizagens das crianças; quando demonstravam reciprocidade e acolhimento em relação a minha ação junto a seus filhos. Eu percebia, então, uma ―troca de olhares‖: de um lado, os

pais/responsáveis, e do outro, meu olhar. Juntos, buscávamos o sucesso escolar de cada estudante.

O comparecimento dos pais/responsáveis às reuniões realizadas era significativo. Entretanto, despertou-me um estranhamento, ou seja, a necessidade de compreender quais pressupostos justificaria, por um lado, a aproximação de um determinado grupo de pais/responsáveis, manifestada pela participação efetiva nas atividades propostas durante o ano letivo, e por outro, a existência de pais/responsáveis que faziam questão de manter certa distância da escola e do trabalho desenvolvido em sala de aula pelo docente.

A percepção dessas evidências me conduziu a refletir se havia uma relação entre o envolvimento e a participação dos pais/responsáveis, no contexto escolar, com a compreensão do processo de avaliação das aprendizagens ao qual os filhos eram submetidos.

Outro aspecto que merece atenção se refere aos desconfortos entre pais/responsáveis e professores nas reuniões promovidas quando o assunto diz respeito à avaliação das aprendizagens. Algumas relações se fragilizam de acordo com o rumo da conversa, ou seja, pelo diálogo estabelecido imbuído de sentidos, juízos, valores, concepções e percepções sobre o rendimento e o desempenho dos estudantes.

Os pais/responsáveis, ao acompanharem direta ou indiretamente as atividades desenvolvidas na e pela escola, possuem uma ―ideia‖ de como ocorre o processo de avaliação da aprendizagem, mas não parece haver clareza quanto a possuírem de fato conhecimento sobre o assunto.

Há quatro anos, no exercício da função de pedagoga junto à Equipe Especializada de Apoio à Aprendizagem, na rede pública, pude perceber que nas relações pedagógicas tecidas cotidianamente entre os sujeitos da escola - professores, estudantes e pais/responsáveis - evocam-se valores, juízos, sentimentos manifestados por palavras ditas ou pela existência de ―falas silenciadas‖, em diversas situações no contexto escolar.

É provável que os pais/responsáveis estejam, permanentemente, avaliando o trabalho pedagógico desenvolvido na escola e em sala de aula. Isso pode ser evidenciado por meio do estabelecimento de canais de comunicação - avisos e bilhetes, cadernos, instrumentos avaliativos, participação em reuniões e eventos promovidos, conversas com o professor na ―porta da sala de aula‖, na entrada e/ou saída dos turnos, e até mesmo por meio da fala das próprias crianças. De forma implícita ou explícita entre escola e pais/responsáveis, há uma circulação de juízos. Assim aduz Perrenoud (1995, p.104):

[...] O professor sente-se avaliado quando os pais julgam o filho enquanto aluno, quando avaliam as competências, os comportamentos, as atitudes que se pressupõem serem ensinadas na escola. Os pais sentem-se, ainda mais vezes, indiretamente julgados: consideram-se postos em causa sempre que o professor avalia a qualidade dos resultados escolares, o caráter, a inteligência, a aplicação, a sociabilidade ou a moralidade do seu filho... o que, a bem dizer, acontece praticamente todos os dias! Nesse sentido, os juízos podem criar uma tensão entre a escola e a família, caracterizada por uma relação de descontentamento entre esses sujeitos, gerando ações e reações imprevisíveis, um certo mal-estar.

Todas essas experiências me fizeram sentir a necessidade de desvendar o que está oculto na complexidade dessas falas silenciadas. Uma estratégia foi dar, nesta pesquisa, voz aos pais/responsáveis, rompendo com o silêncio produzido talvez por fatores assentados na prática pedagógica e na dinâmica escolar - ou subjacentes a estas -, ou ainda pelos discursos, muitas vezes vazios, proferidos na escola, que dificultam a visibilidade do processo avaliativo.

Não é trivial que a escola convide os pais/responsáveis para expressarem suas percepções acerca das práticas avaliativas, o que pode denotar certa obscuridade no processo avaliativo. Para maior transparência e clareza da avaliação escolar, pôr em evidência o que pensam os pais/responsáveis acerca do processo de avaliação das aprendizagens é uma forma salutar de verificar a qualidade de ensino oferecido, tendo todos os sujeitos da escola envolvidos.

Do mesmo modo, é relevante compreender a possibilidade de existência de uma relação com a maneira como os pais/responsáveis percebem o processo avaliativo atrelado à satisfação ou insatisfação destes quanto às evidências de aprendizagens ou não dos filhos. Seria óbvio pensar que a avaliação escolar é considerada pelos pais/responsáveis positiva8 ou não, independentemente do sucesso e fracasso escolar dos estudantes? A probabilidade de uma relação linear ou antagônica dessas possibilidades acendeu uma inquietação, pois avaliar remete a uma ação respaldada por concepções que justificam resultados.

Várias pesquisas se preocupam em compreender o processo avaliativo escolar sem dar destaque às percepções dos pais/responsáveis, desconsiderando os significados e sentidos que estes atribuem à avaliação das aprendizagens. Verificou-se, portanto, que é um tema pouco explorado. Quando os pais/responsáveis são mencionados em trabalhos de dissertação e teses, geralmente não aparecem como interlocutores principais.