• Sonuç bulunamadı

III. BÖLÜM

3. SANATI

3.2. Tiyatroları

3.2.3. Tiyatrolarında Dil ve Üslup

O aprofundamento pretendido para esta pesquisa se deu através das Entrevistas Individuais Semiestruturadas, que nos permitiram intensificar questões que pudessem dar conta do nosso objeto de estudo e chegar aos objetivos pretendidos.

A entrevista semiestruturada representa, como o próprio nome sugere, um meio termo entre entrevista estruturada e a entrevista não estruturada. Geralmente se parte de um protocolo que inclui os temas a serem discutidos na entrevista, mas eles não são introduzidos da mesma maneira, na mesma ordem, nem se espera que os entrevistados sejam limitados nas respostas e nem que respondam a tudo da mesma maneira. O entrevistador é livre para deixar os entrevistados desenvolverem as questões da maneira que eles quiserem (MOREIRA; CALEFFE, 2008, p. 169).

Buscamos, nas entrevistas individuais, elaborar um roteiro flexível para a condução de um diálogo com os participantes que contribuísse para abarcar pontos essenciais (a seguir descritos) que pudessem contemplar as respostas que galgávamos no contexto deste estudo e que nos permitissem avaliar as questões do currículo que se pratica na Educação de Jovens e Adultos da EMPAA a partir da análise das falas dos discentes participantes.

Neste aspecto, concordamos com Mills (1986) que, o objetivo da pesquisa empírica é solucionar desacordos e dúvidas sobre fatos, e assim tornar mais

frutíferas as discussões, dando a todos os lados maior base substantiva. Pois, entender o olhar, a visão, análise do aluno no contexto do nosso objeto de estudo, é também, e por que não dizer, a busca de mais compreensão sobre a importância da participação ativa do aluno em sua formação escolar, em particular na EJA.

Por trabalharmos como membro do corpo docente na Educação de Jovens e Adultos, e em razão de cada entrevistado ser também nosso aluno, a busca foi por deixá-los à vontade para emitirem opiniões livres de qualquer agrado/desagrado ao entrevistador, de modo que pudéssemos chegar ao momento de interpretação das informações com condições de termos também a liberdade da isonomia interpretativa baseada nos nossos estudos teóricos, e, assim, complementar as reflexões acerca das respostas emitidas nas entrevistas e no Grupo Focal.

A partir de uma perspectiva reflexiva, apoiamo-nos também em princípios da entrevista de natureza compreensiva (no sentido da escuta sensível e na interpretação que surge na coerência do conjunto do processo da pesquisa), a partir de leituras exploratórias dessa metodologia de entrevista no viés ponderativo de que “não podemos, contudo, esquecer, no processo da interpretação compreensiva, os sentidos do próprio sujeito enquanto sujeito ‘implicado’ na construção de seu objeto de estudo”

(SILVA, 2012, p. 3). Muitas vezes foi necessário abdicar daquilo que entendemos sobre a EJA e sobre o currículo para que a possibilidade de entendimento de nossa parte chegasse a um ancoradouro seguro quanto ao sentido dado pelo participante ao expor sua fala; e, assim, ouvir sua voz buscando a compreensão significativa emitida na análise de nosso interlocutor enquanto ser individual e membro de uma coletividade. Neste ponto, referenciamo-nos em Augé (1999), que nos aponta aspectos como esses que estamos explanando de dupla polaridade: individual/coletiva, si-mesmo/outro.

O sentido social se ordena, pois, em torno de dois eixos. No primeiro (que se poderia chamar de eixo dos pertencimentos ou da identidade) são medidas as pertenças sucessivas que definem as diversas identidades de classe de um indivíduo. Ele vai do mais individual ao mais coletivo e do menos englobante ao mais englobante. O segundo (que se poderia chamar de eixo da relação ou da alteridade) coloca em ação as categorias mais abstratas e mais relativas do si mesmo e do outro, que podem ser individuais ou coletivas (AUGÉ, 1999, p. 44). Ao avançarmos no âmbito das problematizações teóricas sobre questões metodológicas, no que tange a entrevistas individuais, buscamos em Bourdieu

(1997) amparo teórico sobre o uso da entrevista como metodologia para conseguirmos acessar informações mais sinceras possíveis dos participantes concernentes às nossas intenções com vistas a dar amplitude e capilaridade ao currículo praticado na EJA da EMPAA, buscando desvelar nosso objeto de estudo. Assim, segundo este autor,

[...] a entrevista pode ser considerada como uma forma de exercício

espiritual, visando a obter, pelo esquecimento de si, uma verdadeira conversão do olhar que lançamos sobre os outros nas circunstâncias

comuns da vida. [...] O pesquisador para criar as condições de aparecimento de um discurso extraordinário, que poderia nunca ter tido e que, todavia, já estava lá, esperando suas condições de atualização (BOURDIEU, 1997, p. 704).

A partir desses aportes teóricos, fizemos uma semiestruturação do roteiro a partir de nossa questão de estudo e dos objetivos que delineamos, perpassando quatro grandes categorias norteadoras pelas quais nos guiamos nas entrevistas individuais. Esse roteiro flexível nos pareceu mais adequado para a realização da empreitada da pesquisa após a realização do Grupo Focal. Mesmo assim, no decorrer das conversas, nuances surgiram dentro das subjetividades dos participantes, frases, opiniões, inseguranças, afirmações, observações e – de acordo com a natureza das ponderações e pontos de vista – íamos e voltávamos dentro das categorias delimitadas e descritas abaixo, quais sejam:

- a Escola/EJA: estrutura física e pedagógica, organização escolar na EJA, gestão, o contexto da Educação de Jovens e Adultos na EMPAA, conteúdos da EJA, divisão curricular em dois blocos de disciplinas;

- docentes: as aulas, o ensino, as formas do trabalho docente, a interação professor/aluno, os conteúdos trabalhados, relação do ensino com o contexto social e cultural dos acontecimentos do entorno da escola e sua pertinência para a formação e utilização no dia a dia dos conteúdos abordados em sala de aula;

- discentes: interesse nas aulas, conhecimentos de vida, comportamento no cotidiano da escola, evasão, alunos jovens e alunos adultos, motivações e desmotivações, interesse e desinteresse, participação no processo de ensino e aprendizagem, interação aluno/professor;

- o Conjunto Nova Natal e a EJA: a história, problemas sociais e desenvolvimento, práticas culturais, costumes, pertinência de inserção dos conhecimentos gestados no dia a dia do conjunto no currículo da EJA da EMPAA, manifestações culturais e artísticas.

Dentre os pontos primordiais das entrevistas individuais para que chegássemos a alcançar mais aprofundado entendimento sobre o currículo que se pratica na EJA da EMPAA, em articulação com a inserção dos saberes das práticas culturais presentes no entorno da escola a partir da análise discente, nos pareceram fundamentais as questões acerca das práticas culturais dentro do cotidiano de Nova Natal e a sua imbricação ao currículo da EJA; das práticas docentes na EJA e também discentes (interesses nos estudos, comportamentos, participação ativa no cotidiano da escola, pertinência dos estudos em sala de aula em suas vidas cotidianas); do seu envolvimento ativo dos processos formais da educação escolar; dos conteúdos trabalhados nas salas de aula da EJA da citada instituição; da própria escola (sua cotidianidade na modalidade Educação de Jovens e Adultos, estrutura física e aparatos de gestão); e sobre a análise discente acerca da pertinência da inserção dos saberes presentes no cotidiano do conjunto Nova Natal ao currículo praticado dessa modalidade do Ensino Fundamental da escola em questão.

Entendemos que essa categorização geral (num contexto mais amplo) possibilita-nos refletir/problematizar formas de como o aluno participante contribui com suas análises sobre toda a complexidade que envolve o currículo da EJA, no contexto do processo de ensino e de aprendizagem nesta modalidade de Ensino Fundamental na Escola Municipal Professor Amadeu Araújo, para a formatação final deste trabalho.

As entrevistas ocorreram na escola, na sala pedagógica da instituição. Como já havia passado o recesso de meio de ano em 2012, as aulas estavam retomadas e tivemos algumas dificuldades em conseguir uma agenda para os encontros de forma a não prejudicar o andamento dos estudos escolares dos participantes. E, mais uma vez, estes se mostraram solícitos à realização de nossa pesquisa e, em comum acordo, conseguimos agendar as datas de acordo com a disponibilidade de todos. Assim, por vezes, diante da realidade das aulas em curso, nos sentimos interrompidos pelo dinamismo de uma escola em atividade, até mesmo com o barulho. Por outro lado, o

ambiente típico do período de aulas à noite, na EJA, de modo tácito nos propiciou observar reações dos entrevistados e comentários quando abordávamos o contexto da escola, das aulas, da diversidade inerente ao ambiente empírico.

Os participantes também chegavam para as aulas depois de trabalharem o dia todo. Isso significa que eles vinham de suas rotinas diárias: trabalho, casa, família, enfim, de seu cotidiano. Esse fato nos fez buscar compreender, posteriormente, como o aluno analisa as questões introduzidas na entrevista, os temas, as categorias, isto é, sua visão, sua forma de pensar acerca do que estava lhe sendo perguntado. Percebemos que, ao fazermos as entrevistas no tempo e lugar que eram possíveis, leia-se, a escola, durante as aulas, poderíamos comprometer as respostas dos alunos diante do fato de que eles também chegavam exauridos da rotina pesada de seu dia a dia respectivo, mas também compreendemos que estávamos diante do simulacro do cotidiano da EJA; mas, dada a natureza desta pesquisa, o olhar do aluno sobre sua análise nesse contexto poderia contribuir ainda mais para nossa intenção com esta proposta de investigação.

Para entendermos um pouco mais acerca do olhar do aluno da EJA, de sua forma de analisar seu processo formativo escolar, continuamos nos valemos do trabalho de Alvares (2012, p. 75), Arte e Educação Estética para Jovens e Adultos: as

transformações no olhar do aluno, quando aponta que:

A visão de mundo de uma pessoa que retorna aos estudos depois de adulta, após um tempo afastada dos bancos escolares, ou mesmo daquela que inicia sua trajetória escolar em uma fase adiantada da vida, é bastante peculiar. Protagonistas de histórias reais e ricos em experiências vividas, os alunos adultos configuram tipos humanos os mais diversos, homens e mulheres que vêm para a escola com crenças e valores já constituídos.

As reflexões dessa autora nos parecem relevantes, pois, no decorrer das entrevistas individuais, atentamos para o fato de que cada tipo de aluno corresponde a uma realidade pessoal e profissional distintas, pois são pessoas com responsabilidades familiares, sociais, econômicas (no mundo do trabalho), principiados em éticas e valores morais formados a partir da experiência, do ambiente, da realidade sociocultural em que estão inseridos. Assim, parece-nos necessário entender que,

Os conhecimentos prévios de um aluno adulto remetem a inúmeras espécies de saber, a uma travessia longa de percepções e indagações adquiridas ao longo de sua história de vida. A diversidade cultural brasileira espraia uma multiplicidade de saberes com características regionais muitos deles ligados à arte e ao artesanato, conhecimentos oriundos de usos e costumes dos diversos grupos sociais que se espalham pelo país (ÁLVARES, 2012, p. 79).

Entendemos, por meio da citação acima, que os conhecimentos e os saberes inúmeros que estão presentes nos olhares dos alunos participantes atendem às respostas que buscamos diante de nosso objeto de estudo, adensando nossas possibilidades de análises que nos permitam refletir até chegarmos ao cumprimento de nossos objetivos.

No decorrer das entrevistas e mesmo já durante o Grupo Focal, percebemos que haveria a necessidade de analisarmos os documentos que organizam a modalidade Educação de Jovens e Adultos do município do Natal, especialmente a Resolução 003/2011 do Conselho Municipal de Educação, e, por conseguinte o Projeto Político-Pedagógico (PPP) da Escola Municipal Professor Amadeu Araújo. A razão para analisar os citados documentos se deu em virtude das informações prestadas pelos participantes, a partir de suas análises sobre as questões que estavam sendo feitas no âmbito de nosso objeto de estudo. Fazer um imbricamento entre o teórico e o prático advindo das análises discentes no contexto deste trabalho nos pareceu pertinente para uma melhor construção de nosso trabalho.

O emaranhado pedagógico, administrativo e educacional, cotidiano e pulsante de uma escola, fez com que o processo empírico estivesse acontecendo enquanto o que buscávamos descobrir estava materializado e se materializando continuamente nas salas de aula e corredores da EMPAA, lá fora, no entorno da escola, naquele mesmo tempo simultâneo ao tempo da pesquisa. Dessa forma, com as escolhas epistemológicas e metodológicas acima narradas, realizamos a intervenção empírica deste trabalho, cujos resultados, compreensões, descrições e interpretações serão destrinchados no decorrer desta dissertação.

Benzer Belgeler