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1. KALKINMA KAVRAMI, KALKINMA PLANLAMASI VE

1.3. Toplumsal Cinsiyet Eşitliği Konusunun Kalkınma Planlarında

1.3.1. Toplumsal Cinsiyet ve Kalkınma

A longa duração dos processos é, sabidamente, um dos maiores obstáculos ao acesso efetivo à justiça e à efetividade do processo.

Trata-se, contudo, de um problema que não pode ser, simplesmente, eliminado e por isso faz-se necessário predispor mecanismos adequados para proteger direitos que não suportam o trâmite normal do processo para serem protegidos, isto é, que não agüentam esperar até a prolação da sentença.

Se não há como eliminar do processo o fator “tempo”, deve o processualista analisar qual das partes que sofre mais com a duração excessiva dos feitos. Normalmente, o autor é aquele que vem em juízo pleitear uma alteração de uma situação jurídica atual que lhe é prejudicial. Ao se defender, o réu pretende evitar um provimento desfavorável, mas interessa- lhe, quase sempre, a manutenção do status quo e por isso ele sempre se valeu de todos os expedientes possíveis para retardar o deslinde final do processo.

Realmente, muitas vezes ao devedor parecia preferível esperar uma sentença condenatória desfavorável que adimplir pontualmente sua

obrigação. A demora significa preservação do bem no patrimônio do réu que não tem direito, o que aumenta ainda mais o dano e o prejuízo do autor. Se a insatisfação do direito material da parte é, em si mesma, um dano imediato que o adversário já lhe impôs, a permanência desta insatisfação pelo tempo reclamado para o desenvolvimento do processo configura um novo dano, quase sempre inevitável.

Reconhecendo a necessidade de se repartir de forma mais equânime entre as partes o ônus do tempo do processo, o direito foi criando expedientes destinados a abreviar sua duração e coibir os efeitos do tempo sobre os resultados do processo (criação de títulos executivos extrajudiciais, redução dos procedimentos etc.). Com isso, procurou-se proporcionar tutelas diferenciadas para determinadas situações tidas como especiais, seja pela facilidade de demonstração do direito, pela singeleza da controvérsia, pelo natureza do direito discutido etc.

Medidas cautelares e de antecipação de tutela formam o gênero “tutela de urgência”, pois representam providências tomadas antes do desfecho natural e definitivo do processo, afastando situações graves de risco à efetividade do processo, nos casos em que o procedimento comum for inoperante.

Ao tomar medidas de urgência, o juiz acaba redistribuindo o ônus do tempo no processo, beneficiando a parte cujo direito esteja em situação periclitante ou seja manifestamente evidente. Assim,

Não se pode negar que modernamente o juiz é considerado um administrador, um gestor do tempo mais do que um conhecedor do direito, pois sua função precípua no processo é retirar o ônus

do tempo de quem não pode suportar e transferi-lo para aquele que pode arcar110.

Hoje em dia, raros são os litígios deduzidos em juízo instaurados sem o apoio em medidas liminares, geralmente de grande impacto, ou no âmbito restrito dos litigantes ou para toda a comunidade111.

O fato de a lei autorizar a tutela de urgência não significa que o juiz esteja autorizado a sempre deferi-las sem audiência da parte contrária. O art. 273, Código de Processo Civil não autoriza isso e o art. 804, ao admitir o deferimento initio litis da medida com dispensa da oitiva do réu deixa claro que isso só deve acontecer quando se “verificar que este, sendo citado, poderá torná-la eficaz”.

Mesmo que as medidas de urgência não dependam de discussão e instrução exaurientes, isso não pode significar que o contraditório está abolido por completo. O juiz só estará autorizado a tutelar com urgência sem ouvir a contraparte quando isso colocar em risco a medida. Não sendo esta a hipótese, ao réu deve ser garantido o direito de se pronunciar antes da decisão juiz e, principalmente, antes de ter sua esfera jurídica por ela atingida.

Como sustenta HUMBERTO THEODORO JÚNIOR

Se o grau de urgência não é suficiente para impedir a prévia audiência do réu, terá o juiz, em princípio, que realizar o mínimo de contraditório recomendável pelas circunstâncias. Somente deliberará após dar oportunidade de manifestação ao demandado112.

110 RIBEIRO, Darci Guimarães. A garantia constitucional do contraditório e as presunções

contidas no § 6º do art. 273 do CPC. In: ARMELIN, Donaldo [coord.], Tutelas de urgência e cautelares. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 343, p. 342-359

111 THEODORO JÚNIOR, Humberto. As liminares e a tutela de urgência. In: ARRUDA

ALVIM e ARRUDA ALVIM, Eduardo (coord.). Inovações sobre o Direito Processual Civil: Tutelas de Urgência. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 239.

O princípio que deve nortear, como regra geral, o comportamento dos órgãos jurisdicionais é o contraditório, com a oitiva do requerido antes da decisão, permitindo-lhe argumentar e tomando em consideração as suas razões. Só é legítima a decisão proferida antes e ouvir o réu quando a possibilidade de prejuízo imediato se fizer presente, podendo tornar inócua a própria proteção solicitada.

As regras de tutela antecipada devem ser interpretadas tomando-se por base, de um lado, o direito fundamental ao processo dentro de um prazo razoável e, de outro, o direito fundamental ao contraditório e ao direito de defesa. Desse modo, qualquer interpretação autêntica e séria sobre a antecipação do pedido deve ser analisada evidentemente com base nesses dois direitos fundamentais aparentemente antagônicos113.

A justificativa para o deferimento da medida inaudita altera parte deverá necessariamente demonstrar que a oitiva da contraparte colocava em risco a eficácia da medida, sob pena de ser considerada não apenas ilegítima, mas sobretudo inconstitucional.

4.7 O julgamento liminar de improcedência: art. 285-A, Código de Processo