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Belgede FAALİYET RAPORU 2020 (sayfa 45-54)

Em geral, a maioria dos exemplares do acervo moderno do BNB vão “negar” o lugar no qual foram inseridos. Até porque, a grande maioria dos cenários de entorno dos projetos eram de cidades pequenas e médias do interior, com processos de urbanização incipientes, paisagens caracterizadas por uma arquitetura popular e anônima (figura 3.24). Conforme já mencionado no capítulo anterior, havia a pretensão desses edifícios se tornarem marcos de modernidade, representando uma nova fase do BNB e das próprias cidades. Assim, mais do que contextualizar com o entorno, a pretensão era realmente criar, naquele local, um signo da modernidade.

Figura 3.24 - Vista aérea da cidade de Jardim do Seridó-RN, em 1978

Fonte: arquivo histórico do BNB.

Época da inauguração do edifício do BNB neste local. Cenário urbano que se repetia em diversas cidades da região.

Figura 3.25 – Protótipo 1: orientação da implantação nas quatro unidades.

Fonte: elaborado pelo autor a partir do arquivo técnico do BNB.

Ademais, o caráter de protótipo dos projetos de agência reforçou as relações de contraste com o entorno, pois a pertinência da produção em série estava relacionada, nos casos do BNB: ao programa e porte da unidade; às dimensões do terreno; e ao posicionamento relativo ao lote, se de meio de quadra ou de esquina. Em alguns casos, como na agência de Iguatu-CE (Protótipo 3), o lugar foi tão negligenciado que a orientação do projeto original não foi respeitada, ficando a fachada principal do edifício voltada para o oeste, enquanto no local

original, em Jequié-BA, e nas demais, acontecia acertadamente para o leste (figura 3.25).

No caso dos edifícios de Juazeiro do Norte e o EDIRB, por serem também edifícios verticais, se estabeleceu um contraste maior com os seus sítios na época da implantação. Além da diferenciação entre o antigo e o moderno, ocorreu uma significativa diferença de gabarito entre os edifícios do BNB e os respectivos entornos, conferindo um caráter monumental aos exemplares, aspecto abordado no capítulo anterior.

O edifício de Juazeiro do Norte possui oito pavimentos e 3.841,40m² de área construída total. Está localizado num lote de esquina, entre as ruas São Pedro e São Francisco, com apenas 670,00m². À época de sua implantação, marcou a sua presença no contexto urbano, como o edifício mais alto da cidade.

Figura 3.26 – Rua São Francisco em Juazeiro do Norte em dois momentos: durante a construção do edifício do BNB e

atualmente.. Fonte: arquivo histórico digital do BNB. Fonte: https://www.google.com/maps/ search/banco+do+nordeste+juazeiro+ do+norte/ @-7.2024833,-39.3165043,

Contudo, num contexto de continua mudança, que marca zonas comerciais pungentes, como o Centro de Juazeiro do Norte, quase tudo se transformou em volta do edifício do BNB nesses 40 anos desde a sua construção (figura 3.26). O exemplar do Banco, continua como ponto referencial da cidade, não mais como ícone de modernidade, nem apenas pelo seu gabarito, mas, principalmente, por ser uma permanência, se tornando uma referência socioespacial firmada na memória coletiva.

Relativo ao EDIRB, o terreno destinado à construção era um lote de meio de quadra de 28m x 77m com duas testadas, uma na Rua Floriano Peixoto e outra na Rua Assunção, localizado entre a Rua Pedro Pereira e a Rua Pedro I (figuras 3.27 e 3.28). Este terreno abrigava o antigo Colégio Lourenço Filho, que havia mudado de local.

Figura 3.27 - Vista geral do terreno

para construção do EDIRB. Figura 3.28 – Planta de situação do EDIRB.

Fonte: arquivo histórico do BNB. Fonte: elaborado pelo autor.

Contudo, um problema na construção do edifício mudou a sua relação com o entorno. Devido aos problemas com os vizinhos da obra50. O BNB, com a ajuda da Prefeitura Municipal, comprou os lotes existente entre o edifício Raul Barbosa e a Rua Pedro I, criando uma praça, inaugurada em 1983, batizada de General Murilo Borges:

Esta última, de autoria do arquiteto Otacílio Teixeira Lima Neto, está localizada entre a Rua da Assunção, Rua Pedro I e Rua Floriano Peixoto e foi inaugurada em março de 1983, quase um ano após a inauguração do edifício. A iniciativa partiu do próprio banco, que adquiriu e demoliu as casas que ali ficavam. A praça, que ficou conhecida como a Praça do BNB, tornou-se parte fundamental do projeto, pois é a partir dela que se pode ter uma melhor percepção e apreensão do edifício em suas dimensões totais. O vazio gerado pela praça mostrou-se fundamental na escala de inserção do edifício naquele lugar (BRAGA, PERDIGÃO & RIBEIRO, 2014).

50Durante a construção do edifício, os serviços de execução das fundações, por exemplo, causaram

transtornos às edificações vizinhas, afetando a estabilidade de alguns exemplares do casario, localizados junto ao prédio do BNB.

A presença da praça Murilo Borges, defronte ao edifício, descortinou uma das imensas empenas laterais de concreto, que estaria escondida pelos prédios vizinhos, originalmente existentes ao lado do prédio, transformando-a em fachada visível, permitindo assim uma percepção mais completa do partido arquitetônico do edifício pelos transeuntes. Essa leitura completa de uma edificação vertical é difícil na área central de Fortaleza, devido à escala das ruas, normalmente estreitas, e à falta de recuos frontais e laterais das edificações51. Só nesses espaços abertos é possível olhar para cima, contemplar o contorno das edificações. Essa monumentalidade que foi potencializada com a construção da praça, é reafirmada pelo entorno que, em geral, possui um gabarito bem inferior, o que incrementou a percepção da obra como marco visual e como forte elemento da paisagem urbana da área central de Fortaleza (figura 3.29).

Figura 3.29 - O EDIRB e a praça Murilo Borges.

Fonte: arquivo histórico do BNB.

Os dois edifícios, como exemplos de permanência num contexto de mudança, estabeleceram relações com seus respectivos entornos, qualificando-os e estando presentes na memória dos indivíduos de determinado grupo. Se configuram como monumentos no sentido que “determinam a sua coesão, manifesta na estabilidade das suas formas a estabilidade da ordem social e das suas principais instituições” (ARGAN, 1993, p. 123).

51É importante destacar que foi recorrente em várias capitais do Brasil a inserção de edifícios

modernos verticais em uma tessitura urbana tradicional, marcada pela “rua corredor” e por uma estrutura fundiária de lotes estreitos e com construções contíguas umas às outras. Esta realidade, ratificada pela legislação urbanística, demonstra soluções, ora acertadas, ora contrastantes, na relação do edifício moderno com o contexto urbano pré-existente, diferente de uma das premissas moderna de inserção do objeto arquitetônico solto em um campo aberto.

No EDIRB, esta monumentalidade se revela na escala do edifício e de legitimar a imagem de modernidade pretendida pelo BNB. Neste caso, a intervenção no Centro e a incorporação da praça reforçam a criação de um lugar que até os dias atuais também é uma referência socioespacial, como o de Juazeiro do Norte, incorporado e apropriado pela cidade como tal, pleno de significados.

Em outros exemplares do BNB, há outro tipo de associação de contraste com o entorno. Os edifícios foram implantados prevendo-se áreas livres nos imóveis, apresentando recuos, saindo do alinhamento tradicional da rua, ocupados por jardins, muitas vezes cedendo mais espaço para a cidade e para o pedestre. Essa característica da edificação isolada no lotes atenuou a imposição do moderno sobre o contexto tradicional. Iguatu-CE (Protótipo 1, figura 3.30), Maceió-AL (figura 3.31), Valença do Piauí-PI (Protótipo 2, figura 3.32) e Nanuque-MG (Protótipo 3, figura 3.33), são exemplos que apresentam essa busca de menor impacto através da forma de suas respectivas implantações:

Figura 3.30 – Edifício de Iguatu-CE

(Protótipo 1) Figura 3.31 – Edifício de Maceió-AL

Fonte: arquivo histórico do BNB. Fonte: arquivo histórico do BNB.

Figura 3.32 -Edifício de Valença do

Piauí-PI (Protótipo 2) Figura 3.33 – Edifício de Almenara-MG (Protótipo 3)

Fonte: arquivo histórico do BNB. Fonte: arquivo histórico do BNB. Devido ao recuo na implantação, percebe-se áreas livres à frente dos edifícios Maceió,

Segundo Carsalade (2006), antes de negar o lugar, a arquitetura moderna buscava a transformação desse lugar e a sua inovação, que se estabelecia habitualmente pelo contraste com o entorno. Rubió (2008) defende essa alternância entre o antigo e a novo, entendendo-a como uma forma de diálogo estético que pode acarretar na valorização de ambos. Baseado nos conceitos patrimoniais de Riegl sobre monumento, o referido autor afirma:

O que tipifica a nova sensibilidade, o novo Kunstwollen ou “vontade de arte” do século XX, é o contraste entre Neuheitswert, ou valor de novidade, e Alteswert, ou a antiguidade, como valor. Isto é, o contraste entre o caráter do que é novo e o caráter do que é velho (RUBIÓ, 2008, p. 256).

Desta forma, vários projetos buscaram, de alguma forma, mesmo diante do evidente contraste, essa tentativa de valorização recíproca ou mesmo a de estabelecer, como permanência no decorrer do tempo, um diálogo com o seu entorno.

Belgede FAALİYET RAPORU 2020 (sayfa 45-54)

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