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2. YÖNTEM

2.2. Veri Toplama Araçları

Apesar de representar um grande avanço na seara migratória brasileira, é de se consternar por alguns vetos realizados pelo então Presidente da República, demonstrando que

101 Art. 54. A expulsão consiste em medida administrativa de retirada compulsória de migrante ou visitante do

55 ainda há uma preocupação excessiva com a segurança nacional, em especial o alusivo à anistia e regularização migratória (art. 116) e à livre circulação dos povos indígenas em terras tradicionalmente ocupadas (art. 1º, § 2º).

O Presidente Michel Temer vetou a previsão de concessão de anistia aos imigrantes que ingressassem no Brasil irregularmente (sem documentos) até 6 de julho de 2016, e que fizerem o pedido até um ano após o início de vigência da lei, independente da situação migratória anterior, sob a justificativa de que o dispositivo concederia anistia indiscriminada a todos os imigrantes, suprimindo a autoridade brasileira de determinar como deverá ser feita a acolhida dos estrangeiros, bem como o fato de que não há como se determinar a data exata da entrada do migrante no país102.

Esse veto mostra-se um dos mais sensíveis, pois representa um óbice à regularização dos migrantes irregulares que aqui vivem, os quais precisam de documentação para ter acesso aos serviços mais básicos e ao emprego formal, e assim, poder manter sua dignidade.

Nessa linha, tem-se como um dos mais difíceis desafios da política migratória brasileira que se inicia com a vigência da nova legislação, a correção da situação de irregularidade em que se encontram milhares de migrantes no país, tendo em vista que um dos princípios da Lei de Migração é a promoção da regularização do migrante. O papel da Defensoria Pública da União demonstra ser fundamental nesse sentido, pois será essencial para garantir ao migrante o acesso à justiça, este não se resumindo só ao campo jurisdicional, mas dizendo respeito, também, ao acionamento dos outros poderes do Estado, e por conseguinte, possibilitar sua regularização.

O Presidente vetou, também, o dispositivo que previa a livre circulação de indígenas e populações tradicionais entre fronteiras, em terras tradicionalmente ocupadas, pois isso entraria em confronto com a Constituição Federal, a qual estabelece a defesa do território nacional como elemento de soberania, inclusive, em relação ao controle da entrada e saída de índios e não índios103.

A Defensoria Pública da União104, aliás, publicou uma nota, à época da sanção da lei pelo presidente, justamente com a intenção de evitar o veto de tal prescrição, na qual alegou que o referido dispositivo

102 Agência Câmara Notícias (Org.). Sancionada com vetos nova Lei de Migração. 26 maio 2017.Disponível

em: <http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/535365.html>. Acesso em: 02 nov. 2017.

103 Ibidem.

104 (DPU), Defensoria Pública da União. DPU divulga nota técnica sobre nova Lei de Migração. Disponível

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alinha-se à Convenção da OIT 169, bem como à Declaração da ONU e à Declaração Americana sobre os Direitos dos Povos Indígenas, garante a soberania nacional e se apresenta como dispositivo essencial ao respeito dos direitos dos povos indígenas, que o Brasil tem o dever de respeitar diante dos preceitos constitucionais e dos sistemas internacionais de direitos humanos.

Desse modo, percebe-se que a Defensoria tem buscado atuar na defesa dos direitos dos grupos vulneráveis, interferindo nas políticas e nos procedimentos que visem evitar limitar garantias, sendo este órgão uma voz ativa de minorias, capaz de conscientizar, ou tentar pelo menos, a sociedade e os poderes estatais quanto à dignidade desses indivíduos que deve ser reconhecida e protegida.

Com efeito, a Lei nº 13.445/2017, apesar das observações, manteve sua proposta de preocupação humanitária e representa um enorme avanço para a legislação migratória brasileira, coadunando-se com as tendências internacionais de defesa dos direitos humanos, e adequando-se ao contexto histórico e social atual, marcado pelo intenso fluxo migratório.

Entretanto, muitos desafios surgem para a concretude dos valores por ela ditados, uma vez que não importa uma lei estabelecer normas tão pertinentes e eivadas de valores humanitários, se elas não forem efetivadas.

O preconceito ainda paira fortemente na sociedade brasileira, sendo, sem dúvidas, outro grande desafio a ser vencido. A discriminação coloca o migrante em situação de inferioridade em relação aos nacionais, dificultando sua adequação em diversos âmbitos sociais, destacando-se o do mercado de trabalho.

Ademais, a Lei de Migração não demonstra preocupação com os instrumentos necessários à materialização das garantias estabelecidas, que, na prática, representam os principais obstáculos enfrentados pelos migrantes, como o idioma e o acesso à informação.

Assim, percebe-se que a efetividade da nova legislação dependerá da adoção de políticas públicas, especialmente pelo Poder Executivo, que busquem concretizar os princípios e as garantias da lei, sendo, também, imprescindível o papel da Defensoria Pública da União para a conquista em tela, uma vez que pode e deve atuar junto a todos os poderes estatais com o fito de garantir sua materialização.

Além disso, deve-se ter em vista o relevante desafio quanto à significante e inovadora atribuição conferida pela Lei nº 13.445/2017 à DPU, pois questiona-se sobre a capacidade deste órgão, ante sua atual estruturação, de atender essas novas demandas, que decorrerão das incumbências feitas pela nova lei.

57 Não obstante o intenso trabalho que já vem sendo realizado pela DPU no campo da defesa dos migrantes, é evidente que a nova Lei de Migração, reconhecendo a competência constitucional da Defensoria Pública para intervir nessa esfera, conferiu outras formas de atuação para ela dentro da matéria migratória, apontando o papel que a Instituição pode e deve exercer para garantir sua efetividade.

Desta feita, prossegue-se para a análise final do objetivo principal deste trabalho, averiguando-se a atividade que tem sido realizada pela Defensoria Pública da União, as quais visam às mesmas finalidades humanitárias da nova lei, bem como o que ainda poderá ser feito por este órgão, tendo em vista a ampliação do seu campo de atuação pela lei migratória recente, para assim poder-se chegar à compreensão de como esse Órgão poderá contribuir para garantir-se a efetividade da Lei nº 13.445/2017.

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4 DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO: UM ÓRGÃO ATUANTE EM DEFESA DA

Benzer Belgeler