• Sonuç bulunamadı

3. YÖNTEM

3.3. Veri Toplama Araçları

Para a análise dos dados coletados para esta pesquisa, cabe ressaltar a influência do pesquisador que é, em verdade, um intérprete. Ao desenvolver a metodologia qualitativa, não só no tratamento e análise dos dados, mas também na etapa de coleta, o pesquisador imprime sua subjetividade e, conforme ressaltam Caregnato e Mutti (2006), faz uma leitura influenciada por seu afeto, sua posição, suas crenças, suas experiências e vivências.

A transcrição do material coletado demandou grande trabalho, não consistiu somente em ouvir, pausar, escrever e voltar a ouvir. Para a compreensão perfeita do que foi dito, fez-se necessário, para a grande maioria das falas, escutá-las repetidas vezes. Além disso, a utilização de dois gravadores, ao mesmo tempo em que facilitou a captação das falas, fez despender mais tempo, pois muitas vezes foi necessário escutar as mesmas falas em ambas as gravações – em cada dispositivo – para compreendê-las. A disposição dos participantes e dos gravadores no local da reunião determinou a maior ou menor facilidade de se entender o que foi dito em função do registro em cada dispositivo. Destaca-se que, caso não houvesse sido utilizados dois gravadores, muitas falas de interesse teriam sido perdidas ou ficado incompletas, prejudicando a análise final dos dados.

Avaliando o tempo gasto para transcrever as falas dos nove grupos focais realizados, chegou- se a uma média de 13 horas demandadas para a conclusão de uma hora de transcrição, o que demonstra o quão dispendioso e árduo é esse trabalho. No total, para transcrever todo o conteúdo das gravações, foram necessárias 120 horas, aproximadamente.

Com relação à identificação dos participantes, para a citação de suas falas neste trabalho, adotou-se um critério visando viabilizar o entendimento por parte do leitor quanto à variedade de pessoas responsáveis pelas falas e opiniões pronunciadas, demonstrando que as citações não são constituídas pela opinião de apenas uma pessoa ou de um determinado grupo. Nesta identificação atribuiu-se um número a cada participante sendo estes números seqüenciais a cada grupo que se realizava, ou seja, a contagem não era iniciada a cada encontro. Exemplo: considerando sete participantes do primeiro grupo, os mesmos foram identificados como P1 a P7; ao realizar o segundo grupo, a identificação foi iniciada pelo P8, e assim por diante. Este critério adotado mostra-se útil também na explicitação de falas interrompidas e que tiveram continuidade após o pronunciamento de outro(s) participante(s), na identificação de possíveis integrantes que participam mais intensamente da conversa e na possibilidade de se reconhecer o compartilhamento de opiniões por duas ou mais pessoas. Ressalta-se que a ausência da

101 consistem de um diálogo entre o moderador e um participante ou na suposição de que poucas pessoas se expressaram, quando, na verdade foram muitas.

A análise do material obtido a partir da realização de grupos focais, conforme abordado na revisão da literatura deste trabalho, é uma das etapas mais difíceis deste método de pesquisa. As técnicas identificadas para a realização desta análise exigem, além de aprofundamento teórico a respeito de suas características, a dedicação de muito tempo em um estudo pormenorizado dos dados.

Com base nas técnicas de análise de material qualitativo identificadas na literatura, constata- se o quão complexa é esta tarefa, demandando para sua realização, com o rigor exigido por muitas estratégias, conhecimentos mais aprofundados em algumas áreas, como é o caso da Lingüística quando se pretende empregar a AD. Os processos de categorização e codificação, presentes em todas as técnicas de análise abordadas, constituem trabalho criterioso e demorado, com leitura exaustiva dos textos em questão, e demandam um olhar perspicaz para o corpus analisado.

As transcrições dos diálogos nos grupos focais constitui o material empírico, o corpus a ser tecnicamente trabalhado. Em função do envolvimento de grupos diferenciados por escolaridade e local de residência, para a análise dos dados foram criados quatro sub-grupos conforme a combinação destas variáveis.

Com base nas finalidades complementares destacadas por Bardin (1988) no que se refere à análise do material qualitativo – (i) descobertas sobre a que se propõe a pesquisa; (ii) balizamento entre achados e as hipóteses ou pressupostos; e (iii) ampliação da compreensão de contextos culturais, ultrapassando-se o nível espontâneo das mensagens – e nas estratégias destacadas por Flick (2004) para a interpretação de dados qualitativos – (i) codificação do material com o objetivo da categorização e/ou desenvolvimento da teoria; e (ii) análise seqüencial do texto, visando à reconstrução de sua estrutura – buscou-se tratar o corpus obtido por meio dos grupos focais.

Adotando como exemplo as propostas de Minayo (2007) e Attride-Stirling (2001) para operacionalizar a análise de dados, trabalhou-se para efetuar uma categorização em temas e realizar uma análise pormenorizada, tanto quanto foi possível, das frases, palavras, adjetivos, concatenação de idéias e sentido geral do texto.

Em função da limitação de tempo para se dedicar à leitura dos diálogos transcritos, realizaram-se tantas leituras quanto foram possíveis, assumindo que não se alcançou a exaustão. Embora se admita que não se obedeceram rigorosamente os preceitos estabelecidos para uma AD, considera-se que a análise não se limitou à interpretação exteriorizada do texto – característica atribuída à AC –, sendo que se levou em conta o contexto social no qual os discursos foram proferidos e buscou-se a compreensão de seus processos produtivos. Dessa forma, assume-se que a técnica utilizada baseou-se em critérios mais similares àqueles estipulados pela AC com uma aproximação aos princípios estabelecidos pela AD, sem a pretensão de supor a aplicação desta última.

Benzer Belgeler