1.3. Kalkınma İktisadi Teorileri
1.3.9. Azgelişmişlik Uluslararası Etkilerle Açıklayan Teoriler
Faremos neste ponto uma abordagem acerca do homem e seu relacionamento com a escrita e a imprensa com ênfase na observação da chegada dos novos mídiuns, novos suportes responsáveis pela chamada 3ª revolução tecnológica, portadores de uma maior conscientização do oral e das modificações introduzidas anteriormente pela imprensa e pela
escrita (Maingueneau, 2002), suas conseqüências para a representação da identidade do sujeito e a produção de cultura; abordagem sobre a busca do homem por sua identidade a partir do conceito de comunicação.
Os tempos que vivemos hoje são comparados ao Renascimento, sobretudo o século XV, século de Gutenberg, com a expansão dos conhecimentos graças à invenção das novas tecnologias de informação, a passagem do manuscrito ao impresso, da mão ao instrumento, a sofisticação do suporte (o papel) e o início da massificação da cultura (Vandendorpe, 2001). A diferença entre os dias de hoje e a Renascença estaria no fato de que naquele momento o homem se voltava para as fontes da Antigüidade, enquanto hoje somos guiados por direções múltiplas e, ao mesmo tempo, pela idéia que fazemos do nosso próprio destino. O saber contemporâneo é feito de incertezas.
Vários autores (Chartier, 2002; Sperber, 2002; Villaça, 2002; Derian, 1999; Vandendorpe, 1999; Debray, 1998; Kosovski, 1995; Virilio, 1993) vêm se dedicando a estudar o fenômeno da revolução tecnológica trazida com as multimídias, colocando-a lado a lado com a importância de duas outras revoluções para a humanidade: a escrita e a imprensa. Vandendorpe, em um artigo publicado na revista Le Débat (2001), chega mesmo a colocar a possibilidade de que todas as aquisições obtidas com as novas tecnologias serão, pelo menos, tão importantes como o aparecimento da escrita para as sociedades orais. Ao mesmo tempo em que fascinam, com suas quebras de limites espaciais, a circulação planetária de informações e conhecimento, a quebra da linearidade, ou ainda pelo sentimento que geram nas pessoas de poderem controlar toda a situação, causam também polêmicas, como a possibilidade de uma volta à situação de analfabetismo (pelo menos quanto ao ato de escrita), a possibilidade de uma civilização de iletrismo - civilization of illiteracy (cf. Mihai Nadin, In Vandendorpe, op. cit.) ou o fim da memória histórica, substituída por uma memória de curto termo, extremamente condizente com a sociedade de consumo.
O aperfeiçoamento das novas tecnologias leva a algumas considerações acerca do real
versus virtual, da perda do sujeito e sua individualidade ou a completa massificação da humanidade. Autores como Paul Virilio, em um clima de alerta, entendem que o desenvolvimento da comunicação moderna, dos mass media e das técnicas modernas causam danos, que não podem ser dissimulados, e levam a uma catástrofe. Esse clima de alerta é visto em P. Quéau e em E. Couchot (Weissberg, 2002). Este último acredita que, com as novas tecnologias, teríamos o desaparecimento do sujeito nos mundos virtuais. Autores que defendem o efeito-retorno, participam de uma tradição denunciadora das tecnologias, a partir da qual o importante não é o que o homem faz com o instrumento, mas sim o que este instrumento faz com os homens e com as suas culturas. Essa é uma perspectiva de anulação do sujeito, que pode ser reduzido a zumbis (Weissberg, 2002). Há uma nostalgia de um suposto estado natural da comunicação, que naturalmente gera dúvidas. Entretanto, parece correto afirmar que esse retorno não seria nada mais que uma ilusão, pois até onde sabemos o homem está sempre ligado a um artefato exterior a si mesmo para realizar tarefas.
Podemos entender que toda aquisição nova para a humanidade, ao ser colocada lado a lado com outras aquisições, causa naturalmente discussões, previsões e críticas. A mudança gera uma quebra de paradigma, e assim, uma situação em que todos os modelos e receitas sobre como observar a realidade convivem com a incerteza e a falta de explicação para muitos fenômenos.
A sociedade de informação em rede mundial e as modernas tecnologias de informação são muitas vezes entendidas como um fator de homogeneização, levando o homem a um novo relacionamento com os acontecimentos, baseado na rapidez e nas grandes contradições. Esses fatores se confrontam com fenômenos cada vez mais comuns de busca pela própria identidade nas sociedades do mundo inteiro. Ao mesmo tempo em que todos estão ligados num grande sistema planetário, pode-se perceber um retorno às próprias sociedades locais, no
que poderia parecer um paradoxo, na compreensão dos fatos (cf Castells, 1999). A noção de determinismo tecnológico, defendida por autores como, Jacques Ellul, Herbert Marcuse e Marshall Mc Luhan, cujo lema é o famoso media is message, “a mensagem é o mídium”, encontraria oposição nas reflexões que privilegiam os receptores das mensagens, seus preconceitos, suas pressuposições e comportamentos, suas reações diante das mensagens, fugindo, deste modo, do poder controlador da mídia. Como define Descartes (apud Rajagopalan, 2002), a mente humana é dotada de autoconhecimento, e é por isso que o conhecimento sobre o mundo externo é factível. Além disso, se a sociedade é submetida à técnica, é ela mesma que produz as técnicas, ou seja, a sociedade produz sua própria definição, o que nos leva, portanto, à noção de que a sociedade é determinante e causa de si mesma (Sfez, 1999). Todas essas discussões conduzem a uma importante questão, que pode ser colocada da seguinte maneira: o que é mais importante, o conteúdo ou sua mídia?
Minimizando a influência da técnica, numa tentação idealista (Balle, 1999), e colocando maior peso nas utilizações que são feitas delas, acentuamos a importância do conteúdo da mensagem. A evolução das tecnologias e dos suportes passaria pelas necessidades que vão surgindo, em um sistema de demanda constante, que evolui com a própria sociedade, num círculo de dependências, e não em uma simples linearidade ou de um simples determinismo. As aquisições trazidas com as tecnologias de comunicação poderiam ser a origem dessas tecnologias, e não sua conseqüência. O certo, por tudo o que estamos assistindo, é que uma tecnologia de modo geral não invalida a outra, nem a substitui, completamente, convivendo paralelamente ou interagindo entre si. Assim é que a língua oral continua sendo usada, com a apropriação de novas tecnologias para, por exemplo, conquistar maior estabilidade, uma das aquisições trazidas pela escrita. Os novos suportes de escrita e as novas tecnologias adquirem dimensões de transmissão oral: leve e móvel. E o rolo, antigo suporte para a escrita, substituído pelo códex, é inspiração para as “páginas” nos documentos
de processadores de texto ou da internet. De acordo com o efeito jogging (Débray, 1998) de compensação no progresso técnico, cada vez que se inventa algo, não necessariamente se destrói o que havia, mas se cria um efeito compensador. Por exemplo, quando se inventou o carro, muitos disseram que o homem iria terminar sem pernas; entretanto, o homem passa a fazer o “jogging” para compensar o fato de não mais andar como antes da invenção do carro.
A perspectiva que tenta fugir dos preconceitos de sentidos únicos coincide com a idéia de relação social de atores e vai contra a perspectiva mecanicista da causalidade linear de determinismo tecnológico, propondo uma interpretação mais interacionista, segundo a qual os usuários da mídia agem em função dos objetivos da mídia mas também de suas próprias idéias. Para a sociologia da ação (Cf. Balle, 1999: p. 41), acima de tudo, cabe a idéia de que todo fenômeno social é sempre o resultado de ações, crenças ou comportamentos individuais. Observando a definição que E. Morin dá ao fenômeno da representação – uma construção obtida a partir de uma síntese cognitiva, onde o real age sobre nossos sentidos, e recebe a projeção desta mesma construção, para que o sujeito, assim, possa se relacionar com este real – verificamos um processo dialético, onde o sujeito age permanentemente sobre a realidade, e não apenas recebe sua ação.
Na verdade, o que se discute por detrás de toda esta problemática é o grande questionamento sobre até que ponto as operações mentais são organizadas pelos processos genéticos (vistos como disposições), ou até que ponto são produto do comportamento adquirido e da cultura.52 Dualidade que tende a ser colocada de lado por alguns teóricos e pesquisadores, mas que ainda é objeto de discussão, especialmente na tentativa de se entender o homem a partir de uma idéia onde ambos os fatores interagem.
52 Em conferência proferida em 02/10/2001, Goody trata especificamente da idéia de mente, concebida como oposição ao corpo, ao material. In Lemonde.fr, 02/10/2001.
4. Metodologia
A metodologia utilizada para a análise do corpus, para essa pesquisa, está baseada na investigação sócio-cognitiva/ideológica e nas teorias de análise do discurso de mídia impressa (van Dijk, 1988.) assim como na tipologia do texto de informação (Charaudeau, 2005).
Para van Dijk, os textos de imprensa necessitam de sua própria análise estrutural, a saber, uma análise ideológica, cultural e lingüística. Paralelamente, existe a necessidade de uma teoria interdisciplinar. Seu modelo de análise baseia-se em uma organização temática, específica, onde o tópico, parte dessa estrutura, é uma macroproposição subjetiva, estrategicamente derivada, ligada a seqüências de proposições por macroprocessos (regras, estratégias), numa base de conhecimento de mundo, crenças e interesses pessoais. O leitor possui modelos de interpretação, que estariam estocados em sua memória episódica e dariam a informação que falta na interpretação de atos ou ações do discurso.
O estudo das notícias teve várias etapas, da abordagem anedótica, passando pela macro e micro sociologia até chegar à análise sistemática do conteúdo da imprensa. Na Alemanha, por exemplo, os estudos de mídia são feitos levando-se muito em consideração, além dos termos lingüísticos e da análise sistemática da comunicação de massa, a socioeconomia e as implicações ideológicas das notícias, numa abordagem de natureza interdisciplinar. O trabalho alemão está mais perto do que se entende ser uma análise lingüística e discursiva. Vários estudos franceses, como por exemplo Véron (1981), sobre a análise na imprensa francesa do acidente nuclear na Ilha Three Mile, mostram a possibilidade de se integrar uma análise estrutural do discurso de notícia com o estudo da produção de notícias e suas ideologias subjacentes.
Tanto para Charaudeau (2005) quanto para van Dijk (1998) existe uma especificidade no discurso de notícias; ou seja, existem certas especificidades na organização temática, em que os tópicos podem ser organizados, expressos ou assinalados de maneira específica, ou o que van Dijk chama de Teoria de macroestruturas semânticas.S
Segundo van Dijk, inicialmente, é preciso que entendamos a análise de textos de notícias como um tipo de texto ou discurso. Há específicas estruturas do discurso de notícia se o compararmos a outros tipos de discurso. O autor entende que o texto de notícia possui vários níveis ou dimensões de descrição e unidades ou categorias usadas que caracterizam esses níveis ou dimensões.
A Análise do Discurso (AD) é uma disciplina interdisciplinar, e interessada na análise de vários contextos de discurso, ou seja, no processo cognitivo de produção e recepção e nas dimensões socioculturais do uso da linguagem e da comunicação. Por isso é preciso lidar com processos envolvidos na produção, na compreensão e no uso das notícias no contexto da comunicação de massa. Para van Dijk, é de extrema importância o interesse pelas complexas relações entre notícias e seu contexto: como situações ou problemas cognitivos e sociais determinam as estruturas das notícias e como o entendimento das notícias é influenciado por suas estruturas textuais.
Para van Dijk (op. cit.) interessa focalizar as estruturas das notícias e seu processo cognitivo, na produção e na compreensão. Propõe uma teoria parcial dos chamados schemata das notícias, ou seja, das formas e categorias convencionais dos artigos de imprensa. De um ponto de vista cognitivo, suas análises lidam com os processos de memória envolvidos na compreensão, representação e retomada de acontecimentos por jornalistas e por leitores no processo de reconstrução dos acontecimentos na renovação de conhecimentos e crenças. A dimensão psicológica de seu estudo não é meramente cognitiva, mas sociocognitiva. Para o autor, a dimensão cognitiva do estudo de notícias tem sido negligenciada.
Temos uma noção ambígua do que seja notícia: notícia de algo que aconteceu e que alguém nos conta; ou então, notícia como informação, notícia que envolve comunicação de massa, onde observaremos texto ou discurso de rádio, TV, jornal, nos quais a informação é dada sobre recentes acontecimentos.