Por: Josette Alia e Jean Daniel
Nesse artigo podemos notar que a compaixão pelos americanos que é substituída pelo antiamericanismo, devido sobretudo à arrogância dos Estados Unidos, que, agora, deixam de ser a vítima. O uso da palavra cruzada pode ser interpretado de duas maneiras: como um movimento contra algo considerado mal (ou para se instaurar o que se considera bom), ou como referência às expedições militares cristãs contra os muçulmanos na Idade Média. Difícil interpretar. Temos também a necessária afirmação da diferenca entre Europeus e árabes.
Trecho:
1. Ce monde est américain. Il l’était dès après la guerre froide. Il l’est plus encore depuis le 11 septembre 2001. Ce que la femme est pour l’homme selon Aragon, ce que le marxisme est pour notre société selon Sartre, les Etats-Unis le sont pour tous les peuples en ce début de siècle: un horizon indépassable. Tout, presque tout, en tout cas bien de choses se déterminent dans ce sous-continent américain à qui l’évolution des civilisations a procuré des privilèges et des prééminences. Par exemple, une grande partie de l’avenir du monde de l’après 11-septembre 2001 sera orientée dans un sens ou dans un autre selon que les Etats-Unis auront décidé ou non d’intervenir en Irak. Dans un cas comme dans l’autre, les conséquences et les enseignements seront considérables. Dés lors que la menace en a été – avec quelle imprudence! – formulée par un président des Etats-Unis, il est aussi désastreux d’intervenir (et de créer le chaos) que de ne pas faire (et renforcer Saddam Hussein). De ce point de vue, le conflit freudo-shakespearien entre le père Bush et son fils est notre affaire à tous. (...)
Au lendemain du 11 septembre 2001, personne n’a refusé aux Etats-Unis le droit de se défendre contre les terroristes. La solidarité mondiale n’a pas manqué à George W. Bush, même si l’on pouvait estimer que les opérations de commandos préconisées par les Britanniques eussent été préférables à l’invasion de l’Afghanistan.
En peu de temps, cependant, en très peu de temps, avec leurs discours “unitéralistes”, leur arrogante prétention à tout savoir et à tout pouvoir, cette idée, surtout, que pour lutter contre le mal on pouvait se passer de consulter les autres si l’on était un homme de bien, tout cela a fait disparaître la compassion. Les Américains n’ont plus paru mériter leur “élection”. La situation de victime ne sied guère aux hyperpuissants.
(...)
L’avenir sera dans notre capacité, celle des Européens mais aussi des Arabes, à opposer au dictateur irakien une autre solution que la guerre. La croisade contre le terrorisme ne peut avoir de sens et d’efficacité qu’à la condition d’isoler les terroristes dans leur propre mouvance. C’est la plus grande leçon du 11 septembre.
A grande lição do 11 de setembro
Este mundo é americano. Ele o era desde após a guerra fria. Ele o é mais ainda após o 11 de setembro. O que a mulher é para o homem segundo Aragon, o que o marxismo é para nossa soiedade segundo Sartre, os Estados Unidos são para todos os povos nesse início de século: um horizonte que não se pode cruzar. Tudo, quase tudo, em todo caso muitas coisas se determinam nesse sub-continente americano ao qual a evolução das civilizações deu privilégios e distinções. Por exemplo, uma grande parte do futuro do mundo do pós-11 de setembro de 2001 será orientada em um sentido ou outro segundo o que os Estados Unidos decidirem de intervir ou não no Iraque. Em um caso como no outro, as conseqüências e os ensinamentos serão consideráveis. Desde quando a ameaça foi – com que imprudência! – formulada por um presidente dos Estados Unidos, é tão desastroso intervir (e criar o caos) quanto não fazê-lo (e reforçar Sadam Hussein). Desse ponto de vista, o conflito freudo-shakespeariano entre o pai Bush e seu filho é um problema para todos nós.
(...)
No dia seguinte ao 11 de setembro de 2001, ninguém recusou aos Estados Unidos o direito de se defender contra os terroristas. A solidariedade mundial não faltou a George W. Bush, mesmo se pudéssemos estimar que as operações dos comandos preconizadas pelos britânicos tivessem sido preferíveis à invasão do Afeganistão.
Em pouco tempo, entretanto, em muito pouco tempo, com seus discursos “unilateralistas”, sua arrogante pretensão a saber tudo e a poder tudo essa idéia sobretudo que para lutar contra o mal podia-se deixar de consultar os outros se se fosse um homem de bem, tudo isso fez desaparecer a compaixão. Os americanos não pareceram mais merecer sua “eleição”. A situação de vítima não cabe mais aos superpoderosos.
(...)
O futuro estará em nossa capacidade, a dos europeus mas também a dos árabes, de dar outra solução ao ditador iraquiano que não a guerra. A cruzada contra o terrorismo só pode ter sentido e eficácia na condição de isolar os terroristas em seu próprio movimento. É a maior lição do 11 de setembro.
Tópico: O mundo após o 11 setembro M1) Os E.U. e a guerra anti-terrorista: P1: “Le monde est américain”
P2: “ Les Etats Unis sont pour les peuples en ce début de siècle un horizon indépassable” P3: “Une grande partie de l’avenir du monde de l’aprés 11 sept 2001 sera orientée dans un sens ou un autre selon que les E.U. auront décidé ou non d’intervenir en Irak.”
M2) A solidariedade e o pós-11 de setembro
P1: Au lendemain du 11 septembre 2001, personne n’a refusé aux Etats-Unis le droit de se défendre contre les terroristes.
P2: . La solidarité mondiale n’a pas manqué à George W. Bush P3: “La situation de victime ne sied guère aux hyperpuissants”
08) Le Nouvel Observateur – 5 - 11 septembre 2002