2.3. Yeni Kurumsal İktisat
2.3.2. Toplu Davranış Teorisi
Título: Les “islamistes” déclarent la guerre à l’Occident. Pourquoi maintenant? Por: Denis Jeambar et Alain Louyot
Novamente temos a declaração de atentados sem precedente nos Estados Unidos, que abrem una nova era da história do mundo e consagram uma fratura entre civilizações. Há referência a uma Terceira Guerra Mundial, de um gênero inédito na História, entre o terrorismo islamista (e aqueles que já são designados de guerreiros de Alá) e o Ocidente, a partir do ódio que o Ocidente inspirou. Nos Estados Unidos as imagens do fim do mundo fazem milhões de espectadores chorarem, enquanto que em Cabul ou Islamabad, nas ruelas sórdidas de Gaza, outros se exibem diante das câmeras rindo, dando graças a Alá: «Ces foules enthousiastes ne semblent pas surprises outre mesure par cette apocalypse». Para os muçulmanos, trata-se de uma punição esperada aos responsáveis de todos os males da comunidade do Profeta. O ineditismo seria, portanto, para os ocidentais apenas. Tenta-se diminuir o quadro de que todos sejam fanáticos («Bien sûr, ils ne sont qu’une minorité... déterminée et fanatisée»), entretanto a imagem já se formou nas mentes dos leitores. Temos
aqui também a comparação com os ataques de Pearl Harbor, onde mesmo os mais audaciosos dos diretores de filmes de catástrofes não ousariam imaginar. É como pensar o impensável, segundo o artigo.
No próximo trecho, a não-precedência do acontecimento é citada, atentados sem precedente que inauguram uma nova era da história do mundo, e pode-se ver claramente uma pressuposição de que a fratura Ocidente/Islã é de conhecimento de todos, e ao mesmo tempo consagrada e reafirmada – e mesmo agravada – através da narração da demonstração de sentimentos das pessoas diante do acontecimento: “Kaboul, Islamabad, ruelles sordides de Gaza, d’autres s’exhibent devant les caméras en riant, en pavoisant, en rendant grâce à Allah”. O jornalista somente deixa claro mais abaixo tratar-se de um pequeno grupo que exprime sua felicidade com os atos terroristas (Bien sûr, ils ne sont qu’une minorité déterminée et fanatisée), quando já se tinha estabelecido a imagem de dualidade entre Ocidente e Islã. Uma guerra mundial começou, uma terceira guerra, de um novo gênero, inédito na História, “entre le terrorisme selon toute vraissemblance islamiste et l’Occident”, “ceux qu’on designe déjà comme les guerriers d’Allah”. O artigo cita ainda o Corão: “Allah est avec ceux qui sont patients”. O Ocidente é definido estereotipadamente, como a civilização judaico-cristã. E a guerra do golfo contra o Iraque pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais agravam esta fratura entre civilizações ocidental e islâmica. Segundo o artigo, Huntington já havia anunciado esta nova fratura fundamentalista. Segundo ele, o que os governos árabes não conseguiram, a religião vai fazê-lo, com a aparição de uma identidade que transpõe os Estados e que serve de fermento ao terrorismo que atinge hoje os EUA e um Ocidente petrificado.
Como sabemos, as relações entre Ocidente e Oriente não foram apenas de rivalidade, ao mesmo tempo que temos terrorismos europeus como o ETA (grupo separatista basco) e o
IRA (na Irlanda). Paralelamente, é importante atentar para as afinidades na área do Mediterrâneo e de Andaluzia, conforme nos esclarecem autores como Arkoun (2005) e Barbé (2006). Esses dois estudiosos do chamado “espaço mediterrâneo” defendem sua unidade intelectual, espiritual, ética e cultural, “para além das fraturas”, os sistemas teológicos de exclusão recíproca das comunidades, as conquistas e os traços de fronteiras políticas pela Europa colonial, incluindo a ex-União Soviética e a atual Rússia. Não é necessário opor uma margem à outra nem em termos políticos e muito menos do ponto de vista religioso e cultural. Arkoun aborda a história dos sistemas de pensamento e das representações e não somente das idéias que moldaram as crenças religiosas, os conhecimentos, as culturas do que ele chama de o espaço Mediterrâneo. Sua epistemologia quer romper com os dois “monstros ideológicos”, Islã e Ocidente, construídos inicialmente sobre as duas margens Norte-Sul do Mediterrâneo e depois em toda a esfera geopolítica dita “Ocidente”, sob a liderança dos EUA desde 1945. Pensar o espaço mediterrâneo é uma tarefa de desconstrução e refundação. A questão que Arkoun coloca é a seguinte: de que parte do planeta poderia surgir um pensamento liberado das pesadas heranças mitohistóricas e dos pesos das mitoideologias contemporâneas para subverter ao mesmo tempo os fundamentos da Machtpolitik do Ocidente e os discursos de vitimização das ideologias pós-coloniais que continuam a cobrir os fracassos e as tragédias programadas pelas elites nacionais desde os anos 1950? As gerações mais jovens das duas margens continuam a receber um ensino da história que perpetua os estigmas, as definições ideológicas, as ignorâncias fortemente institucionalizadas e mesmo sacralizadas nas três tradições monoteístas. A modernidade clássica continua a usar as oposições binárias comuns aos teólogos monoteístas e à metafísica clássica, como razão/fé, bem/mal, verdadeiro/falso, divino/humano, eternidade/finitude, transcendente/imanente/ cidade de Deus/cidade profana dos homens. E a mídia se alimenta do vocabulário da literatura politológica e constrói os imaginários políticos e sociais fora de todo controle crítico.
Para Barbé, é necessário um retorno ao Mediterrâneo plural, menos maniqueísta e belicoso. É necessário o contato e o diálogo de culturas, em vez do choque, e um espaço transfrontaleiro onde as particularidades nacionais e fraturas culturais poderiam ser mediatizadas e parcialmente pacificadas. Para Barbé, depois do 11 de setembro, há uma tendência a interpretar os acontecimentos sob o prisma do choque de civilizações. Em uma cenografia do Mal onde o terrorista tomou o lugar deixado pelo comunista, a tese de Huntington parece reconfigurar a si mesma a maioria dos imaginários políticos do pós-guerra fria. “Huntington se revela ser antes de mais nada um cartógrafo, que traça fronteiras intransponíveis entre os povos e as civilizações”. Na opinião de Barbé, o Mediterrâneo poderia ser o lugar privilegiado de um diálogo entre culturas, religiões e civilizações. Um espaço vivo e aberto sobre as diferenças, lugar privilegiado de contatos intercivilizacionais. A potência mediadora do mediterrâneo deveria transpor a violência retórica que subentende os discursos essencialistas inspirados tanto nos E.U. quanto na Europa pela tese do choque de civilizações.
Trecho:
Les effroyables attentats commis aux Etats-Unis sont sans précédent. Ils ouvrent une nouvelle ère de l’histoire du monde, consacrent une fracture entre civilisations et soulèvent la question de l’inévitable riposte américaine.
La Troisième Guerre mondiale a commencé mardi 11 septembre sur la côte est des Etats-Unis. Une Guerre mondiale d’un nouveau genre, inédite dans l’Histoire, entre le terrorisme, selon toute vraissemblance islamiste, et l’Occident. On ne connaissait ni le jour ni le lieu où ceux que l’on désigne déjà comme les guerriers d’Allah frapperaient. Mais depuis plusieurs anées dans l’ombre, ils attendaient leur heure et fourbissaient leurs armes.
(...)
Newt Gingrich, l’ancien promoteur de la révolution conservatrice de 1995, nomme ce désastre le “Pearl Harbor du XXIe siècle”.
Pendant que, d’un bout à l’autre des Etats-Unis, des millions de téléspctateurs sanglotent devant les images de fin du monde qui défilent sur leur petit écran, déjà à Kaboul, à Islamabad ou dans les ruelles sordides de Gaza, où le Hezbollah fait recette, d’autres s’exhibent devant les caméras en riant, en pavoisant, en rendant grâce à Allah. Etrangement, la différence des Occidentaux abasourdis, tétanisés, ces foules enthousiastes ne semblent pas surprises outre mesure par cette apocalypse. Bien sûr, ils ne sont qu’une minorité parmi 1 milliard de musulmans à sombrer dans cette criminelle paranoïa. Mais une minorité déterminée et fanatisée. Et si l’on tente de définir une sorte de pathologie
du fondamentalisme islamique, force est de constater que ce sont presque toujours les mêmes frustrations, les mêmes circonstances, le même contexte social qui favorisent son éclosion et son épanouissement.
(...)
L’interminable cortège de guerres israélo-arabes, avec leurs exodes et leurs massacres, puis, en 1991, la guerre du Golfe, menée contre l’Irak de Saddam Hussein par les Etats-Unis et leurs alliés occidentaux au profit d’Etats arabes jugés réactionnaires par nombre de pays musulmans, aggraveront cette fracture entre civilisations occidentale et islamique.
Os islamistas declaram a guerra ao Ocidente. Por que agora?
Os horríveis atentados cometidos contra os Estados Unidos são sem precedente. Abrem uma nova era da história mundial, consagram uma fratura entre civilizações e levantam a questão da inevitável resposta americana.
A Terceira Guerra mundial começou terça-feira, 11 de setembro na costa leste dos Estados Unidos. Uma Guerra mundial de um gênero novo, inédito na História, entre o terrorismo, segundo toda verossimilhança islamista, e o Ocidente. Não se conhecia nem o dia nem o lugar em que aqueles que já se designa como os guerreiros de Alá atacatiam. Mas durante vários anos na sombra, eles esperavam sua hora e manuteniam suas armas. (...)
Newt Gingrich, que promoveu a revolução conservadora de 1995, chama esse desastre de “Pearl Harbor do século XX”.
Enquanto, de um lado ao outro dos Estados Unidos, milhões de telespectadores soluçavam diante das imagens do fim do mundo que desfilavam nas suas telas de televisão, em Cabul, em Islamabad ou nas ruas sórdidas de Gaza, onde o Hezbollah domina, outros se exibem diante das câmeras rindo, demonstrando sua alegria, dando graças a Alá. Estranhamente, a diferença dos ocidentais estupefados, paralisados, essas multidões entusiasmadas não parecem surpresas por este apocalipse.
Certamente, eles são apenas uma minoria dentre o 1 bilhão de muçulmanos a fazer sombra nesta paranóia criminosa. Mas uma minoria determinada e fanática. E se se tenta definir uma espécie de patologia do fundamentalismo islâmico, é preciso constatar que são quase sempre as mesmas frustrações, as mesmas circunstâncias, o mesmo contexto social que favorizam sua aparição e o desenvolvimento de suas potencialidades. (...)
O infindável cortejo de guerras israelo-árabes, com seus êxodos e seus massacres, e depois, em 1991 a guerra do Golfe, contra o Iraque de Sadam Hussein, pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais em benefício dos Estados árabes julgados reacionários por um número de países muçulmanos, agravariam essa fratura entre civilizações ocidental e islâmica.
Temos a seguinte estrutura:
M1) Barbárie. Identidade-fronteiras/fraturas de civilizações (Occident X Islam ou clivage Est-Ouest):
P1: “Pendant que, d’un bout à l’autre des E.U.(...) à Kaboul , à Islamabad ou dans les ruelles sordides de Gaza (...) rendant grâce à Allah.”
P3: “Une guerre mondiale d’um nouveau genre, inédit dans l’histoire, entre le terrorisme, selon toute vraisemblance islamiste et l’Occident”
P4: “L’interminable cortège (...) agraveront cette fracture entre civilisations occidentale et islamique”
M2) O ineditismo / a não-precedência:
P1: “Et soudain, ce matin de cauchemar, em 99 minutes, s’est embrasé dans um Pearl Harbor sans précédent”
P2: “Penser la peur, penser la rage, penser l’impensable et l’impuissance de la superpuissance”
3) Le Nouvel Observateur – 13 au 19 septembre 2001.