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A atividade escolar coordenada por Ivonete, graduada em Pedagogia e Ciências Biológicas, e intitulada “Plantas que Curam” é exemplo de que a escola pode ir conhecer com a comunidade. Foram realizadas com esta professora duas entrevistas (a primeira no dia 3 de maio de 2012 e a segunda em 7 de maio de 2012). Fica claro que a atividade trouxe para o cotidiano escolar a cultura popular através de seus saberes sobre as ervas medicinais, ou seja, trouxe para a sala de aula os saberes que as famílias dos estudantes possuíam sobre determinadas plantas encontradas na região.

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Na página 6 desta publicação dos alunos, observa-se a receita popular do uso do Saião e ao seu lado outra receita prescrita por uma publicação de nível acadêmico. A atividade pedagógica e a publicação final do livro demonstram que é possível juntar os saberes presentes na comunidade ao trabalho escolar para satisfazer os esquemas de assimilação necessários para o ensino-aprendizagem, além de desenvolver habilidades importantes para a curiosidade científica dos alunos.

Segundo a professora Ivonete, a atividade “Plantas que Curam” foi desenvolvida com o auxílio de técnicos e instituições presentes na comunidade: uma ONG, um terapeuta homeopata, dois geógrafos (um com mestrado), duas biólogas com especialização em botânica e licenciamento ambiental (incluindo a entrevistada), um veterinário, vizinho da escola, além de pais, tios e avôs. Quando pergunto como fizeram o trabalho, a professora responde:

O produto final foi esse livro aqui, esse caderno: “Plantas que curam”. O bacana é que ele está dentro do projeto que está previsto no PPP [Projeto Político Pedagógico] da escola. Que tem como uma das diretrizes um Programa que é o “Bananal vivendo seus encantos”. O livro foi uma forma que eu consegui articular este projeto dentro da área de ciências e, ao mesmo tempo, essa questão da cultura, dos chazinhos. Foi feito com a comunidade...desde catalogação, de qual família, de descrever a planta e procurar fazer o desenho mais próximo da planta que era muito usada... Nós exploramos a parte cultural do uso das ervas e, ao mesmo tempo, nós tentamos fazer uma ponte entre a ciência e a cultura popular.

A professora tem consciência de todo o processo e demonstra como a prática pedagógica poderia ser mais humanizadora, trazendo o saber da comunidade para ajudar no processo de ensino-aprendizagem num contexto metodológico freireano. A entrevistada não deixa claro na entrevista quais os conteúdos da cultura hegemônica foi “encaixado” neste esquema de assimilação que a atividade propunha. Apesar disso, pode-se afirmar que mesmo em condições materiais desfavoráveis, esta educadora conseguiu produzir um material didático que foi fruto da participação da comunidade

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escolar e carrega um pouco dos saberes sobre as plantas e a arte da curar, guardadas pelas famílias na comunidade em Bananal.

Assim como este trabalho pedagógico, há outros projetos de professores que aproveitam da riqueza arquitetônica da localidade para dialogar sobre a história da cidade no período imperial, e que certamente podem ser utilizados para a assimilação de conteúdos curriculares hegemônicos dentro da disciplina de História.

A própria diretriz que há no Projeto Político Pedagógico, que é mencionado pela professora e intitulado como o programa “Bananal vivendo seus encantos”, dá conta de demonstrar que todo o acervo cultural da comunidade poderia ter utilidade para a comunidade escolar, o que ocorre de forma descontínua e fragmentada, assim como são as formações ou capacitações dos alfabetizadores em geral no município.

Alguns entrevistados mencionam alguns cursos de formação neste sentido, promovidos pela política educacional a nível municipal, estadual e governamental (tais como o PROFA – Programa de Formação de Professores Alfabetizadores – e o GESTAR – Programa Gestão da Aprendizagem Escolar I e II –, lembrados pela Profª Ivonete).

A escola rural do Distrito do Rancho Grande, EMEIEF Profº Joaquim Francisco de Paula, apresenta uma estrutura física regular, se compararmos com o baixo padrão do sistema escolar do município, principalmente evidenciado pela falta de estrutura física básica na EMEF Profª Zenóbia de Paula Ferreira.

Quando os alunos do 5º ANO foram interrogados, na redação proposta, sobre o que mais gostava nas escolas, a maioria afirmou que são os momentos de descanso e lazer: brincar, correr, conversar e se divertir no pátio.

O pátio, que recebe as crianças no início e intervalo das aulas, pode ser classificado como o espaço da escola onde há maior agitação. A merendeira, que

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trabalha na EMEF Coronel Nogueira Cobra há 22 anos, corrobora em entrevista com esta observação quando relata: Na fila da merenda é um batendo no outro, aí o outro

vem e dá cotovelada, joga o prato do outro no chão. Nossa é uma coisa horrível. Os dirigentes, em todo o sistema escolar em Bananal, mostram-se alienados dos problemas educacionais e interpessoais que surgem da convivência entre alunos e alunos e professores no espaço escolar, o que colabora para a reprodução de situações de violência, como a expressa pela merendeira da EMEF Coronel Nogueira Cobra.

Os dirigentes parecem não interferir, muito menos solucionar, nos problemas que deveriam ser responsabilidade de contextos educacionais e que a escola não pode deixar apenas para os pais e ao ambiente familiar. Não seria nos momentos de conflito que a escola deveria se posicionar de forma a harmonizar as relações de violência? Os dados mostram que nestes momentos não há educador que se conscientize para o problema.

Poucas crianças dizem gostar de estudar (exceto dois casos, num deles a aluna afirma gostar de matemática e de ciências e, no outro caso, o aluno diz gostar de educação física). No Caderno de Campo há anotações do dia 12.04.2012 em que observava como os alunos do 7º Ano da EMEF Profª Zenóbia de Paula Ferreira se relacionavam com o sistema escolar:

A realidade é que eles gostam de estar livres no espaço da escola, sem atividade orientada. Prova disso é que observei a partir de alguns alunos do 7º Ano que ao serem dispensados por falta de professor, preferiram ficar na escola jogando tênis de mesa ao invés de irem para casa. Entre estes estava um aluno que ontem (11.04.2014) foi retirado da sala de aula junto com seus amigos por indisciplina. Ontem também no tênis de mesa quando havia três alunos negros jogando, observei que um deles se referiu ao outro da seguinte forma “seu preto!”, após o oponente ter cometido alguma infração das regras do jogo. Depois comentei sobre isso com a diretora e ela me revelou que eles constantemente se agridem verbalmente.

A trivial prática do tênis de mesa revela como a ideologia do embranquecimento atua. Apesar de todos serem negros, há a presença do fenômeno que se caracterizou

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chamar de “linhas de cor”, que serve ainda hoje para escamotear quem é negro, embranquecendo a todos quando possível, causando situações de preconceitos (entre os próprios negros) e conflitos como este em que ser “preto” é um xingamento, uma ofensa. No caso, aquele que ofende também se desumaniza e se coloca distante da conscientização, como diria Freire (2013), algo que seria fundamental reverter para uma ação mais ética e humana por parte do sistema escolar.

No fim da passagem selecionada, observa-se mais uma vez a alienação da dirigente da escola em questão, que parece achar natural que situações de preconceito e discriminação ocorram no ambiente escolar, sem que haja a intervenção de um educador ou ela mesma, a qual deveria conscientizar os alunos com relação ao problema.

O trecho demonstra ainda que os alunos não foram preparados pelo sistema escolar para o tema da autodeclaração quanto ao seu pertencimento étnicorracial. Apesar disso, notei aplicando o experimento de redação aos alunos do 9º Ano, que eles são capazes aos 15 anos de idade de questionar algumas categorias utilizadas. Na ocasião, eles disseram que o termo “preto”, utilizado como categoria pelo IBGE, era uma forma de preconceito e, por isso, não se identificavam com ele.

Com base em meus registros no Caderno de Campo, os alunos são na sua maioria pretos ou pardos, como se vê na nota de 09.05.2012 (Caderno de Campo, pág. 73). Percebe-se isso facilmente nas fotografias realizadas dentro das escolas, quando os alunos participavam de diferentes atividades. Chego a afirmar no Caderno de Campo que são poucos os alunos brancos na EMEIEF Profº Joaquim Francisco de Paula, localizada no Distrito do Rancho Grande.

Os alunos se sentem livres e gostam de estar no espaço escolar. Aparentemente o único espaço que parece casar a prática pedagógica com alguns aspectos lúdicos da vida em comunidade é a quadra esportiva: a preferência de muitos dos alunos no espaço

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escolar. Observa-se em Campo a utilização dos espaços no sistema escolar na anotação do dia 16.03.2012, realizada na EMEF Coronel Nogueira Cobra:

O intervalo é o momento de extravasar as energias. Enquanto os docentes na sala dos professores descansam e falam sobre a vida (o cotidiano, situações-problema em sala de aula, as condições de salário), os alunos liberam a energia acumulada e não extravasada em sala de aula. Alguns não param de correr pelo pátio, brincam de pega-pega e quando não conseguem resolver situações de conflito (que uma brincadeira ou discussão pode gerar), partem para a violência física. O perfil das crianças no intervalo vai mudando conforme a idade. Os alunos que tenho acompanhado de 10/11 anos utilizam o intervalo para brincar ou conversar em grupo. Não é perceptível haver muitos problemas de convívio entre eles.

Com relação à violência física e verbal ocorrida no pátio das escolas, os professores parecem adotar a mesma postura que a direção, ou seja, tomar a atitude de violência como natural. Há inúmeros relatos de desordem nos recreios ou intervalos. A EMEF em questão conta com 1 ajudante geral e 1 inspetor que auxiliam no manejo do pátio. Foi nesta escola onde comecei minha etnografia. Já a EMEF Profª Zenóbia de Paula Ferreira contava, na época, com menos funcionários no pátio para observar os alunos. Lembro-me de uma situação em que os alunos nesta escola começaram uma guerra feroz com cascas, gomos e laranjas inteiras que haviam sido servidas na merenda escolar. E mesmo assim, não verifiquei nenhuma ação pedagógica dos dirigentes.

Observei também que os professores não entendiam o porquê de um pesquisador ir até Bananal para uma pesquisa de campo. Quando me perguntavam por que escolhi Bananal, eu respondia: Devido ao histórico da cidade desde os tempos da cafeicultura.

Em relação a isso, os professores se apresentam alienados do processo histórico que marcou Bananal. Isso reflete no pouco interesse deles sobre a história local, o que dificulta para com a percepção sobre o problema do embranquecimento, da discriminação por cor ou “racial”, presente na escola em que atuam. Não conhecendo sua história, os professores não se conscientizam de quem são e deixam de agir para reverter toda a ideologia racista impregnada no sistema escolar. Neste contexto, não

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podem ser considerados educadores (em sentido amplo), uma vez que não se preocupam com o que acontece fora da “sua sala de aula”.

No trecho a seguir, retirado do Caderno de Campo, o professor de Artes da EMEF Coronel Nogueira Cobra, com base nas anotações de 02.03.2012 (pág.7), demonstra sua visão harmoniosa e mítica sobre as relações interpessoais na cidade, o que não passa de aparências:

O professor Cristiano trabalha com Artes nas turmas do 5º Ano. Foi apresentado a mim e, em seguida, perguntou-me sobre a minha pesquisa. O mesmo, depois de uma breve conversa sobre o que me levou a Bananal, afirmou que em Bananal não existe racismo. Segundo ele, todos convivem nos mesmos espaços sem discriminação, apesar de ressaltar que o problema é a desigualdade social. Chega a concluir que quem mora num barraco convive com um proprietário de fazenda, o que ele diz não ocorrer em outras cidades do país.

Apesar da crítica sobre a desigualdade social, ele reafirma o mito da democracia racial que permeia o senso comum no país. Parece haver uma cegueira na comunidade escolar com relação à discriminação que sofrem os negros, uma vez que preferem afirmar que não há racismo e que o fato de conviverem em espaços comuns, como nas praças e nas festas, significaria que vivam em harmonia, mesmo estando uns em barracos e outros em “casas de fazenda”.

Apesar da falta de sensibilidade de alguns docentes para a questão dita “étnicorracial” dos negros, a maioria dos professores conhece como ninguém cada um de seus alunos e suas rotinas. Como eles são os atores fundamentais da ação pedagógica no sistema escolar local, eles têm consciência da maioria dos problemas que envolvem a aprendizagem. A comunidade escolar, neste caso, está parcialmente interada do problema: os professores sabem identificar e apontar questões e soluções de ensino e, mais que isso, eles conhecem a fundo a vida das famílias de seus alunos (Caderno de Campo).

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Em anotações do dia 05.03.2012, notei que a diretora da EMEF Coronel Nogueira Cobra mudou o discurso sobre o momento ritualístico – quando ocorre a oração que abre o dia no sistema escolar em Bananal – ao longo da pesquisa de campo. Em discurso aos professores, alunos e alguns pais que acompanhavam seus filhos durante este dia na escola, ela disse que abriria espaço para que alunos de outras religiões fizessem a oração. Disse também que não exigia que os alunos de outras orientações religiosas seguissem as orações católicas, mas que aproveitassem o momento para praticarem o respeito à “diversidade religiosa” (Caderno de Campo, 2012, pág.10).

O discurso da dirigente da EMEF Coronel Nogueira Cobra parece ter sido alterado em razão da minha presença no espaço escolar. Mais do que um discurso em prol da liberdade religiosa da comunidade e da diversidade, a dirigente mais uma vez joga sobre o problema uma cortina de fumaça que dificulta a compreensão dos fatos. O sistema escolar no Brasil não deveria ser espaço para rezar e tal prática deveria ficar a cargo das igrejas e família, se esta assim desejar.

Nas notas do dia 16.03.2012 fica clara a presença de alguns imigrantes e alguns elementos do sincretismo cultural que estes trouxeram para a localidade. O relato se refere à memória de uma professora da EMEF Coronel Nogueira Cobra, descendente de libaneses que vieram para Bananal no início do século XX.

A história desses imigrantes que vieram para o Bananal, na passagem do XIX para o XX, está guardada na memória de muitos professores que entrevistei ou conheci (muitos vindos da Itália, uma família vinda do Líbano, outra da França, duas famílias cujos homens membros imigraram da China para o Brasil). Segue a passagem sobre a família da Profª Nathália, que me revela também um mito religioso sobre uma santa libanesa e um milagre de outro santo de origem de seus ascendentes:

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A professora Nathália hoje pediu para que eu levasse as duas fotografias que tirei de seus alunos em sala de aula. Sua sala fica no piso superior do Nogueira Cobra. Ao chegar com as fotos ela então me disse que tinha que me contar sobre São Charbel e sobre Nossa Senhora da Porta, dois santos libaneses. A professora afirmou que existe uma imagem de Nossa Senhora da Porta na Igreja Nossa Senhora do Rosário em Bananal, no lado esquerdo do altar. Segundo Nathália, Nossa Senhora da Porta é assim chamada porque no Líbano as cidades eram cercadas por grandes muros e portões. Segundo a professora, um dia, antes de ocorrer um conflito na região, o portão que sempre estava aberto foi misteriosamente fechado para que os inimigos não entrassem. Conta a estória, que em cima do portão estava sentada Nossa Senhora da Porta. Já São Charbel foi um padre libanês muito amigo da família de Nathália. Depois que o padre faleceu, o mesmo foi beatificado e canonizado e até hoje seu corpo está exposto para visitação. Nathália, que é muito crente em São Charbel, diz que anualmente o corpo do santo libera sangue e água e confessou-me que sua família guarda até hoje um pequeno pedaço de tecido da epístola do santo. No fim da conversa, a mesma me narrou um milagre que ela viu ocorrer por intervenção do santo libanês. Segundo ela, uma tia que precisou de um tratamento de saúde muito caro no Rio de Janeiro recorreu à venda de um relógio alemão para conseguir os recursos necessários para uma cirurgia que na época seria feita com tecnologia recente, por isso, de alto custo. Depois de vendido o relógio e a cirurgia feita, o relógio parou de funcionar já em posse do novo comprador. Dessa forma, o relógio foi devolvido à tia de Nathália. Conta a professora que quando todos estavam presentes na casa desta tia, a mesma buscou um vidro de água benta vinda do Líbano, de onde São Charbel foi sepultado, e jogou algumas gotas sobre o relógio. Segundo a narrativa, minutos depois de ser molhado pela água benta, o relógio bateu 18h00 e nunca mais parou de funcionar, sendo posteriormente devolvido ao comprador. (Caderno de Campo, 16.03.2012, pág. 27).

Assim como os relatos de curandeiros e benzedeiras comuns em Bananal, o santo eremita católico nascido em 1828 e falecido em 1898 no Líbano é reverenciado pela devota, por um milagre que segundo a entrevistada ocorreu sob seus olhos. O trecho demonstra que alguns professores compartilham do sistema de crenças criado pela igreja católica local, que tem por finalidade reforçar a fé dos religiosos e ampliar seu domínio sobre a comunidade, como, aliás, ocorre com todas as religiões institucionalizadas.

Diferente dos curandeiros e benzedeiras locais, que contam exclusivamente com a comunidade para ampliarem seu prestígio, aceitação e eficácia de seus feitos mágicos, os santos católicos (como São Charbel e Nossa Sra. da Porta) são a priori consagrados pela própria doutrina católica, muito presente no local.

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Já o trecho que se segue (anotações de 24.04.2012 – um dia nublado), revela que são constantes as aulas vagas e mais uma nuance do problema étnicorracial brasileiro, mostra-se pouco ou nada discutido na EMEF Profª Zenóbia de Paula Ferreira:

Hoje fui a Zenóbia pela manhã aplicar a redação para os alunos do 9º Ano. Os alunos já haviam tido 3 aulas vagas no 1º período de aula, antes do intervalo. Cheguei à escola pensando que provavelmente não fosse dar certo aplicar a atividade, porém, entre o término da Avaliação de Geografia e o início da aula de Ciências (que seria dada por uma professora substituta), consegui colher a redação. Ao contrário da atividade de redação com o 5º ANO, tudo na proposta foi alvo de crítica por parte dos alunos. Muitos perguntavam se a atividade valia nota, outros questionavam sobre quem leria a atividade. Uma questão me pareceu importante. O sujeito disse: Por que na pergunta sobre cor, raça, etnia não havia a opção negro? Outro aluno disse que iria me denunciar porque preto não era raça e certamente a categoria não o representava.

Não utilizarei a produção escrita dos alunos do 9º ANO da EMEF Profª Zenóbia de Paula Ferreira e dos alunos do 9º ANO da EMEIEF Profº Joaquim Francisco de Paula como dado de análise neste trabalho. Porém, segundo anotações no caderno de campo foi possível observar que um aluno negro havia se identificado como indígena em sua redação. Este é mais um dado da ideologia do embranquecimento no Brasil, com base na qual alguns negros preferem qualquer outra máscara étnicorracial à sua de fato.

Apesar das ideologias que se reproduzem no sistema escolar, os alunos e a comunidade escolar também mantêm a rede de solidariedade presente na comunidade para auxiliá-los. A comunidade escolar se utiliza dessa rede de solidariedade criada pela comunidade local para conseguir colocar em prática algumas de suas ações pedagógicas.

Lembro-me muito bem que, mesmo sendo ainda o 1º semestre do ano letivo de 2012, os alunos do 9º Ano da EMEF Profª Zenóbia de Paula Ferreira se sentiam motivados a envolver parte da comunidade escolar em torno da arrecadação de fundos para a festa de formatura de conclusão do ensino fundamental. Algumas famílias desses alunos participavam desta rede solidária preparando alimentos como bolos e tortas, que