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2. KALKINMA PLANLARI ÇERÇEVESİNDE TOPLUMSAL

3.1. Toplumsal Cinsiyet ve Sosyal Politika

3.1.2. Toplumsal Cinsiyet, Kadın ve Eğitim

Um dos obstáculos mais comumente erigidos pela doutrina ao ativismo judicial na colheita de provas era o risco de quebra do dever de imparcialidade. Argumentava-se que o juiz, ao tomar a iniciativa na busca da elucidação de um fato que, segundo as regras de distribuição do ônus da prova, competia a uma das partes, poderia ficar inconscientemente vinculado a determinado resultado.

Hoje, no entanto, reconhece-se o que sempre foi óbvio: o princípio da imparcialidade não é obstáculo para que o juiz possa determinar prova de ofício. Isso porque, a parcialidade pode se dar de forma passiva, como por exemplo se o juiz, sabendo da necessidade de uma prova, da possibilidade de produzi-la ou da deficiência da representação legal de uma das partes, julga como se o fato que deveria ser por ela demonstrado não tivesse sido provado.

É sempre o princípio do contraditório, desenhado segundo as luzes do princípio da igualdade substancial, que sai fortalecido por essa participação ativa do juiz, uma vez que também é evidente que não bastam oportunidades iguais àqueles que são substancialmente desiguais.

Dizer que o juiz, ao determinar uma prova de ofício, poderia estar inconscientemente comprometido com a procedência da demanda, é uma ilação perigosa e desprovida de fundamento. Ainda que, em tese, se possa admitir a existência de tal risco, se tal poder não for conferido ao juiz, muitos

185 MARINONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz. Manual do Processo de Conhecimento.

casos concretos poderão ficar sem a justa solução. A verdade é que não deve haver diferença, para o juiz, entre querer que o processo conduza a resultado justo e querer que vença a parte que tenha razão.

A idéia de se possibilitar um processo em que a parte menos hábil, culta ou desprovida de recursos possa encontrar-se em pé de igualdade material com o adversário justifica e impõe uma participação mais ativa do juiz. A ele deve ser confiada não apenas a direção meramente formal do processo, mas uma direção efetiva, especialmente no que diz respeito à investigação dos fatos.

Ao criticar a postura passiva do juiz brasileiro em matéria probatória, BARBOSA MOREIRA vai fundo no cerne da questão afirmando que, entre as razões para esta passividade

há a influência de certa mentalidade, que sob color de zelo em preservar a imparcialidade do juiz, preconiza uma espécie de

‘distanciamento’, capaz de confundir-se, sem grande

dificuldade, com a mais gélida indiferença pelo curso e pelo resultado do pleito. Para refutar semelhante tese, no que contenha de sincera convicção doutrinária, bastará pôr em evidência a distinção entre dois fenômenos. Uma coisa é proceder o juiz, movido por interesses ou sentimentos pessoais de tal modo que se beneficie o litigante cuja vitória se lhe afigura desejável; outra coisa é proceder o juiz movido pela consciência de sua liberdade, de tal modo que o desfecho do pleito corresponda àquilo que é o direito no caso concreto. A primeira atitude obviamente repugna ao ordenamento jurídico; a segunda só pode ser bem vista por ele. Ora, não há diferença para o juiz, entre querer que o processo conduza a resultado justo e querer que vença a parte que tenha razão. Em tal sentido, nem sequer é exato dizer que o juiz deve ser ‘neutro’, para quem ‘tanto’ faz que se realize ou não se realize justiça, quando este é um

cuidado que deve estar presente, do primeiro ao último momento em seu espírito186.

Como o processo nada mais é do que instrumento para o exercício da função jurisdicional do Estado, o interesse público na justiça da decisão exige que o juiz só sentencie quando formado o seu convencimento, tanto quanto possível com a verdade dos fatos. Por isto compete-lhe investigá-los, ex officio, juntamente com as partes. Relacionar a iniciativa probatória do juiz com a natureza (disponível ou não) do direito litigioso seria admitir que o juiz não necessita ser imparcial em todas as classes de processo, já que em algumas se reconhece pacificamente a legitimidade das iniciativas probatórias oficiais, como no processo penal187.

Outro argumento que refuta a correlação entre parcialidade e iniciativa probatória é o de que, quando o juiz determina a realização de alguma prova, não pode prever com certeza qual será o seu resultado. Mais uma vez, BARBOSA MOREIRA é preciso:

Claro está que, realizada a prova por iniciativa do juiz, o respectivo resultado por força aproveitará, no todo ou em parte, a algum dos litigantes: do contrário, haveria sido improfícua a diligência, e nem valeria a pena tê-la levado a cabo... Mas, no instante em que o órgão judicial a determina, normalmente não lhe é possível prever (melhor: adivinhar) o que dela resultará188.

Na verdade, quem se beneficiará da diligência ordenada ex officio pelo juiz será sempre a parte que, à luz do direito material, tem razão. Como é do interesse do Estado que se faça justiça, a iniciativa não significa, em absoluto, quebra do dever de imparcialidade.

186 BARBOSA MOREIRA, José Carlos. As novas necessidades do processo civil e os poderes do juiz.

Revista de Direito do Consumidor, São Paulo, v. 7, jul./set. 1993, p. 35.

187 Cf. BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Breves reflexiones sobre la iniciativa oficial em materia

de prueba. Temas de Direito Processual: terceira série. São Paulo: Saraiva, 1984, p. 80.

O dever de motivação das decisões judiciais, o eventual reexame da decisão em segundo grau e a realização da prova determinada ex officio em observância ao contraditório permitem controle de eventuais desvios da conduta do juiz.

Além do mais, não se pode, contudo, raciocinar pelo desvio, presumindo a má-fé do órgão jurisdicional. A postura ativa do juiz em matéria probatória tem inegável potencial para proporcionar a apuração mais completa dos fatos. Se a reconstituição dos fatos determinada de ofício vem a beneficiar quem tem razão, não há nisso quebra do dever de imparcialidade. A melhor maneira de preservar a imparcialidade do juiz é submeter sua atividade ao contraditório e impor-lhe o dever de motivar suas decisões. O respeito ao contraditório, comunicando aos interessados a realização da diligência e permitindo-lhes presenciá-la, é condição de validade de qualquer prova.

Não se deve confundir, outrossim, o dever de imparcialidade do juiz com a passividade do julgador no desenvolvimento do processo. Juiz imparcial é o que aplica a norma de direito material a fatos efetivamente verificados, sem que se deixe influenciar por outros fatores que não seus conhecimentos jurídicos. Para manter a imparcialidade, basta que o juiz se limite ao exame objetivo da matéria fática, reproduzida nos autos por meio das provas, não importando quem as tenha trazido. Importa, sim, que o provimento jurisdicional não sofra influência de outros elementos.

Neutralidade e imparcialidade, como já destacado anteriormente, são coisas distintas: nada impede que o juiz seja neutro e parcial, basta que essa neutralidade, essa omissão quanto ao exercício de poderes processuais,

beneficie a parte que pretenda obter vantagens indevidas desse comportamento189.

O juiz personifica o Estado ao realizar a prestação jurisdicional, não podendo se colocar de modo indiferente ao resultado de sua atividade. Desde que o legislador assegure às partes o direito de participar da formação do provimento jurisdicional, influindo no seu conteúdo, nenhum mal há em reforçar a autoridade do juiz no processo190.

Um juiz que, sabedor da necessidade de uma prova, deixa de determiná-la de ofício e contenta-se em julgar com base nas regras do ônus da prova é que deveria receber a pecha de parcial, nunca o que a determina.

No rigor da lógica, a censura que caberia a um juiz porque a prova colhida em razão de sua atuação é suscetível de favorecer um dos litigantes, também cabe ao juiz que se omite, já que a falta da prova certamente favorecerá a outra parte191.